quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Se...

...ainda tivesse uma pontinha de respeito por Cavaco Silva, escreveria um post a comentar estas afirmações. Como não tenho, apenas lhe peço que renuncie ao cargo, antes de todos os portugueses lhe chamarem o mesmo que ao primeiro-ministro: troca tintas.
Se não percebeu, eu explico: há um ano o senhor dizia que não se deviam atacar as agências de rating. É capaz de me explicar o que se alterou, para ter mudado de opinião e chamar cobardes aos líderes europeus por não enfrentarem o poder dessas agências? 
E já agora, se está tão preocupado com a austeridade, porque não veta as medidas do governo que a aplicam?

Sigam a Lucrécia e o problema do desemprego está resolvido

Miguel Relvas começou por aconselhar os portugueses a emigrarem. Ontem, veio dizer-lhes que o melhor era emigrarem cá dentro. Não tarda nada está a dar-lhes o mesmo conselho que deu à Lucrécia
( É importante esclarecer se as cartas de recomendação devem ser escritas de acordo com o novo acordo ortográfico, sr. ministro)

Mau Maria...

Pronto, está bem, eu já tinha percebido a mensagem! Não volto a revelar conversas pessoais aqui no blog
Mas estou chateado... estava uma bela manhã de sol em Lisboa e quando me meti no comboio para ir trabalhar na margem sul não esperava chegar à ponte e não conseguir ver um palmo à frente do nariz. Se continuas a pregar-me essas partidas, como é que posso ter alegria no trabalho? 

Mãos ao ar!

Percebes que estás a ser vítima de um assalto, quando vais comprar o passe do Metro e constatas que, em menos de um ano, aumentou 60%! 

Duetos (15)


terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Ora bolas!

Tanta Fé e vão  ser obrigados a  admitir que afinal o povo é que tem razão quando diz " O homem põe e Deus dispõe".

Diz-me, Álvaro... de que te ris?

Sorridente, Álvaro olha para a objectiva. Mas ri de quê? ( foto JN)

O desemprego já atingiu números históricos, mas vai continuar a aumentar em 2013 ( embora PPC tenha dito este fim de semana que no segundo semestre diminuiria);  a recessão continua a aumentar; a miragem do défice nos 4,5% no final do ano só será atingida, se forem aplicadas mais medidas de austeridade. 
No entanto, a avaliação da troika, segundo Vítor Gaspar foi positiva. Só apetece fazer ao sorridente ministro Álvaro a pergunta que se faz à hiena: Afinal ri de quê?

Ano Europeu do Envelhecimento



Decorre esta tarde, no cinema S. Jorge, a abertura do Ano Europeu do Envelhecimento Activo.
Embora não conste do programa, o CR sabe que o discurso de abertura será feito pelo deputado do PSD Duarte Marques, presidente da JSD.
 De acordo com Miguel Relvas, a escolha justifica-se porque Duarte Marques, apesar daquela aparência jovem, é o deputado mais velho de todos os que diariamente se sentam nas tribunas de S. Bento.

A gripe P

No Outono de 2009, era a grande estrela da comunicação social. Diariamente surgiam números alarmantes, prevendo milhares de mortos. Houve uma histeria colectiva, a OMS falou de pandemia, multiplicaram-se os avisos para evitar a calamidade, gastaram-se fortunas em campanhas mas, felizmente, o número de  vítimas mortais foi sensivelmente igual ao dos anos anteriores. Os cofres dos laboratórios é que ficaram mais cheios...
Este ano, durante o Inverno- especialmente em Fevereiro-  registou-se um aumento anormal do número de óbitos, especialmente em idosos. Ao que parece, a causa terá sido uma gripe de que ninguém ouviu falar. Não se viu uma campanha, não se ouviu  um alerta especial, para que fossem tomados cuidados com esta gripe, mas ela aí está, mortífera como nenhuma outra.  Talvez seja a gripe I ( de  indiferença) ou a gripe C (de crise).
Há ainda a hipótese de ser a gripe P (de pobreza) criada no laboratório de S. Bento, pelo Relvas 4x4, para que não se fale disto

O castigo

S. Pedro deve ter ficado chateado comigo ontem e, vai daí, hoje castigou-me.Troco a possibilidade de ter  uma manhã esplendorosa à beira-mar para cumprir deveres profissionais e Lisboa  recebe-me envolta num manto de nevoeiro. Ora bolas!

Duetos (14)


segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Made in Portugal

Este ano não tive pachorra de ver a cerimónia dos Óscares. Cumprindo o conselho de preferir produtos portugueses, estou agora a ver a atribuição dos prémios da SPA na RTP 1. Para melhor filme torço por "Sangue do meu sangue" e, para melhor actriz, pela Rita Blanco.
Pelo sim, pelo não, tenho o lap top  ao pé de mim, para ver se não adormeço.

e-mail a S. Pedro

Como não sou homem de Fé como a ministra Cristas e o jovem octogenário Duarte Marques, nem gosto de fazer pedidos através de intermediários, fui directo à fonte e enviei um mail a S. Pedro a perguntar porque é que não chove neste país.
Aqui vos deixo a resposta que me enviou:
" Não percebi o pedido. Vocês já têm um governo que mete tanta água, para que é que precisam de chuva?"
Touché...

O crime do feijão verde

Enquanto Dias Loureiro se passeia serenamente pelas ruas de Lisboa, Oliveira e Costa repousa na Coelha ao lado de Cavaco, os contribuintes portugueses pagam as trafulhices do pessoal do PSD no BPN, contribuem com 12 mil euros para pagar 100 livros com o programa de um grupo de acéfalos empenhados em destruir o país... os supermercados correm para os tribunais pedindo penas exemplares para pilha galinhas.
Todos se lembrarão daquela senhora de 76 anos que teve de se sentar no banco dos réus, por ter roubado um boião de creme no valor de 3,99€. Ainda estará bem fresco na memória de muitos a condenação de um sem abrigo que tentou roubar um polvo no Pingo Doce. Ficamos todos muito mais confortados quando vemos que em Portugal a justiça é ágil na condenação dos fracos e tem a velocidade de um caracol vergado ao peso de um frasco de ansiolíticos, quando se trata de julgar tubarões.
Foi por isso com surpresa que soube da decisão de uma procuradora do DIAP de Coimbra que, sendo obrigada a reabrir o processo de um roubo nos supermercados Lidl, determinou que se a empresa pretender constituir-se assistente no processo, terá de pagar 204€. Se o não fizer, o processo será definitivamente arquivado. Acredito que a empresa insista na condenação do réu, porque o roubo de uma embalagem de feijão verde provocou um enorme rombo nas contas da Lidl:77 cêntimos!
Espero que a nossa ministra loira, no seu afã de tornar a justiça mais célere e menos pesada aos cofres do Estado, determine que as empresas que apresentem queixas contra pilhas galinhas ( em termos jurídicos chama-se furto formigueiro) sejam obrigadas a pagar os custos do processo, para evitar este regabofe que custa dinheiro aos contribuintes e rouba tempo aos agentes judiciais,  bem melhor aplicado nos julgamentos dos crimes de colarinho branco.
Penso que a procuradora do DIAP, com a sua decisão, também pretendeu enviar uma mensagem à ministra, não sei é se ela terá percebido...

Duetos (13)


domingo, 26 de fevereiro de 2012

Blog da semana

O blog do Carlos é uma paragem obrigatória para quem procura na blogosfera alguma paz interior. Nele me refugio com frequência, porque em cada post, em cada palavra que o Carlos escreve, há poesia, emoção e serenidade. Razões, mais do que suficientes, para escolher as Conversas Daqui e Dali como blog da semana

Noite de núpcias alucinante

Já estou a imaginar a conversa deste casal na noite de núpcias
- Amo-te muito, meu vampirinho. Deixa-me comer-te o quinto metatarso...
-Está bem minha canibalzinha, mas deixa-me chupar um bocadinnho a tua veia cava superior..

