sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Hotel Bauen: Yes, we can!



Na Avenida Callao, bem no centro de Buenos Aires, fica o emblemático  Hotel Bauen.  Para a maioria dos que por lá passam, o Bauen é apenas mais um hotel e poucos conhecerão  a sua história, mas vale a pena contá-la….
Inaugurado em 1978, com o objectivo de  acolher adeptos endinheirados durante o  Mundial de Futebol, o Hotel Bauen foi construído com um generoso apoio do governo militar que concedeu ao seu proprietário um empréstimo de 40 milhões de dólares.  O sucesso do hotel foi enorme e, em poucos anos,  o empresário argentino Marcelo Yourkovich construiu, com os lucros do  Bauen um outro hotel em Búzios, no Brasil, mas nunca pagou na totalidade o empréstimo  que lhe fora concedido. O caso arrastou-se pelos tribunais argentinos e em Dezembro de 2001, durante o Corralito,  o Bauen fechou as suas portas lançando 200 trabalhadores para o desemprego. Nessa altura era já um hotel envelhecido e  decadente e o seu proprietário não via qualquer viabilidade de recuperação.
Um ano depois, quando o proprietário começou a vender os móveis e equipamentos do hotel, cerca de meia  centena de antigos trabalhadores ocuparam o hotel dia e noite. O seu único objectivo, numa altura em que a taxa de desemprego na Argentina ultrapassava os 20 por cento,  era recuperar os postos de trabalhos perdidos, de forma a garantirem o sustento das suas famílias. Por isso entraram de imediato em contacto com o Movimiento Nacional de Empresas Recuperadas, organização de apoio a trabalhadores que pretendam recuperar empresas falidas.
Organizados numa cooperativa, os trabalhadores promoveram vários eventos culturais para angariação de fundos. A resposta dos porteños  a essas iniciativas foi entusiástica e as receitas obtidas  permitiu  fazer obras de  recuperação  e modernização de  200 quartos do hotel e de algumas das partes comuns. 
Em 2005, com o hotel em plena recuperação, os trabalhadores  foram informados que o Bauen iria ser encerrado, porque o proprietário e seus herdeiros reclamavam a posse do edifício entretanto totalmente remodelado e modernizado. A ordem nunca foi cumprida e seis meses depois uma juíza reconhecia à cooperativa entretanto criada, o direito a explorar o negócio, embora permanecesse o diferendo sobre a posse do edifício. Enquanto os herdeiros reclamam a posse do edifício, os trabalhadores lembram que, uma vez que a dívida ao Banco Nacional da argentina não foi paga pelo proprietário do Bauen, este é propriedade  do governo.
Hoje em dia, o Bauen é um hotel emblemático de Buenos Aires, tendo recuperado o seu prestígio e a sua viabilidade económica e financeira,  mas só em Junho de 2011 o Senado anunciou a aprovação de legislação que irá permitir aos trabalhadores, organizados em cooperativas, tornarem-se proprietários de empresas falidas e insolventes, cuja recuperação tenha sido feita graças ao seu esforço. 
A medida permitirá garantir mais de 10 mil postos de trabalho e  legalizar a posse de mais de duzentas empresas recuperadas pelos trabalhadores após o Corralito, estimando o Movimiento Nacional de Empresas  Recuperadas que, com a sua entrada em vigor, seja possível recuperar mais de duas mil empresas entretanto encerradas pelos patrões. 
O caso do hotel Bauen – e outros que relatarei  noutros posts-  é uma prova de que é possível criar emprego sem patrões. A via cooperativa é uma possibilidade de relançar empresas encerradas em Portugal. Basta que o governo português crie incentivos à economia apoiando as cooperativas  e  tenha coragem de legislar no sentido de reconhecer aos trabalhadores a posse de empresas e fábricas por eles recuperadas. 

