quinta-feira, 31 de maio de 2012

Tal pai tal filho...

Jardim tem a sucessão assegurada mas, pela frase lapidar na hora da despedida, o ídolo do mostrengo deve ser o Relvas.

Pequenos equívocos, sem importância

O governo enganou-se nas contas. Um pequeno erro de 238 milhões de euros, que agrava as perdas das receitas fiscais.
Quem não se enganou foi Pedro Passos Coelho ontem na AR, ao afirmar que Relvas será ministro enquanto quiser. Mas isso não é novidade, pois já todos sabíamos que PPC está refém de Relvas e não o pode demitir. Como irmãos siameses, estão ligados para o bem e para o mal. Embora ninguém arrisque dizer onde estão as  virtudes susceptíveis de os unir para boas causas.

Aproveitem a oportunidade!


Desde o início do ano, aumentou exponencialmente o número de pessoas com mochilas às costas. São novatos inexperientes que ainda não sabem como se devem comportar nos transportes públicos quando viajam com aqueles apêndices e, digo-vos, ando um bocadinho cansado de levar nas trombas com mochilas quando viajo de metro.
 É bem visível que o aumento do número de pessoas com mochilas às costas não se deve a um súbito interesse pelo ginásio ( até porque os preços elevados levaram muitos fãs a abandoná-los) , mas sim ao facto de as pessoas transportarem nas mochilas o almoço e os respectivos utensílios, bastante mais agressivos do que os fatos de treino.
Tendo em consideração a necessidade de preservar a minha integridade física, mas também a bolsa destes novos mochileiros, tenho uma sugestão a fazer. Recorram aos serviços desta empresa e dêem-me um bocadinho de paz,.
Juro que não tenho nada a ver com a empresa…

Assim, percebe-se melhor...

Muito curioso o conceito de mentira de Relvas... 
Não só pelo que revela da sua personalidade e forma de estar na vida, mas também pelo que permite inferir em relação à forma de actuar deste governo. Garantir em campanha que não se corta o subsídio de Natal e depois cortar também o de férias, não é mentir, é apenas uma correcção dos factos. Estamos esclarecidos...

Informação útil: a resposta à pergunta que vos fiz aqui é simples: só precisa de pedir factura com número de contribuinte, quem paga IVA. 

E agora? Vão experimentar o Tide?


Enquanto na Comissão Miguel Relvas fazia declarações que contrariavam as que fizera no mesmo local há duas semanas, no plenário Pedro Passos Coelho envidava todos os esforços para limpar a imagem do amigo que o catapultou para S. Bento.
Foi bonito ver a família Pinóquio da S. Caetano à Lapa unida em defesa de um dos seus e, em simultâneo, a preparar de forma muito engenhosa a opinião pública para a decisão da ERC sobre o caso das pressões à jornalista do "Público"  que, obviamente, não dará em nada pelas razões que já anteriormente aduzi.  Bonito, mas pouco eficaz. Ninguém acreditou nesta operação limpeza minuciosamente preparada nos gabinetes e Relvas estava tão baralhado que afirmou ter sido eleito para ministro. Desta vez, o OMO não lavou mais branco. Que tal experimentarem o Tide?
Razão tem Sá Fernandes quando afirma que o combate à praga do escaravelho não pode ser só feita em Lisboa 

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Com ou sem pi...?




( sendo que pi é aquela coisa que espantou  o Catroga por ser uma preocupação dos jornalistas)

Até há pouco tempo era usual  em qualquer restaurante, no momento de pagar a conta, o empregado perguntar: com ou sem factura? 
Agora quase todos os estabelecimentos já assumiram a obrigatoriedade de passar factura e a pergunta  passou a ser formulada de outra forma. Quer a factura  com ou sem nº de contribuinte?
A pergunta remete-me de imediato  para uma tasca na Baixa lisboeta  onde, nos idos de 60 e 70, se vendiam bebidas com nomes impublicáveis num blog respeitável como o CR. O proprietário da tasca- referenciada em alguns roteiros turísticos- costumava perguntar quando se pediam certas bebidas: Com ou sem pi…?
Sendo que, neste caso, o pi… era um pedaço de casca de limão.
Agora, pergunto eu: sabem porque vos fazem  a pergunta  nos estabelecimentos? E vocês, pedem facturas com ou sem pi…?

Insiste, insiste, flecte, flecte!



Era tempo de a CE, o BCE e o FMI deixarem de trautear o "Samba de uma nota só"
E que tal reduzirem o horário de trabalho, para criar mais emprego?

No Ponsul com Moussakas e Maranhos



Motivos profissionais  sentaram à minha mesa, no sábado à hora do almoço, quatro JEEP  ( Jovens Empreendedores de Elevado Potencial). Uma vez que a mim já vocês conhecem, passo a apresentar os comensais que comigo partilharam o repasto com vista para o rio Ponsul :
M- licenciado em gestão , com residência na margem sul do Tejo e passagem breve por Itália no âmbito do programa Erasmus. Teve uma experiência política chegando a desempenhar, por eleição, um cargo autárquico. Desiludiu-se  e “decidiu ir trabalhar”. É um jovem empresário de sucesso estabelecido em Lisboa.
R- licenciado pela universidade da vida, herdou o negócio do pai, modernizou-o e reconverteu-o. Trocou o Porto natal e as noites de boémia por um negócio industrial de pequenas dimensões na  Beira Interior. Está a lançar-se na exportação, tendo como mercado preferencial a América Latina.
P-  12º ano incompleto, subiu na vida a pulso, seguindo o exemplo dos alpinistas que diariamente compartilham com ele o gosto da escalada na Serra da Estrela.  A crise apanhou-o desprevenido e o negócio de import-export  com âncora na China e base operacional em Amsterdam está a atravessar um período difícil.
C- É a única mulher deste restrito grupo de comensais JEEP. Completado o 12º ano, inscreveu-se em engenharia na Universidade do Porto, mas abdicou da licenciatura para frequentar  um curso profissional onde pudesse dar asas à sua veia criativa na área do  design de jóias e moda. A crise não lhe coartou a arte, mas fez  definhar o negócio que prometia ser próspero. Compra e venda de ouro num estabelecimento nos arredores do Porto é o negócio alternativo.

Só conheci os perfis dos que comigo partilharam Maranhos e outras iguarias, durante o repasto cuja ordem de trabalhos era o empreendedorismo jovem. Dessa parte não vos vou dar aqui notícia pois estou obrigado, por dever  e ética profissional, a reservar esses detalhes para uma reportagem a publicar na revista que pagou o meu trabalho e custeou o almoço.
Atenho-me, por isso, à conversa  da  hora da sobremesa, onde pontificaram Nógados, Pantufas e  Papas de Carolo. E a conversa, meus amigos,  foi sobre a Grécia, matéria em que  três dos JEEP se tentaram notabilizar pelos conhecimentos da realidade do país.
Já estive na Grécia três ou quatro vezes, mas fiquei ciente da minha ignorância sobre o país ao ouvir as teses destes JEEP que revelaram um extraordinário conhecimento da realidade grega, apesar de nunca lá terem estado e só conhecerem o que lá se passa por relatos televisivos, polvilhados com crónicas jornaleiras. 
Por unanimidade e aclamação, estes JEEP decretaram que a Grécia devia sair da zona euro, porque os gregos são uns calaceiros e vigaristas, uma sub-espécie de ciganos romenos a quem não se deve comprar nem um relógio, mesmo que eles assumam ser de contrafacção e façam descer o preço para  patamares  consentâneos com a origem do produto.
Fiquei também a saber que a esquerda grega é um grupo de extremistas que nunca fez nada na vida e só quer  tacho , estando-se marimbando para a miséria dos gregos ( não consegui perceber qual é o problema que os JEEP vêem nisso, uma vez que advogam a saída da Grécia do euro, mas o problema é certamente meu).
A menina JEEP não se esqueceu de recordar que os gregos são uns corruptos e vigarizaram as contas para entrar no euro, mas ficou de monco caído quando lhe perguntei se me sabia explicar a razão de a Alemanha não ter levantado objecções   à entrada da Grécia, apesar de saber das falcatruas das contas gregas.
Hélas! O JEEP que andou a fazer tirocínio político no PSD, mas desistiu quando estava no patamar autárquico, para abraçar o empreendedorismo, respondeu:
- À Alemanha convinha que os gregos entrassem para o euro, porque isso lhes permitia ganhar muito dinheiro. Aliás, ainda hoje estão a ganhar! Só em material de guerra é um fartar vilanagem.
Por ser verdade e a tirada me ter impressionado favoravelmente, ainda pensei telefonar para a S. Caetano a propor o nome do rapaz para secretário de estado do Álvaro, alegando em sua defesa ser empresário de sucesso desiludido com a política no tempo em que Barroso trocou as sardinhas de Lisboa e, armado em cherne, navegou até Bruxelas para se empanturrar com mexilhões.
 Desisti quando o mesmo JEEP, na tentativa de mostrar a sua erudição em matéria de política económica europeia, acrescentou:
- Claro que isso só foi possível, porque quem governava a Alemanha na altura era o SPD!|

