segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Zelig em S. Bento

Demolidor o artigo de Viriato Soromenho Marques no DN. ( leia aqui)

Não sei se haverá por aí uma misericordiosa Eudora Fletcher capaz de despertar Passos Coelho para a realidade, em vez de se apaixonar por ele. Espero é que o homem não enlouqueça definitivamente.

Arte com sentido crítico (3)



Procuro parceira para fazer um filho

"Às vossas camas, portuguesas e portugueses!"- proclamou hoje o ministro Álvaro na AR.

Ele não o disse abertamente, mas ao garantir que "os portugueses com filhos terão prioridade no regresso ao trabalho", insinuou que casais sem filhos devem rapidamente dedicar-se à procriação, para garantir um emprego.

É óbvio que, mais uma vez, o ministro Álvaro não explicou como irá concretizar esta medida inovadora, mas teme-se o pior.

Talvez esteja a pensar impôr essa regra às empresas que recrutem pessoal ou, quiçá, convença o ministro Gaspar e o novo caniche da Merkel a demitirem os funcionários públicos celibatários ou sem filhos, e recrutarem homens e mulheres com certificado de p(m)aternidade.

Seja como for é mais uma ideia de uma mente brilhante!

Sem legitimade.Ponto final

Este governo, eleito há apenas cinco meses, já perdeu toda a legitimidade democrática conquistada através do sufrágio popular. Perdeu-a por várias razões:

1) Em poucas semanas tomou inúmeras decisões que prometeu, durante a campanha eleitoral nunca vira a aplicar, como é o caso do corte dos subsídios de Natal e de férias, o desmantelamento do SNS e do estado social, o aniquilamento da escola pública ou o aumento dos impostos.

2) Viola sistematicamente a Constituição que jurou respeitar, aplicando medidas para as quais não foi mandatado pelo voto dos eleitores.

3) Não defende os interesses de Portugal mas sim da Alemanha, traindo os portugueses em função dos interesses pessoais dos seus membros.

Conclui-se, pois, que a legitimidade democrática deste governo é igual à do governo de Papademos, na Grécia, ou de Mário Monti em Itália. O mandato conferido a este governo por uma significativa percentagem dos portugueses não lhe permite delapidar o estado social, roubar os reformados e os funcionários públicos, nem vender ao desbarato as empresas que são de todos os portugueses. O que este governo está a fazer chama-se, simplesmente, usurpação de poder.

Poderia argumentar-se que este governo está a actuar em defesa do interesse nacional. Não é verdade. Pedro Passos Coelho afirmou repetidamente que as medidas que vai tomando ultrapassam as exigências da troika e visam agradar aos mercados. O ministro Gaspar já reconheceu, por outro lado, que as medidas repressivas adoptadas pelo governo poderão não ser suficientes para os satisfazer.

Qualquer consumidor sabe que, quando compra um produto ou contrata um serviço, tem direito à sua devolução se o produto ou serviço não tiver as características e funções publicitadas. Ora este governo só foi “comprado” pelos portugueses, porque publicitou características e qualidades que obviamente não tem. Alguém acredita que se durante a campanha eleitoral PPC tivesse dito que ia acabar com o ensino público, desmantelar o estado social e o SNS, roubar salários ou obrigar trabalhadores a trabalhar à borla meia hora por dia, alguém no seu perfeito juízo iria votar no PSD e no CDS?

Ora como os portugueses não podem pedir a devolução do seu voto, a única forma de garantir a reposição dos seus direitos é exigir ao PR uma de duas coisas:
- O veto do Orçamento de Estado para 2012, por violar a Constituição em várias matérias
ou

- A demissão imediata do governo, pelas mesmas razões.

Creio ser isto que os militares vão lembrar a Cavaco no dia 30 de Novembro, durante a vigília em Belém. Se o PR – e comandante supremo das forças armadas- não tomar nenhuma das duas atitudes, violando também ele a Constituição que jurou defender, então a única solução será a que qualquer consumidor consciente dos seus direitos faria no caso de ser enganado por um vendedor.
Como se podia ler num cartaz durante a manifestação dos “indignados”, em Outubro:
“Quando não tiveres nada a perder, o que serás capaz de fazer?”

É nesta frase que Cavaco deve pensar, durante a vigília de 30 de Novembro, data em que será também aprovado na AR o OE 2012, um golpe constitucional com que ele não pode pactuar, sob pena de ser conivente.

Sem legitimidade democrática (1)

Há dias manifestei a minha preocupação pelo facto de alguns governos europeus estarem a ser derrubados pelos mercados.
Por isso não exultei com a queda de Papandreou, e fiquei preocupado com as manifestações de júbilo dos italianos, após a demissão de Berlusconni.
Registo, com satisfação, que algumas vozes na blogosfera manifestam os mesmos receios. Só não compreendo que uma dessas vozes se manifeste preocupado com a democracia, mas não hesite em integrar o staff de um governo que já perdeu toda a legitimidade democrática, como tentarei explicar num próximo post.

Grandes Bandas (38)

Não há meio termo para os Enigma. Ou se gosta, ou se detesta. Eu pertenço ao primeiro grupo. E vocês?