terça-feira, 25 de outubro de 2011

Kadhaffi "à la carte"

Assisto com repulsa e indignação às imagens da morte bárbara de Kadhaffi, o homem que começou por ser ditador, depois foi-nos apresentado como democrata e escolhido pelos países ocidentais para presidir à Comissão de Direitos Humanos da ONU e finalmente voltou a ser ditador. Claro que há uma sequência lógica nesta mudança de opinião dos países ocidentais e explicação para que muitos se encham de júbilo perante a morte do líder líbio.

Na sua última homilia dominical, Marcelo Rebelo de Sousa sintetizou-a numa frase: " Kadhaffi não podia ir a julgamento. Tinha de ser morto, porque sabia demais".

Nós também sabemos. Por exemplo, que financiou as campanhas eleitorais de alguns líderes da direita europeia que hoje estão no poder. Por isso Sarkozy foi tão entusiasta na defesa da intervenção da NATO na Líbia. Kadhaffi morreu às mãos dos líbios? Mentira! Morreu às ordens de líderes que ele ajudou a chegar ao poder e por isso se sente perpassar um suspiro de alívio, por quem tem as mãos manchadas de sangue.

Não se perdeu nada com a morte de Kadhaffi, mas seria evitável uma morte tão bárbara. Só que a Europa, inspirada em Bush, regressou há tempos, à época da barbárie.

Quando o ódio comanda a vida...

Em apenas três meses, Pedro Passos Coelho rasgou todas as promessas eleitorais ( com a excepção de manter a taxa de IVA do leite achocolatado), revelando-se mentiroso compulsivo e pessoa de má-fé, como o video que aqui linkei há dias demonstra.No entanto, há coisas que me preocupam mais no carácter do nosso PM, do que o facto de ser aldrabão e pessoa de má-fé.É que Pedro Passos Coelho move toda a sua actuação pelo ódio.
Eu percebo que a partida que o destino lhe pregou numa curva da vida o tenha deixado revoltado, mas isso não justifica que governe dominado por ódios de estimação e que na tentativa de se libertar de complexos de culpa, dê cabo da vida aos portugueses que não se movam no seu círculo de influência.

Na verdade, apesar daquele azar, até foi bafejado pela sorte. Encontrou em Ângelo Correia um padrinho protector que o catapultou para a ribalta quando, na verdade, pouco ou nada tinha feito por isso.

PPC odeia os que conseguiram encetar uma nova vida graças ao programa “Novas Oportunidades”, mas esquece que foi graças a uma Nova Oportunidade patrocinada pelo padrinho, que tirou um curso tardio numa universidade de circunstância. Andou por lá, mas não aprendeu nada. Apenas passou a ser chamado de doutor;

Odeia os funcionários públicos que acusa de trabalharem pouco e terem salários acima da média, mas esquece que cresceu à sombra da JSD, onde apenas desenvolveu trabalho político;

Olha para os funcionários públicos como privilegiados, mas esquece que também ele teve o privilégio dos favores de um padrinho que lhe confiou umas empresas de lixos para administrar; Odeia o Estado Social e vê em cada cidadão um parasita que prefere viver à conta do Estado, em vez de trabalhar, mas se olhasse para dentro de si, devia dar graças a esse mesmo Estado Social;

PPC não explica onde está o buraco no orçamento;

Não diz em que estudo se baseia para afirmar que um funcionário público recebe em média 10 a 15% mais, do que um trabalhador do sector privado;

Não tem em consideração, nos vencimentos do sector privado, os automóveis, os cartões de crédito, os telemóveis, por vezes férias pagas pela entidade patronal, e outras mordomias que engordam os salários, fugindo aos impostos;

Corta nas pensões dos reformados ( aparentemente com o mesmo fundamento) mas não mexe uma palha para estabelecer o plafonamento máximo das reformas, permitindo que permaneçam intocáveis reformas escabrosas como as de MFL, Mira Amaral, ou do próprio Cavaco;

Rouba os subsídios de Natal e férias a mais de um milhão de portugueses, mas engorda os bolsos do pessoal contratado para os gabinetes, com ordenados chorudos, quando na maioria dos casos poderia recrutá-los dentro da Administração Pública ( Há um membro do governo que só tem funcionários públicos no seu gabinete, mas dele falarei noutra oportunidade).

PPC não explica nem esclarece nada, porque as suas decisões e argumentos assentam em ódios pessoais e classistas e o ódio não se explica.