Boa tarde tio Pedro, venha o cafezinho antes que eu esqueça a minha obrigação de ser um ouvinte atento e neutral  e me ponha a rebater estas teorias, porque a conversa pode azedar e o Lince da Malcata não vem em minha defesa. 
O R pediu um uísque, a C uma caipirinha e eu fui para a varanda com vistas para Penha Garcia, fumar uma cigarrilha, enquanto desfrutava a aragem  batida, vinda das margens do Ponsul.
No final, fazendo jus à minha alma escorpiana, lancei o repto em jeito de professor a ditar os TPC para os seus alunos:
- Na próxima vez que nos encontrarmos, vamos falar das consequências para Portugal se a Grécia abandonar o euro?
A resposta veio em inequívoco uníssono:
- Pois, esse é que é o grande problema. Somos capazes de também ter de sair…
Pronto, estamos todos de acordo, encontramo-nos no funeral da Europa se ninguém estiver disposto a salvá-la.  Agora ala que se faz tarde, tenho de ir andando,  próxima paragem é  Vila de Rei para uma  conversa com imigrantes. 

terça-feira, 29 de maio de 2012

Desgraçada família

Já imaginaram uma casa onde convivem três gerações e o gato parece ser o único com juízo? Podem conhecê-lo aqui e aproveitar para recordar uma série televisiva que se adapta na perfeição aos tempos que vivemos.

Siva Carvalho gravou conversa entre Relvas e Passos Coelho

Eu sei que os leitores estão fartos de vir aqui e apanhar com o Relvas, mas não podia deixar de vos contar,  off the record, um diálogo entre Pedro Passos Coelho e Miguel Relvas  gravado por Jorge Silva Carvalho:
PPC- Miguel, tens de te demitir, porque mentiste na AR sob juramento e estás a causar-me embaraços...
Miguel Relvas : Ómessa! Tu e o Cavaco também juraram cumprir a Constituição e ainda não se demitiram...

A canção da Primavera

Sempre fui muito recatado nas exaltações à primavera árabe. Nunca enfileirei no coro de regozijos que anunciavam a liberdade. O resultado nas eleições no Egipto foi esclarecedor. Os egípcios vão às urnas, numa segunda volta, para escolher entre o fundamentalismo islâmico e o regresso ao regime de Moubarak.
Como previra,a  primavera parece ter durado pouco tempo...

De Kiev à Cidade Maravilhosa:o mercado a funcionar, mas pouco...




Há umas semanas, durante uma visita à Ucrânia, Michel Platini chamou ladrões e outros indecorosos epítetos aos hoteleiros, por se estarem a aproveitar do Euro ( o da bola, não aquele com que se compram os melões…) para  aumentar o preço dos hotéis entre 10 a 20 vezes, em relação ao preço normal.
Não pude deixar de concordar com Platini, mas estranhei que tivesse sido o único a tecer críticas. Eu sei que são os mercados a funcionar,  como gostam de dizer os liberais, sempre crédulos quanto à auto-regulação dos mercados e avessos à intervenção do Estado na economia, mas lamentei o silêncio do governo ucraniano e das instâncias europeias que bem poderiam ter aproveitado a oportunidade para ameaçar um boicote de protesto ao Euro, em vez de o fazerem a pretexto de umas alegadas sevícias de que estará a ser vítima Julia Tomoschenko, ex- presidente ucraniana que perdeu as eleições a favor de um candidato pró Rússia.
Hoje, estou aqui a dizer que os meus lamentos se transformaram em duras e amargas críticas à UE.
 Como muitos saberão realiza-se em Junho, no Rio de Janeiro, a cimeira Rio+20,  conferência internacional sobre meio ambiente que evoca  a Cimeira da Terra, realizada na mesma cidade em 1992.
Ora, aproveitando a deslocação de inúmeras delegações internacionais, os hoteleiros da Cidade Maravilhosa fizeram explodir os preços. Há quem diga que se trata de um teste da indústria hoteleira que, perante a aproximação do Mundial 2014 e das Olimpíadas de 2016, quer saber até onde pode esticar a corda.

Há dias, a delegação do Parlamento Europeu comunicou que não se deslocaria ao Rio de Janeiro, como forma de protesto contra os preços exorbitantes que estavam a ser praticados pelos hoteleiros cariocas. Vários países europeus secundaram os protestos e Dilma Rousseff saiu a terreiro, impondo uma redução dos preços.
As alegações de Dilma são, em minha opinião, inatacáveis:
“ A lei da oferta e da procura não se traduz em práticas abusivas porque, se houver práticas abusivas o governo tem não só o direito, mas a obrigação, de defender os consumidores e a imagem do país”- explicou a presidente brasileira em conferência de imprensa.
Ora, como creio ter ficado claro, não é esse o entendimento das instituições europeias, que se calam quando os abusos são cometidos no seu seio, mas se apressam a protestar quando a prática é usada em países terceiros.  Mais uma vez, a Europa ficou mal na fotografia…
 E mais uma vez, também, se percebeu que a teoria de que se deve deixar o mercado funcionar livremente é uma falácia. 

É sempre bom lembrar...

Que António Vitorino e Murteira Nabo se demitiram depois de acusações feitas na imprensa sobre fuga a impostos, que vieram a revelar-se infundadas;
Manuel Pinho demitiu-se depois de ter feito uns corninhos na AR;
Jorge Coelho saiu pelo seu pé logo após  o desastre de Entre os Rios.
Todos estes ministros são do PS.
Carlos Borrego, do PSD, contou uma anedota pouco apropriada. Apontaram-lhe a porta de saída e ele obedeceu. É, até ao momento, o único "mártir" do PSD.
Neste momento, temos um ministro que mentiu à AR, é acusado de fazer ameaças sobre a vida privada de uma jornalista, priva com um canalha que tem o ADN de um PIDE e tem o desplante de vir para os jornais dizer que depois de todas estes casos sairá mais forte.
O PM que jura ser honesto e garante o despedimento de  um ministro que minta, remete-se ao silêncio e esconde-se como rato de esgoto, à espera que a crise passe.
Ainda alguém se admira quando Balsemão diz que isto está pior do que no tempo da PIDE?
E a tudo isto que diz Cavaco? Não se sabe, mas talvez esteja a pedir conselhos a Oliveira e Costa, Duarte Lima e Dias Loureiro...

segunda-feira, 28 de maio de 2012

As jovens democracia do Leste Europeu

Passei completamente ao lado do Eurofestival da canção que, soube hoje, se realizou em Baku, capital da florescente república ditatorial do Azerbeijão. 
As instâncias europeias apostam cada vez mais em países da ex-URSS, onde a democracia parece não ser muito apreciada, para realizar eventos europeus. 
Como é o caso da Ucrânia, país  co-organizador do Euro 2012,  cujo retrato traçado por Sol Campbell à BBC é francamente animador.

