quarta-feira, 30 de novembro de 2011

A Bem da Nação

Uma maioria composta por jovens totalitários ( Bagão Félix dixit) aprovou hoje o OE 2012, contando com o apoio da abstenção do PS ( violenta, é bom não esquecer…) . Um acto de simpatia do PS com Sócrates – defende Mário Soares. Será simpatia violenta? Não deve ser, porque Seguro até cantou e festejou uma grande vitória. De quê? Terá sido a descoberta do Migalheiro a razão da euforia?
Inúmeras vozes próximas dos partidos da maioria se levantaram num coro de críticas ao OE e à cegueira do governo.

Ou seja: apenas milhar e meio de portugueses ( deputados da maioria, membros do governo, 700 famintos retirados aos bidonvilles de uma obscura actividade profissional para integrar os gabinetes ministeriais, e uns quantos aspirantes a um lugarzinho que vão debitando na blogosfera elogios ao senhor presidente do conselho) apoia o OE.
Mesmo assim, depois de ter criticado a falta de equidade do OE e ter posto em causa a sua constitucionalidade,o PR vai aprová-lo. A bem da Nação, borrifar-se-á para as inconstitucionalidades e cometerá perjúrio? Ao som do Hino Nacional?
Em tempo: Em entrevista à SIC, PPC admitiu que mais medidas de austeridade se avizinham. Fê-lo com a descontracção dos néscios, que vêem a casa a arder e querem apagar o incêndio com um extintor de bolso.

O Migalheiro

Quer um presente barato para oferecer aos seus amigos neste Natal? Pois o CR tem a solução ideal para si. Compre um migalheiro, o maior sucesso de vendas deste Natal.É barato e muito mais útil do que o mealheiro, pois aprova orçamentos marados, recicla moeda falsa e faz pagamentos com cheques sem cobertura. Como funciona? Simples!


Veja a imagem acima:


Pegue numa moeda ou nota de euro ( falsa) ou cheque (careca)e introduza na ranhura do migalheiro.
De seguida, pronuncie ( com muito ênfase) as palavras mágicas “abstenção violenta!” e rode o migalheiro até ele ficar de costas, como mostra a imagem seguinte


Agora, pegue na corda que está na imagem de baixo, introduza-a na protuberância (visível na imagem) do migalheiro e vá rodando.


O mais tardar no próximo Natal, o migalheiro começará a abanar a cauda, dirá, com um sorriso "grande vitória" e devolver-lhe-á a quantia introduzida, em magníficas notas ou moedas de escudo, aceites em qualquer estabelecimento.
















Desaparecidos






Paulo Portas fez uma pausa na sua actividade de caixeiro-viajante e veio a Lisboa dizer aos portugueses "vão trabalhar, malandros!" Poderia perguntar-lhe porque não dá o exemplo, mas não vou por aí. É que fiquei impressionado com a noção de ética social do líder democrata-cristão! Eu bem sei que ele não gasta dinheiro em carros como o Pedro da Vespa, prefere andar de avião, mas isso não é razão para nos vir falar de ética social... Que pena Portas ser solteirão! Assim não posso pedir à mulher o mesmo que pedi à D. Laura!

Defendamos as nossas tradições!

Agora que o Fado foi considerado pela UNESCO Património Imaterial da Humanidade, enchendo de orgulho os corações do povo luso, é altura de defender com convicção as nossas tradições, tudo fazendo para que se mantenham incólumes e inalteradas.

São as tradições e costumes que fazem a identidade de um povo, pelo que devemos fazer tudo para as preservar.

Vem isto a própósito de uma petição para acabar com as cunhas que correu por aí no tempo do Sócrates, foi entregue ao Presidente da República, mas deve estar esquecida na gaveta da secretária de um especialista recrutado pelo ministro Relvas.

Devo dizer que não assinei a petição, porque considerei a iniciativa de muito mau gosto. Depois de nos acabarem com os “jaquinzinhos”, querem acabar com essa instituição nacional que é a cunha? Querem acabar com as nossas tradições?

Como seriam preenchidos os gabinetes ministeriais, se não fosse a cunha? Como passariam a ser feitas as nomeações para alguns cargos de Director-Geral, se não houvesse uma lista de cunhados?

Qual seria o interesse dos concursos na função pública, se nele não viesse pormenorizadamente detalhado o perfil do cunhado?

Como iriam os jornais preencher algumas colunas de opinião, sem as cunhas dos partidos? Que seria do Serviço Nacional de Saúde? Como é que a minha prima Zélia, que além de uma cara bonita e um belo par de pernas nada mais tem para oferecer ao mundo, iria aguentar-se como secretária de Direcção de uma empresa pública a ganhar aqueles milhares de euros?

Por este andar, qualquer dia ainda aparece por aí algum maluco a querer acabar com os cocós de cão na rua, com as escarretas nos passeios, ou com o espectáculo glamoroso de ver um tipo a tirar macacos do nariz à mesa de um restaurante de luxo!

É tempo de defendermos as tradições portuguesas, antes que nos acabem com elas!Viva os sapatos de cunha, abaixo os sapatos stiletto!

Prefira produtos portugueses?

O governo já nos aconselhou a preferir produtos portugueses mas, infelizmente, não dá o exemplo. Basta entrar em alguns serviços públicos para constatar que até para lavar as mãos, os funcionários públicos usam "Jabon en crema" em vez de sabão macaco.

Dir-me-ão que é por ser mais barato. Correcto...mas é por isso mesmo que os portugueses também fazem contas antes de se decidirem pela compra de produtos nacionais, não é verdade?

A outra Voz

Se Carminho representa para mim A Voz do Fado, Carlos do Carmo foi o homem que acreditou, lutou e tornou possível a nomeação do Fado Património Imaterial da Humanidade. Já aqui contei as razões porque me apaixonei (moderadamente) pelo Fado: a noite em que a minha Mãe celebrou o 50ª aniversário e a voz de Ada de Castro me fez mergulhar num vendaval de lágrimas. As noites passadas no Faia ( a casa de fados de Lucília do Carmo, mãe do Carlos) contribuíram decisivamente para que deixasse de ver o Fado como uma canção nacionalista e símbolo do Estado Novo. Foi graças ao Carlos do Carmo que me embrenhei no estudo das raízes do fado e encontrei as suas relações com o tango. Em sua homenagem e forma de agradecimento, aqui vos deixo este magnífico Fado na voz inconfundível do Carlos.
E com este post me despeço do Fado. A partir de amanhã, uma nova rubrica musical vai iniciar-se neste espaço , à hora habitual. Poucos minutos depois das 12 badaladas.