segunda-feira, 30 de abril de 2012

Blog da semana

Fez esta semana três anos, este blog  que frequento quase diariamente. Aliás, conheci o seu autor ainda antes de ele criar o blog,. Encontrámo-nos na caixa de comentários de um blog colectivo onde eu então escrevia. Depois ele abandonou o Largo, onde também escrevia em colectivo, e criou o Folha Seca, que é o  meu  eleito para blog da semana.
Um grande abraço, Rodrigo

A pont(e)apé

Não sei se esta dupla ponte, gozada por muitos portugueses, terá ajudado o governo a perceber que a eliminação dos feriados é mais uma daquelas medidas decididas com os pés, sem quaisquer efeitos práticos e que a solução, para as evitar, seria encostar aos fins de semana os feriados que "caíssem" a terças ou quintas-feiras. Um governo com neurónios teria percebido isso sem precisar de exemplos práticos, mas estas azémulas insistem em ser apenas teimosas e recusam admitir o óbvio.
Sei, no entanto, que este  primeiro ministro que corta a eito feriados, argumentando com a necessidade de aumentar a produtividade, é o mesmo que ainda mal tinha sentado o rabiosque em Belém se pirou para férias ( a que não tinha direito) durante um mês.
Decidi, por isso,fazer ponte! Ou melhor...pontes, porque deixei Lisboa no dia 26 e só estarei de regresso amanhã.
A minha ausência deve-se, no entanto,a  uma boa causa. Fui entrevistar a Merkel, para lhe pedir um depoimento sobre a Cátia Janine cuja história começará a ser aqui narrada a partir de quarta-feira, 2 de Maio.

Leis boas para limpar o tutu


A Lei ( ainda em fase de estudo) que proíbe a venda de álcool a menores de 18 anos será mais uma para emoldurar no gabinete do Director Geral que a pariu, ou para limpar o rabiosque a algum membro da troika apanhado desprevenido com a falta de papel numa qualquer repartição do Estado.
Se os gajos que a engendraram saíssem  à rua, em vez de ficarem alapados nos gabinetes e usarem escolta para qualquer deslocação, já teriam percebido que apesar de a Lei em vigor proibir   a venda de bebidas alcoólicas a menores de 16 anos, é possível ver nas noites deste país, miúdos de 12, 13 e 14 anos podres de bêbados, porque não há quem fiscalize a aplicação da lei. Vão mas é trabalhar, em vez de andarem a brincar ao faz de conta!

domingo, 29 de abril de 2012

Quando foi a vossa primeira vez?

Ando muito indiscreto, eu sei, mas hoje gostaria de saber quando foi a vossa primeira vez.
Vá, não se intimidem... eu volto a dar o exemplo e revelo quando e como foi a minha primeira vez. Foi aqui! E foi muito bom!

Humor fim de semana


Numa das visitas da Troika a Portugal, Passos Coelho encaminha-se para uma das reuniões de avaliação às contas portuguesas.
Estando a chover bastante, vaidoso como é, ao sair do carro dobra a bainha das calças para não as molhar, antes de entrar no local onde ia decorrer a reunião.
Horas mais tarde, já na reunião e entre negociações complicadas, oVítor Gaspar que estava ao lado, reparou que ele ainda tinha as calças para cima.
Logo tenta avisá-lo ao ouvido:

- Sr. 1º Ministro! Baixe as calças!

- Calma Gaspar! Calma! Primeiro vamos tentar um acordo!

Le premier bonheur du jour


Em qual dos restaurantes preferem almoçar hoje?
Se o problema é não saberem as ementas, eu posso pedir aos chefes que as enviem por mail..
Tenham um bom domingo!

sábado, 28 de abril de 2012

Das línguas da sogra


Comemora-se hoje, pelo menos no Brasil, o Dia da Sogra.  Parece-me oportuno recomendar-vos a leitura deste artigo de  Frei Betto, que desconheço se tem sogra ou é casado com Deus, mas lembra algumas coisas interessantes.
Pena não falar da língua da sogra, que a Baixinha até ontem pensava ser este ruidoso instrumento.

Com toda a bonomia e paciência que me caracterizam ( cof, cof, cof) lá  lhe  expliquei que Língua da Sogra é o produto alimentar que se vê à esquerda da imagem ( à direita são bolachas belgas que não fazem parte desta história)


Não havia miúdo, nas praias entre Leça e Espinho, que não abandonasse a brincadeira e corresse para junto da mãe a salivar, assim que ouvia o pregão “ Olhá boa língua da sogra!"
“Vem aí o homem da língua da sogra! Compra-me uma, mãe!”  Lembram-se?
Desejo a todas as sogras que me visitam um dia feliz, transmissível a todas as sogras vossas amigas.
Estou ausente. Fui à procura da sogra da Merkel, para lhe dar os pêsames pela nora que o filho lhe arranjou.
Sempre que possa, vou passando por aqui a ler os vossos comentários.

Chichimeko


O ministério do turismo de S. Salvador lançou um desafio para a criação de uma bebida emblemática  do país. Exigia o regulamento que a bebida fosse criada por salvadorenhos e com ingredientes originários do país.
Causou estranheza que a  bebida vencedora, apresentada por um aluno da escola de hotelaria, fosse feita  com licor de mirtilho, vodka, triple sec  e sementes de abóbora moídas.  Na verdade,  o único ingrediente tipicamente salvadorenho nesta bebida  é o alguaishte  (sementes de abóbora moídas), mas o júri gostou e declarou-a vencedora.
Colocado perante a questão de saber se a bebida  vencedora não desrespeitaria o regulamento, um membro do júri confessou que a bebida foi selecionada por engano. O vencedor concorreu com duas receitas  e a selecionada pelo júri foi outra, à base de café e tamarindo mas, na hora de divulgar os finalistas, a que apareceu foi a do Lempa Sour ( o rio Lempa é o principal rio do país).
Enganos destes todos têm, obviamente, mas quem não se enganou foi o povo salvadorenho que  logo  rebaptizou  o Lempa Sour de Chichimeko, nome por que é conhecido no país um animador de festas populares que se movimenta com andas.
Enquanto lia a notícia, lembrei-me  que provavelmente foi o que aconteceu em Portugal no dia 5 de junho de 2011. Os portugueses queriam eleger um tipo sério e honesto, chamado Pedro Passos Coelho, mas acabaram por escolher um troca-tintas arrogante  e aldrabão.   Ora como esse homem não anima as festas populares, mas sim as festas da alta finança e dos grandes empresários e  parece usar andas sempre que aparece ao lado da mãezinha  alemã, talvez lhe fique bem o nome de Chichimerkel .

Arte Urbana (8)


sexta-feira, 27 de abril de 2012

Momento Kodak... para mais tarde recordar!

No dia 24 de Abril de 1974, a Assembleia Nacional aclamava este palhaço:

Hoje em dia, a Assembleia Nacional, rebaptizada Assembleia da República, tem muito mais cor...
...mas continuam a sentar-se nas bancadas muitos palhaços. ( amplie a foto para ver melhor)

Meus caros amigos
Fui arejar! Não consigo suportar o cheiro a celulose que este país exala.
No entanto, como não quero que vos falte nada, nos próximos dias continuarei a contar-vos algumas estórias aqui
E, claro, se o pré agendamento não falhar, durante o fds aqui estarão as rubricas habituais e um destaque especial para o Dia da Sogra que amanhã se assinala.

O Cerco: as nossas vidas davam um filme?


Este não é um post sobre cinema… apenas se alude a um filme para, a partir dele, escrever sobre as nossas vidas num país em crise...




A maioria dos leitores do CR porventura não se lembrará de um filme de António Cunha Telles, de 1970, que foi um sucesso de bilheteira e uma referência incontornável no cinema português.
Chamava-se  o“ O Cerco” e tinha como protagonistas principais Maria Cabral ( uma lindíssima morena a quem não voltei a pôr a vista em cima)  e Ruy de Carvalho.
 Em muito breves palavras, só para enquadrar os leitores na temática do post:  o filme gira à volta de uma jovem da alta burguesia  que seguiu o rumo normal das jovens naquela época: programada  para ser boa mãe, boa esposa e dona de casa, casou-se com um tipo rico. Ao fim de algum tempo, porém, fartou-se, abandonou o marido e foi viver a vida por sua conta e risco.
As coisas não correm bem  - correm mesmo muito mal- Maria começa a sentir dificuldades financeiras  e refugia-se no colo de um tipo com um passado duvidoso. Falinhas mansas, manipulador de corações  com licenciatura obtida em curso nocturno  na universidade do engate, o marmanjo salvador, profissional do contrabando, vai  manipulando aquele corpo a pedir mão de mexer e fazendo render o peixe, mas não dá a Maria aquilo com que se compram os melões. Um dia o tipo aparece morto, Maria é suspeita e vê-se  desorientada e perdida  numa Lisboa hostil . Percebe, então que a sus sede de emancipação  fica cerceada pelo Cerco que Lisboa lhe montou.