Abril(6)- Melodias de Sempre


(Continuado daqui)


Quando chegou a casa,  Cátia Janine estranhou que a  mãe estivesse  na  cozinha a preparar  o jantar, porque ao domingo o almoço era sempre tardio e reforçado e à noite só comiam uma refeição  ligeira.
“ Então a cozinhar ao domingo, mãe?”
“ Foste fazer um pic-nic deves vir com fome. Só estou a fazer uns bifinhos e fritar umas batatas, também não é grande coisa…
“Ó Mãe, já lhe disse para se deixar dessas coisas. Sou maior e vacinada se tiver fome cozinho para mim! Além disso já teve imenso trabalho ao almoço”.
“ Foi só para mim e para o teu pai. O teu irmão não veio, porque a Teresinha  hoje acordou com febre, parece que está com gripe e eles  ficaram em casa”.
“ Vou só ali dar um beijo ao pai e já venho ajudá-la” 
“  Vai lá fazer companhia ao teu pai, que não te quero aqui na cozinha. Já basta teres de trabalhar a semana inteira”
“ E a mãezinha não se farta de trabalhar?”
“ Isso era quando tinha de tratar de ti e do teu irmão, filha. Agora sou só dona de casa, ninguém dá valor a isso. Tratar da roupa  fazer o comer e manter a casa limpinha não é coisa que dê muito trabalho...”
“ Ó mãezinha, não diga isso! Eu sei bem que isso dá um trabalhão, não desvalorize o seu trabalho…”
“ Pois, está bem… olha vai mas é ter com o teu pai que está ali em cuidados por tua causa”.
Cátia Janine deu mais um beijo à mãe, afagou-lhe o resto com ternura e foi ao encontro do pai que dormitava na sala com a televisão ligada e um livro sobre o regaço.
Àquela hora devia estar a dar o Telejornal, mas no ecrã  apenas se lia “ Pedimos desculpa pela interrupção, o programa segue dentro de momentos”.

“ Olá paizinho! A televisão está cada vez pior. Ou é isto ou a Mira Técnica, programas é que não há nada de jeito”.
“Qualquer dia deixo de pagar a licença da televisão! 300 mil réis por ano para ver porcarias… se ao menos ainda dessem as Melodias de Sempre ou repetissem os programas  do João Villaret… mas não… é só embarque de soldados para o Ultramar, Fátima, conversas do Marcelo e séries americanas! Até parece que  somos uma colónia deles”.
“Que está a ler paizinho?”
“ Um livro do James Bond. Já estou farto do Sherlock Holmes e do Poirot, este sempre é diferente”.
“ Estou a ler um livro que o paizinho deve gostar. O Arquipélago de Gulag”.
“  Isso é uma porcaria! Só diz mentiras…
“Porque diz isso paizinho? O Alexandre Soljenitsin é um Prémio Nobel e foi muito perseguido na Rússia, viveu aquilo tudo !”
“ Não é Rússia que se diz, Cátia… é União Soviética! E sei que  esse Alexandre qualquer coisa é um aldrabão, porque uns amigos meus que até são doutores já o leram e disseram-me.”
“Está bem, paizinho, como queira, mas eu estou a gostar. Olhe,  sabe o que é que dá na televisão hoje? "
“ Não… mas tens aí a Tele Semana que traz a programação toda.”.
Cátia Janine ia pegar na revista, quando se ouviu a voz da mãe:
“ O jantar está na mesa! Venham antes que arrefeça…
Januário levantou-se de imediato
“ Anda lá Caty, não faças a tua mãe esperar”
Durante o jantar Cátia Janine foi bombardeada com perguntas sobre o que fizera durante o dia. Contou todos os pormenores sem omitir nada, excepto que tinha pedido a Júlio Saraiva que lhe arranjasse um apartamento para alugar.
D. Lucília não fez perguntas sobre Júlio, mas o pai não resistiu:
“E que faz esse homem?”
“ É vendedor de casas. Muito simpático, por acaso!”
“ Se calhar trabalha para o J. Pimenta…”
“ O paizinho parece que adivinha! Trabalha mesmo!”
“ Agora quase todos os vendedores trabalham  para o J. Pimenta! É um fascista e um vígaro de todo o tamanho. Se houvesse justiça neste país já estava mas era preso”
“ Que horror, paizinho! Está sempre a dizer mal das pessoas, para si são todos fascistas! ”
Januário irritou-se com a admoestação cravou o olhar na filha e disse:
“ Sei muito bem o que estou a dizer! Este país está cheio de fascistas. Tu podes saber muito de leis, mas não sabes nada da vida, ouviste?”.
D. Lucília receou que a conversa azedasse e se transformasse em discussão. Procurava um pretexto para desviar a conversa, quando se lembrou do telefonema de Esmeralda.
“ Ai que já me esquecia, Caty! Telefonou a  tia Esmeralda, disse que precisava de te fazer uma pergunta, mas não disse o que era. Devem ser lá coisas do padre de Ferreira… Pediu para lhe telefonares quando chegasses, porque é urgente.”

( Capítulos anteriores, ler aqui)

Ó Relvas, ó Relvas, CEO à vista?



Mais de uma semana após ter sido conhecido o caso das supostas pressões de Relvas a uma jornalista do Público, tudo aponta para que a ERC conclua que não ficaram provadas as ameaças do ainda ministro. Não há motivo para espanto, porque a palavra de Relvas vale pelo menos tanto como a de duas dezenas de jornalistas e  já estamos habituados, com exemplos de outros governos, como é que estas coisas terminam.
Centremo-nos, pois, sobre o que este caso despoletou, substancialmente mais importante do que as pressões de um ministro e que deve a partir de agora estar no centro das nossas atenções 
A legião de amigos de Relvas chamados às televisões para o defender , querem escamotear o essencial de todo este caso:  Miguel Relvas mentiu mais do que uma vez na AR, embora tivesse prestado as declarações sob juramento. A comparação entre as suas declarações na AR e na ERC são elucidativas… A partir daí, o caso da pressão a jornalistas passa para segundo plano.Até Marcelo, lá longe em S. Paulo o viu e se apressou a declarar Relvas como semi morto que, seguindo o raciocínio de Lili Caneças, é o contrário de estar semi vivo
Temos, pois, que o braço direito e esquerdo de Passos Coelho ( falta saber se Relvas nas horas vagas substitui algum outro membro do PM…) é um aldrabão. No entanto, continua sossegado porque o amigo que o protege não o quer deixar cair. Outros lhe chamaram pantomineiro , mas não vale a pena estar com pruridos, fugindo a utilizar a palavra que melhor define Passos Coelho, como fez Bagão Félix que aos roubos de Passos Coelho chamou confisco.
No lugar de Relvas, não estaria sossegado. O embuçado apenas o continuará a proteger enquanto isso for do seu interesse pessoal. Quando conseguir atenuar os efeitos  boomerang  provocados pela demissão do homem que o içou a PM, deixá-lo-á cair.
Admito, até, que neste momento a grande preocupação de PPC seja encontrar um lugar de CEO para Relvas, numa empresa tentacular, para que o ainda ministro saia de forma airosa de todo este imbróglio.
Uma coisa é certa. Seja qual for o futuro de Relvas, passará à História com o cognome que melhor se lhe ajusta: Relvas, o Reles

Em tempo: Como muito bem lembrou Jerónimo de Sousa, Relvas é apenas a ponta de um iceberg onde se acoitam outros membros do governo mas, por agora, apenas deixo no ar uma pergunta: que irá acontecer ao chefe de gabinete  de Relvas que, antes de o ser, lhe chamava " o  Pequeno Torquemada de Tomar? . Pode não parecer, mas isto está tudo ligado...

O fim de um mito (2)


Em Dezembro de 2011, escrevia sobre o fim do mito que concede às  mulheres a chave para a construção de  uma sociedade mais justa. Os casos de Thatcher, Hillary, Sarah e  mais recentemente Merkel,demonstram que uma vez chegadas ao  poder as mulheres têm o mesmo comportamento dos homens.
O caso mais recente foi protagonizado pela presidente do FMI, Christine Lagarde, a quem nem sequer falta um farto bigode. Nem preciso de invocar as carteiras de 15 mil euros usadas pela presidente do FMI, para pôr em dúvida as suas pias declarações sobre as crianças do Níger. Uma mulher que fala assim sobre os gregos só pode ser um escroque
Resta-nos a satisfação de saber que no hemisfério sul existem mulheres como Dilma que contrariam a minha teoria. No entanto, por aquelas paragens, também há homens que se preocupam com os seus povos e se estão marimbando para os mercados. Pelo que reformulo a minha questão: o problema não é das mulheres, mas sim do local onde elas medram. A Europa está longe de ser um local onde as mulheres possam marcar a diferença. Mas isso já eu e muitos dos leitores do CR sabiam...

domingo, 27 de maio de 2012

Conversas com o Papalagui (64)


- As exigências de habilitações  académicas para exercer uma profissão  em Portugal estão cada vez mais elevadas, tuga!
- Porque dizes isso, Pa?
- Porque profissões onde antes se podia trabalhar com habilitações mínimas, agora exigem licenciatura…
- Dá lá um exemplo…
- Li no jornal “ Advogada faz assaltos com namorado”; “ Médica assalta ourivesaria”; “Juiz rouba dois penalties ao Benfica"…

Blog da semana

O que preferem? Doce ou Travessura? A autora do blog é mais especialista em travessuras e eu gosto.
Por isso, Doce ou Travessura é o blog da semana

Santa Zita cheia de graça


Do PCP à Opus Dei, com escala no PSD.
Um dia destes ainda vai a Fátima a pé e acaba num Convento a fazer docinhos para o cardeal patriarca...