Um domingo atípico

Hoje é um dia atípico. Reconheço alguma importância ao roteiro do interior do  Seguro e começo a acreditar que, graças à figura de palhaço que  Relvas aceitou assumir neste governo, o Álvaro ainda vai passar de vilão a herói.Como é possível um país europeu ter um Relvas como ministro?

Bate, bate, coração ( The end)

 Escolhi esta canção para encerrar a série "Bate,bate, coração", porque a rubrica que a virá substituir chamar-se-á precisamente " Le premier bonheur du jour". Todos os domingos, pela manhã, trarei aqui alguma coisa que- espero!- possa contribuir para começarem bem o dia. Vamos a ver como me saio deste compromisso...

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Noites de cinema

Retomo as noites de cinema do CR com um pequeno e emocionante filme passado no Porto. Desde ontem que ando com o Porto na ponta dos dedos...
Como não consegui publicar o video, sugiro-vos que sigam aqui o link

O seu a seu dono

A Lúcia, zangada com os novos identificadores das caixas de comentários, escreveu esta bem humorada carta ao tio Google, que eu me apressei a subscrever. 
Entretanto, mão amiga fez-me chegar informação importante sobre o destinatário da missiva. Afinal, não é ao tio Google que devemos apresentar as queixas, mas sim à sua mana, como se demonstra aqui:

Miminhos com letras

A nossa comunicação social está cada vez mais concisa e objectiva. Ora vejam só estes dois primores:
Na quinta-feira,em "A Bola", podia ler-se" Ibrahimovic atropela jornalista ( com video)" 
Ora vão lá ver e fiquem a saber qual é o conceito de atropelamento para um desportivo.

No mesmo dia, a propósito do julgamento Casa Pia, "o Público" titulava:
"Tribunal anula crimes a Marçal, Cruz e Silvino e manda repetir julgamento"
Ao ler o título, pensei que tivessem sido absolvidos mas, provavelmente, sou eu que tenho dificuldade em interpretar títulos.
A TVI, não querendo ficar atrás, abriu o 25ª Hora com uma notícia sobre "um incêndio em Massamá, próximo de casa do primeiro - ministro". Fiquei à espera para ver, com aquela esperança que vocês imaginam... Qual quê? Afinal apenas tinham ardido uns carros a mais de 500 metros de casa do casal Coelho. Com este conceito de proximidade, não admira que " A Bola" confunda atropelamento com encosto  e a  comunicação social ande sempre a errar o alvo...
Para terminar, recomendo-vos a leitura deste post do Afonso, para perceberem como se albarda uma notícia sobre sondagens, à vontade do dono...

Duetos (12)


sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Memórias de Margareth Thatcher

Não gosto de mulheres de ferro. Tenho medo que enferrugem!

Apresento-lhe o seu gestor de carreira


Os desempregados vão ter um gestor de carreira.Quando forem chamados à primeira entrevista, o gestor apresenta o mapa mundi e pede.:
- Faça favor de indicar três destinos à sua escolha... 
( sugestão pessoal para os candidatos a emprego, depois da entrevista. Sigam o conselho de Duarte Marques e rezem. Muito!!!)

Acho bem...

De Buenos Aires ao Porto (com stop over na saudade)

Café Tortoni (Buenos Aires)

Já experimentei Londres, Paris, Amsterdam e até Madrid, mas não há nenhuma cidade europeia  onde me sinta tão bem, depois de uma estadia em Buenos Aires, como no Porto.
Não é apenas porque cada pedra que piso nas ruas do Porto me aviva recordações ( boas e más) de tempos que já vivi. É também  porque no Porto- cidade com que mantenho uma eterna relação de amor e ódio- os locais onde entro parecem ter vida própria e têm o condão de me embalar "contando-me"  histórias que eu já conheço, mas não me canso de ouvir, apesar de já lhes conhecer o fim.
Voltei a sentir isso no último fim de semana quando à noite, demandando os Clérigos, entrei em bares  que já foram livrarias, casas de tecidos ou venda de bijuteria e artigos de decoração. Enquanto bebia um Porto tónico, sentado em cadeiras de madeira, recordei, nos tampos de mármore das mesas  e  nas  estantes prenhas de livros, a história destes  locais   outrora  familiares, de encerramento obrigatório às sete da tarde, hoje convertidos em negócios de bebidas que  abrem depois de o sol se pôr, para acolher hordas de galegos que demandam aqueles espaços em busca de um " amuse bouche” que sirva de lastro para o jantar.
Em amena cavaqueira ritmada pela música ambiente, ou em conversas de surdina compassadas pelos acordes de jazz ao vivo, fui folheando o livro das minhas memórias. Interrompidas, quando um grupo de guapas espanholas irrompeu sala dentro elevando o nível dos decibéis das conversas. Alguns momentos de alvoroço depois convenceram “o dono da banda” a tocar  um tango e abeiraram-se da mesa convidando-nos a participar na dança. 
Aquilo que devia ter sido uma curta surtida nocturna, para matar saudades de amigos e da cidade, prolongou-se até de madrugada. Quando regressei a casa, nas ruas falava-se mais espanhol do que português  e, por momentos, “voei” até  Buenos Aires, com a sensação de que tinha saído de uma noite de milongas , numa familiar taberna  de La Boca.
 Casa do Livro Bar (Porto)

Duetos (11)


quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Memórias do 23-F


Em 23 de Fevereiro de 1981, as cúpulas militares da extrema-direita tentaram derrubar a ainda débil democracia espanhola, sequestrando o Congresso. Viveram-se horas de tensão e a democracia esteve fortemente ameaçada.
Alguns leitores do CR não viveram esse dia. É especialmente a pensar neles que aqui deixo este link do El Mundo, onde se explica, em video, como tudo se passou.
Um ano depois, o Rei Juan Carlos - cujo papel tem sido até agora considerado fundamental para abortar o golpe - está sob suspeita de ter sido complacente com o 23-F, depois de o Der Spiegel ter publicado um documento do embaixador alemão, onde este afirma que o Rei não só foi complacente com o golpe, como até manifestou alguma simpatia. As águas em Espanha agitam-se...

