quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Prometer a paz, para fazer a guerra


Embora tenha exultado com a eleição de Obama, sempre critiquei a atribuição do Prémio Nobel da Paz a uma pessoa que ainda nada fizera por ela.
Obama foi um grande embuste, nomeadamente em matéria de direito internacional. Fez tudo ao contrário dos interesses do mundo, pensando apenas nos Estados Unidos.
A última demonstração de hipocrisia foi cortar os contributos para a UNESCO, no dia seguinte àquela organização ter votado DEMOCRATICAMENTE a admissão da Palestina como membro de pleno direito.
Obama é igual a Bush. Muito provavelmente, será reeleito por isso.

Figura da semana





Georges Papandreou



Se a memória não me falha, o senhor é o terceiro estrangeiro a figurar na prestigiada rubrica “Figura da Semana” deste Rochedo. Anteriormente, só Lula da Silva e Marina Silva mereceram esse destaque. Nem a minha querida Cristina Kirchner teve ainda esse privilégio, pelo que deve perceber como é difícil, a uma personalidade estrangeira, entrar no rol dos eleitos.

No entanto, o senhor merece a distinção porque, na verdade, “tem-nos no sítio” e jogou uma cartada de mestre ( não confunda com o dos Caramelos Vaquinha do post anterior, porque esse apesar de se escrever com maiúscula, é uma figura menor e caricata).

Ao decidir fazer um referendo não tirou o “cavalinho da chuva” como alguma direita blogueira anda aí a clamar, com o apoio de alguns socialistas.

O que o meu amigo fez, foi mostrar à Europa que não admite que o povo grego continue a ser humilhado e o seu país, pátria da democracia, perca a independência durante as próximas décadas. E não me refiro apenas às ordens ditadas pelos mercados, pela boca da dupla franco-alemã. Ao demitir as chefias militares o senhor disse à Europa que estava em preparação um golpe militar na Grécia. Duvido que na Europa actual haja algum país preocupado com o facto de um dos seus membros ser governado por uma Junta Militar e correr o risco de ser submetido a uma ditadura. Andam tão preocupados com os mercados, que fingiram nem perceber a sua mensagem.

Com a sua decisão pretendeu mostrar a todos os que ainda não perceberam, que “o rei vai nu” e obrigar a duplaMerkel Sarkozy e outros idiotas que governam a Europa a reconhecer isso. Agora estão todos muito envergonhados…andaram anos a encanar a perna à rã e de repente aparece alguém com eles no sítio a dizer “ Ora vamos lá a ver se se comportam com juízo, mostram os podres da Europa e abdicam do sistema abjecto em que ela se está a refundar. Ou a Europa assume que é uma democracia e o povo é quem mais ordena, ou admite que se vendeu por inteiro ao capital, deixando-se colonizar pelos mercados. Eu, enquanto primeiro ministro da Grécia, pátria da democracia, não estou disposta à humilhação de ver o meu país colonizado, nem sob o jugo militar, por isso entrego a decisão ao meu povo”.

Se os gregos aceitarem as imposições da Europa, deixa de haver razões para a contestação interna. Se não aceitarem, a Europa que se decida. Ou muda de rumo, ou rebenta com o Euro, ou implode, o que é a mesma coisa. Só que a liderança europeia, percebendo os seus intuitos, quer decidir qual será a pergunta que o senhor deve fazer em referendo, porque tem medo de enfrentar uma nega dos gregos que ponha uma pedra sobre a Europa e a moeda única.

Eu já aqui tinha escrito que a União Europeia não chegaria ao Natal de 2012, mas agora acredito que nem sequer chegue ao Carnaval. Um alívio para o governo da Tugalândia, que anda com medo de acabar com a tolerância de ponto na terça –feira do dito, porque se lembra que foi nesse dia que Cavaco se despediu da função de primeiro-ministro. É que para cumprirem o seu plano de ódio contra os portugueses, eles precisam de pelo menos quatro anos.

Meu caro Georges Papandreou, obrigado por ter mostrado à Europa que ainda há socialistas no poder que “os têm no sítio”, mas pedia-lhe um favor… pode enviar um e-mail ao Seguro que dirige o PS tuga, a dizer-lhe que deve votar contra o OE de fome programado pela Santíssima Trindade ( Coelho, Gaspar e Álvaro) em exercício nesta baiuca?

Só mais uma coisinha… Não faço a mínima ideia como vai descalçar esta bota. Com ou sem referendo, votem os gregos contra ou favor, serão sempre os actores e vítimas de uma tragédia grega. Mas você lá sabe o que anda a fazer e, certamente, terá outro trunfo na manga, antes de a Europa fazer “Harakiri”.


Caramelos Vaquinha (2 )


Alexandre Mestre



A frase:"Os jovens portugueses desempregados devem emigrar, em vez de ficarem na sua «zona de conforto»"



Ó Mestre!

Ter o despudor de aconselhar os jovens a emigrar e saírem da sua zona de conforto não é próprio de um governante de um país democrático. Se o PM fosse pessoa de bem, já o teria demitido.

Um secretário que deve tutelar os interesses dos jovens não pode resolver os problemas mandando-os emigrar.

Ó sr Mestre, quem está na zona de conforto é o senhor, alapadinho em carro preto, usufruindo do cartão de crédito e outras mordomias à custa do contribuinte que lhe paga.

Eu sei, eu sei, o que atrapalha este governo são as pessoas. Se elas não existissem, governar esta chafarica seria muito mais fácil, não era?

Passe bem.