Le premier bonheur du jour

Querem fruta fresquinha para o pequeno almoço? Esta vietnamita providencia. A preços módicos.
Tenham um bom domingo.

sábado, 26 de maio de 2012

Biclas


Em Copenhague, cidade pobre, as pessoas andam de bicicleta nas ruas. Têm pistas próprias mas não  precisam de percursos alternativos, nem gradeamentos para os separar dos automóveis, porque cada um sabe cumprir o seu papel...

  Em Lisboa, cidade rica, não faltam  ciclovias, protegidas por gradeamentos ou blocos de cimento, para que os automóveis não invadam o espaço destinado às bicicletas. Só é pena estarem  neste estado...
 ... ou às moscas!

A gravata





O presidente da ERC, Carlos Magno, gostou imenso da gravata que o ministro Miguel Relvas levou à audição. Disse-o, ficou gravado. E esse facto, tão simples como elucidativo, é uma pressão que fica a pairar sobre as conclusões deste processo.
( João Marcelino no DN)


Se a este facto, juntarmos o comunicado da ERC, sobre os comentários dos leitores do DN, ainda ficamos mais esclarecidos.
Mas, ao fim e ao cabo, não há novidade nenhuma. As pessoas que  mentem sob juramento e as que não as demitem por esse facto, correm para debaixo das saias (ou agarram-se às calças) de quem pensam ter o dever de os proteger.
O  importante é nunca esquecer isto: Está provado que Relvas mentiu  sob juramento.  O PM disse há duas semanas que, quem mentisse, saía do governo. Passou uma semana e o PM continua a assobiar para o ar. 
Perante tanta falta de vergonha , para quê preocuparmo-nos com os gostos de Carlos Magno?


Humor fim de semana


Um médico, em Dublin, queria DESCANSAR  e ir pescar.

Então aproximou-se do seu assistente e disse-lhe:
- Murphy, amanhã vou pescar e não quero fechar a clínica. Acha que consegue cuidar dela e de todos os pacientes?
- Sim, senhor! - respondeu  Murphy.
O médico foi pescar e voltou no dia seguinte.
- Então, Murphy, como correu o dia?
- Cuidei de três pacientes. O primeiro tinha uma dor de cabeça e, então, eu dei-lhe paracetamol.
- Bravo, meu rapaz .
- E o segundo? - perguntou o médico.
- O segundo estava com uma ressaca e eu dei-lhe Guronsan- informou Murphy.
- Bravo, bravo! Você é bom nisso... E o terceiro? - perguntou o médico.
- Bom, doutor, eu estava sentado aqui e, de repente, abriu-se a porta e entrou uma linda mulher. Ela arrancou a roupa, despiu tudo, incluindo o sutiã e as cuequinhas. Depois deitou-se sobre a marquesa,abriu as pernas e gritou:
-AJUDE-ME, pelo amor de Deus! Há cinco anos que eu não vejo homem!?
- Nossa Senhora, Murphy, o que é que você fez? - perguntou o médico.
- Eu pus-lhe gotas nos olhos, doutor!

sexta-feira, 25 de maio de 2012

O fabuloso destino de Amélia

Diogo, Manuel e Rebeca foram os  protagonistas de uma  saga rocambolesca que animou a semana blogosférica. Mesmo no final, ficamos a saber que afinal um deles tem  dupla identidade e usa nome de código, mas não é para enganar as secretas...

Diga à gente, diga à gente, como vai este país

 António José Seguro:
Diga aos portugueses se não tem vergonha de apoiar um governo como este, a pretexto de defender o interesse nacional.
Diga aos militantes do PS por que razão fugia de Sócrates como o diabo da cruz e agora trata este governo com tanto desvelo e ternura.
Só encontro uma alternativa: ou é ingénuo, ou parvo! Seja qual for a resposta, faça um favor ao país e ao PS. Dê meia volta, pire-se e deixe  o PS seguir o seu caminho.
 Se não tem coragem de os enfrentar, alie-se a eles, mas desampare a loja e deixe que os militantes do PS façam uma limpeza no Largo do Rato.

O Monte dos Vendavais

Aos poucos, as coisas começam a tornar-se mais claras.  O gabinete do Relvas é um vespeiro de intrigas, onde  os assessores se comportam como um grupo de coscuvilheiras, mas isso não é novidade, para quem conhece alguns dos protagonistas na vida real.
Se Pedro Passos Coelho não demite imediatamente o ministro, depois de saber também destas relações e omissões é lícito perguntar:  que forças o impedem de o fazer? Estará também ele nas mãos de Relvas, impedido de agir, para que não lhe caiam pedras em cima do telhado?
 É,no mínimo, estranho, que Relvas afirme que só esteve com Silva Carvalho uma vez e este trate o ministro por tu, como revelam os SMS. 
Será inocente recrutar para o gabinete jornalistas com aquelas ligações? No vespeiro campeia a mentira, quiçá orquestrada por  alguns jornalistas que o integram  e certamente o aconselham a agir.
Na demissão de Adelino Cunha  não se trata de saber se foi o elo mais fraco a cair. Trata-se de saber até onde chegam as ramificações dentro do gabinete de Relvas. E não só..
Esta notícia sobre o Monte Branco pode, eventualmente, ser esclarecedora.

10 razões que me impedem de acreditar em Miguel Relvas



O “Público” veio, finalmente, esclarecer os seus leitores sobre o caos Miguel Relvas. Mais vale tarde do que nunca, mas  é bom lembrar que se não fosse o Conselho de Redacção, talvez  a direcção do jornal optasse por deixar cair o caso no esquecimento.
Devo dizer que o esclarecimento do jornal, em duas páginas, me esclarece pouco  e não mudou a minha opinião. Nenhum dos 10 pontos em que me sustentava  para duvidar de Relvas, sofreu qualquer alteração depois de ler o esclarecimento do “Público”. Por isso, aqui os enuncio:
1- Ter-se recusado a prestar esclarecimentos na AR, ao contrário do que fez aquando do caso das secretas, onde foi o primeiro a pedir para ser ouvido; 
2- A irritação perante a pergunta da jornalista que apenas pretendia esclarecer uma incoerência entre a realidade dos factos e as declarações que fizera na AR sobre a sua relação com Jorge Silva Carvalho: “ Se só conheceu Silva Carvalho em 2010, como justifica ter recebido um clipping dele sobre a visita de George Bush ao México, que ocorreu em 2007?”.  Por que razão essa pergunta foi tão incómoda para o ministro, ao ponto de o levar a telefonar directamente para a editora do jornal?
3- Ter dito, uma semana antes de ir à AR que não se lembrava de ter recebido SMS de Jorge Silva Carvalho e, na audição em Comissão, ter reconhecido que afinal os  recebera, mas os apagava;
4- Ter-se remetido ao  silêncio quando o Conselho de Redacção do Público fez o comunicado a acusá-lo de pressões inaceitáveis sobre uma jornalista, ameaçando-a de divulgação de dados da sua vida privada;
5- Não ter invocado imediatamente o direito de resposta, face às acusações gravíssimas que lhe eram feitas e, a serem falsas, constituem crime;
6- Ninguém telefona para um jornal  a pedir desculpa de algo que não fez;
7- Uma pessoa que reconhece ter-se exaltado com as perguntas formuladas pelo “Público” não pega no telefone a dizer “ continuando a haver comportamentos como este, tenho o direito de apresentar uma queixa na ERC, nos tribunais, e de eu, pessoalmente, deixar de falar com o Publico”. Não está apenas em causa o tom discursivo, absolutamente inverosímil…  Está em causa, essencialmente,  o facto de o ministro ter falado directamente com a editora e a directora  do Público. Relvas tem assessores de imprensa , bem pagos, a quem compete fazer esse trabalho. Ou ganham milhares de euros para fazer recortes de jornais, ler e escrever em blogs?;
8- O facto de ter  optado por  comunicar directamente com o jornal  tem um significado explícito e constitui, por si só, uma pressão. Principalmente, sendo Relvas  o responsável pela tutela da comunicação social;
9- Os vários antecedentes de supostas interferências  não abonam em defesa de Relvas:  Mário Crespo, Paulo Futre e Pedro Rosa Mendes;
10- A prática reiterada de gente do PSD em  utilizar a vida privada de jornalistas para fazer pressões e ameaças. ( Lembram-se do caso Branquinho/ Fernanda Câncio?).

