segunda-feira, 23 de abril de 2012

Do Norte com afecto




Em Março, decidi fazer um fim de semana prolongado em terras nortenhas, com três objectivos- para além de relaxar e fazer uma cura de desintoxicação da capital.
Para não fatigar os sentidos até terras nortenhas, nem estafar a bolsa em gasolina e portagens,optei por fazer a viagem de comboio até Braga e aí alugar um carro para fazer os meus percursos, usufruindo da parceria entre a CP e a Avis.
Pretendia, antes de mais, amaciar o palato e acalmar  o estômago, carente dos paladares a que o habituei na juventude.
Das degustações que fui fazendo entre terras minhotas de Viana a Ponte de Lima, passando por Braga ou  Barcelos e outras menos notáveis localidades onde se amesenda a preceito, não vos vou fazer aqui relato. Apenas vos digo que dentro do meu organismo detectei um elemento muito ingrato. Se palato e estômago agradeceram esta romagem a terras do norte, o mesmo não se pode dizer da vesícula que, após regressar a Lisboa,  me atazanou durante alguns dias, queixosa por a ter obrigado a trabalhos esforçados. Resignei-me à sua fúria e apascentei-a com  insípidos cozidos e grelhados mas, mesmo assim, não evitei  durante uns dias as suas  descargas biliosas,  reflectidas em alguns posts que fui aqui escrevendo por esses dias.
No concernente à lavagem da vista, foi bem conseguida com as paisagens durienses e minhotas, onde se destacou o esplendoroso panorama do Gerês. Nem um ou outro atentado perpetrado  por casas tipo maison com janelas estilo fenêtres, que ao longo de décadas os nossos emigrantes foram polvilhando na paisagem, foram suficientes para perturbar a tarefa higio sanitária a que me propus. Pena foi, que  uma arreliadora avaria na máquina que deveria ter registado esses momentos, tivesse apenas deixado como testemunho a fotografia do galo barcelense que a imagem reproduz.
Já quanto à lubrificação dos neurónios, o objectivo ficou aquém das metas propostas. Se é verdade que o centro histórico de Guimarães continua a ser um palco para devaneios, o mesmo não se pode dizer da oferta cultural que a Capital da Cultura oferecia por aqueles dias.
Confesso-vos que os Fura del Baus já não são estímulo suficiente para lubrificação dos meus neurónios e, naqueles dias, essa era a única oferta feita aos visitantes que, como eu, esperavam encontrar no berço da Nação motivos bastantes para lavar o espírito.
Do mechandising da coisa, o melhor é nem falar, dada a paupérrima e pouco vaiada oferta.
Já em Braga, Capital Europeia da Juventude, foram sobejos os motivos que me permitiram lubrificar   os neurónios. O primeiro, foi tentar perceber  a razão de ninguém falar no evento que, pelo que me foi dado observar, anima as ruas de manhã à noite.
Depois, sentado nas esplanadas da Brasileira ou do Vianna, gozando a temperatura estival, dei por mim a pensar que Braga é, realmente, a cidade mais jovem de Portugal. Em quase todos os cafés e restaurantes os empregados são jovens, contrastando com o panorama habitual que se observa em terras lusas. Nas ruas, os jovens andam em bandos e à noite fazem sentir a sua presença de uma forma civilizada e pouco ruidosa, não perturbando os seniores mais recatados que exigem direito ao descanso.
Em termos de amesendagem descobri dois excelsos exemplos de empreendedorismo cuja memória me faz despertar o palato enquanto escrevo. Se aos seus nomes não faço aqui referência, é só para não estragar uma surpresa que ando a preparar lá para Maio e que aqui darei o devido destaque.
Por agora, fica apenas o relato de um fim de semana em que retornei a lugares quase esquecidos. Com muito prazer, apesar da frustração da capital da cultura que me deixou com um amargo de boca.

12 comentários:

  1. Braga, sim! E na minha opinião, come-se melhor do que no Porto, digo eu que não sou de intrigas.

    :))

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  2. Suponho que o facto de Braga ser a cidade do país que tem mais juventude, se deve ao catolicismo arreigado que existe por aquelas paragens! Nada contra, obviamente!

    Lamentável é que Guimarães (cidade que não conheço, nem de passagem) tenha uma programação tão parca, quando começou a publicitar de uma forma tão agressiva (contra os algarvios) a sua ascensão a capital europeia da cultura...

    Mas pronto, espero que esteja melhor da sua vesícula! :)

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  3. Eu estive entre a semana do Natal e Ano Novo - ADOREI - a semana passada veio (finalmente a minha grande amiga e trouxe mãe de 76 anos , que nunca tinha estado em Portugal) ENCANTADAS, de tal modo que quando chegaram a Lisbos apanharam uma grande desilusão, até que aparecei eu e começei a mostrar-lhe Lisboa pelos meus olhos, foram REJUVENESCIDAS.

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  4. Eu sou muito maçadora, peço desculpa por isso...mas, por favor, os meus olhos agrdecem-lhe muito que utilize um tom de letra que se destaque mais do fundo .

    Quanto ao texto, foi interessante saber das sua opiniões, aliás como sempre.

    Já agora, La Fura dels Baus, que significa em português? A Fúria dos Bons?

    Um aboa semana, amigo meu

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    1. Não é nada maçadora, São. Até agradeço que me indiquem os problemas de leitura para poder corrigir. É o que vou tentar fazer, pese embora ser uma nulidade nessa matéria.
      Quanto aos Fura del Baus, confesso que não sei, mas não creio que a tradução seja a que sugere
      Uma boa semana tb para si

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  5. A Teté diz tudo:

    "O facto de Braga ser a cidade do país que tem mais juventude, se deve ao catolicismo arreigado que existe por aquelas paragens!!!"

    Tudo de mau começou em Braga...

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  6. A programação da Capital da Cultura deixa muito a desejar, toda a razão! Evidentemente que no NUORTE, se come bem melhor que no sul... :)

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  7. Engraçado já percorri tantas terras pelo Norte, desde Porto, Ponte lima, Ponte da Barca, Gerêz, Vieira do Minho, Caminha, Paredes de Coura, etc,etc, e nunca comi em Braga, nem em Barcelos. O meu "folha seca" deve-me dois almoços mae é em Monção, fomos lá para almoçar, mas ficamos dentro do carro no jardim à beira do rio a curtir o som da água, comecei a dar-lhe miminhos passando a minha mão pelo seu cabelo e ele adormeceu que nem um estorninho, acordou às 4 da tarde comemos uma tosta e voltamos para Ponte de Lima onde estavamos instalados, no ano seguinte lá fomos nós de Ponte de Lima para almoçar em Monção, lá ficamos no mesmo sitio dentro do carro a apreciar uns funcionários (pensamos nós) da Junta da Freguesia a varrerem as folhas do jardim, a minha mão de novo a dar miminho ao Rodrigo que o pôs a dormir outra vez, voltou a acordar à mesma hora, mais uma tosta e, de volta a Ponte de Lima, ainda espero que possamos almoçar lá.

    Beijinho e uma flor

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  8. Gostei desse entusiasmo sereno com que falaste da tua volta pelo norte!
    Normalmente cruzo-me contigo, mas mais em direcção ao interior...

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  9. La Fura dels Baus = La furia de las Bestias

    sempre as ordens!

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