quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Laranjas sem sumo

Que Alberto João Jardim torne a democracia parlamentar uma palhaçada, fazendo aprovar uma lei que permite a um deputado do PSD votar por 25, já não me espanta.
O que verdadeiramente me surpreende é que José Luís Arnault, ex- membro do governo de Durão Barroso e figura destacada do PSD, encontre argumentos para defender AJJ, na SIC Notícias.
Mas a falta de vergonha desta escumalha laranja deu hoje mais um exemplo de insanidade. Eu até admito que um atrasado mental venha comparar as medidas de austeridade impostas por este governo, com as medidas tomadas pelo governo do Bloco Central, chefiado por Mário Soares, em 1983.
Agora que seja o actual PM a dizê-lo, com o ar sério que sempre me lembra a prostituta que se proclamava virgem, é que me tira do sério!
Sendo inquestionável a sanidade mental do PM - o problema dele é ter má índole e muito ódio para destilar- falta-me saber se as suas afirmações resultaram de um mau conselho da sua assessoria de imprensa ou de uma iniciativa pessoal. Fico muito preocupado- pelos sintomas que revelaria- se a resposta estiver na segunda opção.

Sinais

No domingo, a preceder a homilia dominical, Marcelo Rebelo de Sousa entrevistou Fernando Santos, actual treinador da selecção grega.

Como se esperava, o retrato que ele traçou da Grécia, apesar de desfocado ( se o confrontar com as reportagens de Paulo Moura na "Pública") foi mais um bom contributo para que possamos ver como será Portugal dentro de um ano.

No entanto, houve um facto na entrevista que me deixou ainda mais abananado. Estava marcado um jogo de futebol particular entre a Grécia e a Roménia, que se devia ter realizado na Alemanha. No entanto, à última hora, os alemães proibiram que o jogo tivesse lugar no seu país.

Há cada vez mais sinais, de que ela está a rondar por aí...



Um sinal de esperança: exportações portuguesas disparam

Vários membros do governo têm apontado o aumento das exportações como solução para a crise. Pequenas, médias e grandes empresas esforçam-se por encontrar a porta de saída, mas esbarram com a falta de acesso ao crédito e a estagnação dos mercados de escoamento tradicionais, também eles em recessão ou com fraco crescimento.

Perante as dificuldades, Paulo Portas entrou em cena. Há que procurar novos mercados- pensou esquecendo a redundância “socrática”. E lá partiu rumo aos países outrora “dirigidos por ditadores” apregoando a excelência da produção nacional.

Num passe de mágica, apenas ao alcance de ilusionistas de alto gabarito, Chavez ou Eduardo dos Santos deixaram de ser ditadores ; Venezuela ou Angola passaram a ser democracias; o Magalhães passou de produto de contrafacção a exemplo da nossa capacidade inovadora. O milagre da multiplicação das exportações , porém, não se concretizou...

Do quarto dos fundos, ecoou então a voz de uma figura apagada. “Tenho uma ideia! Vamos exportar pessoas” Fascinado com a ideia de Mestre, Relvas aplaudiu e acrescentou “ Muito bem!”

Um canal de televisão segue a pista. Entrevista jovens dispostos a emigrar. Vai a uma feira de compra de talentos, organizada por vários países estrangeiros que se propõem recrutar médicos e enfermeiros portugueses. Desloca-se ao aeroporto . Há jovens que partem. Já não vão a salto como no tempo do Estado Novo. Vão de avião, legalizados, com o incentivo e alto patrocínio do governo português.

Ainda há poucos anos, no tempo em que era governado por um bandido suspeito de todos os crimes inscritos no rol do processo penal, à excepção de homicídio, Portugal investia fortemente na formação de talentos, em quem depositava a esperança de desenvolvimento do país. Agora, que o país é dirigido por gente séria, preocupada com os portugueses e o seu futuro, a vocação do governo é delapidar o investimento feito nas pessoas e exportá-las. Talvez veja neste novo segmento de mercado uma nova oportunidade.

