quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Diz-se, por aí...

Duarte Lima telefonou a Frau Merkel a convidá-la para o acompanhar numa visita a Maricá. Segundo consta, o objectivo do ex-líder parlamentar do PSD era convencer a senhora a salvar o€

Merkel recusou o convite. A minha fonte não esclareceu se Duarte Lima pretendia salvar a moeda europeia, ou os € da sua conta bancária, enriquecida com a generosidade de Rosalina Ribeiro e do BPN.

Tásse bem em Buenos Aires. E por aí?

Estive sem saber notícias de Portugal durante 19 horas.
Esta manhã, ao acordar, li que a "troika" respondeu ao pedido de Cavaco e do PS para que haja mais equidade social, recomendando a redução dos salários também no sector privado;

Diogo Infante disse que não tinha dinheiro para manter a funcionar o D. Maria II e o secretário de Estado do Trotsky de Massamá demitiu-o;

Pedro Passos Coelho foi a Angola pedir aos empresários para participarem no leilão das privatizações, porque não quer ficar demasiado dependente do Brasil;

Depois de o governo anunciar que as autarquias poderiam contratar mais funcionários, a troika quer o despedimento de 3% dos trabalhadores autárquicos;

Governo admite rescisões amigáveis na função pública. (Conhecendo o apreço deste governo pelos funcionários públicos presumo que amigável seja pagar 6 meses de ordenado e dizer passem bem, se tiverem reclamações, queixem-se à troika);

Enquanto corta no pessoal, nas verbas para a saúde, educação e segurança social, o governo mostra os bícepes, faz músculo e reforça a verba para contratação de polícias;

António Borges, dilecto de Cavaco e Ferreira Leite, demite-se inesperadamente do FMI alegando questões do foro pessoal. Terá comprado um bilhete de avião para Lisboa?

Cheira-me a esturro... a Laura terá deixado queimar as medialunas?

Duarte Lima foi detido por causa de qualquer coisa relacionada com o BPN (não sei se a esta hora já estará de novo em liberdade por razões de saúde) um caso de que já me tinha esquecido.

Como não li nada sobre o assunto,presumo que Isaltino continue a fazer despachos no seu gabinete da Câmara de Oeiras.

Apuro o ouvido. Ainda não oiço tiros na Plaza de Mayo, nem manifestações na 9 de Julio, mas Menem continua a afirmar na Rádio e Televisão Nacional que o governo está confiante e os argentinos podem estar tranquilos, porque o peso é uma moeda forte.

Uns senhores do FMI aterram em Ezeiza, anunciando que têm a cura para a Argentina voltar a ser um país próspero. O peso deve deixar a paridade com o dólar e ser desvalorizado em 75%.

Os argentinos começam a agitar-se. Há quem ensaie uma espera à porta do Hotel onde os corvos estão hospedados. Grupos organizados começam a assaltar supermercados e outros estabelecimentos. Formam-se gigantescas filas às portas dos bancos, as pessoas querem salvaguardar os seus depósitos. Há tumultos esparsos, manifs espontâneas em frente à Casa Rosada- sede do governo. Menem está em parte incerta.

Vou à janela. Afinal não estou em Buenos Aires em Dezembro de 2001. Estou em Lisboa, em Novembro de 2011, mas da janela do meu quarto vejo o António Borges a desembarcar na Portela. Traz uma pasta debaixo do braço. Presumo que seja um dossiê sobre o "corralito".

António Borges é amigo de Cavaco, tal como Duarte Lima, que é ex-protegido de Ângelo Correia, por sua vez padrinho político de Passos Coelho.

Nos últimos dias Cavaco deixou de criticar a falta de equidade do OE, Borges regressa a Lisboa, no dia em que Duarte Lima é preso e Passos Coelho entronizado pela troika, como agradecimento pelos bons serviços prestados. Em Belém não gostaram. Como o povo é sereno, abrem-se os aspersores de Belém para regar o laranjal.

Olho para uma foto que tenho em cima da mesa de trabalho. É de Palermo. Não o bairro de Borges em Buenos Aires, mas sim a capital da Sicília. Continuo em Lisboa, no rescaldo da noite das facas longas. Acordei da sesta com fome.

Vou comer medialunas com um mate. São servidos?








A máquina de fazer jornalistas

Leio na “Pública” que um novo software, criado pela empresa Bettery Ventures, é capaz de escrever notícias com mais rigor e rapidez do que um jornalista.


Em função da minha provecta idade, a máquina não me assusta (salvo se vier roubar-me a reforma …) em matéria de actividade profissional , mas pode ser uma forte concorrente para alguns jovens e semi-jovens jornalistas autómatos que andam pelas redacções a escrever notícias encomendadas.


Pode ser que a máquina até substitua com vantagem o jornalista pois, além de não discutir o acordo ortográfico e respeitar as regras gramaticais, também não reclama salário, dias de férias, nem dias de folga extra por trabalho durante o fim de semana e, cereja no topo do bolo, não mete atestados médicos nem licença de parto.


Vejo ainda outra vantagem . Imagino alguém, no CM, a fornecer os dados à máquina sobre Sócrates, tendo como base as escutas do processo Face Oculta ou as investigações da Guedes no caso Freeport e a máquina a mandar o tipo dar uma volta, alegando que os dados introduzidos são falsos.


Há, porém, uma outra característica nesta máquina que me preocupa. De acordo com Kris Hammond, director técnico da Narrative Science e professor de Computação e Jornalismo, o desenvolvimento da inteligência artificial desta máquina permitir-lhe-á, dentro de cinco anos, escrever um livro vencedor do prémio Pullitzer. Ora, a confirmar-se esta expectativa, não me espantará nada que o arquitecto Saraiva, director do Sol, cumpra finalmente o seu objectivo/promessa de vencer um Premio Nobel. Poderá sempre dizer que foi ele que escreveu, porque a máquina nunca irá reclamar o prémio. Pelo menos, para já…

Dividir para reinar

Este é, provavelmente, o governo mais incompetente de que tenho memória, mas numa coisa mostra ser mestre. Ao penalizar os funcionários públicos recebeu fortes ovações dos trabalhadores do sector privado. Ao roubar os reformados, puniu quem não tem já meios nem forças para lutar pela defesa dos seus direitos. O lema deste governo é "dividir para reinar". O lema dos fracos que assim escondem as suas fraquezas. Tenho no entanto a sensação que em breve os trabalhadores do privado vão provar do mesmo fel e lá para meados de 2013, PPC e sus muchachos vão ter uma grande surpresa. Não estou certo que o padrinho Ângelo volte a entregar os negócios do lixo a Coelho...

Grandes Bandas (38)



Estes tempos têm a vantagem de me obrigar a ir ao baú desenterrar canções que retratam, na perfeição o país actual. Fiquem com a Banda do Casaco e façam uma boa viagem por Portugal