Mensagem ao Zeca



Podia prestar-te homenagem colocando aqui uma das tuas canções, mas gosto de quase todas e a escolha seria sempre difícil e talvez injusta.  Optei, por isso, por recordar o dia em que te conheci. 
Não me lembro exactamente do dia, apenas sei que era um fim de tarde  de uma  quarta-feira de Inverno ( penso que Fevereiro, pois a Faculdade de Direito estava fechada) de 1970. Estava num “convívio” na Faculdade de Letras, onde as músicas que passavam contribuíam para aproximar os corpos e aprofundar amizades. A determinada altura começou a correr em surdina na sala a mensagem “ O Zeca vem cá tocar ao fim da tarde”.  
Pensei, como muitos, que era mais um boato e continuei a dançar. Lembro-me bem quem era a minha companheira no momento em que a “notícia” nos chegou e, devo confessar, estava mais interessado em aprofundar uma relação que se tinha iniciado no sábado anterior, do que em me certificar da veracidade da mensagem que corria. Creio não ter sido o único. Depois de alguns momentos de agitação que foram percorrendo a sala como uma leve brisa, os corpos voltaram a enamorar-se  ao ritmo da música ( sim, caros leitores mais jovens… naquele tempo a dança ainda oscilava entre os acelerados ritmos de rock ou twist e o “slow”, género muito apreciado por rapazes e raparigas, quando tinham o par certo).
Já o Sol se escondera, quando um murmúrio voltou a agitar a sala. O Zé Jorge Letria acabara de me  confirmar a tua chegada iminente, a música subira de tom e era perceptível a excitação pairando no ar. Lembro-me que houve um longo compasso de espera. Quase toda a gente parou de dançar. Quem tinha par apertava a mão da(o) parceira(o) com mais força, como se esse gesto apressasse a tua chegada. Sabíamos que na sala havia “bufos” e pides. Alguns continuavam a dançar.Tememos, por isso, que não chegasses a entrar. Finalmente chegaste. Sentaste-te sem uma saudação e começaste a cantar, quase em surdina e aparente enfado. No final de cada canção afinavas a guitarra. Sem dizer uma palavra. Saíste de novo em silêncio. Era a primeira vez que te via e tive uma enorme decepção. Achei-te antipático e arrogante. 
No final desse ano parti para Inglaterra e só voltei a ver-te depois do 25 de Abril, quando   estava a cumprir o serviço militar e participava, um pouco por todo o país, nas denominadas “campanhas de dinamização cultural”. 
Estive contigo várias vezes , quando a doença já  te corroía o corpo e abafava a voz, mas nunca te minou a esperança. Um dia contei-te a minha reacção na primeira vez em que te vi. Reagiste com um encolher de ombros complacente. Há 25 anos acompanhei-te à tua última morada. Disse-te um último “obrigado” e, meses depois, voltei a partir.
Estejas onde estiveres, Zeca, quero dizer-te que neste momento precisávamos de ti. E do Adriano, do Cília e de  todos quantos  nos cantaram a revolta- mas também a esperança- durante a  “longa noite de trevas”. Vinte e cinco anos depois de teres partido, voltámos a mergulhar no abismo e não temos quem nos desperte e agite. Estamos de braços caídos, acomodados, amorfos,aceitando com resignação a condição de colonizados cada vez mais empobrecido. Se cá estivesses não ias gostar. Reagias e contagiavas-nos. Pronto, está bem, não encolhas os ombros. Eu sei que tens razão.  Este povo agora só acorda com canções dos Deolinda. Também há quem lhes chame cantores de intervenção, sabes? Coitados... que parvos que são, Zeca! 

Toma Lexotan, que isso passa!

Ontem vi a senhora Merdel, de punho fechado e em estado quase apoplético a acusar os países periféricos de serem caloteiros. Exigiu disciplina orçamental e gritou, perante uma plateia em êxtase: Paguem! Têm de pagar!
Pena que Merkel se tenha esquecido da dívida que a Alemanha  tem à Grécia desde o fim da segunda guerra mundial e que ascende, a preços actuais, a mais de 500 mil milhões de euros.
Dito por outras palavras: os alemães cresceram graças aos calotes que pregaram e agora  exigem a um dos seus credores que pague a sua dívida, ameaçando-o com sanções.
Entre homens isto resolvia-se bem, mas como o problema é entre países e o mais poderoso é dirigido por uma proxeneta, não há nada a fazer. 

Duetos(10)


quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Siga a corrente...

Começa amanhã na Póvoa de Varzim. Uma oportunidade excelente para desanuviar durante três dias. Para mais pormenores, siga por aqui

Afinal, as mulheres não são as culpadas da crise!

Quero aqui penitenciar-me, perante as leitoras do CR, por ter afirmado que a culpa da crise é das mulheres.
Como as imagens que se seguem documentam, afinal a culpa da crise é dos homens. Vejam só a quantidade de gravatas que eles precisam para serem felizes...

Já as mulheres, coitadas, contentam-se com uns trapinhos...

Avé Maria, cheia de graça...



Fonte normalmente bem informada garantiu ao  CR que se  a Fé de Assunção  Cristas não resolver os problemas da seca, a  ministra do Ambiente e actividades correlativas - como produção de leis de arrendamento-  encara a hipótese de recorrer à dança da chuva, a fim de evitar o pedido de auxílio à União Europeia. 
Enquanto isso, o Conselho de Administração da AR concluiu que é mais barato beber água engarrafada, do que água da torneira.  As empresas de água engarrafada agradecem o desvelo dos membros do  CA na protecção dos seus interesses.
Sendo cidadão cumpridor no  pagamento de impostos que, por via indirecta, paga ao CA da AR,tenho direito de me indignar e exigir a esses senhores que sejam sérios nas análises  de custos  que fazem.  Os  impactos ambientais resultantes dos processos de recolha, engarrafamento, transporte, armazenamento, etc  são gravíssimos e representam custos elevados, mas não foram equacionados.
 A água engarrafada tem custos elevadíssimos na economia do país, quando a água canalizada tem a mesma ou mais qualidade que a engarrafada e sem ter os mesmos custos e impactos ambientais e económicos. A pressão daas empresas  impede a tomada de medidas  e isso talvez justifique a falta de seriedade  do estudo realizado pelo CA da AR. 
Este triste episódio aquífero permite-nos, por outro lado, perceber que deve ser o mesmo tipo de raciocínio que preside aos constantes e superlativos  aumentos dos transportes. O ministro Álvaro deve pensar que 2+2 ainda são 4, como lhe ensinaram na escola, mas está enganado e atrasado no tempo. As pessoas sabem fazer contas e muitas concluem que sai mais barato ir para o emprego de automóvel do que de transportes públicos, embora saibam ( ao contrário do dr. Álvaro) que isso tem custos ambientais elevados.
Amanhã tentarei fazer um esforço para explicar aos senhores do CA da AR, ao ministro Álvaro e restante comandita governativa  como devem ser feitas as contas sobre os custos ambientais. Admito que percebam a explicação, mas duvido que alterem a sua forma de fazer contas, porque isso não iria agradar às empresas que lucram balúrdios com o negócio das águas engarrafadas.
Por isso, quem vai agora rezar uma Avé Maria a pedir a Nossa Senhora que corra com esta malta instalada em S. Bento, sou eu. Se não resultar, passo ao plano B... como a ministra Cristas.

Passiva é a tua tia, pá!

Quando leio notícias como esta, fico com a sensação que esta malta começa a beber em jejum. Ou então chuta na veia...

Maria Ruim

Ainda na sequência do post  que ontem escrevi sobre a actuação da dupla Maria Rui / Vítor Gaspar no caso TVI, chamo a vossa atenção para este post de Ana Gomes. É que ela lembra uma outra acção da ex-jornalista, em relação a ferro Rodrigues, de que já me esquecera. Vejam lá do que estes jornalistas que viram burrocratas são capazes quando sentem o cheiro do poder.

Duetos (9)

Acabou o Carnaval, mas ninguém leva a mal...

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Carnaval também é Arte

 O Carnaval segundo Cezanne...

O Carnaval segundo Miró...

Eu sou o presidente da Junta!

