sexta-feira, 21 de outubro de 2011

O último post: adeus!

Amigos leitores do CR, este é o meu último post. Foi um prazer conviver convosco ao longo destes quatro anos e lamento não poder continuar na vossa companhia, mas este senhor anunciou o fim do mundo para amanhã e tenho dúvidas que no Inferno haja computadores. Encontrar-me-ei com os maus na casa do Satanás, mas espero que Pedro Passos Coelho lá não esteja. No fundo, do que tenho mais pena é não poder comemorar o meu aniversário na próxima segunda-feira... Adeus!

Tal como o algodão...

...a cara também não engana. E o discurso ainda menos...

O país em BD

Começa hoje o Festival de BD da Amadora. O CR presta aqui a sua homenagem.



Era uma vez um pais, chamado Tugalândia,no extremo mais ocidental da Europa, habitado por cigarras e formigas. Viveram felizes durante muitos anos, porque as cigarras eram inconscientes e gastavam à tripa forra e as formigas, diligentes, embora olhassem para as cigarras com desconfiança, continuavam a armazenar os alimentos e nunca se preocuparam em avisá-las de que a sua vida faustosa um dia teria de acabar, porque os celeiros onde se abasteciam, um dia se haveriam de esgotar.



Quando um celeiro dirigido pela cigarra Costa deixou de fornecer alimentos, o governo desse país há 30 anos formado por baratas tontas, ratazanas e alguns parasitas, teve pena das cigarras. Obrigou as formigas a trabalhar ainda mais, mas não pediu às cigarras que fossem mais contidas. As coisas começaram então a correr mal. As formigas começaram a protestar e as cigarras juntaram-se ao coro, acusando o governo de ser incompetente e lhes querer tirar os alimentos diligentemente arrecadados pelas formigas.



Foi então que apareceu um coelho, branquinho e bem parecido, que disse ter acabado de chegar do País das Maravilhas, cujos habitantes eram muito felizes, porque uma menina chamada Alice tinha descoberto a poção mágica da Felicidade, de que ele conseguira arranjar a receita, durante uma noite de galanteios. Cigarras e formigas dançaram então em conjunto e decidiram que era altura de acabar definitivamente com os governos das baratas tontas, ratazanas e parasitas e confiá-lo ao simpático coelho.



Antes, porém, perguntaram ao coelho qual era a receita que ele tinha para as tornar eternamente felizes. O láparo tirou a cartola, respirou fundo e contou uma história de encantar que ouvira da boca de um tal Gulliver, numa Casa de Chocolate gerida pela Bruxa Má.



Algumas cigarras e formigas duvidaram da receita- viram logo que aquilo era prosápia de coelho bem falante- mas, reunidas em plenário, decidiram aceitar a proposta.



O coelho começou por avisar que para cumprir a tarefa tinha de chamar mais coelhos para o ajudar. Cigarras e formigas concordaram. O coelho chamou o Bicho Papão que estava a cuidar do jardim e ordenou-lhe que reunisse de imediato os coelhos amigos que andavam a servir de seus mensageiros, espalhando notícias falsas por toda a Tugalândia.



Pouco tempo depois de ter sido investido no poder, com pompa e circunstância, o coelho começou a pensar como é que havia de justificar as patranhas que pregara a cigarras e formigas .



Chamou as formigas à parte e mandou-as construir vários buracos, mas ordenou-lhes que nada dissessem às cigarras. Cumprida a tarefa, pelas diligentes formigas, o coelho chamou as cigarras e acusou as formigas de terem andado a escavar buracos, sem a sua autorização. Disse-lhes que tinha muita pena, mas a única maneira de tapar os buracos era fechar os celeiros do país, gamar-lhes o 13º mês, o subsídio de férias, aumentar os transportes, os impostos, os bens alimentares, cortar nos benefícios sociais, subir o IVA, o gás e a electricidade. Avisou-as desde logo que desconfiava que havia ainda mais buracos, pelo que o pior ainda estava para vir.