Pronto… Já lá vão 1500 caracteres e só agora vou começar!  Se não tiverem paciência para ler até ao fim, voltem amanhã para ler o resto.
Lembrei-me do filme quando li uma notícia no “Expresso” sobre a mobilidade dos portugueses. Andamos menos de transportes públicos, o tráfego nos centros urbanos reduziu-se quase 25%, as auto-estradas estão às moscas, os passeios de fim de semana e as “escapadinhas de 3 dias” sofreram um corte abrupto, os  restaurantes servem menos jantares, os locais de diversão nocturna servem menos copos, a República Dominicana ( e até o Allgarve) ficou mais longe.
Não deixa de ser estranho que na década da mobilidade, os portugueses se vejam cada vez mais encurralados no seu reduto. Na sua cidade, no seu bairro, na sua casa, sentados no sofá a ver televisão. 
Tudo se passou muito rapidamente. Há meia dúzia de anos tínhamos a sensação de que éramos ricos, porque bastava chegar ao banco,  pedir dinheiro e um minuto depois saíamos de lá com o necessário para comprar um carro, casa, ou viajar. 
Fizeram-nos acreditar que aquele dinheiro era emprestado – e um dia pagaríamos a dívida- mas o que descobrimos hoje é que era vendido e não temos dinheiro para  pagar.
Tal como a Maria do filme, quisemo-nos emancipar,  mas acabámos cercados e obrigados a entregar o nosso futuro nas mãos de agiotas que nos seduziram com o crédito barato. Na impossibilidade de matar o contrabandista, fomo-nos refugiando no nosso reduto, até ficarmos restringidos à nossa casa ou, ainda mais grave, a um quarto na casa dos pais, onde fomos obrigados a regressar.  Perdemos os voos e viagens  low cost, e vemos cerceada a mobilidade, factor determinante na evolução de uma sociedade dinâmica.
Pois… Há meia dúzia de anos o nosso futuro era risonho, mas depois veio um coelhinho e comeu-o! Agora estamos cercados e, como a Maria, sem saber o caminho que nos devolva a Liberdade!

Charles Dickens em S.Bento



Quando assisto aos debates de sexta feira na AR, tenho a sensação de estar a ver uma representação de Pickwick Papers, mas sem o brilho de Charles Dickens.
Em vez de provocar sorrisos,  Pedro Passos Coelho cria repulsa. Um quase nojo, pela faceta de mentiroso compulsivo que assume por inteiro. Cinco minutos depois de ter dito a Seguro que os subsídios de férias e Natal seriam repostos de forma intensiva a partir de 2015, diz em resposta a uma pergunta de Louçã que não se pode comprometer com datas para restituir o produto do roubo que fez aos funcionários públicos e pensionistas.
Enredado na sua teia de mentiras – que por vezes acredita mesmo serem verdades- e da sua incompetência para o cargo, PPC dá a sensação de já estar corroído pela doença que o impede de dizer a verdade.
Já que não é capaz de falar verdade, faça um favor ao país e a si próprio, senhor primeiro-ministro. Demita-se e vá tentar curar-se. Porque a sua doença, além de ser grave, está a destruir a vida de milhares de portugueses. Vá descansar, antes de cometer o crime hediondo de condenar milhares de portugueses à morte, fruto da sua incompetência e debilidade moral, intelectual e sanitária.

Vozes de Abril (18)






Balada dos Aflitos

Irmãos humanos tão desamparados
a luz que nos guiava já não guia
somos pessoas - dizeis - e não mercados
este por certo não é tempo de poesia
gostaria de vos dar outros recados
com pão e vinho e menos mais valia.


Irmãos meus que passais um mau bocado
e não tendes sequer a fantasia
de sonhar outro tempo e outro lado
como António digo adeus a Alexandria
desconcerto do mundo tão mudado
tão diferente daquilo que se queria.


Talvez Deus esteja a ser crucificado
neste reino onde tudo se avalia
irmãos meus sem valor acrescentado
rogai por nós Senhora da Agonia
irmãos meus a quem tudo é recusado
talvez o poema traga um novo dia.

Rogai por nós Senhora dos Aflitos
em cada dia em terra naufragados
mão invisível nos tem aqui proscritos
em nós mesmos perdidos e cercados
venham por nós os versos nunca escritos
irmãos humanos que não sois mercados.
( Manuel Alegre)

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Também já "tive" um pobrezinho...




Numa tarde de um  domingo de Junho, estava eu sozinho em casa a estudar para um exame, quando tocaram à porta. Fui ver quem era. Era um pedinte, velhinho simpático, que me  pediu comida. Advertiu-me desde logo que não queria dinheiro, só comida.
Fui ao frigorífico, recolhi algumas coisas e dei-lhe.
No domingo seguinte, o velhote voltou a bater à porta. Trazia os recipientes que eu lhe entregara com a comida. Desta vez os meus pais estavam em casa e foi a minha mãe que se encarregou da tarefa de lhe arranjar alguns alimentos. 
Não sei a conversa que terão tido mas, na semana seguinte, à hora do almoço, a minha mãe disse para a empregada:
Prepare a comida do pedinte, antes de servir o almoço.
O pedinte chegou à hora habitual . Naquele e em muitos outros domingos que se seguiram. No bornel, não levava os restos do nosso almoço. Levava o seu quinhão pois, nas contas do almoço de domingo,  a minha mãe  já contava com ele, como se de um convidado se tratasse.
Foi assim que eu aprendi a tratar os pedintes que têm fome. A dar-lhes uma parte do que é meu e não as sobras.
É por isso que me indigno com as campanhas que visam branquear a miséria de muitos, com uma solidariedade envergonhada, que serve para tranquilizar algumas consciências, mas não para resolver os problemas de quem tem fome.
Isto não vai lá com cantigas!


Descubra as diferenças


Ontem, ficou bem visível que, em termos de órgãos de soberania, não há grande diferença entre o antes e o depois do 25 de Abril de 1974. A única excepção, é mesmo a presidente da AR que, ou muito me engano, ou será a candidata do PSD a Belém em 2016.
Quanto ao PR, as únicas diferenças entre Tomás e Cavaco são físicas. Ambos são meras figuras decorativas, que se limitam a abanar a cabeça ao governo da União Nacional. É verdade que Tomás nos fazia rir mais, mas o conteúdo das mensagens de ambos equivalem-se na pobreza de ideias. Pronto, concedo, este viaja mais do que o sr.Américo, mas nós dispensávamos bem que o sr. Aníbal andasse a dar a volta ao mundo, porque – além de ser dispendioso para o erário público -  a imagem que deixa de Portugal além fronteiras nos envergonha.
Quanto aos governos, ambos vêem o povo como carne para canhão. Na esteira de Salazar, Caetano mandava os jovens morrer em África; Coelho manda-os morrer longe, pouco lhe interessando o destino que escolham. O importante é que não fiquem por cá, porque só atrapalham.
Ambos desprezam o povo e defendem, acerrimamente, os interesses do capital, enquanto tratam a oposição como um grupo de inimigos que só quer mal  ao país. 
Talvez a única diferença que exista é que Caetano acreditava em Portugal , enquanto Coelho se está borrifando para o país e não hesita um momento em vendê-lo aos interesses estrangeiros. Não esconde, aliás, o orgulho em ser governado pelo FMI.
Passos Coelho, por vezes, faz-me lembrar o filho que Salazar escondeu dos portugueses,  por não querer  revelar o nome da mãe e ter medo que chamassem nomes feios ao catraio.

A ressaca

Foto: Cláudia Teixeira ( Visão)

Na Quinta das Conchas, pouco antes das três da tarde, o metro ia à pinha, havia muitos cravos e logo percebi que muita gente iria concentrar-se no Marquês de Pombal. O que não esperava era que, com aquela  chuva miudinha a cair intensamente, fossem tantos os resistente. Muitos milhares, entre os quais muitos jovens animados e ruidosos. Apanhei uma valente molha, mas valeu a pena! 
Se o Coelho  tiver dois dedos de testa - e burro o homem não é-  terá percebido que ou mete a arrogância no mesmo sítio onde já guardou a ética, ou vai ter bastantes dissabores num futuro muito próximo...

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Onde estava no 25 de Abril?