Se o homem que assaltou S. Bento exibindo o maior catálogo de mentiras de que há memória desde o 25 de Abril tivesse um pingo de vergonha  na cara, a esta hora estaria a fazer um exame de consciência, em vez de se mascarar de trabalhador.
Ao negar a tolerância de ponto aos funcionários públicos, nesta terça-feira de Carnaval, quis dar ao país uma imagem de truculência ao estilo " eu é que sou o presidente da Junta", mas saiu-se mal. A maioria das grandes empresas (algumas públicas) encerraram, borrifando-se para a decisão governativa. O número de autarquias que mandaram Coelho às malvas, encerrando as suas portas, é deveras significativo.  As escolas não estão a funcionar! Grande parte do comércio em Lisboa está fechado. A troika está encerrada em gabinetes, em reuniões sucessivas, para não perceber que Lisboa, apesar das ordens PM se marimbou e vive este dia, como se de um domingo se tratasse.
É o dia mais humilhante para Pedro Passos Coelho desde que chegou a S. Bento, vindo directamente da gestão das empresas de lixo do padrinho Ângelo onde pensava que trabalhar era assinar uns papéis e dar ordens a subordinados.
Eu não acredito que o PM, ao decidir não dar tolerância de ponto aos funcionários públicos, não tivesse pensado que iria prejudicar gravemente a economia de localidades onde o Carnaval é a época do ano em que fazem negócio suficiente para salvar o ano. Se não tivesse equacionado essa questão, seria um imbecil. O problema está precisamente no facto de ter pensado e reflectido sobre ela. Quiçá tenha mesmo consultado a sua mentora alma gémea e lhe tenha perguntado se não seria uma boa oportunidade para mostrar ao país que era um tipo "com eles no sítio". Miguel Relvas reuniu com as lambideiras do seu gabinete e, por unanimidade, decidiram que seria um acto político de grande coragem. PPC decidiu então avançar, mas pediu a uma das lambideiras de Relvas que telefonasse à redacção de um órgão de comunicação  social encomendando a pergunta. "Será a melhor maneira de anunciar a decisão ao país"- pensou do pináculo do altar onde repousa a sua inépcia tonta.
A pergunta foi feita e- ao que julgo saber- o povo escandalizou-se mas, como habitualmente, refilou em surdina. PPC manteve a sua decisão. Pelo caminho chamou piegas aos portugueses. ( Está a tornar-se um hábito de PPC insultar os portugueses).
Hoje, no dia da Verdade, enquanto algumas centenas de funcionários públicos mascarados ( não é figura de retórica, eu vi isso num serviço público)e com criancinhas em desfile carnavalesco fingiam trabalhar em repartições esconsas, quase às moscas, o povo saiu à rua e pediu ao  Rei Momo que ditasse a sua sentença sobre a decisão do grande chefe . PPC ouviu acabrunhado:
"De agora em diante, os espermatozóides coxos serão proibidos de fecundar um óvulo".
Pena que a Lei não tenha efeitos retroactivos...

Ex-fumadores e ex-jornalistas: a mesma luta!

Os serviços de imprensa do Conselho Europeu impediram a TVI de fazer a cobertura das reuniões de Bruxelas durante um mês. A decisão causou estranheza, porque no mesmo dia repórteres de imagem espanhóis e austríacos gravaram e exibiram conversas e comentários dos seus ministros, sem que tenham sofrido qualquer sanção.
Soube-se hoje que Vítor Gaspar quis excluir a TVI das reuniões de Bruxelas definitivamente, como represália pela gravação da conversa que teve com o ministro alemão. A imposição do ministro apenas confirma que Gaspar se sentiu incomodado porque a conversa revela que anda a mentir aos portugueses.  No entanto, parecem-me ainda mais graves estas declarações de Maria Rui, porta-voz da REPER.
 Ex- jornalista da RR e da TDM, Maria Rui foi também uma protegida assessora de imprensa de Sócrates. Foi, aliás, nesse período, que foi para a REPER onde, supostamente, deveria defender a liberdade de expressão e os jornalistas portugueses. O problema é que alguns jornalistas, quando entram no círculo do poder, esquecem-se dos princípios básicos do jornalismo e passam a actuar como censores dos seus ex camaradas de profissão. É isso que explica, também, o silêncio do ex - editor do DN, Pedro Correia, fervoroso defensor da liberdade de expressão de Mário Crespo, activo participante na manif dos 50 patuscos que foram para a porta da AR protestar contra o atentado à liberdade de expressão do governo Sócrates.
Assim que tomou posse do cargo de lambideira especialista do ministro Relvas, Pedro Correia esqueceu-se da liberdade de expressão. Estará a preparar o caminho para suceder a Maria Rui? 
Os ex-fumadores e os ex-jornalistas têm um ponto em comum. Ambos odeiam o seu passado e parecem apostados em vingar-se de quem os obriga a recordá-lo.

Bombinha de Carnaval

Trocaram um olhar durante o intervalo. À saída do cinema ele tomou a iniciativa de a abordar. Algumas frases depois estavam sentados à mesa de uma pastelaria a tomar um café. Ele contou-lhe uma história engraçada. Ela partiu-se a rir. Tinha  injectado  na véspera uma dose de Botox.

Duetos (8)

É Carnaval, por isso aqui fica um dueto bem brasileiro

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

O Blog da semana

Retomo hoje a rubrica Blog da Semana. A primeira escolha de 2012 vai para o Quiproquo, um blog de visita diária obrigatória, que além de momentos de boa disposição  (como é o caso do post de hoje), nos dá excelentes dicas sobre filmes e livros. Ide lá confirmar...

A mensagem de Berlim


Não faltará por aí quem diga que o festival de cinema de Berlim é o mais fraco festival de cinema que se realiza na Europa. Embora aceite sem rebuço que está a longa distância de Veneza ou Cannes, isso não invalida que considere da maior importância para o cinema português, o Urso de Ouro atribuído a Rafa ( curtas metragens) e o prémio conquistado por Tabu.
O cinema português é mais apreciado lá fora do que por cá, pelo que estes prémios servirão, pelo menos, para levar alguns portugueses às salas de cinema. Alguns sairão desiludidos porque aquilo não mete tiros nem perseguições de polícias a criminosos, mas outros concluirão que afinal vale a pena ver o novo cinema português.
Pessoalmente, estou ansioso por  ver “Tabu”, do mesmo realizador de “Aquele Querido mês de Agosto”, filme que adorei. Não tanto como este, mas  também de inegável qualidade. 
Num momento em que quase nos envergonhamos de ser portugueses e somos representados além fronteiras, por políticos medíocres, devemos animar-nos com o reconhecimento do nosso talento lá por fora. Não me refiro exclusivamente ao cinema… falo também dos prémios de investigação na área da ciência, na arquitectura, nas artes, na literatura e até no desporto. (E falo também das capacidades de trabalho dos portugueses, tantas vezes enaltecida no estrangeiro…)
Todos estes prémios vêm demonstrar que o talento dos portugueses é real, mas leva-nos a colocar a questão: se somos bons lá fora, por que razão não somos reconhecidos cá dentro?
A resposta parece-me simples. Não temos por cá muitos  gestores  com capacidade para explorar o nosso talento;  temos  muitos patrões, mas poucos empresários; não criamos condições para que os nossos talentos  desenvolvam as suas capacidades.
Não há reforma estrutural que consiga alterar esta situação enquanto qualquer pessoa, apenas porque tem uns dinheiritos consegue montar uma empresa, ou chega a dirigente da administração pública tendo como única credencial a fidelidade partidária. 
São poucas as esperanças de mudança, quando o próprio primeiro-ministro acusa os portugueses de calaceiros e piegas, quiçá reproduzindo a imagem que todos os dias  vê projectada no espelho, quando se prepara para o escanhoar matinal.
Continuemos a tentar mostrar-lhe   que se estamos agora a ser governados por uma troika, a culpa não é dos calaceiros dos portugueses, mas sim de um punhado de políticos, por ele encabeçado, que pôs os seus interesses pessoais à frente dos do país. 

