quarta-feira, 2 de maio de 2012

O doce nunca amargou?


Fotos: Publico

Ontem, ao regressar a Lisboa, não fiquei surpreendido ao ver o Pingo Doce ao pé de minha casa aberto. Estranhei foi o movimento inusitado em Dia do Trabalhador.
Já no elevador, uma vizinha indignada  explicou –me a razão de tanto frenesim consumista: o Pingo Doce escolhera o 1º de Maio para fazer uma campanha de descontos de 50%!  Contou-me, também, que muitos trabalhadores foram forçados a ir trabalhar, sendo ameaçados de represálias em caso de recusa.
Não fiquei surpreendido com a actuação do benemérito Soares dos Santos. Estou habituado às manobras de muitos patrões que tentam disfarçar a escroqueria do seu comportamento em relação aos trabalhadores, com acções de benemerência e caridadezinha muito propagandeada pela comunicação social.
Tampouco me surpreendeu a resposta dos consumidores portugueses, aderindo em massa – e com grande entusiasmo, como constatei ao final do dia pelas televisões - à  oferta de Soares dos Santos, um dos deuses do consumo em quem depositam toda a sua Fé consumista.
Um homem exibia, orgulhoso, um talão de 385€, anunciando diante das câmaras que pagara pouco mais de 200.
Uma mulher com a felicidade estampada no rosto e um dos dois carrinhos a abarrotar de papel higiénico – provavelmente estaria a precaver-se da eventualidade de uma diarreia  familiar provocada pela ingestão de alguns produtos deteriorados- berrava eufórica:
“ Isto hoje é uma festa! Lá dentro não há carrinhos e já quase houve porrada! Estive duas horas na fila da caixa, mas valeu a pena. Estou à espera do meu marido que traz mais dois carrinhos cheios, mas deve estar atascado no meio da confusão.”.
“Não acha estranho que as grandes superfícies estejam abertas no Dia do Trabalhador?”- perguntou timidamente a jornalista.
“Qual é o problema, filha? Mais vale estarem aqui a trabalhar do que andarem aos gritos na rua a protestar contra o governo. Festejam o Dia do Trabalhador logo à noite, que ainda é dia!”.


