quinta-feira, 3 de novembro de 2011

A minha noite com Penélope Cruz


Cientistas alemães fizeram uma experiência e concluíram que as sensações que temos durante os sonhos são muito semelhantes às sensações reais. Um aperto de mão, por exemplo, sonhado ou vivido, provoca estímulos e reacções idênticas no cérebro.

Ora, sendo eu dotado de características que me permitem ter capacidade para provocar sonhos e ter a consciência de que estou a sonhar - os cientistas chamam-me “sonhador lúcido”- esta noite decidi ir para a cama com a Penélope Cruz.

Não, não pensem que amanhã venho aqui revelar o que se passou!!! Este post é só para os leitores que partilham comigo uma enorme, digamos… admiração (?) por Penélope Cruz se roerem de inveja. Vejam só como ela já está a preparar-se ( mas não fui eu quem tirou a fotografia...)

CR sub 30- Da Internet ao ardina

Hoje em dia, o acesso à informação está à distância de um clique. Num único site, podemos encontrar a informação de jornais de todo o mundo. Os canais de televisão inundam-nos de informação. Há publicações especializadas para nichos de mercado. A blogosfera e as redes sociais são veículos privilegiados onde podemos debater, em tempo real, o que se vai passando no mundo ou no nosso restrito círculo de amigos.


Apesar de tanta informação, disponível à distância de um clique, hoje temos de ser muito mais selectivos do que há 40 anos. Por um lado, porque temos de escolher mais criteriosamente a informação que nos interessa, por outro porque temos de estar mais atentos aos detentores dos órgãos de comunicação social que, cada vez mais, os utilizam de acordo com interesses políticos e económico.


Precisamos de saber ler nas entrelinhas, como no tempo da censura. Não porque haja falta de liberdade de expressão, mas porque a informação generalista é cada vez mais standardizada e liofilizada, defende mais os interesses dos patrões do que o dos leitores.


Em matéria de política internacional, as notícias são-nos “vendidas” com dois critérios: sensacionalismo que explora a morbidez e voyeurismo dos leitores e perspectiva dos acontecimentos mundiais moldada na visão do munod ocidental onde mora o bem. O mal está sempre para lá do Equador, ou no Extremo Oriente, figurantes menores de um mundo global, dominado pelo Ocidente. Por enquanto…




Há 40 anos era bastante diferente.





O ardina, com a sua inseparável sacola





A imprensa escrita era dominante e comprar um jornal um hábito diário. Mesmo em Portugal, onde havia censura, as pessoas não dispensavam pelo menos um jornal diário e habituaram-se a ler nas entrelinhas, aquilo que a Censura cortava, mas o jornalista tinha arte para ludibriar.


No Porto e em Lisboa, compravam-se pelo menos dois, pois havia jornais vespertinos, que saíam à rua depois das cinco da tarde. O Diário do Norte era o vespertino do Porto e arredores, mas em Lisboa havia sempre três opções: Capital, Diário de Lisboa e Diário Popular.


Os jornais eram também entretenimento e, naquela época, funcionavam como uma espécie de rede social. Quantos namoros não começaram à custa das palavras cruzadas que se faziam em conjunto? Na Grãfina e na Suprema, em Lisboa, se começaram a desenhar alguns casamentos, enquanto ela perguntava " o que é suíno com duas letras" e o, enlevado, respondia " sou eu"…


Muitas crianças ( entre as quais me incluo) aprenderam a ler nas páginas dos jornais. Nesse tempo, o ardina era a Internet a que tínhamos acesso. Pela manhã distribuía os jornais pelas casas dos fregueses. Bem cedinho, para que pudessem dar uma primeira leitura ao pequeno almoço, antes de irem trabalhar. Os ardinas eram verdadeiros artistas na arte do arremesso. Da rua, conseguiam fazer aterrar um jornal na varanda de um sétimo andar ( naquela época as marquises ainda não faziam parte da estética urbana) com uma precisão que me deixava fascinado.


Cumprida a tarefa da distribuição, vinham para a rua anunciar os jornais entoando pregões. Um deles ficou bem célebre. “ Lisboa, Capital, República, Popular” gritavam alguns ardinas pelas ruas de Lisboa, ao final da tarde, utilizando o nome dos três vespertinos e do jornal República (que, se a memória não me atraiçoa, saía ao final da manhã) num acinte divertido ao Estado Novo.


O ardina era uma figura indissociável dos jornais e o seu melhor promotor. Em cada dia, sabia destacar os melhores títulos para aguçar o apetite de quem passava. Principalmente ao final da tarde quando, de regresso a casa, muita gente era atraída pelos pregões apelativos.
Depois vieram os quiosques e os ardinas começaram a desaparecer das ruas das grandes cidades. Com eles se perdeu uma parte da história de Lisboa e Porto. Bem merecida a estátua com que alguém decidiu perpetuá-lo na nossa memória. Quem sabe onde é que ela está?




Estátua do ardina

É favor não confundir...

O problema europeu não é apenas falta de liderança, senhor Sarkozy. Não foi o senhor que ofereceu o caniche Durão como presente à Merkel, por ser obediente e cordato? Ela devolveu-lhe a gentileza com um urso de peluche, no dia do nascimento do filho da sua mulher.

O problema da Europa é o senhor e a Ângela estarem a tomar medidas que conduzirão a Europa ao abismo, sem que tenham legitimidade para o fazer, já que alguns dos governos de direita que hoje dirigem os destinos da Europa e apoiam as vossas decisões, chegaram lá graças ao apoio do coronel Kadhaffi, que financiou as suas campanhas eleitorais.

O senhor chamou a NATO para o aniquilar, com medo que desse com a língua nos dentes, agora aguente-se.

Serei parecido com um Tamagotchi?