Fadas do Lar


Há dias escrevi um artigo  sobre a evolução das condições sociais do trabalho durante o século XX, que será publicado na revista “Dirigir” de Março.
Uma parte do artigo aborda  o tema das  mulheres e não pude deixar de fazer referência a uma frase de Salazar:
 “ o recurso à mão de obra feminina representa um crime e quando a mulher casada concorre com um homem por um posto de trabalho, a instituição da família ameaça ruína”.
Lembrei-me também, enquanto escrevia o artigo de Marcelo Caetano que, durante um exame na faculdade de Direito, humilhou uma colega minha perguntando-lhe:
“ Porque é que a senhora, em vez de estar aqui a estudar Direito, não está em casa a aprender a pontear e a coser meias? Isso será muito mais útil ao seu futuro marido, do que ter em casa uma advogada”.
Esta forma de ver o papel da mulher na sociedade portuguesa não se alterou tanto depois do 25 de Abril, como alguns pensam.  O recentemente “empossado” cardeal português, Manuel Monteiro de Castro, fez questão em prová-lo. A Igreja- ou pelo menos alguns dos seus mais altos dignatários-  continua com a mesma mentalidade dos políticos do Estado Novo.  A verdade, porém, é que não está sozinho. Ainda há muitos homens que defendem a mesma opinião. Não têm é coragem de o afirmar publicamente.

Reserva mental

Muito se discute se Portugal vai precisar de um segundo resgate. Não sou economista nem percebo nada de finanças, mas nunca tive dúvidas da necessidade de recorrer a um novo pedido de ajuda.  Também não sou bruxo...apenas interpretei o oráculo de Vítor Gaspar quando perguntado se  garantia que os subsídios de férias e de Natal roubados aos funcionários públicos e pensionistas lhes seriam devolvidos em 2014. 
Com aquele tom de voz de disco de 78 rpm a rodar a 33, Vítor Gaspar repetiu sobejas vezes: " a medida durará enquanto durar a ajuda financeira a Portugal". 
Nunca ouvi nenhum jornalista perguntar-lhe se, com aquela  resposta, estava a admitir que a ajuda financeira poderia prolongar-se para além de 2013, mas para mim foi tão óbvio que isso estava implícito no oráculo gasparista, que voltei a minha ira contra estes jornalistas que gravitam à volta do poder político, pelo facto de não fazerem a pergunta óbvia: essa resposta é dada sob reserva mental, não é verdade, senhor ministro? 
Fica-me no entanto a dúvida: são burros, zombies, ou estão à espera de um lugarzito num gabinete ministerial, como recompensa por não fazerem perguntas incómodas? 

Duetos (7)

Hoje, um tributo a duas vozes que permanecerão ente nós durante muito tempo.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Uma forte vaia aos novos identificadores de palavras


Quando deixei de moderar os comentários, coloquei os identificadores de palavras  para evitar o spam que alguns dias depois de ter deixado de fazer a moderação, se tinha tornado massacrante. Acontece, no entanto, que os novos identificadores de palavras do Blogger são insuportáveis e disso já me queixei nas caixas de comentários de alguns blogs. 
Creio que esta alteração tem precisamente como objectivo obrigar-nos a retirar os identificadores, de modo a que os spam possam voltar a invadir a caixa de comentários. Deve fazer parte da nova estratégia de privacidade da Google…
Têm sido muitos os leitores a pedir a retirada dos identificadores e decidi, por isso, satisfazer esse pedido mas, se as mensagens de spam voltarem a invadir as caixas de comentários tomarei, primeiro, a decisão de voltar a moderar os comentários e, de seguida, talvez me transfira para o Sapo. 
Entretanto, sugiro que todos escrevamos, nos nossos blogs, um  post de protesto contra os novos identificadores. Pode ser que nos oiçam e nos façam a vontade. Valeu?
Em Tempo: No post sobre o Portas, hoje publicado, chamei Michelle à Condoleza. Inadmissível! Já emendei...

Olha, mais um!

A Ematejoca, apesar de saber que eu não vou à bola com a Angie, mas reconhecendo a minha amizade pelo povo alemão, teve a amabilidade de me oferecer este selinho, que muito agradeço.
A esta hora talvez ainda ande lá por Dusseldorf a brincar ao Carnaval e a divertir-se desta maneira peculiar, mas amanhã ela estará por aqui a ver se me corta a gravata. Azar dela e sorte minha, porque é coisa que raras vezes uso, como já aqui vos expliquei.

Bué de fixe!

Descobri isto por acaso e achei baril. Às tantas já é velho, mas para mim foi uma descoberta. Fui logo visitar a minha casa no Porto...

Bate,bate, coração (38)


Morena à beira mar numa manhã fria de Inverno? Sim, é possível

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Olhem o que eu ganhei!

O Carlos fez esta obra de arte a que modestamente chamou "selinho" e ofereceu-o a alguns bloggers. Eu fui um dos contemplados e fiquei sem palavras. Se quiserem saber mais, vão visitar a cubata dele aqui  Quem ainda não conhecer, de certeza que vai ficar cliente.
Um grande abraço, Carlos, e muito obrigado

Portas e o pescador

Ó senhor ministro, não seja exagerado nos elogios ao PM! Faz-me lembrar um pescador a falar sobre o tamanho do peixe  que ( não) pescou...


Já encolheu um bocado mas, mesmo assim, não me convence...



Cá p'ra mim, ela é capaz de ter razão...

O fotógrafo estava lá!

No momento em que Pedro Passos Coelho leu o postal que lhe enviei.  Reparem bem na boquinha...

Duetos (6)

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Ruben Correia

É um jovem açoreano de 14 anos que vai lançar este mês o seu segundo livro. Vale a pena ler a entrevista que deu ao Diário dos Açores e fui roubar aqui

E também não somos a Alemanha...


Ontem, tínhamos ficado a saber que não somos a Grécia. Hoje, ficamos a saber que também não somos como a Alemanha. Em ambos os casos, foi PR que fez questão de explicar, com aulas práticas, as diferenças que nos separam dos dois países.
No país da Frau Angie, o presidente por ela escolhido,  não se refugia em dialécticas estéreis, para conservar o seu mandato. Quando os tribunais pedem  o fim da sua imunidade e o acusam  de corrupção por ter beneficiado de um empréstimo concedido por um amigo, demite-se.
 Por cá, ainda está por explicar a coincidência de um banco falido, por vigarices  várias e gestão ruinosa, ter sido fundado e gerido por amigos do presidente que – apenas por  coincidência, obviamente! - fizeram parte dos seus governos enquanto primeiro-ministro. 
Curiosamente, um desses amigos  permitiu ao presidente  e, pelo menos,  a um dos seus familiares ( a filha)  ganhar  em acções, num curtíssimo espaço de tempo, dezenas de   milhares de euros.
Alheio a estas coincidências, o inquilino de Belém vê um dos seus assessores de estimação apresentar-se  a um jornal de referência como seu emissário, tendo como missão veicular para a imprensa notícias falsas e assobia para o ar, como se não fosse nada com ele.
Depois de eleito por falta de comparência dos adversários, o nosso PR inicia a fase da vitimização e faz um discurso insultuoso contra os  outros candidatos e seus apoiantes; acusa o governo de falta de  ética social e de violar a Constituição, mas cala-se assim que  sabe que os seus subsídios de férias e Natal permanecerão intocados.
O que nos distingue da Alemanha não é a (in)capacidade do povo português  para trabalhar, é a falta de ética e de estofo de um presidente da república que não age em função dos interesses do seu povo, mas sim dos seus próprios objectivos.
E quando um país  tem como líderes pessoas que sem qualquer pudor violam os princípios básicos da ética política, sabendo que a lei os protege enquanto estiverem a exercer o seu mandato, não pode nunca almejar a comparar-se com a Alemanha, onde esse princípio é (aparentemente) sagrado.

