quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Post profundo

O ministro dos negócios estrangeiros, Paulo Portas, é o homem certo, no lugar certo. Está em...Rabat.

CR sub 30: da mulher e da publicidade

A análise da publicidade é uma forma excelente de analisarmos a evolução da mulher nos últimos 40 anos. escolhi, propositadamente estes dois anúncios, para mostrar que não era só em Portugal que a mulher era confirmada como inferior ao homem, sendo incapaz de abrir um frasco de ketch -up.

Poucas mulheres trabalhavam. O seu lugar era em casa, a sua função cuidar dos filhos e fazer as tarefas do lar. Mas estes anúncios anglo-saxónicos são do início da década de 60...quando na maioria dos lares portugueses, estes electrodomésticos eram inexistentes.
Em Portugal, em 1974, os anúncios seguiam os mesmos parâmetros, mas a mulher era muito mais dependente do homem. Senão, leiam:
Às mulheres, estava vedado o acesso a uma conta bancária ou ao passaporte, se para tal não obtivessem a necessária autorização do marido, que tinha o direito de lhes violar a correspondência.
No mundo do trabalho, as enfermeiras, por exemplo,não podiam casar e uma professora era criticada se ousasse vestir de forma menos convencional. Bastava o uso de um vestido de seda, para que logo vozes se levantassem pondo em causa a sua conduta moral.
Significativo, também, era o caso de as professoras só poderem casar com autorização do Ministro, sendo o candidato a cônjuge obrigado a demonstrar "bom comportamnto moral e civil e meios de subsistência consentâneos com o vencimento de uma professora.".
Salazar, aliás, não hesitava afirmar que "o recurso à mão de obra feminina representa um crime" e que quando a mulher casada concorre com um homem por um posto de trabalho, "a instituição da família ameaça ruína".
Esta forma de pensar explica porque razão as mulheres não podiam montar um negócio sem autorização do marido, ou o Código Civil proibia a mulher de exercer uma profissão sem a anuência do cônjuge, situação que apenas se alteraria na segunda metade da década de 70, com a abolição da figura do “chefe de família”.
E explica, também, porque razão as criadas de servir constituíam, nos anos 40, um exército de 200000 postos de trabalho (sem direito a quaisquer regalias e podendo ser despedidas a qualquer momento, bastando que os patrões assim o entendessem).



Os tempos mudaram. A mulher sub-30 já não fica em casa à noite a pontear meias, à espera que o marido chegue. Ou sai com as amigas, ou fica em casa de controlo remoto em riste, vaguando pela TV Cabo. Quando sai e o marido fica a ver o futebol, deixa-lhe um papel a dizer "tens comida no congelador, é só ligar o micro-ondas.".
Nas férias já não pede ao marido para tirar uma foto de família, porque ele anda sempre de câmara de video em riste. A mulher sub-30 já não descasca as cebolas e as cenouras, porque tem a Bimby e enquanto cozinha tem junto a si o telemóvel ou o telefone sem fios, porque já não pode dar reprimendas à criada.
A mulher de fim de século já não espera que lhe bata á porta o padeiro, a peixeira anunciando "carapau fresquinho" ou que o talho lhe venha trazer a carne. Vai às compras ao supermercado. A mulher de fim de século faz aeróbica, vai ao cabeleireiro, à depilação e à massagem e,enquanto espera já não lê a "Crónica Feminina" , mas sim as revistas do "jet-set".
A mulher de fim de século já não se atrasa porque ficou a compôr a maquilhagem, mas sim porque teve que escrever mais um ofício, enviar dois faxes e um e-mail, ou atender um cliente retadatário.
O 25 de Abril veio permitir a emancipação completa das mulheres e a publicidade acompanhou essa evolução. Nos anos 80, porém, a utilização da mulher como símbolo sexual associada a produtos destinados a homens ( especialmente automóveis) era uma constante, até a legislação vir refrear a exploração sexual das mulheres na publicidade.
O anúncio que acima se reproduz ( excelente, aliás, em minha opinião) deixa algumas dúvidas quanto à eficácia da legislação em vigor.
Inexorável, porém, foi a emancipação da mulher. Resistirá a quaisquer orçamentos passadistas, que nos obriguem a retroceder, em termos económicos e financeiros, aos anos 70 do século passado.







A bênção de Júpiter



Manhã de segunda-feira. Apanhou o Metro à hora habitual e dirigiu-se ao emprego a recibo verde, onde estava há quase três anos.Levava consigo uma revista de fim de semana, que não tivera tempo para ler. Foi folheando do final para o princípio. Parou na página dos horóscopos. Animou-se quando leu a previsão do seu signo:

Esta semana está sob a influência de Júpiter, que representa bênçãos, oportunidades, crescimento, ampliação de horizontes.No plano económico, pode finalmente ver definida uma situação laboral que até agora estava indefinida”.

Seria agora que lhe iam fazer o contrato definitivo, que andavam a prometer há um ano? Fazia mesmo jeito, porque a mulher tinha acabado de ser despedida.

Sorveu a bica, apressado, numa baiuca da estação de metro. A meio da manhã o chefe chamou-o. Percebeu, pelo ar grave, que as notícias não seriam boas. Não eram. Depois de rasgados elogios ao seu trabalho, o chefe comunicou-lhe que “ em virtude das dificuldades económicas que a empresa atravessa” não lhe renovariam o contrato no final do mês seguinte.

Saiu do gabinete sem dizer uma palavra. A meio da tarde pediu ao chefe para sair mais cedo.Dirigiu-se ao jornal onde lera o horóscopo e pediu para falar com o director. Não estava. Pediu o Livro de Reclamações.

O Apocalipse ainda está para vir...

Parece-me óbvio que a primeira preocupação deste governo não é combater o défice, nem reduzir as despesas de funcionamento da Administração Pública ( aliás, não vi uma única medida no OE conducente a atingir esses objectivos, já que todos os cortes de despesa foram efectuados com recurso à penalização dos rendimentos das famílias).

O primeiro objectivo deste governo é, sim, desmantelar o Estado Social de forma a ser irrecuperável nas próximas décadas, pelos governos que lhe sucedam. Depois, quando estivermos à beira da bancarrota, o governo tentará renegociar a dívida e fará as reformas estruturais de que o país necessita. Entretanto, dará às empresas argumentos para reduzir os salários do sector privado ( Van Zeller, presidente dos patrões, já veio admitir a hipótese como muito provável) aniquilará os negócios familiares de ( quase) subsistência e aumentará o desemprego, que passa a custar menos dinheiro ao Estado.

O golpe final neste arremdo de democracia em que vivemos nos últimos anos será dado em 2014, quando a comunicação social se tornar num instrumento do poder, por via do sienciamento dos restos da RTP e pela criação de legislação inspirada no modelo húngaro, que controlará as empresas de comunicação social.

Nessa altura, aquela meia dúzia de patuscos que convocou uma manif em defesa da liberdade de expressão, estará repimpada em lugares de administração dessas empresas, fumando charutos e passeando-se em carros pretos de vidros fumados.

Imaginação prodigiosa? Talvez! Em 1992, quando escrevi um artigo a vaticinar que em duas décadas a União Europeia estaria à beira do estertor, também me chamaram maluco!

Grandes Bandas (14)


Sei que entre os leitores do CR há muitos fãs deles e, pelo menos um, que os acompanha à volta do mundo. Não é verdade, Hugo?Eu também sou fã e gosto muito desta música. E vocês?