Insultei a mãezinha da mulher que não tem certamente culpa de ter uma filha néscia  mas, ciente que ela não me ouvia, fiz rewind. Lembrei-me de outros 1º de Maio em que era difícil encontrar um estabelecimento ou um restaurante aberto, porque os trabalhadores não abdicavam de sair à rua para defender os seus direitos e os patrões respeitavam essa opção. Como tudo mudou em tão pouco tempo! Agora os tugas andam à pancada para comprar iogurtes em final de prazo de validade a metade do preço!
Dirão muitos que é normal as pessoas aproveitarem a oportunidade de descontos tão elevados, para fazerem compras e até açambarcamento de produtos. Dirão outros que a culpa de as coisas estarem assim e o 1º de Maio se ter transformado numa festa de consumo é deste governo.
Discordo em absoluto. O que falta aos consumidores é consciência cívica e a culpa da situação a que chegámos é, também em grande parte, da falta de consciência cívica e do egoísmo doentio dos  portugueses, não só do governo. 
Se fossem um povo esclarecido,  perceberiam que este dia especial de descontos promovido pelo Pingo Doce, no Dia do Trabalhador, é um presente envenenado. A febre consumista – a fazer lembrar os tempos de vacas gordas- que se apoderou ontem de milhares de portugueses, por todo o país,  vai ter um preço. Será pago com perdas de regalias e direitos, aumento do desemprego e redução de salários. 
É certo que os consumidores portugueses também não têm uma associação de consumidores que lhes explique a importância da vertente  cidadã do consumo e os convide a boicotar este tipo de iniciativas. Pelo contrário, a maior associação de consumidores portugueses sempre defendeu a abertura das grandes superfícies ao domingo, usa técnicas de publicidade escabrosas para publicitar os seus produtos e  comporta-se, actualmente, como uma agência funerária, reciclada como prestadora de assistência a milhares de portugueses falidos. 
Diariamente, dezenas de pessoas  incapazes de cumprir o pagamento das dívidas assumidas perante os bancos, durante as duas décadas em que a Festa do Consumo assentou arraiais nas catedrais consumistas que pululam em cada bairro das grandes cidades e nos arredores das de média dimensão, recorrem à DECO pedindo ajuda. Na maioria dos casos não há solução, porque as pessoas  foram contraindo novos créditos para pagar aqueles que já não conseguiam cumprir e chegaram a uma posição insustentável.  
Fizeram ouvidos de mercador aos avisos que entidades como o extinto Instituto do Consumidor foi fazendo ao longo dos anos e agora acusam o governo, sem assumirem as suas próprias culpas e responsabilidades.
Ontem, depois de ver o espectáculo mediático montado em redor da operação de marketing do Pingo Doce, perdi a vontade de gritar na rua em defesa dos direitos dos trabalhadores. A minha vontade, agora, é pedir  um povo novo para Portugal. Este está corroído pelo vírus consumista e, quando lá para 2015, o governo anunciar que irá restituir 25 ou 30 por cento dos subsídios de férias que lhe roubou, acorrerá às urnas e, muito agradecido, votará pela continuidade deste governo por mais quatro anos.
Não é de espantar que isso suceda. A maioria dos nossos governantes saiu do seio deste povo mesquinho e egoísta, com sede de protagonismo, seja nos Morangos com Açúcar, nos concursos musicais  ou Big Brothers onde se fabricam vedetas à pressa, para serem consumidas no palco mediático como “fast food” cultural. Os portugueses revêem-se neles mais do que pode parecer. São as vedetas da política e - como dizia uma alentejana na Ovibeja referindo-se a Assunção Cristas- "a mocinha até é muito gira. Ele (Passos Coelho) também é muito giro, só foi pena ter-nos tirado os subsídios, mas a gente lá se aguenta".
Então aguentem e continuem a pensar que o doce-  seja servido à colher, à fatia, ou em Pingos de desconto- nunca amargou. Mas depois não se venham queixar que os filhos não têm emprego e que vivemos pior do que há 40 anos, tá?

23 comentários:

  1. Como já lhe tinha dito, na minha loja sem descontos, ;)concordo em absoluto com tudo o que diz no post... assim, depois daquela conversa do PC que, em 2013, vamos gastar mais em juros do que na saúde, na educação e na seg.social, com um povo assim, basta que no dia em que ele resolva cortar mais alguma coisa, façam uma campanha de descontos ou... um joguito de futebol.

    Bjos

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  2. Carlos
    Embora me pareça que por trás da "montanha" há muita coisa escondida que vai demorar o seu tempo até ser mostrada, partilho do seu desalento, embora me pareça que não devemos generalizar tanto. Quantos foram os parolos que foram a correr? 100/200 mil? Acho que não foi tanto. Lá que deu nas vistas, deu, mas estamos num País com 10 Milhões.
    Vou aguardar para ver as consequências e a forma como as nossas "autoridades" vão agir.
    Abraço
    Rodrigo

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  3. A frase da alenteja na Ovibeja é o retrato do povo merdoso que somos.

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  4. Como eu gostava que o comentário do Carlos fosse antes assim:

    As suas críticas aos portugueses são absolutamente estúpidas, Teresa!
    O nosso povo, é um povo que sofre com as austeridades da Angela Merkel, mas mesmo assim, é um povo civilizado, consciente, que no Dia do Trabalhador foi para a rua gritar contra o governo e contra os donos do Pingo Doce.
    Um povo que não se vende por 50%!!!

    A sua análise deste tristíssimo acontecimento é excelente e choro, no seu ombro, a afundação moral do nosso povo.

