terça-feira, 18 de outubro de 2011

Boa noite, D. Laura


Desculpe incomodá-la a esta hora tardia, mas é por uma boa causa.

Cometo a aleivosia de lhe pedir um grande favor, em nome dos portugueses que estão a ver a sua vida a andar para trás.

Tendo a senhora o privilégio (???) de dormir todas as noites com o homem que está a fornicar os portugueses e portuguesas, seria muito incómdo dizer-nos onde é que o seu marido tem a ética social?

Admito que a senhora também não saiba e nem sequer tenha alguma vez pensado nisso, mas está na hora de prestar um grande serviço ao país, divulgando-nos esse segredo.

Tomo a liberdade de lhe dar algumas instruções, para que lhe seja mais fácil descobrir este segredo tão bem guardado do seu esposo.

Não perca tempo a procurar na consciência, porque ele não tem. Na boca, também não está, porque ele está sempre a cuspir essa expressão e presumo que ela volte a entrar por um qualquer outro orifício.

Tenho um palpite… por isso lhe sugiro que vá directa ao assunto.

Faça a D. Laura o obséquio de enfiar uma luva numa das mãos e enfie o dedo anelar num buraco que ele deve ter ao fundo das costas ( não, D.Laura não é o buraco do orçamento, mas também pode cheirar mal)

Pois… é esse! Presumo que seja nesse cofrezinho que o seu marido/esposo guarde a tão apregoada ética social. Por isso, o que lhe pedia em nome dos portugueses, é que lha tire desse lugar e tente metê-la no coração dele.

Eu sei que é um pedido um bocado difícil de satisfazer, D. Laura, mas faça isso por amor aos portugueses. E quem sabe se nesta busca a senhora também não encontra o buraco nas contas públicas de que ele tanto fala ultimamente, mas não consegue explicar onde está?

Já imaginou como este acto cívico - só equiparável ao "milagre das rosas"- a pode catapultar definitivamente para as páginas da História de Portugal?

Antecipadamente grato, desejo-lhe uma boa noite. Sem insónias…porque isto de dormir com um fulano que passa os dias a fornicar os portugueses, não deve ser nada fácil…

Sempre ao dispor

PS: Não se esqueça de tirar a luva e desinfectá-la bem…

Prós e Contras

" Se tivéssemos um PR que não fosse só um conselheiro Acácio..." - dizia Carlos Carvalhas, em grande forma, no Prós e Contras de ontem onde, sozinho, teve de esgrimir argumentos contra Cantigas, Moreno e um Padre Vaz Pinto que devia ter vergonha na cara.


Gostei de rever Carvalhas. Com menos ironia do que lhe era habitual, mas com a mesma assertividade.


Reproduzo uma frase que me parece merecer alguma reflexão:


" Sejamos justos. Sócrates conseguiu reduzir o défice, o descalabro veio depois com a crise..."


Eu sei que vou ferir alguns leitores com o que vou dizer a seguir, mas é minha convicção que se Carvalhas ainda fosse líder do PCP, não teria chumbado o PEC IV. Não o digo apenas com base nesta frase, mas sim porque, em minha opinião, Carvalhas teria percepcionado o que está a suceder e não deixaria o governo cair. A ponderação dos "Prós e Contras" do chumbo do PEC IV teria sido um sinal de maturidade, teria evitado esta aventura trágica e o sofrimento de muitos milhares de portugueses nos anos que se avizinham, com a perda de poder de compra que nos faz recuar aos anos 70.


Agora vem aí uma greve geral, muitos gritos na rua, mas nada irá mudar ( porque 80 por cento vai trabalhar à espera que os outros 20 façam o trabalho por eles) e os trabalhadores é que sofrem. Sentados na sua maioria, com a aquiescência do PR e a cumplicidade de uns manjericos do Tribunal Constitucional, a direita vingar-se-á do 25 de Abril que nunca apreciou, mas que foi suportando infiltrada no PSD , à espera do momento ideal para agir.

Para que o cenário seja perfeito, só falta Seguro não votar contra o OE. Sendo essa a posição previsível, o líder do PS confirmar-se-á como o melhor abono de família da direita. Como, aliás, venho dizendo desde 2009.

Conversas com o Papalagui (60)

-Olá tuga, anima-te! Acabei de ler que o OE para 2012 é um orçamento de guerra...




- Pois é, mas ao contrário do que acontece nas guerras a sério, desta vez o governo aliou-se ao inimigo e traiu o seu povo.

No Metro com elas...graças a Deus!

As duas mulheres que vão sentadas à minha frente no metro, aparentam estar naquela década da vida onde todas as decisões são importantes, porque definem as opções quanto à velhice.