Esta pergunta  era formulada pelo meu amigo Baptista Bastos aos entrevistados num programa que tinha na SIC.
Hoje, é a minha vez de vos perguntar: onde estavam vocês no 25 de Abril?
Para dar o exemplo,  revelo desde já que estava aqui

Acorde, sr Aníbal! Hoje é 25 de Abril, não é o 10 de Junho


Ao contrário do que aconteceu em anos anteriores, este ano acompanhei a cerimónia do 25 de Abril  na AR. Só para confirmar o que já suspeitava: temos um governo e um presidente que  estão apostados em terminar com o que resta do 25 de Abril.
Começando pela figura de Belém, não pude deixar de comparar os discursos deste ano e de 2011.
Ano passado incitou o povo a indignar-se e  a sair à rua em protesto, porque não era possível aguentar mais sacrifícios, era preciso apostar no crescimento da economia e fomentar o emprego
Hoje, com o país de rastos, esqueceu o discurso de ano passado, falou  de telemóveis e Via Verde, apontou aos passarinhos e aconselhou os portugueses a irem pelo mundo fora espalhar a boa nova de um país de sucesso. 
Além de um discurso disparatado,confundiu o  25 de Abril com o 10 de Junho, senhor presidente? Essa doença tem nome, sabe…
Pessoalmente, seguirei o seu conselho, mas apenas com um esclarecimento final:  direi lá fora que temos um presidente de facção que envergonha 8 milhões de portugueses.Um PR que não tem uma palavra para a Constituição,  vê o governo violá-la e apõe a sua assinatura concordante e não é  um defensor de Abril.
Já chega de palhaçadas, sr. Aníbal!
Quanto aos discursos dos partidos, realço apenas o do CDS. Porque foi o discurso da vingança e do ódio. Mas isso não é de espantar, pois está no génese da sua criação.Sempre foram contra o 25 de Abril, mas são muito bons a disfarçar.
O melhor discurso foi o da presidente da AR, Assunção Esteves, ( o que também não me espantou…) de que destaco apenas estas palavras:
“ A prova de fogo da democracia é o bem estar das pessoas”

PS: A esta hora estarei a descer a Av da Liberdade. É a minha maneira de agradecer Abril e ajudar a mantê-lo vivo. Ao contrário de outros anos, não  é um dia para celebrar, mas sim para lutar!

Os néscios


As declarações de PPC e abjectos adjacentes, defendendo que o 25 de Abril é uma festa  que pertence ao povo e não aos militares provocam-me, simultaneamente, riso e pena.
Riso, porque esses idiotas não perceberam nada do que se está a passar neste momento em Portugal e alguns, apesar dos discursos em defesa do 25 de Abril, têm mas é saudades do Estado Novo gostariam mesmo era de regressar a esse tempo.Os militares não se reclamam donos do 25 de Abril , apenas cumprem o dever de manifestar o seu desagrado pela situação em que está o país e tentar despertar o povo. 
Pena, porque também não perceberam que se não tivessem sido os militares, não teria havido 25 de Abril. Vivemos hoje numa situação muito idêntica à de 73 e continuo a ver o povo, impávido e sereno, a amouchar à espera que a crise passe. Quando acordarem para a realidade vai ser tarde mas, sinceramente, não tenho pena. Esses vão ter o que merecem. 
Pena  ainda, porque algumas das figurinhas  como esta, vomitam alarvidades e nem sequer reconhecem  que, se os tempos fossem outros, nem para motoristas de um ministro serviriam.Deviam estar muito gratos a quem criou condições para  que néscios chegassem ao poder por via democrática.

Vozes de Abril (17)


Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo

Sophia de Mello Breyner Andresen

terça-feira, 24 de abril de 2012

Obrigado por tudo, Miguel




Foto: Publico

Não éramos propriamente amigos, mas conhecíamo-nos há 30 anos e partilhámos muitos momentos juntos, entre discussões acaloradas  - mas civilizadas-  e francas gargalhadas. Apreciava-lhe o trato, sempre cordial, mesmo quando discordava. Era um senhor da política, fiel aos seus princípios.
Estive com ele a última vez,  na Praia das Maçãs, em véspera de eleições. Vou ter  saudades, Miguel. E uma raiva enorme por teres partido tão cedo!





Os fora da lei




A acreditar no que fui lendo hoje, na imprensa on line,  a figurinha que vêem aí acima foi nomeado para desempenhar, na próxima quinta-feira, o papel de  porta voz do governo junto dos sindicatos. Leva como missão convencer os sindicatos da administração pública a aceitarem uma proposta de terrorismo laboral que, abreviadamente, designarei como  assédio moral ou bullying.
De acordo com o que li  - fica o link para que os leitores façam o seu juízo- o governo pretende livrar-se de uns milhares de funcionários públicos,  as únicas gorduras de Estado que considera susceptíveis de emagrecimento. 
A figura retórica que escolheu para emoldurar o despedimento foi a “rescisão amigável”. No entanto, sendo este governo constituído por indivíduos fora da lei, foi sem surpresa que constatei ser a “rescisão amigável” um despedimento encapotado e as práticas utilizadas para o  concretizar, enquadráveis nos parâmetros do assédio moral, prática punida por lei quando praticada pelas empresas, mas  praticada com displicência pelo governo “por imperativos de interesse nacional” ( Uma nova fórmula dos famigerados PIN criados pelo governo Sócrates, mas com influência desastrosa na vida das pessoas).
De acordo com as regras que o governo pretende impor aos funcionários públicos, o esquema a seguir é este:
1- Os funcionários públicos têm direito a receber 20 dias por cada ano de trabalho ( o que está de acordo com a lei em vigor desde Novembro), mas o Estado paga um máximo de 12 salários a cada funcionário que aceite a rescisão amigável. 
O que equivale a dizer, por exemplo, que um funcionário com 40 anos de serviço, que no sector privado teria direito a uma indemnização equivalente a 27 salários, na função pública terá apenas direito a receber 12! 
Não era este governo que dizia pretender equiparar as condições dos trabalhadores do sector privado com os funcionários públicos? 

2- E se um funcionário público, percebendo que está a ser vítima de extorsão por parte do Estado, recusar a rescisão alegando não negociar com vigaristas, o que pode o Estado fazer? Simples. Passa ao plano B ( de bullying) onde  pode recorrer a três hipóteses:
- Enviar o funcionário para outra zona do país
- Colocá-lo na mobilidade especial e, depois, forçar a rescisão
- Dar instruções ao dirigente para lhe dar  nota negativa na avaliação de desempenho , levantar-lhe um processo disciplinar e despedi-lo sem ter de pagar qualquer indemnização.

Confesso que deve ser mais fácil negociar com um criminoso na Feira do Relógio, do que com este governo, tal é o manancial de expedientes que utiliza para torpedear a lei sem ser condenado.
Concluindo: o que este governo se prepara para fazer com os funcionários públicos que lhe atrapalham o orçamento  é uma prática infame de bullying a que eufemisticamente chama rescisão amigável.
Mas, como o assédio moral e o bullying empresarial serão o tema do meu post do 1º de Maio, por agora fico-me por aqui.

Bombokas



Jerónimo de Sousa , inflamado e peremptório, declarou que a UGT e o PS são uns bombokas, por se deixarem  iludir com as promessas do governo.
Não posso deixar de concordar com Jerónimo de Sousa – por quem, aliás, nutro grande simpatia-  mas gostaria de lhe fazer um aviso:  Compre um espelho!
Se o fizer, verá lá reflectida a sua culpa, camarada! Foi o senhor que viabilizou a queda do governo PS, aliando-se aos partidos que formam este  governo.
Quem tem telhados de vidro, é melhor não atirar pedras, sob pena de lhe caírem em cima os estilhaços.

A avalanche



O FMI  prevê que Portugal sofrerá, até 2016, uma avalancha de investimento estrangeiro. O governo já tinha dito o mesmo, mas aos nossos governantes sempre dou um desconto por confundirem a venda ao desbarato do nosso património com investimento. São néscios e aldrabões, não nos devemos admirar que misturem a realidade com a fantasia. 
Agora, quando vejo  o FMI  dizer o mesmo, então já fico com “a pulga atrás da orelha”. Vai daí, dei 1,10€ pelo JN para ler a notícia - que tinha chamada de capa.
Na página 48 confirmei as minhas suspeitas. O FMI diz, na verdade, o mesmo que os nossos governantes mas  acrescenta ( pormenor importante que o nosso governo escamoteia…)  “os ganhos da economia serão quase nulos!”.
Ou seja,  quando  este governo der à sola depois de vender todas as nossas empresas lucrativas a capital estrangeiro, terá cumprido a sua promessa eleitoral de deixar o país mais pobre e sem quaisquer hipóteses de recuperação porque,  como também diz o FMI “ (do investimento estrangeiro) pouco ficará em termos líquidos na economia, já que os investidores vão extrair rendas e lucros, repatriando os ganhos para os seus países de origem”. Ainda de acordo com o FMI, a partir de 2017 haverá “ um agravamento das necessidades de financiamento”. Como iremos pagá-lo, é que o FMI nada diz.
Resumindo: este governo delapida o país em quatro anos, os seus membros  ganharão o reconhecimento dos investidores e, muito provavelmente, serão contemplados  com cargos nas empresas que venderam ao desbarato, ou em algumas das suas subsidiárias, para não dar tanto nas vistas.  Os portugueses ficarão soterrados nos escombros desta avalanche de investimento, à espera que as brigadas de socorro venham em sua salvação. 
Sabendo o que nos reserva o futuro, Cavaco faz agora coro com o governo, dizendo que vamos sair da crise mais rapidamente do que era esperado. Estamos entregues aos bichos!

Vozes de Abril (16)



segunda-feira, 23 de abril de 2012

Blog da semana

Candeia que vai à frente alumia duas vezes, diz a sabedoria popular e o blog que escolhi para esta semana confirma-o.
A Nossa Candeia é o blog da semana

Figura da semana


A decisão da Associação 25 de Abril merece o meu fervoroso aplauso. Pactuar com gente que vende o país a pataco e ameaça com a polícia, para tentar desmobilizar  a manifestação, seria vergonhoso. A dureza das palavras de Vasco Lourenço permite acreditar que ainda há homens neste país que recusam vergar-se diante dos colonizadores e dos seus súbditos instalados em S.Bento.
Espero que os portugueses demonstrem o seu  apoio a esta decisão, comparecendo em massa na manifestação e mostrando a este governo que é imune às ameaças e provocações. Se este governo pensa que chegou a altura de malhar na esquerda, este é o momento adequado para os portugueses mostrarem que não têm medo das ameaças desta corja que se escuda atrás da polícia, para lançar o medo.