O Santo que não gozou folga


Ontem, dia de Todos os Santos, decidi ir ler o jornal numa esplanada, longe do Rochedo. Peguei no carro e lá fui. Quando cheguei olhei casualmente para o conta quilómetros e verifiquei que os três últimos números eram 666. Torci o nariz. Aquele número, em dia de evocação de todos os santos, deixou-me intranquilo. Bica tomada, jornal lido com fastio e alguns suspiros, dei a caminhada habitual antes de regressar ao carro e empreender o caminho de regresso a casa, onde já planeara confeccionar uns choquinhos à algarvia.
Quando tentei ligar o carro, ele fez-se desentendido. Não reconhecia o cartão que há cinco anos lhe dá ordens. O visor piscava intermitente a mensagem “ Consulte o Manual Tecno”. Não precisei. Apesar de ser um nabo em mecânica, percebi logo qual era o problema. Ao accionar o comando para abrir as portas ele obedeceu, mas não me piscou os olhos como faz habitualmente. Diagnóstico fácil: sem bateria.
Ainda me interroguei sobre a razão de estes automóveis modernos, cheios de avisos nos painéis, não darem um sinal de alerta quando a bateria está fraca. Se até o telemóvel nos lança esse aviso, por que razão um automóvel não o faz?
Resignado com o facto de os santos todos do planeta terem tirado uma merecida folga no dia que lhes é dedicado, telefonei para o único santo que me poderia valer: o ACP (Automóvel Clube de Portugal) .
Quinze minutos depois, tinha um técnico junto ao meu carro a confirmar o meu diagnóstico. Mais 15 minutos para substituir a bateria e estava pronto para regressar a casa. Satisfeito com o trabalho e a simpatia do técnico que me resolveu o problema.
Ontem, os santos meteram todos folga e o Demo lançou-me o aviso de que iria atacar, mostrando o seu retrato no conta quilómetros (666).
Regressado a casa, fiz-lhe aquele sinal com os dedos que sempre faço quando vejo a fotografia ou a imagem de um membro do governo e fui cozinhar os choquinhos.
Os Santos estavam de folga, mas os choquinhos (sem tinta...) estavam divinais e o Demo nem ousou abeirar-se deles.
Obrigado, ACP. Salvaste-me o dia e estou-te muito grato. Embora pague uma boa maquia anual para que me protejas destas investidas do Demo, dou-a por bem empregue. Mesmo quando os santos da liturgia decidem meter folga, tu estás sempre ao serviço. O Álvaro deve gostar imenso de ti. Eu também…

Adenda: senhor ministro Álvaro. Uma vez que planeia colocar Portugal no último lugar europeu, no que concerne a feriados, sugiro-lhe que acabe com o Dia de Todos os Santos. É que essa ideia da Igreja pôr os santos todos a folgar no mesmo dia, não me dá jeito nenhum. Já no ano passado, neste mesmo dia, rebentei um pneu porque tropecei num buraco coberto de água. No próximo ano, se não me fizer o favor de acabar com este feriado, não saio de casa. O pior é se me cai o tecto em cima...porque tenho uns vizinhos que adoram testar a resistência da cama nas manhãs de domingos e feriados. E nem imagina como eles se divertem!

Requiem pela Democracia


Hoje, dia de Fiéis e Defuntos, presto homenagem à Democracia. Há muito moribunda, faleceu em Junho, com a eleição do governo mais reaccionário que Portugal conheceu desde o 25 de Abril. Cavaco Silva deu-lhe a extrema unção e fez-me lembrar os tempos da Inquisição.
Como a Inquisição apenas condenava, mas entregava ao poder político a execução da pena, responsabilizava-o pela morte e lavava as mãos. Sadicamente, antes de ser executado, havia sempre um padre que vinha perguntar ao condenado se queria receber a extrema unção.
A história recente da nossa democracia é muito similar. Cavaco tudo fez para derrubar Sócrates e criar condições para que o PSD fosse governo. Uma vez eleito Pedro Passos Coelho, o PR vem carpir lágrimas e pedir equidade nas drásticas medidas de austeridade do governo. Como se não tivesse responsabilidades e nada pudesse fazer para evitar que a Constituição seja diariamente violada pela maioria no poder.
A Democracia em Portugal está morta e não vai ressuscitar ao terceiro dia. Paz à sua alma!
Uma grande parte dos portugueses não a vão chorar, porque nunca gostaram dela.
Mas atenção! A Democracia também já se finou na Europa, só que ainda ninguém percebeu. Papandreou fez um esforço para a ressuscitar e todos o criticam. Mas sobre isso escreverei mais logo...

Escapadinha

Vou ter de dar uma escapadinha muito rápida aqui ao lado, para falar com alguns dos “nuestros hermanos”. Um deles pediu-me que lhe levasse um determinado “recuerdo” de Lisboa. Na segunda-feira andei pela Baixa no intuito de cumprir a missão. Como nunca entro nestas lojas de produtos turísticos, fiquei surpreendido ao constatar que mais de 90 por cento das lojas de venda de produtos turísticos são de indianos que falam mal português e também não são brilhantes na língua de Shakespere, nem de Cervantes.
Tentei encontrar uma explicação, mas ainda não me ocorreu nenhuma. Alguém me ajuda?

Grandes Bandas (25)

Ainda trago na memória, desta estadia no Norte, uma passagem pela praia de Ofir onde fui tão feliz. Hoje, vai com dedicatória para a Alemanha e para a minha amiga Petra W, que conheci em Ofir nos idos de 60 e de quem fiquei amigo para a vida inteira. Embora a canção que selou a nossa amizade seja outra, aqui fica esta,que é imagem de marca daquela que já foi uma das mais belas praias portuguesas.