quinta-feira, 19 de abril de 2012

Fascismo, diz ele

Concordo em absoluto.
É preciso andar muito distraído para não perceber que este governo destruiu, em menos de um ano, o que restava da democracia. Vivemos numa ditadura encapotada, onde até Américo Tomás reencarnou para defender o interesse nacional  e promulgar leis no mais completo secretismo.
É certo que continuamos a poder votar mas, no tempo do Estado Novo, apesar de serem uma paródia fraudulenta, também havia eleições.  Alguém me garante que as eleições em 2015 serão livres? Alguém me garante que até lá não tenhamos um governo  escolhido pelo eixo Berlim/Paris?
Mas temos uma imprensa livre, argumentarão alguns.
Não brinquem comigo, por favor! Os jornais são, hoje em dia, meras caixas de ressonância do poder ou de alguns grupos económicos que concertam posições com o governo à socapa. Os jornais estão cheios de jornalistas que são meros funcionários públicos. Comportam-se como papagaios que reproduzem o que ouvem nas conferências de imprensa e não têm qualquer sentido crítico. Muitos são néscios e preguiçosos e fazem notícias de ouvido ou com base em pesquisas na internet. Uma prova? Então aqui vai...
Há dias o ministro da Vespa,que também se chama Mota mas anda de Audi, anunciou com pompa e circunstância um conjunto de novas regras para atribuição do Rendimento Social de Inserção. Mentiu descaradamente aos portugueses, porque nenhuma das medidas anunciadas era nova. Todas se aplicavam desde o governo de Guterres e de Durão Barroso ( quando Bagão Félix era ministro da Segurança Social). Nenhum jornalista se deu ao trabalho de investigar. Todos acreditaram, porque têm muita Fé neste governo.
Ah, mas não há PIDE, nem presos políticos! 
Presos políticos não há, é verdade, mas a PIDE embora esteja organizada em moldes diferentes do Estado Novo, está no meio de nós. O que chamam vocês a um sistema que controla todos os nossos passos através de dados electrónicos? Babysitters?
O espírito pidesco também está muito arreigado entre os portugueses. Seja nos organismos públicos, seja nas empresas. Acreditam vocês que muitos blogs e perfis nas redes sociais não estão a ser escrutinados diariamente? Então, se acreditam, muitos parabéns pela ingenuidade. Continuem também a acreditar  que foi só para controlar notícias que PPC investiu fortemente no pagamento de almoços e jantares a jornalistas e bloggers. E que a contratação de alguns deles para gabinetes foi devido à sua excelência profissional!
Mas temos um povo mais informado! - dizem outros quase em desespero.
Pois temos... serve de muito! Os tugas parecem mortos-vivos que andam a contar os tostões para se manterem à tona de água. Enquanto as poupanças forem equilibrando as contas, tiverem um emprego- mesmo  mal pago- e puderem ir à terra passar as férias e o Natal, vão amouxando. Quando já não tiverem emprego e as escassas poupanças tiverem chegado ao fim, já estão tão débeis que nem forças têm para protestar. Passam a rezar a Nossa Senhora de Fátima, aumenta o número de católicos e a Igreja fica satisfeita. O governo também e até esquece o corte dos dois feriados religiosos.
Não sejamos ingénuos. Alguém acredita que teria havido 25 de Abril, estaríamos na UE e seríamos sócios do Euro, se não fossem os militares de Abril?
Alguém acredita que este povo é capaz de bater o pé? Olhem só para os espanhóis... as medidas de austeridade em Espanha estão longe de ser tão draconianas como as aplicadas aos tugas e eles saem para a rua todas as semanas. A nossa imprensa cala-se, porque o importante é a Primavera Árabe e a opressão na Síria, que ficam suficientemente longe para que alguém ligue a isso.Noticiar abertamente o que se passa em Espanha pode provocar contágio e é preciso proteger este governo que nos livrou do malandro do Sócrates.
Somos um povo de mansos e o governo continua a esticar a corda na esperança de que se mantenha, eternamente, a divergência entre as duas centrais sindicais. Sim, não se iludam...a ameaça de João Proença rasgar o acordo foi só um arrufo de namorados.

10 comentários:

  1. Pois, como não concordar cosnigo, Carlos?!

    E da Filândia^nunca mais ninguém ouviu falar!!...

    Proença não deveria ter jamais assinado aquele vergonhoso acordo.

    Espanha é outa gente. Veja-se o que aconteceu nos atentados de 11-M

    Desculpe insistir, Carlos, mas por favor escreva num tom que se destauqe mais do fundo, sim?

    O meu desejo de bom dia

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  2. É uma tarefa difícil comentar sobre um tema de que não faço a mínima ideia; só me entristeço com um Portugal sem esperanças e, ainda me entristeço mais, quando o Carlos "quase" escreve que o tempo antes do 25 de Abril era melhor do que agora.

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  3. Claro que o 25 de Abril nunca teria acontecido se não fossem os militares... os portugueses são um povo muito estranho... podem levar paulada todos os dias mas suponho que têm horror à mudança e, quanto maior, mais fogem dela... ficam sempre presos no receio de que tudo pode vir a ser pior, portanto ganharam este vício de acomodação, uma estranha osmose com, e em, qualquer situação... talvez por isso, mesmo quando emigram, são muito elogiados, em troca de pouco, obedecem e submetem-se a 100% ;)

    Outra coisa... aquelas bandeirinhas na lapela quando Portugal não está, definitivamente, em primeiro lugar, é um insulto à Bandeira e... dá-me vómitos tanta hipocrisia.

    Bjos

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  4. O comentário ia longo, mas apaguei!

    Concordo com tudo o que o Carlos diz, mas embora as palavras acutilantes de Baptista Bastos possam conter algumas verdades, bem como as de Medina Carreira, não os encaro como defensores da liberdade instaurada no 25 de abril. Pode até ser mais desconfiança minha, mas cá por mim eram homens de nos pôr todos a "marchar", caso estivessem atualmente no poder... Daí, desta vez não partilhar inteiramente uma opinião sincera!

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  5. Acho que a Teté disse tudo...
    Acho que pensam assim pelo menos 30% dos portugueses e 46% nem pensam nem assim, nem de maneira nenhuma... A troika sabe disso e o Proença também...

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  6. Carlos
    Como eu gostava de discordar (nem que fosse só para contrariar). Mas infelizmente tenho que concordar e nada tenho a acrescentar.
    Análise lucida e consistente.
    Abraço
    Rodrigo

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  7. Continuo a ter a liberdade de dizer que não tenho emprego...
    Continuo a ter a liberdade de dizer que passo fome...
    Continuo a ter a liberdade de dizer que os meus filhos com 30 e mais anos continuam na minha casa...
    Continuo a ter a liberdade de dizer que tudo está pela hora da morte...

    Somos um país (cada vez mais) de liberdade...

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  8. E com uma Liberdade destas quem é que precisa de Democracia!

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  9. Foi bom ele ter assinado o acrodo para agora poder ameaçar denunciá-lo.

    O Presidente, em declarações recentes, parece querer evitar que essa denúncia aconteça para não estragar a nossa imagem de mansos na Europa do Euro e não só.

    Aguardemos...

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