Rive Gauche



Depois dos resultados da primeira volta das presidenciais francesas, todos os analistas apostam numa vitória de François Hollande no próximo dia 6 de Maio.  
Não estou tão optimista, pois não sei o trunfo que os mercados têm na manga, para tentar inverter a tendência de vitória da esquerda.
Mas mesmo que Hollande seja o próximo inqulino do Eliseu poderemos ficar tranquilos? É certo que ele promete – e acredito que cumpra- obrigar à revisão do Tratado Europeu que Passos de Coelho, tão pegajoso como o bom aluno que passa a vida a dar graxa aos professores, se apressou a assinar.  Mas mesmo que a alteração se venha a verificar, em benefício de países com a corda na garganta, como Portugal, que tranquilidade podemos ter quando   Marine Le Pen recebe 20 por cento dos votos dos franceses? As eleições parlamentares de Junho poderão dar a resposta. Se Le Pen mantiver uma elevada votação, teremos razões para nos preocuparmos.
Mas também há boas notícias... O escrutínio ainda não terminara e já Melenchon- o candidato apoiado pelo Partido Comunista Francês e pela extrema esquerda - e Eva Joly declaravam, sem tibiezas nem ameaças veladas, que iriam apoiar Hollande na segunda volta.
Para a esquerda francesa os socialistas - mesmo com um candidato fraco e sem carisma- não têm peçonha. O PC francês sabe distinguir Hollande de Sarkozy. Podiam vir dar umas aulas aos comunistas portugueses, para ver se eles aprendem, de uma vez por todas, as diferenças entre Sócrates e Coelho.
Para terminar, recordo as palavras de Marinne Le Pen " Tudo farei para que Sarkozy seja derrotado".
Para bom entendedor...

Do Norte com afecto




Em Março, decidi fazer um fim de semana prolongado em terras nortenhas, com três objectivos- para além de relaxar e fazer uma cura de desintoxicação da capital.
Para não fatigar os sentidos até terras nortenhas, nem estafar a bolsa em gasolina e portagens,optei por fazer a viagem de comboio até Braga e aí alugar um carro para fazer os meus percursos, usufruindo da parceria entre a CP e a Avis.
Pretendia, antes de mais, amaciar o palato e acalmar  o estômago, carente dos paladares a que o habituei na juventude.
Das degustações que fui fazendo entre terras minhotas de Viana a Ponte de Lima, passando por Braga ou  Barcelos e outras menos notáveis localidades onde se amesenda a preceito, não vos vou fazer aqui relato. Apenas vos digo que dentro do meu organismo detectei um elemento muito ingrato. Se palato e estômago agradeceram esta romagem a terras do norte, o mesmo não se pode dizer da vesícula que, após regressar a Lisboa,  me atazanou durante alguns dias, queixosa por a ter obrigado a trabalhos esforçados. Resignei-me à sua fúria e apascentei-a com  insípidos cozidos e grelhados mas, mesmo assim, não evitei  durante uns dias as suas  descargas biliosas,  reflectidas em alguns posts que fui aqui escrevendo por esses dias.
No concernente à lavagem da vista, foi bem conseguida com as paisagens durienses e minhotas, onde se destacou o esplendoroso panorama do Gerês. Nem um ou outro atentado perpetrado  por casas tipo maison com janelas estilo fenêtres, que ao longo de décadas os nossos emigrantes foram polvilhando na paisagem, foram suficientes para perturbar a tarefa higio sanitária a que me propus. Pena foi, que  uma arreliadora avaria na máquina que deveria ter registado esses momentos, tivesse apenas deixado como testemunho a fotografia do galo barcelense que a imagem reproduz.
Já quanto à lubrificação dos neurónios, o objectivo ficou aquém das metas propostas. Se é verdade que o centro histórico de Guimarães continua a ser um palco para devaneios, o mesmo não se pode dizer da oferta cultural que a Capital da Cultura oferecia por aqueles dias.
Confesso-vos que os Fura del Baus já não são estímulo suficiente para lubrificação dos meus neurónios e, naqueles dias, essa era a única oferta feita aos visitantes que, como eu, esperavam encontrar no berço da Nação motivos bastantes para lavar o espírito.
Do mechandising da coisa, o melhor é nem falar, dada a paupérrima e pouco vaiada oferta.
Já em Braga, Capital Europeia da Juventude, foram sobejos os motivos que me permitiram lubrificar   os neurónios. O primeiro, foi tentar perceber  a razão de ninguém falar no evento que, pelo que me foi dado observar, anima as ruas de manhã à noite.
Depois, sentado nas esplanadas da Brasileira ou do Vianna, gozando a temperatura estival, dei por mim a pensar que Braga é, realmente, a cidade mais jovem de Portugal. Em quase todos os cafés e restaurantes os empregados são jovens, contrastando com o panorama habitual que se observa em terras lusas. Nas ruas, os jovens andam em bandos e à noite fazem sentir a sua presença de uma forma civilizada e pouco ruidosa, não perturbando os seniores mais recatados que exigem direito ao descanso.
Em termos de amesendagem descobri dois excelsos exemplos de empreendedorismo cuja memória me faz despertar o palato enquanto escrevo. Se aos seus nomes não faço aqui referência, é só para não estragar uma surpresa que ando a preparar lá para Maio e que aqui darei o devido destaque.
Por agora, fica apenas o relato de um fim de semana em que retornei a lugares quase esquecidos. Com muito prazer, apesar da frustração da capital da cultura que me deixou com um amargo de boca.

O autocarro



A política deste governo faz-me lembrar um  autocarro. Cabe sempre mais um.
 Há falta de lugares para as crianças nas creches? Fácil. Aumenta-se a lotação.
São precisos lares para idosos? Fácil. Um quarto de 12m2, ocupado por um velho, é um desperdício. Ponham-se dois em cada quarto e se as camas não couberem lado a lado, há duas soluções. Ou instalam-se beliches, ou repartem os dois a mesma cama.
É preciso fechar escolas para fazer receita  com a venda dos edifícios? É preciso reduzir o número de professores, para poupar nas despesas? Fácil. Aumenta-se o número de alunos por sala de aula.
Há escolas onde as salas de aula não comportam 30 alunos? Difícil! Mas não para este governo…  Põem-se os excedentes a assistir às aulas pela janela. Se estiver a chover, que usem guarda-chuva!

domingo, 22 de abril de 2012

Uma viagem de Metro

Uma viagem de Metro conduziu-me a tempos recuados. A conversa levou-me a recordar esta profissão,  anunciada como profissão de futuro

Mais vale tarde do que nunca...


Ainda aqui não agradeci a Pinto da Costa, as alegrias que me proporcionou nos últimos 30 anos. Eu sei que o dirigente desportivo mais odiado pelos sulistas elitistas  ( Menezes dixit) não precisa de agradecimentos, porque os grandes homens são superiores a elogios.
É por isso que, nesta data festiva, lhe dirijo uma crítica. Disse PC que era seu objectivo preparar o FC do Porto para mais 30 anos de sucesso. 
Ó Presidente! Fiquei surpreendido com a sua ingenuidade… Então acredita mesmo que daqui a 30 anos ainda haja um país chamado Portugal? Eu sei que é um optimista, mas acreditar nisso é exagero!
Em 2042  o FC do Porto continuará a existir, certamente, mas estará impedido pelos descendentes da chancelarina alemã de participar em competições europeias, para não ofuscar o brilho dos clubes do IV Reich, fundado por Ângela Merkel, com o apoio entusiasmado de Pedro Passos Coelho que fará inveja a Brejvik, ao fazer a saudação nazi diante da  coveira da Europa.
Os alemães nunca lhe perdoarão, meu caro Pinto da Costa, as humilhações que lhes infligiu durante o período em que foi presidente e que tiveram o ponto mais alto quando, em 1987,  derrotou os sobranceiros bebedores de cerveja quente de Munique, derrotando-os numa final memorável onde, humilhação das humilhações, a vitória foi conseguida com o calcanhar de um peçonhento árabe chamado Madjer.
Meu caro presidente!
Está a perder qualidades. Já não consegue antever os perigos oriundos da nazi Merkel? Não se preocupe… No dia 26 de Abril estarei em Berlim  para uma estadia o mais curta possível.  Com a ajuda de alguns amigos, consegui agendar uma entrevista com a chanceler alemã e dar-lhe-ei conta das preocupações dos portugueses pelas atitudes xenófobas  que nos humilham diariamente. 
Um grande  abraço e o meu reconhecido OBRIGADO!
PS: Não quer trocar a sua brasileira pela Merkel? O país inteiro se ajoelharia a seus pés, reconhecido, por ter vergado à sua vontade a almôndega com pelos. Pense nisso, tá?
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Sugestão da semana




A Universidade de Lisboa junta-se às comemorações do 38º aniversário da Revolução de 25 de Abril de 1974 e apresenta o ciclo de cinema “Projeções de Abril” que decorre nos dias    23, 24 e 25 de Abril, às 18h30 no Salão Nobre da Reitoria da Universidade de Lisboa.
“Projeções de Abril” irá exibir curtas e longas metragens nacionais, de ficção ou documentais, que exploram, nas mais variadas perspectivas, os acontecimentos relacionados com a Revolução de 25 de Abril.
“48” de Susana Sousa Dias, “Fantasia Lusitana” de João Canijo, “Antes de Amanhã” de Gonçalo Galvão Teles são alguns dos filmes que compõe a programação de Projecções de Abril, em exibição no Salão Nobre da Reitoria da Universidade de Lisboa de 23 a 25 de Abril às 18h30.
A entrada é livre.