Têm voz metálica e falam vários decibéis acima do tom, perturbando-me a concentração na leitura de um artigo do “Courier Internacional”: Crise da dívida- e se a esquerda tiver razão?( Hei-de escrever sobre isto mais tarde…)

A mulher morena de cabelos curtos que deixam perceber uma ou outra cã, tem ar tímido e deve ser funcionária pública. Reclama contra mais um ano de congelamento de salários e de progressão na carreira , o corte nos subsídos e realça que o seu rendimento está agora ao mesmo nível de 1981. Teme que no próximo ano lhe voltem a reduzir o salário.
A outra, de longos cabelos negros, pulsos cobertos de pulseiras e cachucho no anelar, escondendo uma aliança, é mais desembaraçada. Acompanha as palavras com gestos efusivos e responde às reclamações da companheira de viagem:


“ Ó Manuela, francamente! Com esta crise tu tens emprego e ainda reclamas? Olha, a minha irmã foi despedida há dois meses, porque a empresa fechou. Está com uma depressão… ninguém arranja emprego com a idade dela…imagina o que é ficar no desemprego com os 50 anos à porta…”
Manuela olha para a companheira de viagem como quem pede desculpa pelo seu lamento.
“ Pois, tens razão…lá nisso tenho sorte, graças a Deus. Coitada da tua irmã…”


Desliguei da conversa neste preciso momento. Dei comigo a pensar que o nosso grande problema é resignarmo-nos com os males dos outros. Desde que haja alguém em pior situação do que nós, ao nosso lado, damos graças a Deus, persignamo-nos e seguimos em frente.

Este comportamento, ao contrário do que alguns argumentam, não é de solidariedade, nem compaixão. É de resignação. Comum à maioria dos portugueses. Enquanto formos assim, continuaremos a ser espoliados nos nossos direitos e a aceitar, agradecidos, a dádiva de um emprego.

Quando é que assumimos que o trabalho não é uma dávida, mas sim um direito?Até quando continuaremos a aceitar este sistema em que alguns acumulam capital à custa de trabalho remunerado ao mais baixo preço possível e em condições cada vez mais precárias?
Queremos regressar ao século XIX, ou construir uma sociedade mais justa no século XXI?

Só a nós compete decidir, não aos governos, cúmplices do grande capital que nos esmifra e a eles contempla com lugares bem remunerados nas suas empresas, se desempenharem de forma exemplar as ordens que recebem dos mercados, enquanto estiverem mandatados pelo voto popular.

E nós acreditamos que isto é democracia...graças a Deus!

A entrevista

Depois de 90 minutos a ouvir a exasperante conferência de imprensa de Vítor Gaspar, ainda tive de encontrar forças para assistir à entrevista dele à RTP ( Não foi masoquismo, foi dever de ofício, porque do lado de lá do Atlântico esperavam a minha crónica e uma rádio aprazara uma conversa comigo).

Devo dizer que não dei o tempo por mal empregue. Vítor Gonçalves foi acutilante e insistente nas perguntas, apenas deixando por uma vez – que me recorde- o ministro evadir-se. Penso que preferiu largar a presa, a desperdiçar aquela pergunta sobre Cavaco: “Como reage ao facto de o PR ter dito que era um erro penalizar ( não tenho a certeza se foi este o verbo) os funcionários públicos com a perda do subsídio de Natal ou de férias”?

Vítor Gaspar vacilou mas não foi ao tapete. Ao longo da entrevista ficou no entanto claro que ele não tem um plano B para o facto desta estratégia falhar e, daqui a seis meses, ser obrigado a pedir mais sacrifícios aos portugueses. Isso é alarmante, mas faz parte de uma estratégia governativa de que falarei em breve.

Preocupante, igualmente, ( pelo menos para mim que não sou economista) o facto de VG depositar uma fé enorme na venda das nossas empresas, como factor de desenvolvimento da economia. Mas se calhar, sou eu que estou a ver mal a coisa…

No que não estou enganado, é que VG teve o discurso típico de um ministro de Salazar. E, durante a entrevista, nem sequer faltou aquela mosca que sempre aparecia nas "conversas em família" de Marcelo Caetano.
Temos homem e temos governo, ao gosto dos senhores que pretendem o regresso de Portugal aos anos 60 do século passado.



Adenda: pelas três da manhã, o telefone tocou do outro lado do Atlântico. Perguntavam-me se Portugal estava próximo de um “ Corralito” .

“Já faltou mais”-respondi. “Infelizmente não se vislumbra por aqui um Gustavo Kirchner que nos tire do buraco”.

Descoberta da pólvora

"As medidas do Orçamento são duras, corajosas, indispensáveis. Mas não resolvem nada!"
( João César das Neves in DN 17 /10/2011)

Grandes Bandas (13)


Hoje deixo-vos com uma banda e luxo. Espero que gostem