terça-feira, 22 de novembro de 2011

O Radar

Carlos Costa, governador do Banco de Portugal, quer que Vítor Gaspar tenha "um radar mais abrangente" No entanto, é um radar original. Em vez de controlar o limite de velocidade, deve dar-lhe permissão para a celerar a fundo. Foi um radar deste género que ofereceram a Salazar, com os resultados sobejamente conhecidos...

A morte lenta da RTP

Alguns leitores insurgiram-se contra a crueza que revelei neste post. Fiz um exercício de ficção e não esperava ter, tão depressa, razões para voltar escrever sobre ele. No entanto, o inefável Relvas veio dar-me uma ajuda ao anunciar ontem, com aquele ar de padrinho dos pobres, o fim da publicidade na RTP.


Traduzida por miúdos a medida- aconselhada no relatório daquele grupo de idiotas- condena a RTP à morte lenta. Alguém me explica como é que a RTP poderá sobreviver, sendo integralmente subsidiada pelos contribuintes? Não tardarão a levantar-se vozes contra o sorvedouro - que mais tarde ou mais cedo se traduzirá em mais uma taxa de televisão a aplicar aos portugueses- e, quando a crise der os primeiros sinais de poder amainar e saltarem , gulosos, grupos interessados na exploração de mais um canal televisivo, o governo anunciará com aquele ar de Madalena arrependida que, para não sobrecarregar os portugueses com mais impostos, a RTP será privatizada. Morrerá após prolongada agonia.

Fica por saber quem irá rechear as suas contas bancárias com estas privatizações a conta gotas, mas não me custa nada acreditar que o loteamento do sector já esteja feito e os contemplados previamente escolhidos. Há por aí gente habituada a agilizar processos de cambalachos e a abrir portas para negócios chorudos. Os porteiros estão sempre à espera de receber uma gorjeta.

Notícias da Primavera árabe

Lembram-se da euforia com a Primavera árabe? Aquilo agora é que está mesmo bom, como se pode concluir das notícias que nos vão chegando. Os protestos e tumultos nas ruas e praças aumentam cada dia, continua a morrer gente na Praça Tahrir, na Líbia e na Tunísia é o que já se sabe, mas os eufóricos agora andam caladinhos que nem ratos. Estes mortos já não contam e a falta de liberdade de expressão deixou de os preocupar desde o momento em que franquearam a porta do gabinete do Relvas.

Café Central

Poucas devem ser as povoações portuguesas que não tenham um Café Central. Na literatura, o Café Central também está representado na belíssima trilogia de Álvaro Guerra, a par do Café República e do Café 25 de Abril.Há tempos, a RTP 2 começou a exibir uma série humorística, animada, com o mesmo nome.

Vi , ocasionalmente, meia dúzia de episódios e aceito sem rebuço que a maioria das pessoas não ache piada nenhuma àquilo. Na mentalidade urbana dominante, aquelas personagens não encaixam. Para mim, que percorro mensalmente milhares de quilómetros pelo país e , não raras vezes, combato a solidão nocturna- ou a insónia- com dois dedos de conversa entre uma bica e um copo no Café Central de ocasião, o ambiente retratado na série – descontados os exageros da carga humorística- não é tão descabido assim. Aquelas personagens existem mesmo .

Não serão tão vincadas como as pintadas no Café Central televisivo, mas a série é humorística - pel menos esforça-se- o que justifica algumas pinceladas mais abrasivas e contundentes, realçando os perfis das personagens.

Quem não entendeu assim foi um grupo de mulheres e entidades que apresentaram queixa à ERC (Entidade Reguladora para a Comunicação Social). As queixosas insurgem-se contra a forma como é retratada Gina, uma prostituta de sotaque brasileiro que frequenta o Café Central. Na opinião delas, a personagem denigre a mulher brasileira.