Poderia ainda invocar o  comportamento de alguns  bloguistas que lhe são afectos. Tão preocupados com a liberdade de expressão no tempo de Sócrates, remetem-se agora a um cobarde, mas esclarecedor silêncio.
Poderia argumentar que, pertencendo Relvas a um governo onde a mentira é moeda corrente no discurso e prática política, o mais natural é que estejamos, uma vez mais, perante uma mentira de um membro do governo.
Poderia perguntar como se explica que depois de tanto ter criticado a ERC no tempo de Sócrates, chegando a considerar a entidade reguladora como uma inutilidade, venha agora depositar toda a sua confiança no seu julgamento. Sente-se confortável, porque já a domesticou, sr ministro?

Não vou, no entanto, por aí. Limito-me aos factos e a dizer que enquanto não apresentar queixa-crime contra o “Público” por difamação  e se recusar a ir à AR esclarecer todas estas questões de modo a que não restem quaisquer dúvidas, continuo a abdicar da presunção de inocência e a considerá-lo culpado.
Desculpe se me enganei mas, não raras vezes, o que parece é…

quinta-feira, 24 de maio de 2012

O que faço eu aqui?

Ao final da tarde, sentado no Rochedo, tentando proteger-me  do vento frio que me vergasta o rosto, repito a pergunta de Rimbaud, quando chegou à Etiópia: “O que faço eu aqui?” 
Por que razão me devolvi a este pais de lacaios?
Espero que uma onda me traga a resposta, porque a razão não é capaz de a dar.

E que tal afastar os coelhos da relva?

No tempo do Estado Novo, ajuntamentos de mais de duas pessoas eram considerados manifestações. A China decidiu alargar a medida a outras espécies

Agora escolha...

Depois de ler as suas declarações à saída da audição da ERC,  fiquei a pensar  que só tinha  duas opções, senhor Relvas: apresentar uma queixa-crime contra o jornal Público por difamação, ou convencer o PM a arranjar-lhe um lugarzito jeitoso noutro sítio, de modo a dar a impressão que o senhor saiu para abraçar um cargo onde  poderá servir ainda melhor o país, blá, blá, blá, fico-me por aqui porque dessas arengadas o senhor sabe muito  mais do que eu. 
Acontece, porém, que estava eu aqui no meu Rochedo a  gozar o sol quando  ouvi as declarações da Bárbara Reis  na mesma ERC
Aí fiquei a pensar que  poderia haver uma terceira via: uma acareação, para se ficar a saber quem é o Pinóquio deste filme. 

A globalização do medo



 Será o século XXI o século do medo?  Poderá estar o medo a ser utilizado para nos restringirem a liberdade, diminuir os direitos?  Será o medo capaz de  transformar  as democracias tradicionais em sociedades esclavagistas legitimadas pelo voto popular?
Uma retrospectiva dos 12 primeiros anos deste século justifica todas as interrogações.
Tudo começou em 2001 com o ataque às Torres Gémeas. Desde esse dia Bush bramiu  o papão do terrorismo e aumentaram as medidas securitárias.
 Viajar de avião passou a ser um tormento porque os aeroportos,  além de nos reterem muito para lá do que seria normal  numa época em que todos andam obcecados  com o tempo, se transformaram em  espiões dos nossos corpos e dos nossos passos.
Em terra, a Al Qaeda  passou  a estar  presente em toda a parte, qualquer sítio poderia ser alvo  dos atentados suicidas dos homens de Bin Laden. Os atentados de 11 de Março em Madrid e 7 de Julho em Londres fizeram com que o medo alastrasse e, quando parecia que as coisas poderiam acalmar, uma ameaça de pandemia  provocada por um vírus da gripe encontrado no México, deixou os cidadãos de todo o mundo em pânico.
 A gripe  A não fez mais vítimas do que uma gripe normal, mas venderam-se  milhões de  vacinas. Os beneficiários dessa  histeria colectiva, foram os laboratórios. Os cidadãos encontraram mais um motivo para o pânico nesta sociedade higienista que, curiosamente, é uma das mais letais da História.
Bin Laden, o inimigo número 1, apesar de não ser visto em público,  tinha um rosto. O vírus da gripe A não, mas era reproduzido na imprensa e nas televisões em fotogramas acompanhados de complicados esquemas analisados por especialistas, que explicavam a forma de reprodução do inimigo.
Desde 2007 – e mais acentuadamente desde 2009- um novo inimigo começou a ameaçar  o mundo, particularmente a parte ocidental do hemisfério Norte. Ninguém lhe viu o rosto, não há especialistas nas televisões  a explicarem com esquemas complicados como ele ataca, mas sabemos o seu nome: MERCADOS .
 A utilização do plural   indicia que, desta vez, o mundo está a ser atacado por um inimigo invisível que se reproduz com grande facilidade, podendo  as suas células mãe ser localizadas em Wall Street, na City, quiçá em Singapura, e as ramificações em paraísos fiscais que dão pelo nome de off-shores.  Sabido é que o vírus dos mercados ataca nas Bolsas e nos negócios ilícitos,24 horas por dia, mas ninguém o consegue apanhar. Ou melhor: não sabemos, ainda, se alguém estará interessado em apanhá-lo!
Os especialistas  da área económica e financeira desdobram-se em análises complexas, a maioria diz que a melhor forma de o extirpar é dar-lhe vitaminas de crescimento, mas a direita  não está  para aí virada e contrapõe com vitaminas de austeridade, cuja aplicação massiva definha as vítimas. Quanto aos mercados, estão cada vez mais gordos, mas ninguém parece interessado em obrigá-los a uma cura de emagrecimento.

O medo provocado por esse ser misógeno que é a crise, criada pelos mercados em reputados laboratórios financeiros, começou a ser retratado no cinema.  O primeiro filme – que acabou de estrear em Lisboa- tem por título “Procurem Abrigo”  e analisa a crise financeira a partir da visão de um paranóico. Em Cannes, Brad Pitt acaba de apresentar outro filme que aborda a mesma temática. Sob a capa de filme de gangsters, “ Killing them softly” é, ao que dizem os críticos, uma parábola sobre a crise e a incapacidade de defesa perante um criminoso que ataca à distância.
Se não for através da política e da acção cívica, que seja ao menos através do cinema que os cidadãos se consciencializem que podem fazer algo para combater o inimigo sem rosto que nos prometeu uma globalização capaz de tornar o mundo mais justo, mas nos deu apenas o aumento da miséria e das desigualdades. Porque nós deixámos que assim fosse!
Já não há tempo para termos medo! A hora é de agir.

Brincar às casinhas

Os partidos do governo e o PS andaram ontem a brincar às casinhas na AR. Como meninos bem comportados, no final trocaram beijinhos e todos regressaram felizes às suas casas. 

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Uma cliente pouco comum

Será que a lontra ia pedir que lhe baixassem o spread?
Uma coisa é certa...não foi nenhuma das que estão aqui na coluna da direita que entrou na CGD, porque essas ficaram a ler o novo episódio do Homem Rico, Homem Pobre, hoje publicado no "Crónicas on the rocks". Se clicarem na foto ela conduz-vos lá direitinhos, sem terem de passar pela casa de partida.

Se os meninos brincassem com bonecas...

Quando fossem pais talvez já  soubessem que não deviam fazer estas parvoíces.

Ora diga lá, senhor ministro!


Qual a sua estratégia para divulgar os dados da vida privada de Maria José Oliveira na Internet ?  Pedir aos bloggers  que  no tempo de Sócrates organizaram aquela manif pífia em defesa da liberdade de expressão e agora estão cobardemente calados, escrever posts  detalhados sobre a relação de MJO  com um político?
Mandar os jornalistas disfarçados de bloggers que andaram a papar jantares consigo e o PM - e agora estão escondidos em alguns gabinetes ministeriais, incluindo o seu-  divulgar nos seus blogs a informação que o senhor lhes passa e terá sido fornecida por alguns dos que consigo privam? 
Nós gostaríamos de saber, senhor ministro. Porque enquanto não soubermos, continuamos a acreditar que a sua ligação à ordem do avental pode ser bem mais perigosa do que alguma vez imaginamos e  talvez inclua pessoas que se apresentam diariamente  como impolutas.
Desembuche, senhor ministro, porque enquanto não o fizer corremos o risco de levantar suspeitas sobre inocentes.
Preste atenção às palavras de Paulo Rangel e não se refugie no apoio do seu partido que inviabilizou a sua ida à AR para prestar esclarecimentos. 
Ninguém deixará de fazer comparações entre a sua prontidão em prestar esclarecimentos no caso das secretas e a sua fuga às responsabilidades neste caso melindroso.