    E não me venham dizer que a culpa é da crise, pois se este povo andou à pancada por causa da compra de bacalhau, se um dia tiverem mesmo fome comem-se uns aos outros.

    Se um super-mercado alemão fizesse uma oferta destas, claro que, apareceria um ou outro alemão e principalmente estrangeiros, mas nunca acabaria num arrail como o de ontem.

    Não escrevi nada sobre o assunto no "ematejoca azul", porque muitos amigos e familiares alemães o visitam, e alguns deles sabem espanhol e italiano, e eu não quero que tenham conhecimento do que se passou ontem em Portugal.
    Felizmente, ainda não encontrei essa notícia nos jornais alemães.

    Para terminar, também condeno o empresário ou dono do Pingo Doce pela ideia dos 50%, ideia mesmo muito perversa, mas um povo digno não punha lá os pés.

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  5. Assino por baixo, em cima, ao lado, onde o meu amigo disser. Abraço.

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  6. Meu caro Folha Seca, pois foram esses mesmos parolos que foram a correr a votar no PPC e no Cavaco, por isso não se queixem, pois têm o governo que merecem!!!

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  7. Aqui temos algo parecido com esta oferta com uma grande rede de magazines.Eles vendem peças de mostruário com descontos assim.As pessoas dormem na fila em frente à porta, muitos perdem o dia do trabalho para levar para casa algo que talvez nem precise, como uma nova televisão, nova geladeira, freezer, liquidificador e etc. E fazem dívidas por mais 10 ou 12 meses.O que eles não conseguem enxergar que os novos produtos de mostruário virão com este suposto "desconto" embutido no novo preço.E se "teoricamente" não existe crise aqui, como existe aí, qual o motivo de tamanha correria???

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  8. Carlos,
    li-o e muito bem... e por aqui fico quanto "aos pingos doces"...
    Fui ao 1º de Maio , Alameda. Paro, escuto e olho ,fotografo e deprimo-me.
    Eu não sabia bem porque me depria, mas o Carlos ajudou-me.
    Deprimo porque eu devia estar ali muito mais acompanhada, como estive no 25 de Abril.
    E estou ali por mim, e pelo povo que não está. Por um POVO estúpido que tanto açambarca por falta como por excesso...
    E é por causa deste Povo parvo, sem noção do que é ser cidadão que tambem deprimo, pela insegurança que me dá na forma futura do meu envelhecimento.
    Sonho que as crianças que me passaram pela mão sejam diferentes...
    Sonho....

    Abraço

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  9. Concordo com o texto, mas aguardo o desenrolar dos acontecimentos...
    Se a coisa ficar por aqui, então, rendo-me!
    Mas espero que haja consequências pois isto é um caso de concorrência desleal, além de muitas outras coisas feias que me abstenho de nomear.
    E o Passos Coelho a rir...porra!

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  10. Entretanto já encontrou os meus 2 comentários, Carlos.

    Não fiquei nem muito, nem pouco, surpreendida: a sua crónica é exactamente como estava à espera e também como queria que ela fosse.

    Infelizmente é verdade, aquilo que eu sempre digo sem o sentir realmente, até ao dia de ontem: tirando um par de intelectuais, todos nós somos raparigas e rapazes de Boliqueime.

    Concordo que tem de haver consequências para o perverso dono do Pingo Doce como também para o povinho, que havia de ser obrigado a oferecer todas as mercadorias aos sem-abrigo.

    O PPC não se está a rir, está sim, a pensar em emigrar, pois não quer ser presidente de um povo com menos vergonha do que a dele.

    Sobre o seu comentário sobre o Sarko falamos mais tarde, para já só digo que a minha amiga Angie é como um camaleão, por isso, não vai ter problemas com o "Flamby"!!!