Quando perceberam que tinham sido enganadas e que afinal quem as estava a governar era a trupe de Ali Babá e os 40 Ladrões , disfarçados de coelhos, cigarras e formigas começaram a protestar, mas nada havia a fazer, porque tinham assinado um pacto com o coelho bem falante, que lhe dá direito a governar Tugalândia durante quatro anos. Enquanto Ali Babá e os 40 Ladrões esvaziam os celeiros e escravizam cigarras e formigas, um grupo de papa -formigas, reuniu-se na capital do país e decidiu enviar uma embaixada a Patópolis para falar com Patacôncio. O objectivo é pedir-lhe que convença os Irmãos Metralha a assaltarem o cofre da Maga Patalogika, que vive na Além-Mama, onde explora todos os povos da Eurolândia.


De acordo com notícias veiculadas por Tintin, enviado especial do CR a Patópolis, os Irmãos Metralha impõem uma condição: João Bafo de Onça deverá fazer parte da missão e o Tio Patinhas ser convidado para governar a Bruxalândia, capital da Eurolândia. Esta decisão causou estranheza à embaixada, mas um dos Irmãos Metralha ( o 176-671) terá confidenciado que estavam fartos de aturar o Coronel Cintra e o seu sonho sempre fora viajar para a Eurolândia. " Mas nossa ida para lá não tem piada alguma, se não pudermos continuar a assaltar o Tio Patinhas"- rematou o 176-671.







Demagogia

Muita gente exultou quando Cavaco criticou num colóquio com economistas os cortes dos subsídios de férias e de Natal dos funcionários públicos, considerando a medida ferida de "inequidade fiscal". Até Ana Avoila veio bater palmas a Cavaco, porque não deve ter percebido o filme´. Então, eu explico:


Cavaco disse que tinha esperança que os deputados corrigisem o orçamento na AR. O PR sabe, muito bem, que os deputados do governo estão em maioria, pelo que chumbarão todas as propostas da oposição.


Se Cavaco considera que a norma viola a Constituição, só tem um caminho. Uma vez que jurou cumpri-la, deve chumbar o OE 2012. Obviamente não o fará. Quando muito, pedirá ao Tribunal Constitucional que se pronuncie, o que é outra hipocrisia. Como já escrevi aqui a maioria dos juízes do TC não julga, decide de acordo com os interesses políticos do governo, como já o fez em relação aso cortes de 5% decididos por Sócrates.


Assim sendo, as palavras de Cavaco podem servir aos funcionários públicos de conforto moral , mas nada mais do que isso. São mais úteis ao projecto de Cavaco...


Como também aqui escrevi, durante a campanha eleitoral, a coabitação entre PPC e Cavaco não seria fácil, porque não gostam um do outro. Além disso, Paulo Portas - outro inimigo que Cavaco não esquece- também está no governo, o que terá custado muito a engolir ao PR.


As palavras de Cavaco serviram apenas para marcar uma posição e lançar um aviso ao governo. Se persistir na sua política de desrespeito da Constituição, PPC pode somar argumentos que levem Cavaco a conseguir , "realmente", constituir o seu governo e ver-se livre de duas pessoas que detesta. Assegurada alguma credibilidade externa e pacificada a opinião pública interna, Cavaco poderá então esgrimir a Constituição, dizer "Basta" e usar a bomba atómica. Demite PPC e forma um governo de iniciativa presidencial, com Catroga e MFL ao leme.


O povo português agardecerá e Cavaco cumprirá finalmente o seu plano ambicioso que vem urdindo há quase 30 anos. Nada que eu não tivesse previsto aqui em Junho


(Os funcionários públicos é que continuarão na mesma sem subsídios, mas isso pouco interessará então a Cavaco)

A liberdade de que eles gostam

O derrube de um ditador é sempre saudável, mas quando vejo especialistas deste governo rejubilarem com a morte de Kadhaffi, percebo melhor que tipo de democracia e liberdade de expressão eles pretendem. Mais do que desprezo, sinto-me roubado por andar a pagar os salários desses filhos da puta.

Quem havia de dizer que Paulo Portas, ao recusar o júbilo pelo assassinato de Kadhaffi, mostrou ter mais sensibilidade do que Ana Gomes e ser menos idiota do que Pedro Correia?

Grandes Bandas (16)


Como se anuncia o regresso da chuva a partir de domingo, lembrei-me de vos fazer esta pergunta