Le premier bonheur du jour

O que vos apetece hoje para o pequeno almoço?

Midnight Express




Vejo, com frequência, os jornais da meia noite da RTP Informação, TVI 24 e SIC Notícias. Não tanto para ouvir as notícias do dia, mas sim para ver o Jardim das Notícias (na TVI) e as primeiras páginas dos jornais do dia seguinte.  
Nos dois primeiros canais, à breve súmula da leitura das primeiras páginas ( comentadas na RTP por jornalistas) segue-se a leitura de algumas notícias dos sites da imprensa internacional. A escolha é feita sem critério perceptível, mas acompanhar essa leitura é um momento hilariante que me deixa com boa disposição e esbate os efeitos de possíveis insónias.
Aqui ficam três exemplos, para não dizerem que sou sectário
Há dias, na TVI 24, João Maia Abreu  sobre  uma notícia do El Mundo,  traduziu “chino” por criança, o que no contexto da notícia deu lapso prenhe de humor.
Já uma jornalista da RTP, de seu nome Estela, tem como hábito- na tradução de jornais francófonos,  confundir o verbo “Vouloir”  com o verbo “Aller” . Assim, se Sarkozy “ Veut”  qualquer coisa, a jornalista  sistematicamente afirma que Sarkozy  “ Vai”, em vez de “Quer”. Já dei boas gargalhadas com os efeitos destas trocas...
A cereja no topo do bolo, porém, surgiu há dias na SIC  pela voz de Augusto Madureira. Desta feita, o jornal era português e falava de um festival de música a realizar em Portugal,onde se fazia uma comparação ( que me pareceu descabida) com  a presença de  jovens em Lloret del Mar durante as férias da Páscoa.
Augusto Madureira enredou-se durante uns segundos ( quiçá confuso com o paralelismo) e acabou por rematar “ Espera-se a presença de muitos jovens no concerto para ouvir os “Lloret del Mar”. Genial! Quem não vai dormir bem disposto depois de ouvir tanta alarvidade?

sábado, 21 de abril de 2012

Não gozem com a minha cara!

Eles estão em toda a parte e vêm com este argumento para aumentar o preço da carne? Só se for por já saberem falar mas, mesmo assim, cada vez que falam dizem coisas pouco agradáveis, por isso não justificam o preço...

Humor fim de semana


Um homem telefona para a esposa e diz:
- Querida, o meu chefe convidou-me a mim e a alguns dos seus amigos para irmos pescar num lago distante. Vamos ficar fora uma semana. Esta é uma excelente oportunidade para eu conseguir a promoção que tenho esperado,por isso prepara-me roupa suficiente para uma semana e também a minha caixa de apetrechos de pesca. Vamos partir directamente aqui do escritório e vou  passar aí apenas para apanhar essas coisas.
 Ah!... Por favor , coloque também  o meu pijama novo, aquele de seda azul...
A mulher acha que isso soa um bocado estranho mas atende o pedido do marido.
No fim de semana seguinte , ele regressa da pescaria um tanto cansado, mas fora isso nada de anormal. A mulher recebe-o com um beijo e pergunta-lhe se apanharam muitos peixes.
Ele responde:
-Sim! muitos pargos, algumas garoupas e muitos carapaus. Mas,
 por que é que você não colocou o meu pijama de seda azul, tal como pedi?
A mulher apenas olha fixamente nos olhos dele  e responde segura de si:
-Coloquei sim, querido! Coloquei-o dentro da caixa dos apetrechos de pesca.

Arte Urbana (7)

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Pausa para publicidade

Talvez a notícia não vos interesse muito mas, à falta de tema para a noite ( a esta hora devo estar no cinema) venho informar-vos que, embora não tenha ido ver a Branca de Neve, deixei aqui para vosso deleite o último episódio de uma história que também mete fadas e duendes.

Singularidades de uma mulher loira*

Andavam o Pedro, o Paulo e o Gaspar a esfalfar-se, tentando convencer-nos que estamos no bom caminho e vem a loira estragar tudo!
* Título roubado ao Manoel de Oliveira

Como tratar frustrações

No meu tempo, estas frustrações tratavam-se com educação e, quando não resultava, alguns pais usavam pau de marmeleiro.
Agora, pedem ajuda a um psicólogo...

Adivinha quem vem jantar



Um grupo de tugas e alguns estrangeiros residentes em Portugal, decidiram refeiçoar pelo preço módico de 450€ (por extenso, para não pensarem que é erro: quatrocentos e cinquenta euros).PREÇO POR PESSOA, OBVIAMENTE!
Cada um gasta o dinheiro como quer  e, se um grupo de pessoas entende que um jantar vale esse dinheiro e o pode pagar, nada tenho a opor.
Então porque é que estás aqui a falar disso, Carlos? – perguntarão alguns leitores.
Passo a explicar.
Embora não tendo nada contra, começo a desconfiar  quando vejo as câmaras de televisão a filmar o repasto. Por que raio é que os tipos quiseram ser filmados? 
Terá sido uma provocação a quem ganha num mês o que eles gastam numa noite, ou  operação publicitária ao restaurante? Talvez ambas as coisas?
Não sei responder mas, quando vejo as imagens da  estreita mesa de repasto onde os comensais estão sentados frente a frente em modelo manjedoura com um espaço reduzido entre si, percebo que são grunhos, porque só  um grunho se dispõe a pagar 450€ por uma refeição  em condições idênticas à de uma cantina.
Ganha mais convicção a minha suspeita, quando os tipos abrem a boca, ou as câmaras focam o “estilo” com que bebem o vinho. Já tenho visto tipos em tabernas a beber com mais charme…
Poupo-vos às explicações dadas por alguns comensais para justificarem a bacanal. Não deixo, no entanto, de vos transmitir os meus pensamentos enquanto via a reportagem e de pedir o vosso contributo para o esclarecimento de umas dúvidas que me assaltaram:
O tema não gastronómico da conversa terá sido sobre o disparate que seria aumentar o salário mínimo nacional?
No final do repasto cada um dos refeiçoeiros terá recebido como oferta do dono do restaurante  uma cana de pesca, ou um camaroeiro? 
A minha pergunta não é tão disparatada quanto possam pensar. É que quem paga 450€ por uma refeição, certamente está à espera de no dia seguinte, quando for hora de devolver à Mãe Natureza  o produto transformado da ceia, encontrar entre os dejectos pepitas de ouro. E, nesse caso, um camaroeiro dá sempre jeito…

Diz-me quando, quando, quando

é que o Seguro vai perceber que a abstenção violenta é uma preciosa arma para a direita?

Vozes de Abril (15)


quinta-feira, 19 de abril de 2012

Portugal ao espelho

Às vezes sou criticado quando escrevo sobre futebol. Assumo o risco. O desporto mais popular do mundo é, não rara vezes, um espelho do país. Este caso é paradigmático. Quando um grupo de dirigentes se une para criticar o presidente da FPF, por se recusar a aceitar que as regras sejam alteradas a meio do jogo, percebemos melhor a forma de pensar dos tugas. Vale tudo, mesmo a batota, desde que em causa estejam interesses individuais. Seria cómico, se não fosse trágico.
AVISO: Peço desculpa porque no post anterior o link não estabelecia ligação para a notícia, mas agora já lá está

E quando ela regressar?

Vai convidá-la para especialista no seu gabinete? 
Tenha vergonha, homem! Também andei emigrado durante muitos anos e. se de alguma coisa me arrependo, é ter voltado a este país, para receber recados de gajos que  chegaram ao poder montados em colos de má reputação.

