sexta-feira, 7 de outubro de 2011

E Vancouver aqui tão perto...

Hoje assisti à audição do ministro Álvaro na Comissão de Economia e Obras Públicas. Era suposto apresentar o Plano Estratégico para os Transportes mas, surpresa, apresentou-se na Comissão sem nada...
Ao fim de uma hora, e depois de os deputados da oposição ameaçarem abandonar os trabalhos, lá apareceram umas folhas A4 devidamente encadernadas mas ( nova surpresa...) o conteúdo era um conjunto de ideias vagas, não fundamentadas, que não continham uma única linha sobre os impactos colaterais de uma Estratégia para os Transportes ( ambientais, energéticos, demográficos, etc).
Confesso que tive pena do ministro Álvaro, com aquele ar de quem ia a exame sem ter estudado a matéria. Em determinados momentos, a sua atrapalhação era tanta que parecia procurar um buraco onde se esconder. Não conseguiu responder a uma única pergunta e quando os trabalhos se encaminhavam para o final, o seu ar metia dó... Já assisti a dezenas de audições de ministros em comissões parlamentares e nunca vi um espectáculo tão deprimente.
Não estão em dúvidas as capacidades do ministro, que até pode ser muito bom técnico, mas foi notório o seu desconhecimento sobre a realidade portuguesa e a sua subordinação aos ditames financeiros do seu colega Vítor Gaspar.
O ministro da Economia, Emprego, Obras Públicas e etc não em estaleca para ocupar um lugar que exige um conhecimento abrangente das matérias e da realidade portuguesa. Não deverá demorar muito tempo, até regressar a Vancouver, onde certamente voltará a ser feliz.


Os deuses devem estar loucos...

Portugal bateu este ano todos os recordes na área do turismo. Diariamente, entraram em Portugal mais 2100 turistas do que no ano anterior e, em Julho, as metas estipuladas para todo o ano de 2011 quase tinham duplicado. Perante este cenário, qual é a reacção do governo? Suspender os apoios à promoção externa e ponderar a subida do IVA na hotelaria e restauração!


Esta gente ou é doida, ou quer mesmo acabar com o país...

E se os ponteiros do relógio começassem a rodar no sentido inverso?

Já aqui vos disse que gostei de “Midnight in Paris”, mas não considerei o filme deslumbrante. É, apenas, uma forma feliz de revisitar Paris, a cidade encantada desta Europa à beira do colapso. Enquanto via o filme, lembrei-me várias vezes da minha última estadia em Paris e de uma tarde numa esplanada do “Les Deux Magots” de que aqui vos falei.

Para quem não tenha paciência de ir ver o link direi, resumidamente, que também eu, naquela tarde, senti vontade de viver uma experiência idêntica à do protagonista de “Midnight in Paris”, pelo que a ideia de Woddy Allen não me pareceu nem brilhante, nem descabida. Apenas normal num qualquer cidadão que ame Paris.

Volto a falar de “Midnight in Paris”, porque uma descoberta recentemente anunciada, mas cuja validade ainda não foi confirmada, alimenta a fantasia de podermos viajar ao passado. Com efeito, se ficar provado que os neutrinos viajam a uma velocidade superior à da luz, será possível viajar ao passado. Fantástico, não vos parece?

Que bem nos faria, por exemplo, reviver o 25 de Abril, voltar aos bancos da escola, dançar ao ritmo da música da nossa juventude,ou ter nos braços a namorada por quem nos apaixonámos loucamente e que encontrámos há dias passeando o neto, de braço dado com um barrigudo. Bem, mas enquanto essa possibilidade não se concretiza, recomendo-vos a leitura do livro do cientista português João Magueijo, lançado há dias :“ O Grande Inquisidor”.


A história baseia-se em Ettore Majorana, um reputado cientista italiano que estudava os neutrinos e desapareceu, misteriosamente, a bordo de um barco a caminho da Sicília.

Ora esta tripla coincidência ( descoberta da velocidade dos neutrinos, “Midnight in Paris” e o lançamento do livro de João Magueijo sobre um físico que estudava os neutrinos), conduz-me a um filme (“ O Estranho Caso de Benjamin Button”) onde Brad Pitt vivia a vida ao contrário.

De súbito, uma cadeia de acontecimentos aparentemente sem relação entre si, torna os neutrinos alvo de todas as atenções, protagonistas de um futuro que nos remete para o passado. Fico na dúvida se será uma boa notícia e não posso deixar de pensar que, concomitante àquela tripla coincidência, Passos Coelho também se comporta como um neutrino que, na ânsia de ser mais rápido do que a troika, conseguiu em poucos meses fazer o país regredir 30 anos e promete ir mais longe.

Por momentos dou comigo a pensar se não terei sido também apanhado nesta rede de conluios protagonizada pelos neutrinos ao criar a rubrica CR sub 30 que, não sendo uma "Loja de Nostalgias", evoca objectos e profissões que nos remetem para o passado.

Foi então que me lembrei das palavras de João Magueijo numa entrevista ao jornal “i” :

“ Há a possibilidade de ser tudo ao contrário do que pensamos”.
Resta saber se isso é bom ou mau, mas depois logo se vê…
Não deixa no entanto de me seduzir a ideia de a Humanidade poder regressar ao passado para corrigir os erros e construir um futuro melhor. Só que isso já seria sonhar demasiado...




Que grande lata!

“A crise que atravessamos é uma oportunidade para que os Portugueses abandonem hábitos instalados de despesa supérflua, para que redescubram o valor republicano da austeridade digna, para que cultivem estilos de vida baseados na poupança e na contenção de gastos desmesurados, para que regressem ao consumo de produtos nacionais, para que revisitem o seu país e aí encontrem paisagens esquecidas e um património histórico que só sendo conhecido pode ser acarinhado e preservado.”
( Cavaco Silva, no dia 5 de Outubro de 2011)

Ainda pensei que o PR iria anunciar, em nome da ética republicana, a devolução do dinheiro daquelas acções do BPN, mas depressa constatei que se tratava de mais um discurso bacoco, a fazer lembrar o tempo do Estado Novo. E que não condiz com a prática de Belém, como ficou demonstrado na embaixada que o acompanhou aos Açores. Que grande lata!Ponto final.

Grandes Bandas (5)



Uma das grandes bandas da época. Nem toda a gente apreciava o estilo, mas foram responsáveis por um novo estilo, que quebrou o ritual das bandas tradicionais. A escolha não será das mais felizes, mas parece-me que vai bem como grito de alerta para a modorra em que vivemos, que tolera com indiferença todas as mentiras. Com dedicatória especial para o Alberto João, aqui ficam os Fleetwwood Mac e " Little Lies"