Há dias Jerónimo de Sousa dizia-lhe:

“ O senhor sabe lá o que é a vida!”

Compungido, o PM respondia:

“ Sei muito bem o que é a vida…”

Quase aposto que sei qual foi a imagem que passou pela cabeça de PPC quando respondeu a Jerónimo de Sousa mas, senhor PM, não pode ficar ressabiado toda a vida com a partida que a vida lhe pregou. Limpe a cabeça e siga em frente. Lembre-se, pelo menos, que com esse seu comportamento está a destruir a nossa economia e a condenar o país à pobreza durante décadas.

E se acredita que essas medidas o poderão ajudar a seguir as pisadas de Durão Barroso, desiluda-se. Quando tudo isto acabar, a Europa não terá lugar para si. Nunca ouviu dizer que Roma não paga a traidores?

Lenços

Há dias, no Prós e Contras, alguém dizia que as pessoas se dividem entre as que choram e as que vendem lenços.
A audiência riu-se muito, talvez por não se ter lembrado que, se não houvesse gente a chorar, os fabricantes de lenços não tinham a quem os vender...

Governo cria passe social Plus Extra

Depois de ter aprovado o passe social Plus, para as pessoas com rendimentos mais baixos, o governo lançou um novo passe para um segmento da população com rendimentos mensais acima de 3 mil € :o Passe Social Plus Extra.

Destinado a assessores, especialistas e outros pessoal a exercer funções em gabinetes ministeriais, o passe social Plus Extra é gratuito e dá direito a viajar à borla em automóveis topo de gama, conduzidos por motoristas.

Os beneficiários podem ainda requerer o passe social Plus Extra Gold, extensível aos familiares. Confere direito a levar os filhos à escola e actividades extra-curriculares e o cônjuge ao emprego, ao médico ou às compras ao supermercado.

O governo ainda não divulgou quanto pensa gastar com esta medida social, mas um assessor do ministro Relvas salientou " o impacto desta medida pautada pela ética social, na redução da taxa de desemprego dos motoristas".

Um especialista do gabinete referiu ainda que "a medida permitirá manter em actividade a vasta frota de veículos do Estado que, não sendo tomadas medidas exemplares como a agora anunciada, aumentariam o desemprego e condenariam milhares de veículos a uma morte lenta, o que demonstra como este governo é diferente do de Sócrates que deixava os veículos ao abandono nos parques de estacionamento dos ministérios, durante os fins de semana".










Os descamisados





A D. Laura terá falhado estrondosamente o pedido que aqui lhe fiz há dias. Não só não terá conseguido colocar a ética social do marido no sítio certo, como provocou um alastramento desta deformação genética a outros membros do governo.

É o caso, por exemplo, de Miguel Macedo, que escolho como símbolo dos descamisados, a sofrerem a enorme privação de perderem o subsídio de residência, ou uma percentagem da pensão vitalícia pelo desempenho de cargos políticos.
Natural de Braga, mas a residir em Algés, em casa própria, o ministro da administração interna recebe o subsídio de 1400 euros atribuído aos "deslocados". Entra, pois, para a galeria dos membros do governo que tem a ética social entre os glúteos.
Ele diz que é legal. Todos sabemos que uma imoralidade ou iniquidade, desde que protegida por um diploma legislativo, passa automaticamente a ser legal. Isso não invalida que esteja ferida de falta de ética.
Ao receber subsídio, Miguel Macedo pode ser catalogado, no mínimo, como corrupto moral. Simplesmente porque aproveitar-se da lei para benefício próprio, é moralmente condenável. Vá dar lições de ética para a sua rua, mas não venha dizer aos portugueses que é uma pessoa séria e honesta. Porque é simplesmente um oportunista, a quem os portugueses estão a pagar uma casa em Lisboa.

Atrasado, muito atrasado, veio dizer que prescindia do subsídio por vontade própria. Não tirou a ética social de entre os glúteos, apenas proferiu uma oração: " senhores, tende piedade de nós, que somos justos". Um coro de descamisados respondeu Amen.

Bardamerda!

Grandes Bandas (18)


Desculpem-me este momento revivalista...mas foi esta canção que escolhi para agradecer a todos os amigos que ontem me felicitaram pelo meu aniversário aqui no CR, no Facebook ou dedicando-me posts nos seus blogs. Vocês são os melhores leitores do mundo. Obrigado!