"Lisboa, tarde amena de Julho. Num hipermercado da capital, um miúdo de 9 anos estrebucha no chão, despertando a atenção de quem passa. Chama-se Diogo e não foi vítima de nenhuma crise epiléptica. O motivo da situação é uma birra de protesto, pelo facto de a mãe se recusar a comprar-lhe um "Tamagotchi". Enquanto, puxando-o por um braço, a mãe tenta levantá-lo, vai dizendo com voz já um pouco descontrolada:"Podes fazer as birras que quiseres, mas eu não te compro nenhum Tamagotchi. Se quiseres um, vai buscar dinheiro ao teu mealheiro".

Este caso a que tive a oportunidade de assistir, numa das raras deslocações anuais que faço a hipermercados, deve naturalmente ter-se repetido em inúmeras ocasiões por esse país fora é um exemplo da febre que atingiu as crianças portuguesas.

No breve diálogo que mantive com a mãe de Diogo, fiquei a saber que a recusa na compra não se devia ao facto de Luísa detestar o animalzinho virtual, mas simplesmente porque a criança já tivera anteriormente um "Tamagotchi" que acabara por deixar morrer para não se maçar mais."



Esta cena serviu de introdução a um artigo sobre a febre dos brinquedos virtuais que escrevi em 1998 para a revista “o Consumidor”.

Lembrei-me dele, porque há dias li no DN que, em 2010, a APAV recebeu queixas contra 72 crianças com menos de 17 anos ( das quais 14 com menos de 10 anos) acusadas de agredirem pais e/ou avós.

Destaque-se que em 2009 o número de queixas tinha sido apenas de 22, mas os números agora revelados pela APAV são muito inferiores à realidade, como explicou um responsável da APAV ao DN, já que na maioria dos casos as vítimas não apresentam queixa. Os casos que chegam ao conhecimento da APAV são, na maioria das vezes, reportados por vizinhos e familiares afastados. Os raros avós que lá vão pedir ajuda para o neto, exigem a garantia de que o caso não chegará ao conhecimento da polícia.

Não faço juízos de valor sobre a situação, deixo isso à consideração dos leitores, mas acrescento apenas um dado: na maioria das situações, tudo começa com birras das crianças. Começam a bater o pé no chão e rapidamente passam à fase do Diogo (estrebuchar no chão). Aos oito anos já estão muitas vezes prontos para mimosear os avós com caneladas que lhes deixam as pernas cobertas de nódoas negras, como reporta o DN.

Pois, eu sei que nos EUA já são conhecidos vários casos de crianças com menos de 14 anos que mataram o pai ou a mãe, mas nada como estar atento. É que comigo já aconteceu várias vezes sentar-me no Metro diante de uma criancinha que se começa a divertir dando-me pontapés. Uma das vezes a mãezinha lá conseguiu, a muito custo, dominar a criança, que não devia ter mais de sete anos, mas na outra tive que dizer à progenitora que se a cena continuasse eu agiria em conformidade. A resposta foi lapidar.Levantou-se, pegou na criança e disse:
"Vamos embora, filho, que este senhor deve ser um frustrado!"

E lá arrastou a criança que estrebuchava, talvez indignada por a mãe a estar a desapossar das minhas pernas que lhe serviam de brinquedo.

Não é uma questão de alternativa

Já aqui o afirmei mais de uma vez. Se os líderes europeus não arrepiarem caminho e não puserem as pessoas acima dos interesses financeiros, a implosão europeia será inevitável. Por arrastamento virá o fim do euro e, como a História nos demonstra, nenhuma moeda forte acaba sem uma guerra. Daí que discorde da viabilidade desta alternativa. O fim do euro terá inevitavelmente como consequência, uma guerra.
Uma vez que Papandreou decidiu jogar a roleta russa, espera-se que haja bom senso não só na liderança da Europa, mas também nos G-20. Só ingénuos acreditam que a Grécia irá ao fundo sozinha.

Cul de sac

António José Seguro está num beco sem saída. Quer abster-se na votação do Orçamento para mostrar que está disposto a colaborar com o governo, mas enfrenta uma oposição interna que exige o voto contra.

A abstenção sem ter conseguido que o PSD ( o CDS não interessa nada, porque só está no governo para fazer número e aguentar a coligação) ceda em alguns pontos do OE, poderá recolher ainda mais simpatia da direita, mas fá-lo-á perder uma grande parte da sua base de apoio interna que exige o voto contra do PS. Os eleitores da esquerda também nunca lhe perdoarão, o que ameaça o PS de sofrer, em 2015, uma derrota humilhante. No PS ninguém quererá passar por essa provação, pelo que Seguro será um líder a prazo que, certamente, nem chegará a concorrer a eleições .
Se votar contra será acusado pela direita de falta de solidariedade e se encostar à extrema esquerda. Argumento pífio, mas que MRS já se encarregou de invocar numa das suas homilias dominicais. O guru "esqueceu-se" de dizer que as medidas de austeridade avançadas por este governo vão muito além das exigidas pela troika, razão mais do que suficiente para justificar o voto contra do PS. Resta saber se Seguro estará mesmo interessado em votar contra, mas isso é outra história...

Num ou noutro caso, Seguro está em maus lençóis. O meu palpite é que Seguro, de mãos a abanar, apareça a dizer que conseguiu introduzir alterações no OE na especialidade, apresentando umas migalhas como vitória. Poderá, com isso, calar algumas vozes dissonantes, mas não será por muito tempo. Com grande pena da direita, Seguro será sempre um líder a prazo. Venha o próximo!

Grandes Bandas ( 26)


No dia em que começa em Cannes, a reunião dos G-20, penso que a minha escolha de hoje fica aqui muito bem. Que vos parece?