sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Um governo autista

Não há ninguém fora do governo -e seu círculo de mamadeiras - que não critique as medidas de austeridade e alerte para as consequências desastrosas para o país, resultantes desta política suicidária que nos conduzirá ao naufrágio dentro de um ou dois anos.Lá por fora, já vários prémios Nobel da Economia avisaram que as medidas de austeridade são apenas um caminho para o descalabro.

Indiferente às críticas, Paulo Portas desistiu do país e montou gabinete nos Estados Unidos e Passos Coelho apenas fala quando está lá por fora. O PM só teria a lucrar se, em vez de confiar na sabedoria adquirida num curso nocturno tirado numa universidade de vão de escada, ou andar a laurear a pevide em sucessivas genoflexões perante a senhora Merkel, tivesse feito uma curta viagem à Corunha e ouvisse estas palavras.

Portugal não é a Síria?

Para já ainda não, mas para lá caminha. Como se explica aqui.

Anunciam assalto, mas polícia não reage!

Um perigoso grupo tinha planeado um assalto para esta tarde mas, por razões ainda não totalmente esclarecidas, decidiu adiar a acção para segunda -feira. Embora tenha sido informada do assalto, a polícia disse que não iria tomar providências para o evitar.

Álvaro no Poço da Morte

( Depois da entrevista a Vítor Gaspar, a propósito da ida do governo ao Circo de Natal, segue-se o ministro Álvaro Santos Pereira)

Boa tarde, senhor ministro, gostaria de saber...

-Ó homem deixe-se lá de salamaleques. Trate-me porÁlvaro , porque eu ainda não tenho Cartão do Cidadão e os meus padrinhos não me baptizaram de Ministro. Aliás, o único Ministro que conheço é o presidente da Câmara de Mafra ( Esta foi boa, não foi? Mas não ponha isso na entrevista, senão ainda me mandam para Vancouver e agora deve estar lá um frio do caraças!)

Ok, Álvaro. Diga-me lá, então, qual é o seu número de circo preferido?
Adoro circo e há por aí quem diga que eu até poderia fazer de palhaço, mas são tantos os meus colegas de governo candidatos a ocupar o lugar, que resolvi não me meter nisso. Bem, mas também o que você quer é saber qual é o meu número de circo preferido e não as minhas capacidades para fazer parte dele, não é verdade?

Sabe ... eu gosto de números arriscados e foi por isso que deixei o meu pacato e ignorado lugar em Vancouver para regressar a Portugal e tomar conta das pastas de Economia, Emprego, Obras Públicas… ( não sei se falta alguma, é melhor perguntar ao senhor primeiro ministro, porque ele é que sabe dessas coisas) .
Andam para aí a dizer que sou “O elo mais fraco”, mas isso não me incomoda nada, porque já sei que os portugueses são muito invejosos.

Ah, é verdade, a sua pergunta… Dentro de alguns dias eu envio-lhe o relatório …

Não pode ser , porque precisa de fechar o jornal? Ó homem você não me faça isso! Com tanto desemprego que por aí anda, isso não é nada bom para o país. Quer que dê um telefonema ao Relvas para ver se ele dá uma ajuda? … Ahhhhhhhhhhhhhhh!!!!! Você tem é de fechar a edição de hoje do jornal, não é o jornal! Puxa, que alívio… Sabe , eu por vezes sou um bocadinho distraído e depois com tanto trabalho…. A propósito…qual era a sua pergunta?
- Qual é o número de circo que prefere , senhor ministro?
- Não sei, nunca tinha reparado que os circos tinham números. Você pergunta-me cada coisa…

- Não é isso senhor ministro... Prefere os palhaços, os cãezinhos amestrados, os trapezistas…
- Ah é isso? Você também podia ser mais claro nas perguntas, caramba! Olhe, como já disse aqui atrasado a um colega seu, adoro o Poço da Morte. Vai bem com a minha maneira de ser e estar na vida, você não acha?
Próxima entrevista : Paulo Portas