Bate-me, que eu gosto!




 “ Fifty Shades of Grey”, da autoria de E.L.James,  é actualmente o maior sucesso editorial nos EUA, tendo já entrado para a galeria dos  best sellers.
Convém começar por esclarecer que a  personagem central do livro (Anastasia)  é uma profissional  competente e dedicada que trabalha horas sem fim, é líder na sua empresa, toma conta dos filhos, tem um salário elevado que lhe garante independência económica  e, no final do dia, o seu prazer não é deitar os filhos e envolver-se numa cena de romântica com o seu companheiro, seja ele permanente ou apenas ocasional.  O maior prazer de Anastasia é ser chicoteada.
Livro pornográfico para homens perturbados, estarão a pensar algumas leitoras. Puro engano, minhas caras amigas…
 Segundo dados da editora, são as mulheres  quem  procura este livro com maior avidez. Mais de metade estão dessas leitoras pertence  ao escalão etário entre os 20 e os 30 anos, são urbanas e estão integradas profissionalmente.
Confesso que numa altura em que a violência doméstica ocupa o centro de muitos debates, me causa alguma perplexidade o facto de um livro onde a mulher  recorre à escravidão física para se satisfazer  sexualmente ser  um sucesso mas, pensando melhor, talvez não seja assim tão surpreendente...
Um estudo publicado na Psycholgy Today, citado pela revista 2 ( Público ao domingo)  responde parcialmente à questão: 31 a 57% das mulheres fantasiam com cenas de violação e de sexo forçado. 
“ O eros  é  um terreno onde a realidade não coincide com aquilo que dizemos”- esclarece por sua vez Daniel Berger , autor do livro “ O que  querem as mulheres” cuja publicação está prevista para 2013.
No artigo da 2- cuja leitura recomendo- são adiantadas diversas explicações para o facto de as mulheres apreciarem  estas fantasias  de submissão  e violência física muito para além daquilo que homens ( pelo menos como eu…) possam  pensar. 
É verdade que  há muitos autores, além de Sade, cujos livros têm como  tema central a submissão feminina e o masoquismo.  No entanto- e escolhendo propositadamente dois autores que estão nos antípodas da construção  literária- quer  em “A História de O” de  Anne Desclos ( escrito sob o pseudónimo de Pauline Réage), quer em “ Onze Minutos”   de Paulo Coelho, a submissão sexual e o masoquismo não são livremente assumidos pela mulher.
O que é efectivamente novo em “ Fifty Shades of Grey” é  a personagem assumir a  necessidade de ser chicoteada, para garantir  satisfação sexual.  Uma mulher afoita já não é aquela que diz ao parceiro   “Fuck me!”, mas sim a que  propõe “ I want to be your slave”.
E o que – em minha opinião-  é surpreendente, é serem a s  mulheres  ( maioritariamente entre os 20 e os 30 anos, relembro)  a fazer do livro um best seller.
Há aqui qualquer coisa que não bate certo. E o mais grave é que muito provavelmente sou eu, que há muito deveria ter esquecido tudo o que me ensinaram e pensava ter aprendido sobre as mulheres  ao longo da vida.
Como diz o povo na sua imensa sabedoria, aprender até morrer e morrer sem saber. Para início de conversa, o melhor é esquecer  romances à moda antiga,  tudo o que pensava saber sobre as mulheres e começar tudo de novo. 
É provavelmente a isso que chamam “mudança de paradigma”

terça-feira, 22 de maio de 2012

Homem rico, homem pobre!

Ao contrário do que alguns pensam, a história do Homem rico e do Homem pobre não terminou. O senhor engenheiro ( e não só) foi laurear a pevide e ainda nos reserva outras surpresas. Ora vejam lá a continuação...

Olha que geuro!

Foto presseurop:Ruben

Os economistas- que como todos sabemos são aqueles profissionais criados por Deus para dar alguma credibilidade aos meteorologistas- já arranjaram uma solução monetária para o caso de o Syriza ganhar as eleições na Grécia. Nem euro, nem dracma. A futura moeda grega deve ser o geuro. ( em inglês gieuro)
Se, como tudo indica, a medida se vier a aplicar a Portugal, a futura moeda portuguesa será o peuro ( em inglês pieuro e, como os franceses gostam de simplificar, pire). Será então caso para os portugueses dizerem quanto mais peuro ganhar, melhor?
Já nas ruas de Paris a  nova moeda lusa  suscitará interessantes trocadilhos:
-Avez vous peur(o)?
- Peur de quoi?
- D'aller  au Portugal, bien sûr!
- Oh, non, pas du tout!
-  Tant pire pour toi!
-  À cause de quoi?
-  Ils vont de mal en pis, mon ami. Il  faut avoir beaucoup de pire pour y entrer, à cause des péages...



Relvas e a sabedoria popular

Ministros a tentar pressionar jornalistas, não é novidade. Ministros a pedir desculpas por pressões que juram não ter cometido é original. Ministros que ameaçam jornalistas com revelação de dados da sua vida pessoal  são  pulhas. Logo, se Relvas ameaçou uma jornalista dizendo que revelaria dados da sua vida pessoal... é um pulha!
Numa semana apenas,  dois casos em que Relvas foi protagonista, provocaram reacções diferentes do ministro. No caso das secretas pediu para ir imediatamente ao Parlamento explicar-se, porque quem não deve, não teme. 
No caso das eventuais ameaças a uma jornalista não só foge do Parlamento, como dos jornalistas. Nunca mais abriu a boca. Branco é galinha o põe, não é verdade? Isto está tudo ligado. Basta ligar as pontas. É a vida!
Não deixem de seguir o link, para ficarem a saber como Relvas teve acesso aos dados pessoais da jornalista.

Ratinhos de laboratório



O governo está a abusar do recurso a medidas que aumentam a receita, nomeadamente através do aumento de impostos;
O governo deve racionalizar a função pública em vez de fazer cortes nos salários;
As previsões macroeconómicas do governo são excessivamente optimistas;
As reformas estruturais não estão a ser feitas; 
Os documentos orçamentais do governo estão feridos de uma pobreza de informação quantitativa.
Não são eu quem o diz, está escrito no primeiro relatório do Conselho das Finanças Públicas, que arrasa por completo o optimismo desmiolado de Coelho, Gaspar e sus muchachos.
Se acrescentar que as taxas de IRS, IRC e IVA estão acima da média europeia, como salienta o Eurostat, é fácil concluir que este governo de incompetentes anda a brincar e a fazer experiências com os portugueses, como se todos fossemos ratinhos de laboratório.

À noite digo-vos por música

Há 45 anos vibrava com esta música. Obrigado, Robin!

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Licenças


Até 1970, para acender um cigarro na rua com isqueiro, era preciso pagar uma licença. Custava 10 escudos e quem fosse apanhado a usar isqueiro sem licença, pagava uma multa de 250 escudos.

A lei tinha porém um detalhe que levava muitas pessoas, como o pai de Cátia Janine, a brincar com a situação.
Como podem ler aqui 

Abril (5)- Pois, pois, Jota Pimenta!