Vítor Gaspar já estará até a fazer contas às remessas destes novos emigrantes. Tem sobre os joelhos um i-pad último modelo, como mostram as imagens da televisão. Evolução tecnológica notável, a deste ministro. Salazar colocava sobre os joelhos uma simples manta...

Uma jovem entrevistada pela televisão diz que não espera voltar a Portugal, porque aqui não tem futuro. Outra evolução. No tempo do Estado Novo eram os mancebos que emigravam , desiludidos e cansados da guerra. Não foi em vão que a democracia portuguesa pariu uma Comissão para a Cidadania e Igualdade do Género. Agora há oportunidades de emigração para todos.
Em frente ao televisor, uma mulher ainda jovem, licenciada em Biologia, a quem o desemprego bateu à porta há menos de um mês, porque o Estado deixou de financiar alguns projectos de investigação, exaspera-se quando ouve a notícia de que o governo vai agravar a taxa de IRS sobre …os subsídios de refeição! “ Estes gajos são uns ladrões!”- grita
O marido, que estava a ver o Benfica noutra sala mas ainda tinha na memória a reportagem sobre a emigração de jovens, alheou-se do jogo por momentos e respondeu-lhe:
Não são ladrões, não! São uma agência legalizada de tráfico de carne humana. Infelizmente, nunca serão julgados por nenhum Tribunal Penal Internacional. Em Haia só se preocupam com os ditadores que matam à força das balas. Aqueles que matam as pessoas, privando-as de uma vida digna e recusando-lhes o direito ao sonho, são aplaudidos como bons alunos e grandes democratas”.
Ela olhou-o fixamente e sugeriu:
“Vamos inscrever-nos? "




A crise quando nasce, não é para todos

O governo- prosseguindo certamente a sua política de ética social- roubou os subsídios aos funcionários públicos, mas teve o especial cuidado de garantir que algum pessoal dos gabinetes manteria essa "regalia", porque é preciso alimentar as lambideiras do regime.

No entanto, o despudor vai mais longe. Num acto de hipocrisia inqualificável, que nem a Salazar teria lembrado, o governo publicou uma "ordem de serviço" no DR impedindo o pagamento de horas extraordinárias ao pessoal dos gabinetes.

Acontece que aquilo que pode parecer aos olhos do cidadão comum ( e de alguns jornalistas- admito que bem intencionados mas desconhecedores da realidade e com preguiça para investigar) uma medida de contenção orçamental, é mais uma medida despesista, destinada a satisfazer a clientela laranja.

Na verdade, o que se passa é que os membros dos gabinetes deixam de receber horas extraordinárias, mas vêem o seu salário aumentado, mediante a atribuição de um subsídio extra, por isenção de horário. Ou seja, quer façam horas extraordinárias, ou não, recebem todos o mesmo. (Os únicos prejudicados com esta medida serão os motoristas, mas isso agora não vem à colação ).

Como alguns leitores saberão, porque já aqui o escrevi, fiz em tempos parte do gabinete de um ministro. NUNCA recebi um tostão ( na altura a moeda era o escudo) de horas extraordinárias, apesar de trabalhar habitualmente 12 horas por dia e quase sempre ao fim de semana. Nunca tive cartão de crédito, nem despesas de representação. A única "mordomia" que usufruía era um subsídio mexeruca para despesas com telefone que nem sequer fixo, pois era pago mediante factura.

Pois, foi noutros tempos, em que os governos eram constituídos por gente que não fazia demagogias bacocas, nem roubava aos funcionários públicos, para amamentar as lambideiras e o pessoal recrutado para os gabinetes aceitava os lugares com espírito de missão.

Acordem, senhores jornalistas! Em vez de serem reprodutores de demagogias propagandeadas em conferências de imprensa, ou leitores passivos do Diário da República, investiguem, para não serem comidos por lorpas!

Grandes Bandas (43)


Quantas guitarras o Victor partiu em palco, não vos sei dizer, mas que foi o percursor das bandas rock em Portugal, não tenho dúvida. Fiquem com esta animação dos idos de 60, quando eu ainda mal sabia o que era o rock