Café Tortoni (Buenos Aires)
Já experimentei Londres, Paris, Amsterdam e até Madrid, mas não há nenhuma cidade europeia onde me sinta tão bem, depois de uma estadia em Buenos Aires, como no Porto.
Não é apenas porque cada pedra que piso nas ruas do Porto me aviva recordações ( boas e más) de tempos que já vivi. É também porque no Porto- cidade com que mantenho uma eterna relação de amor e ódio- os locais onde entro parecem ter vida própria e têm o condão de me embalar "contando-me" histórias que eu já conheço, mas não me canso de ouvir, apesar de já lhes conhecer o fim.
Voltei a sentir isso no último fim de semana quando à noite, demandando os Clérigos, entrei em bares que já foram livrarias, casas de tecidos ou venda de bijuteria e artigos de decoração. Enquanto bebia um Porto tónico, sentado em cadeiras de madeira, recordei, nos tampos de mármore das mesas e nas estantes prenhas de livros, a história destes locais outrora familiares, de encerramento obrigatório às sete da tarde, hoje convertidos em negócios de bebidas que abrem depois de o sol se pôr, para acolher hordas de galegos que demandam aqueles espaços em busca de um " amuse bouche” que sirva de lastro para o jantar.
Em amena cavaqueira ritmada pela música ambiente, ou em conversas de surdina compassadas pelos acordes de jazz ao vivo, fui folheando o livro das minhas memórias. Interrompidas, quando um grupo de guapas espanholas irrompeu sala dentro elevando o nível dos decibéis das conversas. Alguns momentos de alvoroço depois convenceram “o dono da banda” a tocar um tango e abeiraram-se da mesa convidando-nos a participar na dança.
Aquilo que devia ter sido uma curta surtida nocturna, para matar saudades de amigos e da cidade, prolongou-se até de madrugada. Quando regressei a casa, nas ruas falava-se mais espanhol do que português e, por momentos, “voei” até Buenos Aires, com a sensação de que tinha saído de uma noite de milongas , numa familiar taberna de La Boca.


Também gosto muito do Porto e tenho recordações muito boas. No entanto, Lisboa é a minha cidade, não há esta luz em mais parte nenhuma.
ResponderEliminarQuando voltar ao Porto, tenho de visitar esse bar, não por me trazer qualquer espécie de recordações, mas por ter muito bom ar. Um recanto para beber um copo ao fim da tarde, rodeado de livros e com música de jazz ao vivo? Também quero! (embora dispense as espanholas e o tango!) :)
ResponderEliminarMas gostei muito deste post, recheado de memórias de locais que "nos pertencem"... :D
Quando eu era criança, fui várias vezes ao Porto, com meus pais e avó. Tenho imagens da cidade,que ficaram para sempre. Como eu já disse, nasci em Vila Nova de Gaia.
ResponderEliminarDe facto, as espanholas têm uma vibração especial, rrss
ResponderEliminarBom final de semana