Na Avenida Callao, bem no centro de Buenos Aires, fica o emblemático Hotel Bauen. Para a maioria dos que por lá passam, o Bauen é apenas mais um hotel e poucos conhecerão a sua história, mas vale a pena contá-la….
Inaugurado em 1978, com o objectivo de acolher adeptos endinheirados durante o Mundial de Futebol, o Hotel Bauen foi construído com um generoso apoio do governo militar que concedeu ao seu proprietário um empréstimo de 40 milhões de dólares. O sucesso do hotel foi enorme e, em poucos anos, o empresário argentino Marcelo Yourkovich construiu, com os lucros do Bauen um outro hotel em Búzios, no Brasil, mas nunca pagou na totalidade o empréstimo que lhe fora concedido. O caso arrastou-se pelos tribunais argentinos e em Dezembro de 2001, durante o Corralito, o Bauen fechou as suas portas lançando 200 trabalhadores para o desemprego. Nessa altura era já um hotel envelhecido e decadente e o seu proprietário não via qualquer viabilidade de recuperação.
Um ano depois, quando o proprietário começou a vender os móveis e equipamentos do hotel, cerca de meia centena de antigos trabalhadores ocuparam o hotel dia e noite. O seu único objectivo, numa altura em que a taxa de desemprego na Argentina ultrapassava os 20 por cento, era recuperar os postos de trabalhos perdidos, de forma a garantirem o sustento das suas famílias. Por isso entraram de imediato em contacto com o Movimiento Nacional de Empresas Recuperadas, organização de apoio a trabalhadores que pretendam recuperar empresas falidas.
Organizados numa cooperativa, os trabalhadores promoveram vários eventos culturais para angariação de fundos. A resposta dos porteños a essas iniciativas foi entusiástica e as receitas obtidas permitiu fazer obras de recuperação e modernização de 200 quartos do hotel e de algumas das partes comuns.
Em 2005, com o hotel em plena recuperação, os trabalhadores foram informados que o Bauen iria ser encerrado, porque o proprietário e seus herdeiros reclamavam a posse do edifício entretanto totalmente remodelado e modernizado. A ordem nunca foi cumprida e seis meses depois uma juíza reconhecia à cooperativa entretanto criada, o direito a explorar o negócio, embora permanecesse o diferendo sobre a posse do edifício. Enquanto os herdeiros reclamam a posse do edifício, os trabalhadores lembram que, uma vez que a dívida ao Banco Nacional da argentina não foi paga pelo proprietário do Bauen, este é propriedade do governo.
Hoje em dia, o Bauen é um hotel emblemático de Buenos Aires, tendo recuperado o seu prestígio e a sua viabilidade económica e financeira, mas só em Junho de 2011 o Senado anunciou a aprovação de legislação que irá permitir aos trabalhadores, organizados em cooperativas, tornarem-se proprietários de empresas falidas e insolventes, cuja recuperação tenha sido feita graças ao seu esforço.
A medida permitirá garantir mais de 10 mil postos de trabalho e legalizar a posse de mais de duzentas empresas recuperadas pelos trabalhadores após o Corralito, estimando o Movimiento Nacional de Empresas Recuperadas que, com a sua entrada em vigor, seja possível recuperar mais de duas mil empresas entretanto encerradas pelos patrões.
O caso do hotel Bauen – e outros que relatarei noutros posts- é uma prova de que é possível criar emprego sem patrões. A via cooperativa é uma possibilidade de relançar empresas encerradas em Portugal. Basta que o governo português crie incentivos à economia apoiando as cooperativas e tenha coragem de legislar no sentido de reconhecer aos trabalhadores a posse de empresas e fábricas por eles recuperadas.

Uma decisão que foi bem sucedida que poderá motivar outros governos, outras gentes.
ResponderEliminarMas mentes retrógradas não aceitam alguns avanços, nem mudanças, meu caro Carlos.
ResponderEliminarVeja só o que ocorreu aqui com a comunidade de Pinheirinho, que ganhou repercussão internacional.
Eles haviam construídos suas casas num terreno considerado massa falida da empresa Selecta de Naji Nahas.Os representantes da Comunidade argumentam que a empresa se apropriou indevidamente das terras, que antes pertenciam a um casal de alemães assassinado em 1969.E mesmo assim 2 mil famílias foras retiradas, à força, do local.
claro basta ver a cooperativa vitor-binícola de Tavira a Alicoop
ResponderEliminara cooperativa daquele gajo que fujiu pra moçambique com as morcelas e os paios
Aquela cooperativa grande pra lá do marão
tudo casos de falências de susexo dos anos 80 a 90...pronto a Alicoop chegou ao século XXI
Yes we cano...Sebastian del
até temos gestores de empresas púbicas que declaram falência pessoal
uma coop é boa pra muita coisa
excepto para a maioria dos sócios da coop...
assinado: cooperante com 30 pipas de dívida incooperável pagas a 2 e 4 anos após entrarem no lagar
(ou seja uma cooperativa a crédito...é a melhor forma
Mas mentes retrógradas não aceitam alguns avanços, nem mudanças, mas se eu dou a minha enxada à cooperativa eles usam a minha e guardAm as deles em casa
ResponderEliminarUCP...comé que se chamava Barca de Alva?
não enfies a carapuça de escravo...dás a tua enxada e ficas a ganhar
curiosamente é a comissão de trabalhadores da cooperativa que menos faz e mais proventos tira...
nunca percebi porquê...
deve ser um ritual maçon...
como dizia o cooperativista-comuna-maçon Magalhães
eu vivo do meu trabalho...
e muito deve ter trabalhado
é como aquele pessoal do fluviário de MOra mas demora pouco
a cooperação
até havia uma cooperativa que enlatava pavias e peras em calda
era em Pavia não era?
faliu não foi?
foi tudo pró desemprego
ou foram alguns para casas de férias no Algarve?
e se calhar até os da câmara de Mação...pelo menos já tem o nome
cooperativas é a modos que a maçonaria dos pobres
a dona branca dos 10%
cooperativista-maçon y comuna em vias de sucialização
ResponderEliminarcon vêm nã abastardar os nomes de gente de bons costumes e jeito prá decora a são
Carlos
ResponderEliminarPromovendo boas ideias e fazendo o pais crescer! Eu gostei da história!
com amizade e carinho de monica
Já está há muito tempo fora, é o que é, para pensar que o Passos Coelho e companhia estão interessados em desenvolver a economia com o apoio à cooperativas... Eles só querem saber dos seus tachos e dos amigos e lamberem as botas ao patronato, que porventura lhes arranjará um outro tacho assim que forem corridos. Porque não tenho duvida que esse dia chegará! E já vem tarde...
ResponderEliminarUma notícia alegre que sabe bem ler nestes tempos!
ResponderEliminarO governo em Portugal?!!! Ó Carlos, o governo em Portugal? O governo em Portugal está mais interessado em "roubar" direitos, empobrecer cada vez mais os portugueses que trabalham e em mandar emigrar os jovens. Assim, com menos uns milhares vai ser o paladino da resolução do problema com a troika.... e o cangalheiro dum país por cumprir!
ResponderEliminarPor cá bem podemos esperar sentados, o caminho faz-se em sentido contrário. É só amor e carinho entre patrões e trabalhadores. Há poucos dias só faltou o champanhe na concertação social...
ResponderEliminarNão conhecia este caso; gostei de saber do sucesso de uma empresa sem patrão.
ResponderEliminarA Bélgica , também esteve 18 meses sem governo e correu tudo bem...
M.A.A.