Nortadas




O que se passou hoje na Fontinha , no Porto, não foi só o fim de um sonho, de um projecto educativo com uma forte componente cívica. Foi também a certeza de que estamos a viver um pesadelo de que é preciso acordar enquanto é tempo.
Ao ver a actuação bárbara e esquizofrénica da polícia, lembrei-me da polícia de choque do tempo do Estado Novo. Bateram a torto e a direito, como se estivessem drogados, como se cada bastonada fosse  a concretização de um sonho de vingança  que alimentavam desde o 25 de Abril.
Não deixei de recordar notícias recentes indiciando a presença crescente de criminosos nos quadros da polícia. Talvez alguns dos polícias que actuaram esta manhã na Fontiha fossem mesmo criminosos disfarçados de polícias. Por isso tinham aquele olhar vidrado de drogados e o ódio estampado no rosto. 
Fico ainda preocupado com o facto de a Câmara Municipal do Porto ter  utilizado bombeiros  desfardados e de cara tapada para apoiarem a intervenção. Rui Rio terá perdido alguns pontos em Belém, agora confortado com uma leizinha que permite aos bancários acumular reformas com o cargo de funções públicas, a que a comunicação social se tem esquecido de dar o merecido destaque.
O 24 de Abril está cada vez mais perto e , ao ler isto, sinto que  não tardará muito até assistirmos  a um caso idêntico ao que ocorreu na Grécia.
Quando isso acontecer , o Boca de Brioche dirá diante das câmaras de televisão- entre um copo de espumante e uma salsicha- que lamenta o sucedido, mas que a morte de um cidadão desesperado não desviará um milímetro a sua política de destruição do país.
Pode ser que um tresloucado decida fazer justiça pelas próprias mãos e acabe de vez com  o sorriso cínico da estrela falhada do show bizz.

Outros sinais




O que se passou hoje na Fontinha , no Porto, não foi só o fim de um sonho, de um projecto educativo com uma forte componente cívica. Foi também a certeza de que estamos a viver um pesadelo de que é preciso acordar enquanto é tempo.
Ao ver a actuação bárbara e esquizofrénica da polícia, lembrei-me da polícia de choque do tempo do Estado Novo. Bateram a torto e a direito, como se estivessem drogados, como se cada bastonada fosse  a concretização de um sonho de vingança  que alimentavam desde o 25 de Abril.
Não deixei de recordar notícias recentes indiciando a presença crescente de criminosos nos quadros da polícia. Talvez alguns dos polícias que actuaram esta manhã na Fontiha fossem mesmo criminosos disfarçados de polícias. Por isso tinham aquele olhar vidrado de drogados e o ódio estampado no rosto. 
Fico ainda preocupado com o facto de a Câmara Municipal do Porto ter  utilizado bombeiros  desfardados e de cara tapada para apoiarem a intervenção. Rui Rio terá perdido alguns pontos em Belém, agora confortado com uma leizinha que permite aos bancários acumular reformas com o cargo de funções públicas, a que a comunicação social se tem esquecido de dar o merecido destaque.
O 24 de Abril está cada vez mais perto e , ao ler isto, sinto que  não tardará muito até assistirmos  a um caso idêntico ao que ocorreu na Grécia.
Quando isso acontecer , o Boca de Brioche dirá diante das câmaras de televisão- entre um copo de espumante e uma salsicha- que lamenta o sucedido, mas que a morte de um cidadão desesperado não desviará um milímetro a sua política de destruição do país.
Pode ser que um tresloucado decida fazer justiça pelas próprias mãos e acabe de vez com  o sorriso cínico da estrela falhada do show bizz.


Portanto...

Fascismo, diz ele

Concordo em absoluto.
É preciso andar muito distraído para não perceber que este governo destruiu, em menos de um ano, o que restava da democracia. Vivemos numa ditadura encapotada, onde até Américo Tomás reencarnou para defender o interesse nacional  e promulgar leis no mais completo secretismo.
É certo que continuamos a poder votar mas, no tempo do Estado Novo, apesar de serem uma paródia fraudulenta, também havia eleições.  Alguém me garante que as eleições em 2015 serão livres? Alguém me garante que até lá não tenhamos um governo  escolhido pelo eixo Berlim/Paris?
Mas temos uma imprensa livre, argumentarão alguns.
Não brinquem comigo, por favor! Os jornais são, hoje em dia, meras caixas de ressonância do poder ou de alguns grupos económicos que concertam posições com o governo à socapa. Os jornais estão cheios de jornalistas que são meros funcionários públicos. Comportam-se como papagaios que reproduzem o que ouvem nas conferências de imprensa e não têm qualquer sentido crítico. Muitos são néscios e preguiçosos e fazem notícias de ouvido ou com base em pesquisas na internet. Uma prova? Então aqui vai...
Há dias o ministro da Vespa,que também se chama Mota mas anda de Audi, anunciou com pompa e circunstância um conjunto de novas regras para atribuição do Rendimento Social de Inserção. Mentiu descaradamente aos portugueses, porque nenhuma das medidas anunciadas era nova. Todas se aplicavam desde o governo de Guterres e de Durão Barroso ( quando Bagão Félix era ministro da Segurança Social). Nenhum jornalista se deu ao trabalho de investigar. Todos acreditaram, porque têm muita Fé neste governo.
Ah, mas não há PIDE, nem presos políticos! 
Presos políticos não há, é verdade, mas a PIDE embora esteja organizada em moldes diferentes do Estado Novo, está no meio de nós. O que chamam vocês a um sistema que controla todos os nossos passos através de dados electrónicos? Babysitters?
O espírito pidesco também está muito arreigado entre os portugueses. Seja nos organismos públicos, seja nas empresas. Acreditam vocês que muitos blogs e perfis nas redes sociais não estão a ser escrutinados diariamente? Então, se acreditam, muitos parabéns pela ingenuidade. Continuem também a acreditar  que foi só para controlar notícias que PPC investiu fortemente no pagamento de almoços e jantares a jornalistas e bloggers. E que a contratação de alguns deles para gabinetes foi devido à sua excelência profissional!
Mas temos um povo mais informado! - dizem outros quase em desespero.
Pois temos... serve de muito! Os tugas parecem mortos-vivos que andam a contar os tostões para se manterem à tona de água. Enquanto as poupanças forem equilibrando as contas, tiverem um emprego- mesmo  mal pago- e puderem ir à terra passar as férias e o Natal, vão amouxando. Quando já não tiverem emprego e as escassas poupanças tiverem chegado ao fim, já estão tão débeis que nem forças têm para protestar. Passam a rezar a Nossa Senhora de Fátima, aumenta o número de católicos e a Igreja fica satisfeita. O governo também e até esquece o corte dos dois feriados religiosos.
Não sejamos ingénuos. Alguém acredita que teria havido 25 de Abril, estaríamos na UE e seríamos sócios do Euro, se não fossem os militares de Abril?
Alguém acredita que este povo é capaz de bater o pé? Olhem só para os espanhóis... as medidas de austeridade em Espanha estão longe de ser tão draconianas como as aplicadas aos tugas e eles saem para a rua todas as semanas. A nossa imprensa cala-se, porque o importante é a Primavera Árabe e a opressão na Síria, que ficam suficientemente longe para que alguém ligue a isso.Noticiar abertamente o que se passa em Espanha pode provocar contágio e é preciso proteger este governo que nos livrou do malandro do Sócrates.
Somos um povo de mansos e o governo continua a esticar a corda na esperança de que se mantenha, eternamente, a divergência entre as duas centrais sindicais. Sim, não se iludam...a ameaça de João Proença rasgar o acordo foi só um arrufo de namorados.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Maria Ancapichún



A fotografia que agora serve de porta de entrada ao CR, foi a primeira que pensei escolher, quando abri este blog.  É uma fotografia de Península Valdez, na Patagónia, tirada há muitos anos. Recordo exactamente o dia em que a tirei, todos os episódios  vividos nesse dia, quem me acompanhava. Desisti de a colocar, porque me traz  muitas recordações boas, mas está ligada a um dos locais  da história da ditadura argentina, onde ocorreram os mais trágicos episódios. Esse período de tempo e este local, trazem-me recordações más…mas creio ter chegado a altura de exorcizar fantasmas e enterrar definitivamente alguns episódios do passado. 
Por isso ela aí está, em princípio, até ao Inverno… Para que o exorcismo seja completo,  escrever sobre a parte boa das minhas viagens pela  Patagónia, é uma boa terapia.
Assim, cumpro hoje a promessa de  contar, no “Crónicas on the rocks”, a história de Maria Ancapichún, como me foi contada por Lihué.  Como a história é longa, dividi-a  em dois posts.O segundo será publicado sexta-feira.  Vão até lá e digam qualquer coisinha…

Aviso: Constato que os links dos textos não aparecem a cor. Por isso, recomendo aos leitores que passem o rato sobre o texto, quando estiverem a ler, para detectar as palavras que consuzem a links. Obrigado e peço desculpa pelo incómodo que irei tentar sanar.

E a próxima medida é...

