quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Na mouche

Um país prisioneiro da corrupção

Arte com sentido crítico (1)



Recebi por mail um conjunto de "peças de arte" que obrigam a reflectir e não quero deixar de partilhar convosco. A partir de hoje, publicarei uma por dia. Sem palavras, mas aguardando os vossos comentários.

Este Rio não corre para o mar


Numa entrevista ontem à noite na RTP Informação, Rui Rio defendeu maior equidade no OE. Criticou os cortes dos subsídios de férias e de Natal dos funcionários, propondo uma taxa extra do IRS para todos os portugueses, no intuito de prosseguir uma política de equidade social.

Aproximando-se das críticas feitas por Cavaco, pelo PS e muitas outras personalidades, o presidente da câmara do Porto disse que está a ser criticado dentro do seu partido e apoiado fora dele.

A insistência de Rui Rio em colocar-se ao lado de Cavaco nesta matéria pode ter esta interpretação mas não terá outro efeito senão angariar a simpatia dos funcionários públicos caso Rui Rio se fique pelas palavras.

Para ser consequente na defesa da sua opinião, Rui Rio deveria propor publicamente ao PR que submetesse a questão ao Tribunal Constitucional. Não o fez. Este Rio move-se em círculos e não corre para o mar.

A tartaruga redentora

Bárbara e Arnaldo são empregados de escritório. Conheceram-se por aí, casaram e foram viver em duas assoalhadas no Lumiar.Entraram há pouco nos 30, outros amores surgiram pelo caminho e decidiram separar-se.

Sem filhos para dividir, ou sujeitar às regras do fim de semana sim fim de semana não, Natais e férias em anos alternados, a tarefa de repartição do espólio acumulado durante o tempo em que os corpos se atraíam mutuamente, decorreu sem grande rebuliço. Tudo teria corrido pelo melhor não fosse uma tartaruga, património do casal adquirido em comum.

Indiferente aos arrufos do casal, a tartaruga piscinava languidamente num aquário de acrílico.A vida parecia correr-lhe bem, mas as desvios amorosos de Bárbara e Arnaldo acabariam por lhe traçar o futuro. Nenhum deles queria ficar com o encargo do animal, mas não chegavam a acordo quanto à forma como se deviam desfazer dele.

Tudo parecia bem encaminhado para uma resolução a contento de todas as partes quando, depois de tentativas frustradas de venda do animal, através da Internet, ficou acordado entre ambos que a tartaruga seria depositada no lago do Campo Grande.

Novo desentendimento surgiria, no entanto, na hora de decidir quem seria o incumbente da tarefa. Na impossibilidade de resolverem o impasse, entra em cena a mãe de Arnaldo , professora de piano casada em segundas núpcias com um polícia ainda jovem, depois de se ter divorciado por procuração de um diplomata. Na partilha, recebera um pecúlio abastado de que constavam um andar na Avenida de Roma e uma casa em Lagoa Moura, localidade a escassos quilómetros de Lisboa.

Será pois, em Lagoa Moura, que a tartaruga irá passar o resto dos seus dias, por acordo mútuo entre Bárbara e Arnaldo. Vítima da cobiça um milhafre, a tartaruga ficará reduzida a uma carcaça coberta de formigas, enquanto um bêbado se afoga nas águas da Lagoa Moura. E é na visão destes dois cadáveres que Bárbara e Arnaldo reencontram o amor, qual Fénix Renascida.
Esta é, em resumo, a história de “A Arte de Morrer Longe” , o livro de Mário de Carvalho que desde 2010 estava na lista de espera que se amontoa em cima da minha secretária.

Mais do que uma história envolvendo duas personagens e uma tartaruga, “A Arte de Morrer Longe” é o retrato fiel da classe média urbana movida a cunha e empenhos, acoitada no protesto sibilino e na arte de denegrir, onde não falta o espírito manhoso, o alijar de responsabilidades, a resignação e a eterna preocupação em evitar chatices.

Bem humorado, sarcástico, Mário de Carvalho pincela com palavras de tonalidades bem medidas, a tela urbana de Lisboa e seus subúrbios onde se move uma mole imensa de formigas, ansiosa por desfrutar a carcaça de uma tartaruga, cujo único pecado foi ter acreditado que a sua vida seguia tranquila enquanto piscinava num aquário de acrílico.




Ó Relvas, ó Relvas

O ministro da propaganda e afins gosta imenso de criar grupos de trabalho que confirmem aquilo que o governo pretende fazer. Há quem se preste a fazer o favor, pois sempre recebe umas massas extra. No caso do grupo escolhido para definir serviço público, parece que as coisas estavam a correr mal e alguém o deve ter avisado. Vai daí, Relvas começou a mandar uns bitaites sobre o seu conceito de serviço público, quiçá na tentativa de pressionar alguns "dissidentes".

I Pagliacci



Grandes Bandas (32)

É mesmo urgente que alguma coisa mude para melhor...