Da mobilidade e dos caramelos Vaquinha


Aviso prévio: Este post foi escrito com o propósito de elogiar uma medida do governo.
Já fecharam a boca? 
Então, fiquem a saber que acaba mal. Apesar de me ter esforçado, não consegui provar a bondade do governo com a medida anunciada. Ora leiam lá…

Sempre fui a favor da mobilidade dos funcionários públicos. Defendi, inclusivamente, que todos os técnicos da função pública, antes de serem admitidos, deveriam fazer um estágio de um ano no interior em duas zonas diferentes do país. Penso que um funcionário público – especialmente na área técnica- que passe a vida encerrado num gabinete em Lisboa não pode cumprir cabalmente a sua missão ( que sempre entendi no sentido anglo-saxónico de civil servant). 
A minha convicção não assenta apenas em teoria. Levei-a à prática  quando decidi abandonar o privado e experimentar a função pública, disposto a vestir a camisola. Vivi três meses  nos distritos de Évora, Beja, Portalegre e Castelo Branco  e, ainda que por períodos mais curtos, também em Vila Real,  Leiria e Santarém.  
Nesse tempo não havia auto-estradas, chegar de Castelo Branco ou Vila Real a Lisboa não era fácil e muita gente me chamava maluco, por eu andar feliz da vida. Devo dizer-vos que foi um período muito enriquecedor. Conheci o país para além das fronteiras de Lisboa e Porto, vi o pulsar do interior, aprendi a compreender os problemas de quem vive longe dos centros de decisão.
Estávamos no dealbar do "cavaquismo" quando percebi que a função pública se enquistava cada vez mais nas refregas partidárias, os dirigentes eram nomeados por acordo tácito do Centrão, a preocupação de grande parte dos dirigentes era servir-se dos organismo para progredir na hierarquia do partido e os interesses das pessoas ficava cada vez mais para segundo plano. Voltei a emigrar e o regresso a Portugal  só se deu quando acreditei que o "cavaquismo" estava definitivamente enterrado.
Abracei com paixão um projecto editorial e voltei à minha vida de andarilho pelo país. Encontrei um país mais curto, por força das auto-estradas que então se tinham construído. Embora a minha base fosse Lisboa,  percorria todos os meses milhares de quilómetros pelo país( ainda o continuo a fazer, mas agora com muito menos frequência). Percebi que o interior tinha mudado muito, que em diversas cidades do país se tem mais qualidade de vida do que em Lisboa e no Porto e constatei que as pessoas tinham uma mentalidade diferente.  Nem sempre melhor-  diga-se- porque a melhoria da qualidade de vida não significa obrigatoriamente melhores pessoas.
Bem, mas adiante… porque o propósito deste post é dizer-vos que quando ouvi o governo dizer que pretendia promover a mobilidade dos funcionários públicos quase me apeteceu aplaudir. Pensei, ingenuamente, que fosse criar incentivos para eles se deslocarem para o interior. 
Quando um indigente crescido à sombra das jotinhas ousa afirmar “quem não está bem, mude-se!” percebe-se que o objectivo deste governo não é incentivar nada nem ninguém. Nem sequer devolver aos serviços públicos a missão de satisfazerem os interesses das pessoas. É, apenas, promover o despedimento de forma encapotada. Já devia ter percebido isso, sem necessidade de ouvir as explicações de um imbecil, mas às vezes continuo a ser um ingénuo.

Duetos (5)


quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Realmente, não somos a Grécia...

Enquanto lá têm um presidente que defende o seu povo e a História do país, por cá temos um presidente a queixar-se que a reformazita de 10 mil € não lhe chega para as despesas, convida os alunos das escolas a virem para a rua protestar e quando eles acedem ao convite, falta ao encontro. Piegas!!!
Pobre país que tem um presidente que foge de uma manifestação de jovens estudantes...

Obrigado, senhor primeiro ministro!

Pela sua política corajosa que está a salvar o país. Vocelência promete e cumpre. De recorde em recorde, tornar-se-á o ídolo do povo, o Tony Carreira de Massamá,  e conquistará o coração de todos os portugueses que desfilarão pelas ruas da Pátria entoando bem alto o seu nome e o da senhora sua mãe. Quem resiste a performances perfeitamente imparáveis como estas? Veja, veja! Orgulhe-se da sua obra!
Digo-lhe uma coisa: José Sócrates deve estar em Paris roído de inveja, deprimido e envergonhado, porque nunca conseguiu cometer tais façanhas.

Notícias do Gulag

Disse-me uma joaninha que o governo vai aprovar uma Lei que estabelece um prazo de validade para a vida dos portugueses. Aos 70 anos devem morrer, dando-lhes o governo duas alternativas: a morte natural, ou uma injecção atrás da orelha. Esta, será fornecida gratuitamente, desde que os descendentes do morto se comprometam a pagá-la no prazo de 10 dias após a realização do funeral. 
Quem optar por continuar por cá  deixa de ter direito à reforma e aos cuidados de saúde, sendo ainda obrigado a pagar ao Estado um imposto de sobrevivência. 
Ficam isentos do pagamento do imposto e mantêm os direitos adquiridos, os militantes do PSD e do CDS que tenham prestado serviços relevantes aos partidos: membros do governo, deputados, membros dos Conselhos de Administração de empresas do Estado ou por ele tuteladas por via indirecta, fundadores do BPN e todos os autores de crimes de colarinho branco que o governo considere terem dado provas de desonestidade  e falta de princípios morais e éticos, nomeadamente a prática de actos de corrupção, violação dos direitos cívicos, exploração de trabalhadores e desrespeito pelas leis gerais do país, nomeadamente a Constituição.
A mesma fonte confidenciou-me que o governo elaborará, anualmente, uma lista secreta dos militantes contemplados com a isenção, que ficará à guarda de Miguel Relvas, a quem competirá vigiar o comportamento diário dos membros da lista. Para o efeito, irá ser publicado um despacho que autoriza Relvas a contratar mais 20 lambideiras para o seu gabinete.
O governo estuda ainda a hipótese de reduzir o prazo de validade da vida dos portugueses que até aos 25 anos não se tenham inscrito no PSD ou no CDS.
Esta Lei será mandada publicar em livro com encadernação de luxo, servindo de apêndice ao livro com o programa do PSD que custou aos portugueses 12 mil euros. Será impresso numa tipografia de gente do PSD, porque dá a garantia de triplicar o preço do mercado, valorizando assim o produto. 

Duetos (4)


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

O aviso de Berlim

A culpa da crise é das mulheres...




Vejam lá a quantidade de sapatos que elas precisam para se sentirem felizes. Aos homens bastam dois pares...


O pragmatismo de Fritz Lang


A propósito dos bitaites que a senhora  Merkel e o senhor Schulz  têm mandado sobre Portugal lembrei-me deste episódio delicioso.
 Depois de ver o filme de Werner Herzog “Sinais de Vida”, Lotte Eisner, colaboradora de Fritz Lang em Berlim e co-fundadora da Cinémathèque de Paris, escreveu ao realizador austríaco, então a viver nos Estados Unidos, dizendo:
 “Vi a obra de um maravilhoso realizador alemão”.
 Lang respondeu:
“Não,  é impossível!”

Duetos (3)


terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Amor é...

No Dia dos Namorados, o senhor primeiro-ministro nomear estes dois talentos para o seu gabinete.

Passo...




Fim da manhã - quase princípio da tarde porque este frio me convida a ficar entre lençóis até o sol estar bem alto – entro no Atrium Saldanha para tomar café.
 Um cartaz convida-me a celebrar o amor e jantar num ambiente romântico. Pensar num ambiente romântico num centro comercial já me parece algo só possível de recrear na imaginação de grandes criativos. No Atrium Saldanha, só mesmo um prodígio... mas quando leio “ O ambiente romântico, a sobremesa e o café ficam por nossa conta” fico definitivamente de pé atrás. De ambientes românticos de plástico standardizados, confeccionados  para  ocasiões especiais, já eu estou farto. O que pretendo é algo de genuíno que um centro comercial jamais me poderá dar. Prefiro celebrar o amor junto  à lareira do Rochedo,  tendo como pano de fundo o mar banhado de prata por uma lua generosa.