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  11. A minha grande surpresa, no meio de todo este circo, consiste no facto das pessoas terem conseguido dispender tanto dinheiro duma assentada! Mas, então,não estamos a atravessar uma crise económica e social, com milhares de desempregados, ordenados em atraso,cortes de pensões e de subsídios?!

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  12. Vejo pelos comentários que nem todos compreenderam, que o que ontem aconteceu no Pingo Doce não é a mesma coisa do que estar à porta de uma livraria toda a noite à espera de um novo livro do Harry Potter.

    A ideia dos 50% foi uma bofetada directa aos sindicatos, que queriam que o povo festejasse o Dia do Trabalho, feriado obrigatório na Europa.

    Também eu fiquei surpreendida que as pessoas gastassem uma média de 700€, como uma tuga disse numa entrevista no JN.

    Carlos, por favor, não escreva mais sobre a crise material do nosso povo, escreva sim, sobre a crise mental!!!

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    1. ematejoca
      É mesmo caso para dizer: CRISE MENTAL. Triste. Muito triste.

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  13. Revejo-me totalmente no seu texto e em todos os comentários dos amigos que aqui vêm... mas muito particularmente revejome no diz a ANAMAR... também sonho, mas sei bem que é apenas um sonho. No fundo não acredito numa evolução humana, porque todos os dias diante dos meus olhos, em pequenos exemplos, "baixa o pano" e confronto-me com a alarvidade humana, muitas vezes disfarçada em "punhos de renda"... Hoje, sinceramente vomito "PINGO DOCE" e excuso-me a escrever ou falar deste degradante episódio, que foi apenas mais uma amostragem da sociedade que temos. Na minha cabeça, a imaginação fértil que tenho, remete-me imediatamente para o cenário de alguém que por gozo, dá punhados de milho aos pombos e extasia com os magotes que sem pensar lhe vêm comer às mãos, dizendo: Venham seus míseráveis comam e comam-se uns aos outros, porque afinal de contas sempre é o dinheiro que fala mais alto!
    Abraço (Hoje, um pouco mais triste e negativa que o costume)

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  14. Espero que no mínimo

    se sintam roubados nos outros dias

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  15. Não podia concordar mais, Carlos. E tb isto se deveu, sobretudo, à falta de civismo.

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  16. Concordo com tudo o que escreveu, Carlos, embora não tenha nada contra os hipermercados estarem abertos aos domingos. Mas, se até ao ano passado os empresários do setor davam davam apenas 3 feriados por ano aos seus trabalhadores, não é de uma grande mesquinhez acabar com um, unilateralmente? Isso e depois inventar esta operação diz-nos muito sobre o salafrário do homem.

    Do mesmo modo, senti vergonha por este povo! Basta acenarem-lhe com uma cenoura à frente do focinho e lá vão eles em corrida desbragada, prontos até para andar à chapada!

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  17. Quanto ao seu artigo Carlos, está de se lhe tirar o chapéu. Pena que os néscios nunca lhe tenham acesso!

    Vai uma ESTALADA para a crise mental do povo português?

    Nação valente e imortal
    por António Lobo Antunes - 1 de Maio 2012

    Agora sol na rua a fim de me melhorar a disposição, me reconciliar com a vida. Passa uma senhora de saco de compras: não estamos assim tão mal, ainda compramos coisas, que injusto tanta queixa, tanto lamento. Isto é internacional, meu caro, internacional e nós, estúpidos, culpamos logo os governos. Quem nos dá este solzinho, quem é? E de graça. Eles a trabalharem para nós, a trabalharem, a trabalharem e a gente, mal agradecidos, protestamos. Deixam de ser ministros e a sua vida um horror, suportado em estóico silêncio. Veja-se, por exemplo, o senhor Mexia, o senhor Dias Loureiro, o senhor Jorge Coelho, coitados. Não há um único que não esteja na franja da miséria. Um único. Mais aqueles rapazes generosos, que, não sendo ministros, deram o litro pelo País e só por orgulho não estendem a mão à caridade.

