segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Vergonhas!

É a única palavra que me ocorre para definir o tratamento dado pela comunicação social à manif do dia 1 de Outubro.

Mas é também "vergonha" a palavra que melhor define a atitude do procurador que devolveu um pedido da justiça brasileira, alegando desconhecer o significado da palavra "oitiva". Não esteve para se maçar com essa minudência, quando lhe bastaria consultar um dicionário para ficar a saber que "oitiva" significa "audição".

O que a justiça brasileira pretendia era a audição de Duarte Lima, ( ao que parece) único suspeito do crime que vitimou a ex-companheira de Tomé Feteira.

Só que, neste caso, à palavra "Vergonha" deve juntar-se "Preguiça". As duas palavras, conjugadas, deram muito jeito a Duarte Lima, mas contribuiram para desacreditar, ainda mais, a justiça portuguesa.

Portugal rumo ao futuro



Nunca foi tão fácil prever o nosso futuro. Basta olhar para a Grécia, para nos vermos ao espelho. De corte em corte, de medida de austeridade em medida de austeridade, este governo está a conduzir-nos ao naufrágio. Mesmo que consigamos cumprir o défice, a recessão será tão avassaladora ( em 2012 será igual à da Grécia) que passará pelo menos uma década até que nos consigamos soerguer.

Apesar de a orquestra europeia continuar a tocar, a desafinação é evidente. Já chocámos com o iceberg, mas continuam a querer convencer-nos que estão a conduzir-nos a porto seguro. Com esta tripulação a seguir as orientações de uma troika de robots, não há salvação possível. Afogar-nos-emos nas águas lodosas do capitalismo selvagem, enquanto os economistas de serviço esbracejam e gritam que o nosso barco não é igual ao dos gregos. Talvez tenham razão, mas as piranhas são as mesmas...

Podiam, ao menos, conceder-nos o direito a uma morte digna!

CR sub-30: Dionísio contra Narciso

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Os seniores que viajam na carruagem do Metro cresceram e conviveram em grupo(s) .Num ou vários, maiores ou menores, pouco importa, porque tinham um denominador comum projectado no centro de todos eles. Divertiam-se em festas particulares, organizavam tertúlias e iam ao cinema em grupo. Às vezes encontravam-se nos cafés e a rua era um espaço de recreio.

Os jovens funcionam em rede e já não pertencem apenas a um grupo. Associam-se a vários, estabelecem várias pontes, não apenas pelas afinidades cognitivas , culturais e sociais. Não há fusões colectivas ecléticas - mas no fundo unanimistas - com regras ditadas a partir de dentro que quando desrespeitadas por um dos membros conduzia ao seu afastamento. Hoje em dia os jovens agrupam-se num somatório de individualidades gregárias, unidas por um elemento ( seja ele o gosto por um género musical, uma prática desportiva, ou qualquer outro ponto comum) , onde cada um é dono de si próprio e procura a sua afirmação individual, porque os padrões de consumo são também determinados por gostos individuais que não se confundem com os gostos do grupo.

O habitat, o estrato social ou as escolhas académicas deixaram de ser determinantes para a formação do grupo, que passou a funcionar como somatório de indivíduos. Os jovens já não pertencem apenas a um grupo, mas a vários, consoante os interesses do momento , e os seniores que a seu lado viajam provavelmente também, embora seja crível que mantenham laços com vários elementos do grupo onde cresceram. A vitória do indivíduo sobre o grupo será, no entanto, mais visível nos jovens do que nos seniores.

É fácil aceitar que assim seja, se pensarmos que a sociedade da hiperescolha é uma sociedade que cultiva as aparências, pelo que a construção de uma imagem se afigura como fundamental para o sucesso. Os indivíduos da sociedade da hiperescolha não cultivam apenas uma boa imagem social. Aprenderam na escola que a competitividade é uma forma de sobrevivência e que vencer no mercado trabalho os obriga a diferenciarem-se do grupo, a criar um currículo e um portfolio de apresentação que impressione o empregador, e de ser persuasivos no momento de uma entrevista.

Isto acontece, porque as instituições foram as primeiras a perceber a importância da competitividade para triunfar nos novos mercados. Mais ainda, perceberam que numa época em que as marcas perderam alguma importância as empresas, para competir num mercado globalizado, têm de exibir ao público , para além de uma boa imagem, algumas características distintivas. Ora a comunicação com o público depende, em boa parte, da boa imagem dos seus colaboradores, da sua afabilidade e cortesia e até do modo de vestir. Por isso, algumas impuseram regras de vestuário e a partir delas cimentaram uma cultura empresarial que se tornou distintiva para quem lá trabalha.

Os colaboradores, por sua vez, aceitam viver sob pressão diária para triunfar na vida profissional, relegando para segundo plano a vertente familiar e o convívio com os amigos. A empresa acima de todas as coisas, porque é esse o custo a pagar pela satisfação do prazer de consumir. Ou seja, a via para a felicidade dionisíaca.

( Continua)

Bem aventurados os pobres de espírito

Perdoai-lhes, Senhor, porque não sabem o que dizem. O problema é que são estas diatribes que dão força aos embusteiros.

Grandes Bandas (1)

Começo esta nova série com uma das minhas bandas preferidas que está agora a reeditar toda a sua discografia. Com a saída de Roger Waters, nunca mais voltaram a ser os mesmos mas, ainda assim, deixaram-nos alguns sucessos notáveis. O melhor álbum? Hesito entre "The Dark Side of the Moon" e "The Wall". E vocês?
Para início desta rubrica deixo-vos com esta pérola. Espero que gostem...