Do colonialismo à globalização:o longo caminho da dependência


A propósito deste post, lembrei-me de Angola, do Brasil, da Venezuela e até da Índia. Colonizados durante séculos por países europeus, de cujas grilhetas alguns só se libertaram após a segunda guerra mundial, são agora países emergentes ou em franca ascensão no panorama mundial. No entanto, para isso, não foi apenas necessário libertarem-se do colonialismo imposto  pelos descobridores. Alguns tiveram de extirpar os regimes ditatoriais  sanguinários que substituíram os colonizadores e foram por eles apoiados.
Uma vez conquistada a democracia, ainda foram obrigados a lutar contra  a globalização que, comandada a partir da Europa e dos Estados Unidos, rapidamente deixou cair a sua máscara redentora do combate às desigualdades e emergiu como  um neo-colonialismo opressor onde, em vez de armas, os colonizadores utilizaram o dinheiro para impor a sua força.
Lamento, no entanto, que Portugal e outros países europeus aceitem com naturalidade o colonialismo fascista de países como a França e a Alemanha. Atraídos  pelo canto sibilino de sereias que lhes acenaram com um punhado de notas, caíram no conto do vigário. Dinheiro fácil é sempre de desconfiar, porque o benemérito mais tarde ou mais cedo vai cobrar a dádiva. Ora acusando o receptor de utilizar mal o dinheiro, ora recorrendo a um qualquer Miguel de Vasconcelos disposto a recorrer à extorsão do seu povo, para devolver o dinheiro ao benemérito ofertante.
É mais ou menos como um fariseu que, depois de dar uma esmola a um mendigo pensando que lhe vai matar a fome, o encontra no cinema e exige a devolução do dinheiro, porque o mendigo não o utilizou para aplacar o estômago, mas sim para se divertir.  Para os fariseus, o alimento do espírito é um luxo a que os pobres não podem ter acesso. Devem limitar-se a agradecer, com uma vénia,  a caridadezinha de quem lhes dá esmola.

(Des)crédito

(Continuado daqui)
Abel e Lúcia ( nomes fictícios) eram colegas na Universidade. Começaram a namorar em 1992, concluíram os cursos em 1996 e decidiram casar quando os dois tivessem emprego.
Arranjaram trabalho em organismos do Estado e o casamento aconteceu no Verão de 1999. Os juros eram então baixos e os incentivos ao endividamento colocavam os “spreads” a uma ilusória taxa de 0%.
O Banco de Portugal sabia que não era assim, que a publicidade ao crédito estava cheia de casos de publicidade enganosa, mas  não agiu.
As práticas comerciais dos bancos eram pouco transparentes, o BP reagia com indiferença, as instituições financeiras minimizavam os riscos e nem sequer respeitavam as regras que os obrigavam a escrutinar a capacidade de endividamento de quem lhes pedia crédito.
Abel e Lúcia tinham bons vencimentos e recorreram ao crédito para comprar casa. Analisaram as propostas de vários bancos e acabaram por se decidir por um que os convenceu a aproveitarem o crédito à habitação para pedirem também crédito para a compra de um automóvel e para o equipamento da casa ( electrodomésticos e mobília), alegando que assim  ficaria ainda mais barato e pagariam juros mais baixos.
Lúcia progrediu rapidamente na carreira, chegando a Directora de Departamento no governo de Durão Barroso.
Abel viu a progressão na carreira congelada em 2006, mas era um técnico superior com salário apreciável, pois gozava dos benefícios salariais do ministério das finanças, que concediam remunerações suplementares. Em 2007, porém, aceitou o convite para chefe de departamento do ministério da agricultura, onde lhe foi dada  a possibilidade de, cumulativamente, subir na carreira técnica.
Em 2009, por força da reestruturação do ministério da agricultura, Abel foi enviado para a Mobilidade Especial onde, ao fim de um ano, viu o seu vencimento de técnico superior reduzido a 2/3.
Neste espaço, Lúcia e Abel tiveram dois filhos, que estudam na escola pública.
Em 2011 viram os seus vencimentos  reduzidos , em média, 8%. No final do ano ficaram apenas com um subsídio de Natal.
O pagamento das suas obrigações à banca tornou-se mais difícil, mas com algumas restrições lá se vão equilibrando.
Em Janeiro de 2012 Lúcia foi demitida do cargo de chefe de departamento, voltando a exercer funções de técnica superior. Abel viu o seu salário reduzido a 50% e ambos perderam os subsídios de férias e de Natal. As dificuldades agravaram-se substancialmente. Já desistiram das férias nos próximos anos, o seu padrão de vida degradou-se, não sabem como vão conseguir pagar os juros da casa.
Reconhecem, no entanto, que estão em melhor situação do que os seus colegas e amigos Luís e Fernanda, ambos técnicos especialistas, com salários  muito inferiores aos deles, mas igualmente penalizados com a redução de 5% dos vencimentos e a perda dos subsídios de férias e de Natal .
Incapazes de assumir os compromissos com a prestação mensal da casa, Luís e Fernanda conseguiram vendê-la a um preço abaixo do custo e alugaram uma casa mais pequena.
Casos como estes multiplicam-se na função pública. Em algumas situações admito que tenha havido incúria ao assumir compromissos de crédito, mas a culpa não pode ser assacada por inteiro a quem a ele  recorreu. O desleixo das instituições como o Banco de Portugal – que não cumpriu o dever de condenar as instituições que  foram pouco transparentes na concessão de crédito e não respeitaram as regras que a lei lhes impunha- também é responsável pelo sobreendividamento de muitas famílias.
Com a imprevisível subtracção de quatro salários anuais e uma redução mínima de 10% dos rendimentos mensais, muitos casais que ingressaram na função púbica, confiantes de que tinham assinado um contrato com o Estado que os salvaguardaria de quaisquer imprevistos, estão em situação extremamente difícil.
Aquilo que um cidadão nunca espera – em Portugal ou em qualquer país do mundo civilizado- é ser enganado nas cláusulas de um contrato, pelo próprio Estado.
Tal como nos casos de Anabela e de António, de que falei aqui ontem, os funcionários públicos viram as regras alteradas unilateralmente  pelo contraente Estado.
Pergunto: até quando o TC aceitará, placidamente, este roubo aos funcionários públicos, sabendo-se que o governo enganou os próprios juízes ao afirmar que o corte de subsídios seria temporário e duraria  apenas dois anos?
Que confiança pode ter um cidadão ( seja ele funcionário público ou não) num governo que, sempre que lhe apetece, rasga os contratos que assina com os contribuintes e estabelece as suas próprias regras? 
Portugal é um país democrático, ou uma leira de terra governada por um bando de ladrões a cujas regras os próprios juízes se submetem docilmente?
Adenda: Para assegurar  a aquiescência do TC no corte dos subsídios - e noutras medidas inconstitucionais que se adivinham -  os partidos do governo vão nomear dois juízes que dêem garantias de apenas abanar as orelhas.  O CDS acabou de indicar  a juíza Fátima Mata-Mouros. Convertam-se já...



Vozes de Abril (14)

Mais uma vez, terão de seguir o link. Mas vale a pena para ouvir Mário Viegas

terça-feira, 17 de abril de 2012

Caramelos Vaquinha (6)

As frases (Cristas tem essa habilidade de dizer asneiras aos pares...)
" Os pescadores têm agora mais lucro do que no ano passado"
"Não falta emprego na agricultura, mas gente para trabalhar"


Ó senhora ministra!
Todos vimos na televisão que não tem jeitinho nenhum para ordenhar vacas, mas por acaso já lhe passou pela cabeça ir  trabalhar para agricultura? Tem bons bracinhos para isso mas desistiria logo, quando percebesse que a agricultura não dá lucro, porque não é com leirinhas de terra e mangueira na mão que alguém vai sobreviver dignamente.
Quanto aos grandes lucros dos pescadores, respondo-lhe pela voz  povo:  "Pela boca morre o peixe".  Quer ir tentar a sua sorte na pesca, senhora ministra? Tem uma boa boquinha para morder o anzol!
Olhe, os meus parabéns! Falhou na pesca e na agricultura mas entra para a colecção dos "Caramelos Vaquinha".