Uma garrafa de bom vinho tinto,  tchim tchim e "Che Viva L’amore". A vida é demasiado curta, não se podem desperdiçar os bons momentos em ambientes de plástico.

Dia dos Namorados



Não é isenta de controvérsia a explicação para S. Valentim se ter alcandorado a padroeiro dos namorados. A Igreja canonizou dois, considerados mártires, e a lenda fala ainda de um terceiro. Todos têm um ponto em comum: foram condenados a penas de prisão ou à morte por fidelidade ao amor, se bem que em épocas diferentes e com justificações diversas. Mais consensual, parece ser a justificação para que o dia em que o calendário litúrgico celebra S. Valentim , desde o século V,(14 de Fevereiro) se tenha passado a denominar Dia dos Namorados.
Na Idade Média, o dia 14 de Fevereiro assinalava o princípio da época de acasalamento das aves. Nessa mesma data era hábito, em muitas localidades, que as jovens escolhessem um rapaz como o seu preferido. O eleito era então obrigado a oferecer um presente à jovem que o elegera. Esta prática terá sido levada para os Estados Unidos, no século XIX, por emigrantes irlandeses, que a implementaram em terras do Tio Sam, mas só em meados do século XX, com o advento da sociedade de consumo, terá alastrado a todo o mundo ocidental.
Os leitores mais atentos já se terão interrogado: mas se a tradição mandava que fosse o rapaz a oferecer presentes à rapariga que o escolhia, porque é que hoje em dia há troca de presentes entre namorados? A explicação é simples... era necessário adaptar a tradição aos tempos modernos, à medida que a igualdade de sexos ia ganhando espaço. O facto de as jovens passarem a oferecer presentes aos seus namorados naquela data, deve ser encarado como uma forma de valorização do papel da mulher e uma machadada nos hábitos machistas - sociedade de consumo “dixit”.
Nos EUA, porém, a tradição já sofreu nova alteração. No dia de S.Valentim, só os rapazes oferecem presentes. Um mês mais tarde, a 14 de Março, é a vez de as raparigas retribuirem. Mais uma vez, foi a sociedade de consumo a alterar as regras...
O Dia de S.Valentim de 1929 ficou na História por outras razões... foi nesse ano que os homens de Al Capone, empreenderam uma chacina , com a qual o líder mafioso pretendeu reafirmar e consolidar a sua posição de Chefe da Mafia.
Ah, é verdade... no hemisfério sul o Dia dos Namorados é em pleno Verão. Adivinhem lá porquê...

Duetos (2)

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Um dia destes convidam-te para primeiro ministro...

Ontem, o presidente do Sporting jurava que Domingos Paciência continuaria a ser o treinador do Sporting, porque o tinha contratado para desenvolver um projecto e blá,blá,blá,blá... 
Esta tarde o treinador do Sporting foi demitido e  Sá Pinto ( uma espécie de Relvas do Sporting, mas mais inteligente) assumiu o lugar.
Godinho Lopes tem todas as condições para vir a ser PM. O que não seria mau, se levasse o Sá Pinto para o lugar do Relvas. As lambideiras podem ficar, porque não olham ao dono.

Mais um passo rumo ao futuro

Ontem, a Grécia deu mais um passo rumo ao abismo. O governo grego recusou-se a desligar a máquina e aceitou o ultimato humilhante,  optando por  manter o país artificialmente vivo. Dentro de um ano - ou talvez menos- Portugal estará exactamente na mesma situação. Ontem, demos mais um passo rumo ao futuro.
Só não percebo a razão de os nossos governantes continuarem a dizer que não somos a Grécia, mas insistirem em tomar exactamente as mesmas medidas que conduziram a Grécia ao abismo. Pior ainda...eles sabem para onde nos levam e é o caminho do abismo que conscientemente pretendem seguir. No mínimo, é assustador.

As vítimas de Alzheimer

 Esta posição até pode ser compreensível, mas onde andam os indignados que acusaram José Leite Pereira de censura, por ter recusado publicar uma crónica de Mário Crespo, onde ele relatava uma conversa de Sócrates ouvida num restaurante? Adolfo Mesquita Nunes, Paulo Rangel et tutti quanti, já não convocam manifs à porta da AR, não entregam petições, nem fazem declarações inflamadas no PE ?

Duetos(1)

No regresso ao convívio convosco, retomo as séries musicais. E como este é mês de namorados, inicio a série duetos que se prolongará pelo menos até final de Fevereiro. Por razões óbvias escolhi um dueto sul americano para pontapé de saída. Espero que gostem...

domingo, 12 de fevereiro de 2012

One Moment in time

A vida é mesmo só um momento, não é?

Warum? Sag, warum?


A senhora Merkel lançou uns bitaites sobre a Madeira. No dia seguinte, o senhor Schultz, presidente do Parlamento Europeu, sentiu-se no direito de mandar umas biscas sobre Portugal. Ambos estão cheios de razão nas críticas que fizeram, embora  – por diferentes razões - tivessem feito melhor em estar calados.
A senhora Merkel, porque devia saber que os investimentos em betão feitos por AJJ na Madeira  foram avalizados pela Comissão Europeia; o senhor Schulz porque se esqueceu que também a senhora Merkel foi pedir batatinhas à China, um país onde a democracia não me parece que deva servir de exemplo ao mundo.
As declarações de ambos não me  mereceriam qualquer atenção,  não se tivesse dado o caso de o governo tuga ter reagido indignadamente contra a ingerência de Schulz e  se ter remetido ao silêncio em relação às palavras de Merkel. Dois pesos e duas medidas que definem bem a corja que nos governa.
 Mas tudo tem uma explicação e, neste caso, é muito simples. Foi alguém desde Lisboa que soprou à senhora Merkel a ideia de criticar a Madeira. Ela fez o favor. Em troca de quê? Era só isso que eu gostaria de saber.O resto é folclore...

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Sinais..

No Rochedo vejo o  sol lançar-me um último sorriso antes de desaparecer no horizonte. Passam poucos minutos das seis e sinto uma sensação estranha. Tão cedo ainda? Lembro-me da elegia de Borges ao pôr do sol em Buenos Aires:
" A essa hora em que a luz
tem uma finura de areia,
dei com uma rua ignorada
aberta na nobre largura do terraço,
cujas cornijas e paredes exibiam
cores tão macias como o próprio céu
que comovia o fundo...
A clara plenitude de um poente
exaltou a rua."
A Ibéria não fez greve. Que eu saiba, nenhum ministro se demitiu neste interim, mas vou confirmar. Pior ainda, o Pepe regressou definitivamente à Galiza...  já lá vão dois meses.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Viagem à Europa

Os sul-americanos sempre tiveram uma grande nostalgia pela Europa. Para a maioria dos  brasileiros, argentinos, chilenos ou uruguaios, uma viagem à Europa  constitui quase uma obrigação. Para conhecer a terra dos seus antepassados, mas também para contactar de perto com uma cultura que sempre admiraram e uma qualidade de vida que noutros tempos invejaram.
Hoje em dia, tenho  a percepção de que muitos sul-americanos  viajam até à Europa com  uma visão  bastante diferente do Velho Continente que povoou os sonhos da maioria.  Vão  em visita a uma avó velhota, com a (quase) certeza de que a verão pela última vez. Alguns não resistirão a dar-lhe alguns conselhos, talvez até se condoam com as suas dificuldades e lhe ofereçam uma esmola mas, na hora de regressarem a casa,  trazem a sensação de perda de um ente querido, para quem hoje olham com admiração pelo seu passado e nostalgia pelas histórias de fadas que lhes contavam antes de adormecer. Talvez se sintam orgulhosos por terem aprendido com ela a viver em democracia, mas não deixarão de lamentar a forma como se degradou com a idade e esqueceu os princípios em que se moldou desde o nascimento.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Mais um conflito entre S. Bento e Belém?

