quarta-feira, 7 de março de 2012

Mulheres de Outros Mundos (1)


                                       
Eunice Kennedy Shriver
(1921-2009)

O nome de Maria Shriver será familiar a muitos leitores. Não tanto pelo facto de ser jornalista, mas sim por ter sido casada durante 25 anos com Arnold Scwarzenneger.
Não é, porém, com Maria Shriver que inicio estas biografias de Mulheres de Outros Mundos, mas  sim com sua mãe, Eunice Kennedy Shriver, irmã do falecido presidente americano e talvez a menos conhecida do clã Kennedy.
Escolhi-a, porque ela  é sempre  apontada  como a fundadora dos Jogos Paralímpicos, um certame que decorre de quatro em quatro anos, após os jogos Olímpicos- que este ano se realizarão em Londres. No entanto, tal não corresponde à verdade…
Filantropa, Eunice dedicou grande parte da sua vida às pessoas com dificuldades de aprendizagem.
 “O trabalho dela transformou as vidas de milhares de milhões de pessoas em todo o mundo e elas são, em troca, o seu legado” –lembrava a família em comunicado após a sua morte, em 2009.
Apesar de  sempre ter estado envolvida nas  campanhas democratas dos  irmãos, o seu trabalho em prol das pessoas com deficiências mentais nunca conheceu barreiras políticas, tendo sido agraciada pelo presidente Ronald Reagan ( republicano)  com a mais alta condecoração civil dos EUA: A Medalha Presidencial da Liberdade.
As suas preocupações com as pessoas mentalmente doentes começaram depois de a irmã Rosemary ter sido sujeita a uma lobotomia (levada a cabo devido ao ligeiro “atraso” de que supostamente sofria), tendo passado a maioria da sua vida num lar.
Lê-se, na sua biografia, que em 1963  participou num acampamento para crianças com deficiência mental realizado em Maryland.  Terá sido nessa altura que percebeu  que as crianças, mesmo com problemas mentais, eram muito ativas e tinham boas capacidades físicas. Estimulada pela realização das Olimpíadas de Tóquio, em 1964, empenhou esforços na realização de um evento paralelo destinado a pessoas com deficiência.  
Na verdade, porém, a ideia dos Jogos Paralímpicos remonta a 1948, tinha Eunice 27 anos. Nesse ano, Londres foi a cidade organizadora  dos  Jogos Olímpicos e, por iniciativa de Sir Ludwig Guttmann  realizou-se em Stoke Mandeville uma competição olímpica de arco para paraplégicos, mas apenas com representantes britânicos.  Até 1959, a competição foi-se realizando de forma irregular, sempre em Stoke Mandeville, mas contando com um número crescente de participantes de outros países. 
Foi  em 1960, ano em que  os Jogos  Olímpicos se realizaram em Roma, que teve lugar a primeira edição dos Jogos  para deficientes fora de Stoke Mandeville. A partir desse ano, os Jogos passam a realizar-se na cidade organizadora dos Jogos Olímpicos, respeitando o ciclo olímpico e  ganham a nomenclatura de Paralimpíadas. 
Eunice Kennedy Shriver não terá sido pois a fundadora dos Jogos Paralímpicos, como consta da sua biografia, mas sim uma grande entusiasta na sua realização. Será mais correcto atribuir a sua paternidade ao neurologista alemão Ludwig Guttmann ( obrigado pelo Reich a emigrar para Inglaterra) , já que a sua iniciativa em 1948 foi realmente o embrião dos actuais Jogos Paralímpicos.
A Eunice Shriver não pode, no entanto, ser retirado o mérito de ter dedicado a sua vida a apoiar os deficientes mentais, tendo desenvolvido uma obra de grande relevância,  reconhecida não só nos Estados Unidos, mas também um pouco por todo o mundo. Por isso a incluo este ano entre algumas das grandes mulheres que vou destacar durante o mês de Março.

9 comentários:

  1. Carlos, merecidíssima inclusão.
    Belíssimo trabalho.
    Um beijinho e obrigada por nos homenagear de maneira tão bacana.
    Beijinhos

    Lucia

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  2. Como mulher lhe agradeço a iniciataiva!

    Os meus sinceros aplausos, com voto de bom dia.

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  3. Uma forma muito interessante de homenagear Mulheres que deixaram ou ião deixar uma marca indelével na História da Humanidade!

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  4. Não conhecia. Tem a carinha dos Kennedy, estão lá todos os genes...

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  5. Eu durante muitos anos fui fiel seguidora, das mulheres desta família, (DAS MULHERES digo !!!), achava-as o máximo, não era fácil pertencer aquela familia ...

    abraço

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  6. Conheci a vida da Eunice Kennedy Shriver na altura da sua morte, através dos jornais alemães, embora ela já fosse conhecida como uma das mulheres da clã dos Kennedy.

    Até o nosso Rogério concorda com a escolha, mesmo sendo ela americana e capitalista.

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  7. Fiquei a conhecê-la melhor e a acrescentar mais um familiar do clã Kennedy digno de admiração.

    Abraços

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  8. Uma Senhora na melhor acepção da palavra!

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