Bolívar vs Hitler, na era das novas tecnologias



Tem sido notório o abrandamento de economias em expansão, desde que a crise monetária estalou com estrondo no seio dos países mentores da mentira mais bem urdida do pós guerra: a globalização.
O crescimento desacelerou nos países emergentes, especialmente Brasil e China, bem como noutros, como a Argentina -  em menos de uma década  libertou-se  das garras do FMI e de uma recessão interminável- que correm por fora e pertencem a outro campeonato.
Depois de um crescimento médio de 9% ao ano, desde 2005, a Argentina travou ligeiramente em 2011 e ameaça uma travagem ainda  mais forte  em 2012.
Não falta por aí quem impute as causas desta desaceleração às políticas erradas do casal Kirchner. Esses críticos – servos do FMI e agiotas em comandita – não toleram a ideia de um país querer fazer o seu caminho, libertando-se das garras dos agiotas que os exploram até ao tutano. Fingem não saber que as causas do abrandamento destes países se deve, em grande parte, ao falhanço desse projecto de globalização, que prometeu o céu aos mais desfavorecidos, mas  os está a querer enviar para o inferno, sem dó nem piedade.
Hugo Chavez terá sido o primeiro a perceber isso. Mas não foi o único. Ainda recentemente Dilma Roussef, em visita aos Estados Unidos, disse alto e bom som a Obama que o crescimento dos países emergentes não poderia ficar condicionado pelas regras draconianas que os países desenvolvidos lhes querem impor.
Cristina Kirchner, por seu turno, percebeu que seriam os países  em desenvolvimento numa América Latina  finalmente democratizada, os primeiros a ser afectados pela crise que atingiu a Europa. Não espanta , pois, que nos últimos meses tenha tomado algumas medidas protecionistas que salvaguardem o país das garras dos mercados.
A mais polémica foi tomada ontem com a privatização da YPF, empresa controlada pela espanhola  REPSOL.Medida muito aplaudida internamente mas a Europa, como habitualmente, indignou-se com a afronta e alguns escribas de serviço saíram a terreiro acusando Cristina de Chavismo.
Omitem esses escribas e comentadores arregimentados que a Repsol – a exemplo de muitas outras multinacionais europeias- deixou  de investir na Argentina, obrigando-a  a importar produtos de que não necessita, pois os seus recursos naturais permitem-lhe ser auto suficiente. Alguém me explica a lógica de um país produtor de petróleo ter de importar combustíveis para satisfazer as suas necessidades internas? 
O que Cristina percebeu – e os países ocidentais não engolem- é que a Argentina, em vez de colher benefícios dos seus recursos naturais,  estava a ser gravemente penalizada com esta “opção estratégica “ da Repsol, que afectava a  sua indústria e a economia do país em geral.
A nacionalização da YPF/Repsol é- não vale a pena escamoteá-lo- uma medida arriscada, mas é um acto de coragem de uma presidente que defende, acima de tudo, os interesses do seu país e não se ajoelha perante aqueles que pretendem extorquir  o seu povo, para salvar a pele.
Desiludam-se se pensam que vou estabelecer algum paralelismo entre Cristina Kirchner e Pedro Passos Coelho. Não comparo um político que defende o seu povo, com um cobardolas aldrabão, vendido aos interesses alemães.
Comparo, outrossim, Cristina com Ângela (Merkel). A chanceler alemã, que andava há uns dias tão desaparecida quanto Portas e Cavaco, abriu a boca. Para quê… Para dizer que tudo faria para ajudar a salvar a Europa e o Euro? Nada disso. O que a hamburguesa com pelos disse em campanha pré-eleitoral na Renânia, foi que a austeridade nos países endividados é para manter e que esses países já não estão em condições de tomar decisões independentes.
Pouco importa à chancelarina da Floresta Negra que o FMI diga exactamente o contrário e alerte que a austeridade irá conduzir a mais recessão se não houver crescimento económico. Pelo contrário, deve salivar cada vez que pensa como será fácil à Alemanha abocanhar os países que caírem na bancarrota. 
Merkel assume-se como uma neo-hitleriana, defensora da supremacia alemã, sem necessitar de enviar Panzers para atacar os países vizinhos, ou  andar aos tiros como Brejvik. Ela é pacifista! 
Nesta terceira guerra mundial, desencadeada mais uma vez pela Alemanha, não será preciso disparar tiros. Não haverá cerco a Leninegrado, nem fornos crematórios em Auschwitz, porque a bastarda alemã tem do seu lado os mercados. Os mortos, desta vez, não serão incinerados, porque basta a Merkel dar ordem aos mercados para cortar  o acesso à saúde, à reforma e aos alimentos.
Do lado de lá do Atlântico, Cristina Kirchner, Dilma e Chavez preferem oferecer o peito às balas, em defesa dos seus países e dos seus povos. É a luta entre Bolívar e Hitler, no tempo das novas tecnologias. 

(In)Justiça que eu gostava de entender


Anabela ( nome fictício) era uma atleta com o estatuto de praticante desportiva de alta competição.
Esse estatuto – em vigor desde 1999- conferia-lhe algumas regalias, entre as quais um regime especial de acesso ao ensino superior.
Anabela contava com essa garantia para ser admitida na Universidade e curso que escolhera mas, no ano em que deveria formalizar o acesso (2010)  um decreto-lei estabeleceu que ela ( e todos os atletas com o mesmo estatuto) deixaria de gozar dessa regalia, concorrendo em circunstâncias idênticas aos dos restantes estudantes. 
Essa alteração das regras inviabilizou a sua entrada no ensino superior esse ano. Anabela recorreu para o Tribunal Constitucional, alegando não poder ser prejudicada pelo facto de as regras terem sido alteradas quando estava a terminar a fase de estudos que he permitia aceder ao ensino superior.
Em 28 de Março de 2012, o TC proferiu a decisão, de que reproduzo o seguinte extracto:
“ Quando a estudante se apresentou aos exames de 11º ano, no ano lectivo 2009/2010, não lhe era possível estabelecer metas e estratégias conformes e adequadas ao cumprimento de uma exigência de qualificações mínimas que, à data, não lhe era aplicável. Pelo contrário, a lei então vigente não incentivava um especial cuidado com tais provas, uma vez que apenas exigia aos atletas de alta competição a aprovação nas disciplinas de ensino secundário correspondentes às provas de ingresso. Uma gestão de tempo ( e a sua repartição na preparação dessas disciplinas e no treino desportivo)  que tenha procurado tirar proveito desse regime mostra-se razoável e justificada. O interessado não tinha qualquer razão para se precaver contra a possibilidade de o regime em vigor deixar, quanto a este ponto específico, de o beneficiar, por força da aplicação retrospectiva de um outro, tanto mais que esse regime se encontrava estabilizado por uma vigência normativa de largos anos”.
Ou seja, o TC veio reconhecer que Anabela foi prejudicada pela alteração de regras, durante a vigência do contrato que mantém com o Estado, frustrando as suas expectativas.
Parece-me absolutamente curial esta decisão. Mas vejamos agora outro caso:
António, 59 anos, trabalhava desde os 20 na  empresa “A Alegria de Gaitinhas”. Tinha, portanto, 39 anos de trabalho. A empresa estava em sérias dificuldades e negociou com António o despedimento amigável. No dia 2 de Abril de 2012, António despediu-se dos seus colegas de décadas e pensou de imediato pedir a reforma antecipada, pois com a sua idade não lhe será possível encontrar outro emprego.
No dia 5 de Abril, enquanto tomava a bica matinal no café, leu no jornal que o governo, à socapa e em conluio com o PR, tinha aprovado uma lei que impede o recurso à reforma antecipada, a partir do dia seguinte.
António indigna-se. O PR diz que assinou a Lei à má fila para defender o interesse nacional . O governo reconhece que agiu de má fé, para  impedir que as pessoas corressem para a segurança social a pedir reformas antecipadas. 
Que dirá o TC se António ( e todos os trabalhadores que viram as regras do jogo alteradas) recorrer desta decisão do governo?
( Continua amanhã)


Adenda: Escrevi o caso de Anabela com base num artigo do jurista José Manuel Meirim no "Público" de ontem

Vozes de Abril (13)


segunda-feira, 16 de abril de 2012

A Festa

Felizmente, nos rescaldos das festas nem todos ficam ébrio. Há gente capaz de manter a lucidez e escrever um texto muito esclarecido, como o Porfírio faz aqui.

Então o Marinho Pinto é que é um exagerado?

Maya no governo


Quando Passos Coelho diz que não se pode comprometer com a devolução dos subsídios de férias e Natal aos pensionistas e funcionários públicos, está implicitamente a admitir que os resultados das medidas deste governo entram no campo da futurologia.
Ou seja, está a confirmar que a diferença entre estar ele em S. Bento ou a Maya é apenas uma questão de silicone.

Cruzados assinalam data com atentado


Sempre que se aproximam as datas religiosas de 31 de Maio ( Dia  Mundial sem Tabaco)  e 17 de Novembro ( Dia do não fumador) , os Cruzados anti-tabágicos  dão sinais de vida. Inspirados nos talibãs, planeiam um atentado legislativo  e ceifam mais algumas liberdades individuais.
Desta feita, dissimulando-se  defensores da saúde das crianças, para não violarem a Constituição, pretendem proibir que cada um fume dentro do seu próprio carro, quando transportar crianças. 
Não sei se haverá atrasados mentais que fumem quando levam crianças no carro, pelo que a medida me parece totalmente inócua, mas se calhar estou enganado... e só tem como objectivo preparar uma outra, mais drástica, que proíba fumar dentro das nossas casas...
Mais grave parece-me a medida ( ainda em estudo, mas certamente a ser implantada nas vésperas do aniversário do 17 de Novembro) que visa proibir o fumo dentro de todos os estabelecimentos de restauração e hotelaria e mesmo na rua, nas imediações de locais de diversão nocturna.  Não satisfeitos, preparam-se para proibir as máquinas de venda de tabaco. Este batalhão de imbecis , invocando  estudos da treta, alega que os ataques se destinam a proteger a saúde dos não fumadores, mas esquecem que muitos dos proprietários desses estabelecimentos investiram largos milhares de euros em equipamentos e licenças  para que os seus estabelecimentos tivessem  espaços de liberdade para os fumadores. Dinheiro deitado à rua, portanto. Depois venham falar-me de desperdício…
Mas isso não interessa nada aos Cruzados fundamentalistas que delapidam o erário público recebendo salários para produzirem alarvidades.
Gostava era de ver  esta corja de frustrados  preocupar-se com as pessoas que morrem de fome, de frio e por falta de medicamentos, por não terem  dinheiro para satisfazer as necessidades básicas. Mas aí, está quieto ó mau, porque a troika exige que o governo mate pessoas para equilibrar as contas. PQP!