11 comentários:

  1. Uma decisão que foi bem sucedida que poderá motivar outros governos, outras gentes.

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  2. Mas mentes retrógradas não aceitam alguns avanços, nem mudanças, meu caro Carlos.
    Veja só o que ocorreu aqui com a comunidade de Pinheirinho, que ganhou repercussão internacional.
    Eles haviam construídos suas casas num terreno considerado massa falida da empresa Selecta de Naji Nahas.Os representantes da Comunidade argumentam que a empresa se apropriou indevidamente das terras, que antes pertenciam a um casal de alemães assassinado em 1969.E mesmo assim 2 mil famílias foras retiradas, à força, do local.

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  3. claro basta ver a cooperativa vitor-binícola de Tavira a Alicoop
    a cooperativa daquele gajo que fujiu pra moçambique com as morcelas e os paios

    Aquela cooperativa grande pra lá do marão

    tudo casos de falências de susexo dos anos 80 a 90...pronto a Alicoop chegou ao século XXI

    Yes we cano...Sebastian del

    até temos gestores de empresas púbicas que declaram falência pessoal

    uma coop é boa pra muita coisa
    excepto para a maioria dos sócios da coop...

    assinado: cooperante com 30 pipas de dívida incooperável pagas a 2 e 4 anos após entrarem no lagar
    (ou seja uma cooperativa a crédito...é a melhor forma

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  4. Mas mentes retrógradas não aceitam alguns avanços, nem mudanças, mas se eu dou a minha enxada à cooperativa eles usam a minha e guardAm as deles em casa

    UCP...comé que se chamava Barca de Alva?

    não enfies a carapuça de escravo...dás a tua enxada e ficas a ganhar

    curiosamente é a comissão de trabalhadores da cooperativa que menos faz e mais proventos tira...

    nunca percebi porquê...
    deve ser um ritual maçon...

    como dizia o cooperativista-comuna-maçon Magalhães
    eu vivo do meu trabalho...

    e muito deve ter trabalhado

    é como aquele pessoal do fluviário de MOra mas demora pouco
    a cooperação

    até havia uma cooperativa que enlatava pavias e peras em calda
    era em Pavia não era?

    faliu não foi?

    foi tudo pró desemprego
    ou foram alguns para casas de férias no Algarve?

    e se calhar até os da câmara de Mação...pelo menos já tem o nome

    cooperativas é a modos que a maçonaria dos pobres

    a dona branca dos 10%

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  5. cooperativista-maçon y comuna em vias de sucialização

    con vêm nã abastardar os nomes de gente de bons costumes e jeito prá decora a são

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  6. Carlos
    Promovendo boas ideias e fazendo o pais crescer! Eu gostei da história!
    com amizade e carinho de monica

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  7. Já está há muito tempo fora, é o que é, para pensar que o Passos Coelho e companhia estão interessados em desenvolver a economia com o apoio à cooperativas... Eles só querem saber dos seus tachos e dos amigos e lamberem as botas ao patronato, que porventura lhes arranjará um outro tacho assim que forem corridos. Porque não tenho duvida que esse dia chegará! E já vem tarde...

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  8. Uma notícia alegre que sabe bem ler nestes tempos!

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  9. O governo em Portugal?!!! Ó Carlos, o governo em Portugal? O governo em Portugal está mais interessado em "roubar" direitos, empobrecer cada vez mais os portugueses que trabalham e em mandar emigrar os jovens. Assim, com menos uns milhares vai ser o paladino da resolução do problema com a troika.... e o cangalheiro dum país por cumprir!

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  10. Por cá bem podemos esperar sentados, o caminho faz-se em sentido contrário. É só amor e carinho entre patrões e trabalhadores. Há poucos dias só faltou o champanhe na concertação social...

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  11. Não conhecia este caso; gostei de saber do sucesso de uma empresa sem patrão.
    A Bélgica , também esteve 18 meses sem governo e correu tudo bem...
    M.A.A.

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