Informa-me a amiga São, na caixa de comentários deste postal, que "PPC aconselha os portugueses a serem menos piegas". 
Não sei o contexto em que ele terá feito essa afirmação, mas fico preocupado e com sérias dúvidas. Partindo do princípio que PPC não estaria a aconselhar os portugueses a passarem à acção, saindo do estado abúlico em que se encontram, depois de terem sido roubados pelo primeiro-ministro que prometeu salvá-los, presumo que se estaria a referir a Cavaco, por se ter lamentado que as reformas não lhe chegam para viver.
Ora, assim sendo, está demonstrado que a convivência entre S. Bento e Belém atravessa tempos difíceis. Se um PM manda uma indirecta ao PR e lhe chama piegas, o mais natural é que o PR reaja em conformidade. Talvez pedindo a Fernando Lima para ir ao "Público" dizer que o governo provocou um desfalque  na conta bancária de Belém.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Não seja ciumento, senhor PM...


Chegou-me aos ouvidos que tinha ficado com ciúmes por eu ter enviado um postal  ao PR e me ter esquecido de si.  Não esqueci, não, senhor PM. Não tinha era ainda arranjado o postal à sua medida. Finalmente, encontrei...
Aqui fica, para o senhor primeiro-ministro de Portugal, uma imagem da Av 9 de Julio em  Buenos Aires, ( a mais larga do mundo) com o Memorial vestido a preceito. Desfrute...

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

No te digo adiós...te digo hasta siempre!





" Sempre senti que existe em Buenos Aires algo que me agrada. E agrada-me tanto, que não gosto que agrade a outras pessoas.É um amor muito enciumado. Quando estive fora do país, por exemplo nos Estados Unidos, e alguém me dizia que ia visitar a América do Sul, incitava a que conhecesse a Colômbia, por exemplo, ou recomendava Montevideu.A Buenos Aires, não. É uma cidade demasiado cinzenta, demasiado grande-dizia-lhes- mas fazia isso porque me parece que os outros não têm o direito de gostar dela".
( Jorge Luis Borges in Borges em Borges,sus dias y su tiempo) 

Postal para o presidente Aníbal



Hoje lembrei-me de si e tomei a decisão de lhe enviar este postal, cuja mensagem agradeço transmita aos seus amigos e vizinhos da Coelha. Mas devolvam o dinheiro em €, tá? Obrigado!

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Fasinpat



Em 2010, o Centro Cultural de Belém exibiu uma série de filmes e documentários latino-americanos. Quase todos abordavam de uma forma directa casos verídicos ocorridos durante a ditadura de Pinochet no Chile,  a ditadura argentina, ou o Corralito. São filmes e documentários  muitas vezes filmados nas ruas e que fazem uma abordagem política de tempos e factos que não devem ser esquecidos.
Por estes dias lembrei-me de um desses filmes que retrata a forma como os trabalhadores argentinos reagiram ao encerramento selvagem de empresas e fábricas durante o Corralito.
"Corazon de Fabrica" relata a história de um grupo de trabalhadores que se recusou a cruzar os braços após o encerramento de uma fábrica de cerâmica  e partiu para a luta, demonstrando que o capital mais importante de fábricas e empresas é o trabalho e não patrões e empresários gananciosos. Como se demonstra neste episódio que hoje aqui vos relato e surge na sequência do que já vos contei aqui 
Ao contrário do que diz o Álvaro e confirma o Boca de Brioche, é possível garantir emprego sem patrões. O que não é possível é garantir produção sem trabalhadores! Senão vejam...

 A fábrica de cerâmica  Zanon, na província de Neuquén, no noroeste da Patagónia argentina, foi  encerrada e abandonada pelos patrões em 2001.
Um ano depois, os 240 trabalhadores que tinham sido despedidos arrancaram os cadeados, ocuparam a fábrica e exigiram que o governo a nacionalizasse. A pretensão não surtiu efeito na Casa Rosada, mas os trabalhadores não desistiram.  Formaram uma cooperativa a que deram o nome de  FASINPAT (Fabrica Sin Patron) e foram à luta, pondo a fábrica novamente a laborar.
Desde 2002  o número de trabalhadores duplicou, os lucros aumentaram e a fábrica funciona melhor do que no tempo dos patrões. A batalha jurídica pela posse das instalações continua a correr nos tribunais, mas a legislação entretanto aprovada no Senado poderá contribuir decisivamente para ultrapassar o impasse.
Perguntar-me-ão alguns leitores, por que razão insisto em escrever aqui sobre sucessos de cooperativas de trabalhadores. Simplesmente porque acredito na via cooperativa e este ano de 2012 foi proclamado pela ONU "Ano Internacional das Cooperativas".

sábado, 4 de fevereiro de 2012

No país do Asterix, os Metralhas são bobos


Finalmente descobri as diferenças entre o país do  Botas e o dos  Coelhos
O país do Botas tinha a PIDE e nas relações de Estado, quando um alto  funcionário público lhe desobedecia, demitia-o.
O  país do coelho ouve Mozart enquanto as secretas lhe fazem o ponto da situação e faz orelhas moucas quando um alternadeiro o manda limpar o rabiosque ao acordo ortográfico.
Força, força, companheiro Vasco... Não te reconheço coragem, mas mostraste ao país que o coelho é frouxo. É  como aqueles machões gabarolas  e cheios de prosápia "lá em casa quem manda sou eu" , mas um dia descobre-se que afinal, em casa, apanham da mulher.
 O Acordo Ortográfico é um aborto, VGM está a ser coerente com o que sempre defendeu, mas não é o Fernando Pessoa e ao aceitar a nomeação para um lugar público tem de respeitar as regras. Ao desrespeitá-las,  o Viegas que o nomeou- se tivesse alguma vergonha na cara e um mínimo de pudor- demitia-o. Infelizmente não tem, porque é fraca a forte gente.Não tarda nada, recebe um mail do Relvas e convoca uma conferência de imprensa para dizer que o AO é culpa do Sócrates.
Entretanto, fico curioso em saber o que acontecerá a um funcionário público que se recuse a respeitar o acordo...

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Sem papas na língua

A coerência é um bem cada vez mais escasso na política. Por isso é que eu admiro esta mulher e começo a perceber a razão de ser ainda mais popular do que Lula

Novo Renova "double face"



Parece que a notícia tem barbas, mas só soube ontem à noite que as crónicas de Pedro Rosa Mendes tinham sido suspensas, porque ele ousou fazer uma crítica a um programa da RTP sobre Angola ( O Prós e Contras, segundo me disseram).  Afiançaram-me que o Relvas, estrela do programa, está por detrás da demissão. Sendo assim, peço-vos encarecidamente um favor: digam-me se o Pedro Correia, que está a fazer de Renova no gabinete do Relvas, já convocou uma manif para protestar contra este atentado à liberdade de expressão. 
Tenho a certeza que sendo o Pedro Correia um tipo íntegro não deixará de ser coerente (cof, cof,cof).
Recordo que no tempo de Sócrates aderiu entusiasticamente a uma manif de 50 patuscos vestidos de branco que protestavam contra o  intolerável ataque à liberdade de expressão. Bem, se não aderiu, é porque no gabinete do Relvas fez um upgrade para Renova "double face".