    O senhor Rui Pedro Soares, os senhores Penedos pai e filho, que isto da bondade às vezes é hereditário, dúzias deles.

    Tenham o sentido da realidade, portugueses, sejam gratos, sejam honestos, reconheçam o que eles sofreram, o que sofrem. Uns sacrificados, uns Cristos, que pecado feio, a ingratidão. O senhor Vale e Azevedo, outro santo, bem o exprimiu em Londres. O senhor Carlos Cruz, outro santo, bem o explicou em livros. E nós, por pura maldade, teimamos em não entender. Claro que há povos ainda piores do que o nosso: os islandeses, por exemplo, que se atrevem a meter os beneméritos em tribunal. Pelo menos nesse ponto, vá lá, sobra-nos um resto de humanidade, de respeito.

    Um pozinho de consideração por almas eleitas, que Deus acolherá decerto, com especial ternura, na amplidão imensa do Seu seio. Já o estou a ver Senta-te aqui ao meu lado ó Loureiro Senta-te aqui ao meu lado ó Duarte Lima Senta-te aqui ao meu lado ó Azevedo que é o mínimo que se pode fazer por esses Padres Américos, pela nossa interminável lista de bem-aventurados, banqueiros, coitadinhos, gestores que o céu lhes dê saúde e boa sorte e demais penitentes de coração puro, espíritos de eleição, seguidores escrupulosos do Evangelho. E com a bandeirinha nacional na lapela, os patriotas, e com a arraia miúda no coração. E melhoram-nos obrigando-nos a sacrifícios purificadores, aproximando-nos dos banquetes de bem-aventuranças da Eternidade. As empresas fecham, os desempregados aumentam, os impostos crescem, penhoram casas, automóveis, o ar que respiramos e a maltosa incapaz de enxergar a capacidade purificadora destas medidas. Reformas ridículas, ordenados mínimos irrisórios, subsídios de cacaracá? Talvez. Mas passaremos sem dificuldade o buraco da agulha enquanto os Loureiros todos abdicam, por amor ao próximo, de uma Eternidade feliz. A transcendência deste acto dá-me vontade de ajoelhar à sua frente.

    Dá-me vontade? Ajoelho à sua frente, indigno de lhes desapertar as correias dos sapatos. Vale e Azevedo para os Jerónimos, já! Loureiro para o Panteão, já! Jorge Coelho para o Mosteiro de Alcobaça, já! Sócrates para a Torre de Belém, já! A Torre de Belém não, que é tão feia. Para a Batalha. Fora com o Soldado Desconhecido, o Gama, o Herculano, as criaturas de pacotilha com que os livros de História nos enganaram.

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  18. Desculpe a extensão do comentário, mas não resisti e é apenas metade. Leia o resto aqui, que vale bem a pena:

    http://www.resistir.info/portugal/nacao_valente.html

    Um beijo

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  19. Já estão a legislar a granel e à pressão Carlos... isto é ver para crer!

    Governo quer aprovar nova lei para evitar promoções inesperadas
    http://economia.publico.pt/Noticia/campanhas-no-comercio-vao-ser-cada-vez-mais-espectaculares-1544400

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  20. Muito bom... Carlos. Arrancou-me umas gargalhadas pelo caminho, confesso. :) Mas a verdade nua e crua é que é uma triste realidade, espelho do triste fado atual do país que estamos. Ou somos?

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  21. Alguém bem a propósito escreveu: "somos umas putas morais - vendemo-nos por 50% de desconto".

    Na barricada contrária onde entrgeou a alma Manuel Villaverde

    Cabral qualificou a iniciativa como "genial".

    Quem há muito caracterizou tudo isto foi Alexandre Herculano, ele conhecia bem as gentes deste país...

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  22. Carlos,
    Se volto a ouvir/ler algo sobre o Pingo Doce, grito!!!!
    Nunca tiveram tanta publiciadde à borla os f.....da p......!!

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