Balanço ( provisório) da greve geral

Os factos
Dezenas de escolas encerradas. Hospitais a funcionar com os serviços mínimos. Nos transportes, alguns autocarros a circular, mas quase vazios. São apenas alguns exemplos do que vi ontem em Lisboa.
Uma grande manifestação que decorreu de forma ordeira, até ao momento em que alguns desordeiros de encomenda, misturados entre os manifestantes, ultrapassaram os limites. Foi aí que me assustei. A reacção da polícia foi manifestamente desajustada em relação ao que se estava a passar e fiquei convencido que a polícia está manifestamente impreparada para lidar com situações mais violentas.
Fiquei petrificado quando ouvi Garcia Pereira afirmar ( garantindo que havia pessoas - incluindo jornalistas- que o poderiam testemunhar) que polícias à paisana desceram disfarçadamente a Av D. Carlos perseguindo manifestantes para depois os deterem. A ser verdade, a sensação que tive, em frente à AR de que estava a viver momentos que já não presenciava desde o tempo do salazarismo, ganha ainda cores mais negras. Vêm aí dias difíceis…

Os números
Só por má fé , cegueira, ou desfazamento total da realidade, se pode dizer que a Greve Geral não teve uma grande adesão. Ganha por isso foros de ridículo, ver o governo anunciar que a percentagem de grevistas foi de 3,6% ( corrigido às 18 horas para pouco mais de 10%).
Nada pior do que um governo autista, que nos quer fazer passar a todos por estúpidos. Mas ver o inefável Relvas na RTP, debitando uma cassette gasta e fugindo das perguntas que lhe foram colocadas por JRS, como diabo da cruz, demonstra que o governo se assustou com a adesão.
Continuará – não tenho dúvidas- a ser autista e a prosseguir uma política suicidária que conduzirá o país ao abismo. Continuará a acusar os sindicatos de irresponsabilidade, porque nenhuma daquelas cabecinhas percebeu que enquanto as manifs forem controladas pelos sindicatos, não haverá tumultos. (Salvo, claro está, se eles forem provocados por agentes infiltrados nas manifs com esse propósito já que só o governo tiraria dividendos, neste momento, se houvesse distúrbios.)
Indiferente aos protestos e às próprias agências de rating que, em dia de greve geral reconhecem a sua descrença quanto à eficácia das medidas que estão a ser adoptadas e, sem complacências, nos atiram inapelavelmente para o caixote do lixo, persiste teimosamente no erro.
Talvez a expressão assustada de Relvas tivesse também a ver com isso. Quando uma agência de rating chinesa prevê que a recessão em 2012 atinja os 3,5%, está-se a aproximar das perspectivas do governo que, prosseguindo a sua política de dar as más notícias às pinguinhas, se recusa a admiti-lo, colocando – por agora- a recessão nos 3% por uma questão estratégica. ( Lembre-se que apenas há um mês o governo garantia que a recessão em 2012 seria de 1,8%)
Lá para Junho virá admitir que as coisas não correram bem, a recessão se aproxima dos 4% e será necessário tomar medidas adicionais. Sem dar garantias aos portugueses de que sairemos da recessão com as medidas de austeridade que então serão anunciadas, Vítor Gaspar continuará a dizer que não há alternativa. Lá para final do ano, se as coisa não melhorarem Cavaco dirá basta e cumprirá finalmente o seu sonho: ser presidente de um governo de sua iniciativa, liderado por um PM da sua confiança, que cumprirá as suas directivas.
Não estou certo que os portugueses recebam com alívio essa decisão. O mais provável é que a luta endureça e comecemos a viver, em Portugal, aquilo que temos visto na Grécia através da televisão. Dentro de um ano saberemos.

Intermezzo

Interrompo a série das Bandas, só para homenagear com esta canção o senhor primeiro -ministro que hoje recuperou a frase " temos de dar um passo atrás para depois dar dois em frente"