quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Conversas com o Papalagui (62)

-Ouvi dizer que havia há anos na Europa um Muro da Vergonha. O que era isso?
-Era um muro que dividia Berlim ao meio e separava a Europa Ocidental da Europa de Leste.

- Ah! E porque é que lhe chamavam assim?

- Então não achas que era uma vegonha ter a Europa dividida por um muro que separava os "maus" e os "bons", Papalagui?

- És capaz de ter razão... mas explica-me uma coisa. Como é que vocês chamam ao muro que Israel construiu para isolar a faixa de Gaza?
- Bem...

- Não percas tempo, tuga, eu digo-te. Chama-se prisão e está a condenar à morte milhares de palestinianos perante a vossa indiferença. Afinal vocês, europeus, são uns hipócritas!


Adenda: Assinalam-se hoje 22 anos sobre a queda do muro de Berlim. Ainda existem muitos outros muros por derrubar e outros foram entretanto construídos Remeto-vos para o que escrevi a propósito dos 20 anos das "comemorações" Ali explico as razões porque chegámos a este estado, depois de tanta euforia.

Pronúncia do Norte (35)

Desculpem lá, mas está a chover à brava e não me apetece sair daqui para ir buscar um orelhas. Sabem-me dizer se ( e onde) posso encomendar um pela Internet?


Ah...não sabem o que é um ORELHAS? Então podem ver aqui...



The final countdown


Com os juros da Itália a subir acima dos 7% consumou-se a vitória dos mercados sobre a democracia europeia . Era um fim anunciado, porque a doença da Europa estava diagnosticada há muito, mas os médicos que a poderiam salvar recusaram-se sistematicamente a dar-lhe os medicamentos necessários para debelar a doença. Por medo e por incompetência.

Ofuscados pelo poder do dinheiro, obcecados pela fortaleza do euro, os líderes europeus que desgraçadamente nos governam esqueceram os seus países e os seus povos. Merkel e Sarkozy pensavam ser intocáveis e nunca admitiram que os seus países pudessem ser contagiados. A realidade mostra, agora, como estavam enganados. A senhora Merkel até pode desejar que a Europa cante em uníssono “Deutschland über alles”, mas o concerto custará muito caro em património e vidas humanas.

À beira do extertor, a Europa lança uma súplica a Mario Draghi, para que se esteja nas tintas para o Deutsche Bank e faça o que lhe é exigido. Mas terá o presidente do BCE coragem de ligar a máquina e lançar moeda nos mercados, provocando uma desvalorização do euro?

Fado em ritmo de tango




O Fado apresentou a sua candidatura a Património Imaterial da Humanidade. Não tenho visto grande entusiasmo por aí e a publicidade tem-se reduzido praticamente a entrevistas de Carlos do Carmo nas rádios e televisões.

Lembrei-me, a propósito deste quase silêncio em torno da candidatura, do que se passou na Argentina quando, em tempos da crise do “Corralito”, o tango voltou a ser assumido pelos argentinos como património nacional. Quando foi apresentada a candidatura do tango a Património Imaterial da Humanidade, o tango renasceu por toda a Argentina, desde Ushuaia a La Quiaca. Em Buenos Aires, de San Telmo a Puerto Madero, de Palermo a La Recoleta, não havia restaurante, café ou boteco, que não anunciasse noites tangueras onde o tango era cantado, dançado e sentido com a vibração de outros tempos. Os teatros também aderiram, levando à cena espectáculos evocativos da História do tango.

Por cá tem sido bem diferente, apesar de os tempos também serem de crise. Talvez porque o Fado não tenha a mesma expressão nacional do tango e ser ainda considerado um produto de Lisboa, com características regionais. Mesmo a nível internacional o Fado não se impôs como o tango.

Chegado à Europa em 1911, deixou os franceses de imediato em êxtase. Enquanto os moralistas defendiam a sua proibição, o Papa considerava o tango uma dança imoral e o próprio Kaiser proibia os oficiais de o dançarem, os estilistas europeus concebiam as suas colecções de moda com características associadas à dança maldita. O tango impôs-se como movimento transgressor, animando os salões de sociedades recreativas e os bailes de alguma alta sociedade francesas.

O Fado tem alguns pontos em comum com o Tango, no concernente às origens, mas daí em diante é mais o que os separa do que os une. Enquanto o tango foi silenciado pela ditadura argentina, o fado foi utilizado pelo Estado Novo como instrumento de propaganda. Por outro lado, enquanto o tango tem uma história ligada à rebeldia, o fado está mais conotado com uma atitude conformista. Lá por fora é apenas ouvido como um género musical muito ligado à forma de ser e sentir dos portugueses.

É muito provável que o fado – apesar da indiferença da secretaria de estado da cultura- venha a ser (merecidamente) declarado Património Imaterial da Humanidade, mas fica por saber até que ponto saberemos aproveitar essa distinção.

Sinais

Começo a ficar muito preocupado com o facto de os governos dos países em dificuldades estarem a ser derrubados pelos mercados, com a conivência da dupla franco-alemã, e não pelos seus povos. Já não é só um sinal de doença da democracia, é a sua morte.

A liderança europeia está a conduzir-nos por um caminho perigoso até um beco sem saída. Forçar a passagem, por já não haver recuo, poderá ter um preço muito elevado para o mundo inteiro.
Há cada vez mais sinais disso
Em tempo: imperdível, a crónica de Ferreira Fernandes no DN de hoje

Não é irresponsabilidade, é afronta!

Depois de um período de recolhimento, Alberto João Jardim voltou ao activo. No dia da tomada de posse do governo regional da Madeira, decretou tolerância de ponto na parte da tarde. Não é irresponsabilidade, é afronta, mas Passos Coelho come e cala, incapaz de o meter na ordem. O PM faz-me lembrar aqueles tipos que batem na mulher mas, quando lhe aparece um homem pela frente, mete o rabinho entre as pernas.

Grandes Bandas (31)

Será mesmo longe demais? Talvez valha a pena tentar...