Das duas uma:ou sou muito inteligente, ou tive sorte na meia dúzia de episódios que vi ( são - ou eram?- emitidos diariamente dois episódios, por volta da meia noite). É que percebi logo que a Gina não é brasileira. É uma portuguesa que compõe a sua imagem com sotaque e expressões aprendidas nas telenovelas de que é consumidora compulsiva, a que juntou a profissão imaginária de psicóloga. Se é verdade que a linguagem por vezes roça a brejeirice, não é no entanto ofensiva. Se é verdade que raras vezes me fez esboçar um sorriso, também não me pareça que fira a sensibilidade e dignidade de alguém.


Como disse Jorge Wemans- director da RTP 2 – ao DN, “ O Café Central é um comentário sobre a actualidade nacional e internacional, a partir de um lugar de má fama , não de um salão de beleza. Neste sentido, a construção das personagens parte de uma certa marginalidade e não da normalidade”.

Eu acrescentaria que muitos dos mais de 100 mil espectadores que vêem a série, nunca teriam conhecimento de muitas notícias exibidas no televisor do Café Central ( e depois comentadas pelos intervenientes: um conde, um taxista, um betinho de esquerda , um bêbado, o dono do Café e a já referida Gina), se a série não existisse.

Confesso a minha estupefacção ao constatar neste país que vive a noite inteira centrado em telenovelas, reage com um encolher de ombros ou grande entusiasmo a realitty shows como A Casa dos segredos, Big Brother e quejandos, a existência de um grupo de Mães de Bragança do televisor brandindo o Corão das boas práticas contra uma série humorística. Por coerência, estas senhoras deviam pedir a proibição das páginas de RELAX do DN onde por baixo de fotografias de corpos curvilíneos, prostitutas ( brasileiras, portuguesas, cubanas, espanholas italianas e sei lá mais o quê) enaltecem os seus predicados na tentativa de atrair clientes, com um receituário de serviços que- esses sim- por vezes me fazem abrir a boca de espanto .
Nesses anúncios, minha senhoras, não há humor. Nem amor. Há miséria física,material e humana que vos devia preocupar bem mais, do que uma boneca animada de curvas voluptuosas e decote generoso, cujo único pecado é esforçar-se por provocar alguns sorrisos num povo triste e cinzentão que medra entre medidas de austeridade .

Caiam na real, minhas senhoras! Deixem em paz o Café Central e deixem de ser ridículas. Para ridículo, já chega este governo que nos caiu em (des)graça por vossa obra e graça, com ou sem o voto do Espírito Santo.

Natal entre amigos


Alberto João Jardim vai gastar três milhões de euros em festejos de Natal.
Eu sei que a época de Natal e Ano Novo é um cartaz turístico da Madeira mas, em época de crise, agravada pelos desmandos do soba madeirense ( e dos madeirenses, é bom dizê-lo- para que não sobrem dúvidas um dia destes vou contar aqui uma história ilustrativa sobre os "coitadinhos" dos madeirenses) que todos os portugueses estão a pagar, deveria haver alguma contenção.
Além disso devia haver decoro e isso AJJ manifestou mais uma vez não saber o que é. Depois de abrir um concurso público para os festejos, o líder madeirense anulou-o e entregou a empreitada a um amigalhaço, ex-deputado do PSD.
Excelentes exemplos em tempo de crise! Jardim gasta, o governo amoucha e pede aos portugueses do "contenente" que façam sacrifícios enquanto na Madeira se gasta à tripa forra e se continua a agir à revelia das mais elementares regras da transparência nos gastos dinheiros públcos.

Conclusão: não há crise que chegue à Madeira, nem ninguém capaz de impor alguma decência na transparência das contas públicas. O tuga idiota paga e, na impossibilidade de ir para a República Dominicana, Riviera Maya ou Brasil, enche aviões para festejar a chegada do Ano Novo na terra de quem o anda a chular há décadas. Cubanos e estúpidos. Chiça!

Grandes Bandas (42)


Pois! Como ele diz, é a vida