(Continuado daqui)

A sua reacção imediata foi inventar uma desculpa e dizer a Júlio Saraiva que afinal não podia tomar café. No entanto, quando já se preparava para parar o carro lembrou-se do horóscopo que tinha lido na bomba de gasolina, enquanto esperava a sua vez:
“No plano afectivo, esta semana vai proporcionar-lhe situações que vão mexer com a sensibilidade e despertar em si o amor. Não reprima os seus sentimentos, porque o amor vai-lhe aparecer de uma forma inesperada. Aceite o desafio”.
Escolheu  uma cassette  de Joe Dassin e não mais pensou no assunto até Tomar.
No Estrelas pediu um café e um “Beija-me depressa” . Júlio acompanhou-a no café, mas optou por uma “Brisa”.
Catia Janine reparou que Júlio tinha as unhas pretas como as de um carvoeiro e, embora admitisse que isso se devia ao facto de ter estado a mexer na bateria do carro e nos cabos, não deixou de o recriminar interiormente, por não ter lavado as mãos antes de se sentar.
A conversa desenrolava-se entre banalidades como o tempo e o futebol. A determinada altura Cátia Janine puxou de um cigarro, que  Júlio  prontamente lhe acendeu com o seu Zippo.
-Ainda se lembra do tempo em que precisávamos de ter licença de isqueiro, senhora doutora? Felizmente o sr. Presidente do Conselho  acabou com isso, sempre é menos uma despesa…
-Essa licença era uma estupidez, não percebo como só  acabou em 1970!
Foi para defender a indústria nacional, senhora doutora. A Fosforeira é uma grade empresa e o dr Salazar achou por bem protegê-la…
E entretanto sempre sacava um dinheiro para os cofres do Estado.
Juntava-se o útil ao agradável. De qualquer maneira, dentro de casa não era preciso ter licença…
 Pois… debaixo de telha, como dizia a Lei! O meu pai é que brincava bastante com isso e andava sempre com uma telha no bolso. Quando queria acender um cigarro na rua com isqueiro puxava da telha e acendia. Mas um dia teve de ir responder a Tribunal e o que lhe valeu foi ter encontrado um juiz compreensivo que lhe aplicou uma pena suspensa, por desrespeito á autoridade...
Muito espirituoso o seu paizinho, senhora doutora. Se não é indiscrição, o que é que ele faz? Também é advogado?
Não, é tipógrafo. Chefe de tipografia
 Um trabalho muito bonito, sim senhora…!
 Ele gosta muito, mas às vezes tem de ficar na tipografia até muito tarde, porque aparecem uns trabalhos complicados que têm de ser entregues de noite… Olhe, se quer que lhe diga não percebo muito bem a razão de ter de entregar trabalhos durante a noite, mas há clientes que são esquisitos...
 Pois… estou a ver… e onde é a tipografia, senhora doutora?
É ali no Bairro das Colónias, perto da Almirante Reis. Porquê? 
Nada… achei curiosa essa história que contou da telha que o seu paizinho usava para usar o isqueiro…
Desculpe lá senhor Júlio, eu não queria perguntar-lhe isto, mas qual é a sua profissão?
 Trabalho no ramo imobiliário, senhora doutora. Sou chefe de vendas e agora ando a promover um empreendimento muito grande da empresa J. Pimenta. Conhece?
 Quem não conhece a J. Pimenta, senhor Júlio?
Como diz a publicidade… Pois pois, Jota Pimenta! O senhor João Pimenta é aqui do Souto, ao pé de Abrantes, e é a amigo do meu paizinho, foi por isso que fui lá parar. Aquele empreendimento na Reboleira é um luxo! Casas dignas de um ministro!
Confesso que não conheço bem a zona…
 Vai ser a cidade do futuro, senhora doutora. Acredite em mim! Devia comprar  lá uma casa…
Ainda vivo com os meus pais, mas por acaso estou a pensar alugar  um apartamento, porque  não tenho dinheiro para comprar. Tem é de ser em Lisboa, porque não quero ficar longe dos meus pais. Por acaso não sabe de ninguém que tenha uma casa, mesmo pequena e queira alugar?
 Onde é que moram os seus paizinhos, senhora doutora?
 Na Alameda das Linhas de Torres, ali ao Lumiar. 
 Eu tenho uns conhecimentos no ramo… a senhora doutora sabe como é, isto é um mercado pequeno e toda a gente se conhece…  vou falar com umas pessoas e depois digo-lhe. Quer fazer a fineza de me deixar o seu contacto?
Cátia Janine vasculhou a carteira, puxou de um cartão e entregou-o  a Júlio Saraiva.
Peço-lhe que não me ligue para casa. Ligue-me para o escritório, de preferência da parte da tarde, porque de manhã há dias em que estou a dar aulas na Faculdade.
 Muito bem, senhora doutora, pode estar descansada…
 Bem, são horas de ir andando. Daqui a nada os meus pais começam a ficar preocupados.
Despediram-se com um até breve.
O regresso a Lisboa foi conturbado. Um acidente perto do Entroncamento provocou um enorme engarrafamento e Cátia Janine decidiu parar num café para telefonar aos pais a dizer que não se preocupassem.
De regresso ao carro, pensou que com tantas invenções, alguém já podia ter inventado um aparelho que permitisse às pessoas falarem do sítio onde estivessem, sem a maçada de interromperem a viagem, entrar num café e pedir uma bebida que não lhes apetece, só para fazerem um telefonema. Riu-se da sua maluqueira e comentou com os seus botões "Qualquer dia ainda escrevo um livro de ficção científica em que as pessoas comunicam todas através de uns aparelhos sem fios...”  

( Capítulos anteriores aqui)

Feellings


Domingo atípico. Às cinco da tarde estou sentado diante do televisor para ver a final da Taça de Portugal, porque tenho um feelling: a Académica vai ganhar. Ganhou!
À noite continuo sentado diante do televisor, fazendo zapping entre os festejos de Coimbra e os Globos de Ouro, porque tenho um feelling: um dos Globos de Ouro vai ficar em casa. Ficou!
Parabéns, minha querida, estavas de arrasar! Mas não te esqueças que há mais mundo para além dos holofotes e das passerelles. 

Expliquem-me, porque sou burro...

Porque é que os líderes de todas as instituições europeias e a anorética que dirige o FMI  fazem chantagem sobre os gregos e pedem que eles votem nos partidos que aldrabaram as contas e conduziram a Grécia  a esta situação?

Aliança sino-americana

Mr and Mrs Facebook 

domingo, 20 de maio de 2012

Não matem a cotovia



Desta vez  resultado foi diferente e a Taça de Portugal foi para Coimbra. Mas, apesar da diferença no resultado, houve muitas semelhanças entre esta e a final de 1969.
A começar nas tarjas exibidas pelas claques da Briosa ( ver post anterior) e a terminar nas ausências.
Em 1969, Marcelo Caetano e Américo Tomás não marcaram presença no Jamor, porque tiveram medo de enfrentar os apupos. Este ano, Cavaco Silva pirou-se prudentemente para  Timor  e Passos de Coelho foi para os Estados Unidos. Segundo me confidenciou fonte próxima de S. Bento, foi ver Chicaga!
Não sei se o chefe da PIDE esteve presente no Jamor em 1969, mas este ano lá tivemos o Relvas, que não se coíbe de ameaçar jornalistas.
A falta de coragem une o Estado Novo a este governo que não se assume como fascista, mas se comporta como tal, violando diariamente a Constituição, desprezando o povo, humilhando os trabalhadores , tentando sufocar os sindicatos e traindo o país.
O futuro do país é incerto, mas a última coisa a perder é a esperança.
Em 1969 era um jovem e  chorei com a derrota da Académica, porque a derrota me tirou a esperança. Muitos jovens, hoje, celebrarão a vitória da Briosa como um sinal de esperança
Eu sei que alguns leitores acham que misturar futebol com política é próprio de mentes pouco esclarecidas. Como a minha, certamente… Mas a história está cheia de exemplos de governos derrubados por causa do desporto, sabiam?
Um dia escreverei sobre isso. Agora vou celebrar a vitória da Briosa e manter viva a chama da esperança. Em breve, estarei a comer coelho no churrasco.

Adenda: ontem a reunião do G8 foi interrompida, para que os líderes dos países mais poderosos do mundo vissem a final da Liga dos Campeões.
Hoje, mais de 70 mil néscios e analfabetos saíram às ruas de Londres para receber em delírio o campeão europeu Chelsea. 

Blog da semana

Não é fácil justificar por palavras, a razão por que gosto tanto deste blog. Começa no título, continua nas imagens e, finalmente, nos textos acutilantes.
We Have Kaos in the Garden é o meu blog da semana

A Festa



Na final da Taça de Portugal deste ano, que neste momento começa, o que me vem à memória é outra Taça de 1969 que colocou frente a frente o SLB e a Académica.
Estou numa fase de grande optimismo em relação ao futuro e acredito que esta final seja, como a de 1969, um sinal de mudança. Pela primeira vez, a Taça será entregue por uma mulher: Assunção Esteves, presidente da AR.

