segunda-feira, 12 de março de 2012

Um país excepcional

Somos um país excepcional. Não porque sejamos um país de excelência que deva servir de exemplo ao mundo, mas precisamente pelo contrário. Neste cantinho do sul da Europa fazem-se leis, mas estabelecem-se logo excepções para justificar que ela só se aplique a alguns.
Com o moralismo canhestro que o caracteriza, PPC  repetiu à saciedade que os sacrifícios eram para todos. Assim impôs o corte do subsídio de férias a todos os funcionários públicos e trabalhadores de empresas públicas.
Assim que Cavaco veio pedir equidade nos sacrifícios, surgiu a primeira excepção: o Banco de Portugal. O PR ficou aliviado por não ser atingido e calou-se, nunca mais ninguém o ouviu protestar contra a distribuição iníqua dos sacrifícios.
A meio da semana passada, veio a excepção da TAP. Aos trabalhadores da transportadora aérea não se aplica a redução de salários.No dia seguinte, a excepção foi aplicada à CGD. Nos próximos dias seguir-se-ão outras excepções abrangendo a ANA, a RTP, os CTT, a Empordef e mais umas quantas empresas públicas.
Embora concorde que sejam repostos os salários a estes trabalhadores, porque roubar salários a quem trabalha é perfídia, não percebo a razão de apenas serem aplicadas aos funcionários públicos  as reduções de salários. Aliás, palpita-me que as excepções não vão  ficar por aqui!
Continuam a ser publicados despachos de nomeação de membros dos gabinetes ministeriais e constato a referência à atribuição de uma remuneração adicional nos meses de Junho e Novembro. A redacção dos despachos não é inocente. Não se faz referência a subsídios de férias e de Natal de forma deliberada, pois isso irá justificar que os pagamentos se concretizem, como lá mais para diante se verá..
Resta saber como serão compensadas as perdas de receitas, resultantes de tantas excepções. Eu tenho um palpite... mais uma vez serão os funcionários públicos. Não com mais cortes- isso seria demasiado escandaloso- mas sim com a colocação de alguns milhares  na Mobilidade Especial, um expediente criado  por Sócrates para se desfazer de alguns excedentários ( pouco mais de mil) mas que este governo irá utilizar como instrumento para fazer despedimentos encapotados.
A partir de final de Abril, haverá milhares de funcionários públicos com o seu ordenado reduzido a 60% e, lá mais para o Verão, ou no máximo até final do ano, vamos ficar a saber que, graças a uma medida excepcional, fundamentada na redacção dúbia dos despachos de nomeação, os boys laranjas recrutados para os gabinetes irão receber  as compensações a que têm direito.
Quando se descobrir a marosca, lá virá o Relvas dizer, com aquela cara de sonso, que o pessoal do gabinete não recebeu subsídios, mas sim as remunerações suplementares previstas nos despachos de nomeação.
Uns chicos-espertos, de honestidade excepcional!

7 comentários:

  1. Nem mais! Caro Carlos
    Uma boa semana.
    Rodrigo

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  2. ...por acaso não ouviu falar do outro buraco? O rumor é sempre o 1º passo e neste caso... para reduzir pensões de reforma... já tiraram um bocadinho, agora devem estar a preparar-se para a próxima abocanhada.
    Nem é por mim que estou ralada porque como trabalhei muito tempo por conta própria ainda nem tenho nenhuma... e, francamente, pelo andar da carruagem, acho que nunca vou chegar a ter.

    Bjos

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  3. Que medo... Muito medo, caro Carlos. Medo por estes arranjinhos serem feitos assim à cara-podre e só meia dúzia de pessoas com dois dedos de testa, como é o teu caso, caro amigo, se aperceberem minimamente da coisa...

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  4. É triste e vergonhoso, caro Carlos.
    E o povo CALA E CONSENTE!...

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  5. Olá Carlos. Não tenho pena nenhuma. só um exemplo: Pedi a v+arios blogues para divulgar a acção europeuia contra o MEE, o ditador europeu e népia... Nada! de sábado até hoje, apenas mais 36 assinaturas em toda a Europa! Já com a divulgação do fundamental do Tratado de Lisboa aconteceu algo semelhante. Aliás, as pessoas estão mais viradas para si próprias e com coisas comezinhas, do que para o que é realmente importante para o futuro e já nem digo nosso, mas dos nossos filhos. Agora admiram-se porque a ditadura já entrou em acção e vai ser bonito, quando for reforçada pelo MEE! eu quero ver. Entretanto cá em Portugal... tudo muito conformado.
    Um abraço e obrigada por esta informação

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  6. Desculpe lá Carlos, mas cara de sonso é que o Relvas não tem, ele tem cara de calhorda mesmo!

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