terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Um discurso honesto e sincero de Passos Coelho




Ninguém terá percebido a mensagem de Natal de Pedro Passos Coelho, mas penso que esse era mesmo o objectivo. No entanto, eu não sou de desistir facilmente e depois de muitos esforços creio ter conseguido interpretar partes do discurso, cuja tradução faço agora, em exclusivo, para os leitores do Rochedo.
Antes do discurso, propriamente dito,  começarei por analisar o significado daquela horripilante gravata verde que o PM envergava. Como sabem, o verde significa esperança e os spin doctors  do PM, sabendo que PPC é avesso a transmitir essa mensagem através de palavras, aconselharam-no a fazer passar a mensagem de esperança de forma subliminar ( uma técnica muito usada na publicidade, sector onde trabalhavam alguns spin doctors e especialistas  antes de serem recrutados para  os gabinetes ministeriais ), utilizando uma gravata verde. Como a ideia foi de última hora e o bom gosto é bem escasso por aquelas bandas, foram a uma loja de indianos que estava aberta no dia de Natal e compraram  uma tira de pano verde que Assunção Cristas e Paula Teixeira da Cruz, com desvelo, transformaram  em gravata.
Dada esta explicação prévia,  passemos então à interpretação das palavras de Passos Coelho.

Blá, blá, blá, blá, blá ( tradução: neste dia de Natal quero dizer-vos que cada um de nós, quando nasce, traz uma missão que lhe foi confiada por Deus.  Eu vim ao mundo com a missão de vos roubar, fazer sofrer  e  regredir 40 anos e no dia do juízo final  quero orgulhar-me de ter conseguido cumprir a missão que me foi confiada).
Blá,blá,blá, blá, blá (tradução: eu admito que a vida de um trabalhador seja difícil mas, como nunca trabalhei  e apenas encontrei emprego aos 40 anos como administrador de umas empresas  de lixo do meu padrinho Ângelo  e daí vim logo para primeiro-ministro, não tive a sorte de experimentar as dificuldades que, segundo  me dizem por aí, os trabalhadores portugueses estão a sentir).
Blá, blá, blá, blá, blá e, mais ainda, blá, blá blá! ( tradução: claro que eu disse, em campanha eleitoral, que cortar o 13ºmes seria um disparate e não destruiria o SNS. Mas eu sou um mentiroso compulsivo e não conseguia suportar a ideia de chamarem Pinóquio ao Sócrates, um amador das mentiras que não tinha quaisquer condições para ombrear com um mentiroso profissional  como eu!).
Blá? blá, blá, blá, blá! ( Acusam-me de estar de joelhos perante Merkel? Quem o afirma tem é inveja. Gostaria de estar no meu lugar a desfrutar daquele maravilhoso odor corporal que a Angie exala na sua intimidade!)
Blá, blá, blá, blá, blá!  Blá blá…blá, blá, blá!( Eu sei que logo que termine esta mensagem de Natal, alguns jornalistas vão deturpar as minhas palavras, por isso pedi ao Relvas para mandar um dos  especialistas que tem lá no gabinete gravar as minhas palavras para não ser mal interpretado….  Reafirmo a minha intenção de empobrecer os portugueses até ao limite das suas capacidades. Depois, espero que rastejem até mim, seguindo o exemplo do povo norte coreano que deu ao mundo um exemplo ímpar de amor ao seu querido líder e me  peçam que lhes distribua algumas das migalhas com que enriqueci a classe trabalhadora deste país, que tem a nobre missão de trabalhar nos bancos e no sector financeiro em geral, com o objectivo de- apoiada na minha sabedoria – roubar aos portugueses as suas casas e todos os outros luxos supérfluos adquiridos durante os governos desastrosos que me precederam!)
Blá.blá, blá, blá, blá. Blá. Blá e blá blá. Trataralá!( Nesta época de Natal, os trabalhadores portugueses devem perceber que os sacrifícios que lhe estão a ser pedidos valerão a pena. São um investimento no futuro. Terminado este período de empobrecimento,  estarão purificados e poderão enfim  sobreviver  eternamente com a bênção do Espírito Santo,  do BCP ou mesmo do  santo salvador  Mira Amaral, que repousa à direita de José Eduardo dos Santos. É para isso que todos os dias violo a Constituição e as Leis da República, ignoro a concertação social e imponho a minha vontade. A minha missão será cumprida, em nome do meu padrinho Ângelo, mesmo que para tal seja obrigado a confrontar o Satanás Aníbal. Tenham um santo Natal. No próximo ano aqui estarei a dizer-vos que o governo não atingiu as metas, estamos mais pobres e precisamos de fazer mais sacrifícios, mas a culpa é da crise internacional e não do governo!)

A mala de cartão


No dia de Natal, ao acordar, tinha esta mala à porta de casa. Vinha sem remetente, mas o destinatário era mesmo eu. Pelo aspecto, deve ser da época da  Linda de Suza e entendi esta oferta como um convite para emigrar. Pensei maduramente e hoje comecei a enchê-la com alguns bens essenciais para a viagem ( que não será até França). 

Tenham juízo!

O que é interessante analisar, na lógica deste governo, é a sua tendência para tomar medidas e traçar uma política que contraria os seus princípios.
Este governo pede mais trabalho, mas não toma medidas para fazer crescer a economia, o que provoca o aumento do desemprego.
Por outro lado, a política de cortes é a de uma família qualquer em dificuldades. Não tendo dinheiro, corta na alimentação, no vestuário, nas despesas de saúde, etc Mas se os membros da família não encontrarem emprego, o que sucede? Acabam a recorrer à assistência social.
Ora é este exactamente o caminho que o governo traça para o nosso país, como exuberantemente demonstra o OE: cortes de salários, impostos sobre os rendimentos mas criação de emprego e incentivo à economia, nickles.
Alguém tem dúvidas que, por este caminho, dentro de um ano estraemos muito pior? Se não há criação de riqueza de que vamos viver? Das esmolas que a assistência social europeia nos der?. Pedro Passos Coelho e Vítor Gaspar porventura acreditam que a senhora Merkel virá aí um dia, armada em Banco Alimentar Contra a Fome, para nos salvar? Tenham juízo!