Humor fim de semana



Dois alentejanos decidem assaltar um banco
Consumado o assalto vão descansar à sombra de um chaparro
Passado meia hora um alvitra: 
- Compadre, vamos contar o dinheiro? 
- Não é preciso, compadre, vemos logo à noite no noticiário!

Le premier bonheur du jour


 Faz hoje 10 anos que Timor se tornou independente.

sábado, 19 de maio de 2012

Lido por aí

Uau! está cheio de fome? É um sortudo! - Jumento
A Lei das Compensações- Terra dos Espantos
Questões sem resposta- Vai e vem
Esperança- Quiproquo
Os Sonhos - Os meus óculos do mundo
Tribunais aliados da corrupção- Arrastão
Última Hora- Blue Shell

Redes Urbanas

À noite, digo-te por música

Afinal , depois de ter negado as ameaças à jornalista do Público, Relvas acabou por pedir desculpa.Um verdadeiro Tom Jones da política este Grass. Ora leiam  o que escreve o "Público" e tirem as conclusões sobre  este escroque que desempenha o cargo de ministro e é braço direito de Pedro Passos Coelho.
Será que Adolfo Mesquita Nunes, um dos promotores da manif em defesa da liberdade de expressão, agora deputado do CDS/PP e Pedro Correia, fervoroso apoiante contratado como especialista no gabinete de Relvas, vão convocar nova manif? E o Crespo como reagirá?
Casos de coerência a seguir com atenção nos próximos dias.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Relvas ao espelho


Esta manhã Relvas viu-se ao espelho e depois despejou as suas mágoas na Universidade do Minho
Enquanto a direcção do "Público" se remete ao silêncio e o CR do jornal promete não deixar cair o assunto no esquecimento, Relvas emite um comunicado a negar as acusações. Acredito. Ele não precisa de fazer ameaças, porque tem no seu gabinete especialistas na matéria.

Teatro estúdio apresenta: Mãe querida, mãe querida!


Foto roubada aqui




1º Acto
Há uns tempos estava a assistir a um daqueles programas da tarde dos canais por cabo onde se dá a voz ao povo para que possa desopilar. O tema era  uma qualquer medida do Álvaro. Os espectadores zurziam  no ministro importado do Canadá para a posta ( não é gralha, é mesmo posta…) da Economia  sem dó nem piedade e até eu começava a ter pena dele, quando uma senhora  de Viseu saiu em sua defesa. 
Durante largos minutos elencou as virtudes do Álvaro, aplaudiu as suas medidas e rematou dizendo que o problema dos portugueses é serem muito invejosos. 
Pensar-se-ia que a imagem do ministro da Economia, Emprego, Obras Públicas e outras minudências correlativas tinha sido lavada por aquela senhora que dizia “ até o conheço bem, mas não é por isso que o estou aqui a defender…” 
Ainda havia, porém,  tempo para ouvir mais um testemunho. Por coincidência era um outro espectador de Viseu. Quando eu já esperava nova dose de elogios, veio a surpresa.
“ Só telefono para dizer que aquela senhora que se fartou de elogiar o senhor ministro é a mãe dele. Deu um nome  que habitualmente não usa, mas conheço-lhe muito bem a voz. Ela tem um negócio ( ou vive, já não me recordo bem do que disse o espectador…) ao pé da minha mercearia”.
(Cai o pano)

2º Acto
Lembrei-me desta história ao ver, no domingo, as reportagens sobre a visita do sr. Pedro à Feira do Livro.
Entre as pessoas que rodeavam o PM, ouve-se uma voz a incitá-lo. “ Continue, senhor PM, continue. Tenha força e endireite o país. Muita força, muita força...”
Não se viu o rosto da mulher, mas os repórteres foram  exímios na captação das suas palavras.
Não havendo possibilidade de se tratar da mãe do sr. Pedro, fiquei a pensar se aquela  mulher fazia parte do elenco, ou foi colocada naquele Presépio pelos Reis Magos da segurança de Sexa para enganar os espectadores.
Pelo sim, pelo não, fui pedir a devolução do bilhete. Disseram-me que, na melhor das hipóteses, só lá para 2015! 

Caramelos Vaquinha (7)




A frase: “A Grécia é um país inventado; era uma província do Império Otomano”.
Mais palavras para quê?  É um ex-ministro de Durão Barroso com assinatura em programa de TV.  Talvez por  ser igualmente  vesgo   na área intelectual e cultural.
( Daqui)

O Joelho de Claire



Lembrei-me deste filme, quando soube do súbito interesse de Pedro Passos Coelho em se encontrar com François Hollande. ( Honra seja feita ao "Expresso" que foi o único a revelar que foi PPC a pedir o encontro. Todos os outros que li mascararam a verdade escrevendo  " na sequência da carta de PPC a Hollande, os dois vão encontrar-se no domingo..."
Claro que o dandy da Reboleira não se pode comparar com o aristocrático diplomata Jerôme, mas não falta neste  episódio  a sedução inesperada e um laivo de traição de quem ainda há poucos dias jurara  fidelidade a uma dama alemã que – era bem visível- não morria de amores por um tipo seboso com personalidade de capacho de vão de escada, cujos predicados s de sedução  não ultrapassam a esfera limitada das estrelas de music-hall de terceira categoria.   
Pouco me interessam as bujardas e aldrabices que o Jerôme tuga vai dizer à comunicação social depois do encontro. O que importa realçar é que, afinal, a vitória de Hollande sempre mudou alguma coisa…

Pssst!!! Estão a ouvir, senhores juízes?

Bagão Félix disse  ontem, numa sessão pública, que  a retirada dos subsídios de férias e de Natal aos pensionistas é um confisco. É apenas mais um a chamar ladrão a Passos Coelho de forma educada. Só os juízes do Tribunal Constitucional é que não vêem o crime e continuam a assobiar para o ar como se não fosse nada com eles.

À noite, digo-te por música


Partiste assim, sem me concederes a oportunidade de uma última dança, mas ficas aqui neste Rochedo para a posteridade.Heaven Knows!

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Há mais alegria na Praça

Reabre hoje as portas o mítico Ritz Clube, um cabaret emblemático da noite lisboeta e não só, desde nos anos 60  e que nas duas últimas décadas do século XX evoluiu para espaço de concertos onde as meninas más de famílias boas gostavam muito de ir. 
A reabertura é uma boa notícia, pois há alguns anos esteve condenado a desaparecer. Não terá o glamour de outros tempos, mas não deixarei de lá ir amanhã para ver e ouvir  o Jorge Palma, figura que se enquadra perfeitamente no espírito underground  daquele espaço.
 Faz falta a Lisboa uma sala como aquela.  Espero que tenha vida mais longa do que o recuperado Maxime, que voltou a encerrar as portas há meses.

Ai que bem cheiras, que bem cheiras...




Toda a gente sabe o que é uma blind date e já muitos conhecem o Poliamor de que vos falei aqui há tempos. Lembram-se?
O que talvez ainda poucos conheçam é o novo  método revolucionário de engate engendrado por Cupido que, em chegando a Portugal, irá certamente ser um sucesso e fará  grandes manchetes no CM e demais   papel impresso de matriz surrealista.
Imaginem vocês, que a mais recente coqueluche nos Estados Unidos são as “festas das feromonas” onde homens e mulheres procuram encontrar o par ideal.
Podia ler-se há umas semanas,  na  Revista  do “Expresso”,  que a experiência prática de uma jovem americana de 25 anos, atraída irresistivelmente para a cama por um tipo que lhe parecia repelente até ao momento em que lhe sentiu o cheiro, foi fundamental para o lançamento desta iniciativa. 
Como não quero que vos falte nada, adianto alguns passos sobre o funcionamento destas parties 
Assim:
Cada participante tem de comprar uma camisa de algodão e dormir com ela três dias seguidos. Depois  mete-a num saco de plástico ( azul ou rosa, consoante o sexo) hermeticamente fechado, que entregará no local da festa recebendo em troca um número.
Depois de abertos, os sacos são colocados  pela organização em  mesas, para que os participantes os possam cheirar. Quando alguém se sente atraído pelo cheiro de algum saco, pega nele e anuncia : É este! 
Encontrado o parceiro ideal, a organização promove o encontro e, a partir daí, o par que se desenrasque. Não faltam nos Estados Unidos motéis para a função...
Se quiserem saber mais terão de ir a este site onde ( escreve o Expresso, mas eu não tive tempo de confirmar) está tudo explicadinho: pheronomeparties.com
Quanto a mim,mal por mal prefiro o odor do perfume Patcholy.