terça-feira, 29 de maio de 2012

De Kiev à Cidade Maravilhosa:o mercado a funcionar, mas pouco...




Há umas semanas, durante uma visita à Ucrânia, Michel Platini chamou ladrões e outros indecorosos epítetos aos hoteleiros, por se estarem a aproveitar do Euro ( o da bola, não aquele com que se compram os melões…) para  aumentar o preço dos hotéis entre 10 a 20 vezes, em relação ao preço normal.
Não pude deixar de concordar com Platini, mas estranhei que tivesse sido o único a tecer críticas. Eu sei que são os mercados a funcionar,  como gostam de dizer os liberais, sempre crédulos quanto à auto-regulação dos mercados e avessos à intervenção do Estado na economia, mas lamentei o silêncio do governo ucraniano e das instâncias europeias que bem poderiam ter aproveitado a oportunidade para ameaçar um boicote de protesto ao Euro, em vez de o fazerem a pretexto de umas alegadas sevícias de que estará a ser vítima Julia Tomoschenko, ex- presidente ucraniana que perdeu as eleições a favor de um candidato pró Rússia.
Hoje, estou aqui a dizer que os meus lamentos se transformaram em duras e amargas críticas à UE.
 Como muitos saberão realiza-se em Junho, no Rio de Janeiro, a cimeira Rio+20,  conferência internacional sobre meio ambiente que evoca  a Cimeira da Terra, realizada na mesma cidade em 1992.
Ora, aproveitando a deslocação de inúmeras delegações internacionais, os hoteleiros da Cidade Maravilhosa fizeram explodir os preços. Há quem diga que se trata de um teste da indústria hoteleira que, perante a aproximação do Mundial 2014 e das Olimpíadas de 2016, quer saber até onde pode esticar a corda.

Há dias, a delegação do Parlamento Europeu comunicou que não se deslocaria ao Rio de Janeiro, como forma de protesto contra os preços exorbitantes que estavam a ser praticados pelos hoteleiros cariocas. Vários países europeus secundaram os protestos e Dilma Rousseff saiu a terreiro, impondo uma redução dos preços.
As alegações de Dilma são, em minha opinião, inatacáveis:
“ A lei da oferta e da procura não se traduz em práticas abusivas porque, se houver práticas abusivas o governo tem não só o direito, mas a obrigação, de defender os consumidores e a imagem do país”- explicou a presidente brasileira em conferência de imprensa.
Ora, como creio ter ficado claro, não é esse o entendimento das instituições europeias, que se calam quando os abusos são cometidos no seu seio, mas se apressam a protestar quando a prática é usada em países terceiros.  Mais uma vez, a Europa ficou mal na fotografia…
 E mais uma vez, também, se percebeu que a teoria de que se deve deixar o mercado funcionar livremente é uma falácia. 

1 comentário:

  1. Grande Dilma, que não embarca cá em tretas de auto-regulação dos mercados... :)

    Nós por cá, Europa, é o costume! :P

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