quinta-feira, 27 de outubro de 2011

À massa, à massa!





Calma! Não vou assaltar as vossas carteiras... para isso já temos o governo que é imbatível e impede qualquer tentativa de concorrência dos privados.



Venho apenas anunciar-vos que o governo vai impor uma nova dieta alimentar aos portugueses. Pelo menos foi o que deprrendi do anúncio feito pelo ministro Álvaro:



"...na última semana foi lançada uma prospeção de gás natural no Algarve e existem boas perspetivas de prospeção de gás noutras partes do país".



Presumo que para obter a propalada expansão da economia nos próximos meses, o governo decrete que a partir do dia 1 de Novembro, os portugueses só poderão comer feijão e massa. Cada portufuês passará então a ser alvo de uma inspecção periódica, a fim de determinar se o seu organismo está apto a produzir gases em quantidade suficiente para ser concessionado pelo Estado a um investidor estrangeiro.



Chegou a hora de os portugueses fazerem qualquer coisa para salvar o país. Força na massada de feijão, para ajudarmos a Pátria com os nossos... ( como é que se diz aquela palavra em vocabulário de gente civilizada e educada?)



Aviso: Estou pelo norte e vou começar já a dieta alimentar preconizada pelo governo. Não vos admireis, pois, se não me for possível passar pelas vossas casas nos próximos dias.

Lado Lunar

Maria Antonieta terá dito aos franceses que reclamavam com fome:
Não têm pão? Comam brioches!
Pedro Passos Coelho adaptou a sentença às instituições que reclamam não ter dinheiro para pagar gás e luz, depois do brutal aumento do IVA.
Confrontado com a situação, respondeu:
Não têm dinheiro para pagar a luz e o gás? Que pena! Nós compreendemos as vossas dificuldades, mas façam um esforço e sejam criativos. Nós até aumentámos o número de alunos por sala para que eles se possam aquecer com o bafo mas, se isso não for suficiente, tragam uns cobertores de casa e umas camisolinhas mais grossas.
E como fazemos nas cozinhas, senhor primeiro-ministro? Temos que servir as refeições às crianças…e para isso temos de gastar gás e electricidade.
Sirvam umas saladas que são muito saudáveis, recomendem às crianças que tragam comida de casa, ou vão comer ao Mc Donalds! O Estado não tem de estar a subsidiar os almoços das crianças, não lhe parece?




Em relação às creches e lares de idosos mandou Pedro Mota Soares agir da mesma forma: aumentar a lotação para que crianças e velhos se possam aquecer com o bafo.




Não se pode dizer que S. Pedro esteja a ajudar Coelho. Este calor outonal que nos manda não permite poupar na energia , porque é preciso ligar o ar condicionado, já que o bafo humano das instituições, aliado ao cheiro a sovaco, torna o ar irrespirável.




Escaldado com a partida de S. Pedro, em relação às Misericórdias, a receita de Coelho foi mais radical. Desde que tomou posse, não mais lhes pagou, como confidenciou Manuel Lemos ( provedor das Misericórdias) em entrevista a Marcello Rebelo de Sousa. O professor ficou tão embasbacado, que aviou a entrevista num ápice e mandou o Provedor das Misericórdias para casa, antes de poder apresentar outras queixas.




Já quanto às Fundações, Coelho optou pela originalidade. Quem não tem dinheiro, não tem vícios, por isso mandou extingui-las por decreto e à condição, durante três meses. Depois logo se vê...




Para quem tinha tudo muito bem estudado e sabia perfeitamente como cortar nas despesas, estes exemplos são elucidativos. Portugal transformou-se num laboratório de experiências de um Professor Pardal, travestido de coelho da Alice no País das Maravilhas

Uma lição de velhice



Celebrara 92 anos dois dias antes e convidou duas amigas, que não tinham podido estar na festa de aniversário, para almoçar. Apesar de ser Outono, o dia estava ameno e o céu azul emprestava ao mar aquela tonalidade própria dos dias que anunciam a chegada do Inverno.

Dirigiram-se para a Foz. Todas quiseram ir a uma pizzaria. Aí chegadas, pediram de imediato refrigerantes para matar a sede. Com o pedido, veio a lista. Perante a imensidão de variedades viram-se no embaraço da escolha. Demoraram a decidir. A empregada, ainda muito jovem, começou a impacientar-se.
“Vejam lá se decidem, que não vou estar a tarde toda a vir aqui à mesa…”
Retirou-se mais uma vez, deixando as senhoras algo embaraçadas com a admoestação. Quando voltou, a decisão estava tomada. Uma das senhoras esboçou um pedido de desculpas pelo atraso “ Não leve a mal, é que esta senhora faz 92 anos”
“92? Fogo!...”-
exclamou a jovem com os olhos esbugalhados.
A aniversariante acrescentou “ Ai, menina, não queira ser velha…”
Não quero, não. Se chegasse aos 70 dava um tiro nos miolos para não chatear ninguém”
Ignoraram o acinte. Comeram as pizzas. Pediram uns gelados e café. Eram quase quatro horas da tarde quando terminaram. Apenas um casal jovem permanecia na esplanada. As senhoras pediram a conta, que chegou prontamente. A aniversariante deixou 1€ de gorjeta e escreveu nas costas da factura:

“A nossa contribuição para a compra da pistola”.
Saíram bem dispostas, com o ar de crianças que tinham acabado de fazer uma traquinice e foram aproveitar os restos de sol caminhando à beira mar. Quando chegou a casa, a aniversariante telefonou ao filho a contar-lhe a história. Riram-se os dois “a bandeiras despregadas”.

( Recupero esta história, que já vos contara há tempos, porque a senhora completa hoje 97 anos. Já não é tão verrinosa e oportuna na rsposta, mas ainda está aí para as curvas)

A fera amansada

Depois de ter feito centenas de nomeações políticas para os gabinetes do governo, PPC vem dizer que, no futuro, o pessoal dos gabinetes será recrutado nos quadros da administração pública.

Penso que só há uma explicação para PPC ter começado a passar a mão pelo pêlo dos funcionários públicos, tentando amansá-los. Já percebeu que a panela de pressão pode mesmo rebentar e começa a ter medo das consequências.

Vá lá, confesse!

Já todo o país sabe que o OE 2012 corta nas despesas com pessoal, mas aumenta as despesas de funcionamento do Estado. Isso apenas confirma aquilo que alguns suspeitavam: para o PM as gorduras do Estado são as pessoas e não os cartões de crédito de membros do governo e dos gabinetes, utilização abusiva dos carros do Estado, despesas de representação - que mais não são do que uma forma de engordar os vencimentos do pessoal dos gabinetes- pagamento de contas de telemóveis, pagamento de "estudos" encomendados a amigos e outras mordomias diversas.

Isso não é, porém, novidade para os portugueses. O que eu gostaria que o senhor PM dissesse era quanto este governo gastou, desde Julho, em despesas de remodelação de gabinetes dos membros do governo, em veículos automóveis e combustível.

Por hoje, é só isto, mas nos próximos dias voltarei a fazer-lhe uma pergunta sobre outro tipo de despesas de funcionamento. Como não responderá, eu depois informo os leitores do CR por atacado.

Grandes Bandas (20)


Entre mortos e feridos, alguém há-de escapar... Uma fuga ao registo habitual,mas é sempre bom lembrar...