domingo, 2 de outubro de 2011

Sopapos

Por vezes, quando ando pelos blogs, apanho uns sopapos. Aconteceu-me ao ler este post.

Quanto mais me bates...



Não percebo a indignação contra o juiz da Relação de Évora, por ter considerado que uma agressão com uma cadeira não é suficiente para ser qualificada como crime de violência doméstica


A absolvição é perfeitamente justificada. Ou já se esqueceram da tese do Mendes Bota sobre as causas da violência doméstica? (Então leiam aqui, faz favor...)

E não se recordam desta preciosa sentença, precursora da do juiz de Évora? Ou da de um outro juiz que absolveu um molestador sexual, porque a turista estava mesmo a pedi-las?

Além disso, os juízes que proferem estas sentenças têm a mesma origem dos tugas que manifestam grande satisfação com um governo que lhes reduziu os salários, aumentou os impostos e as despesas com a saúde, cortou os benefícios sociais, roubou metade do subsídio do Natal e promete, diariamente, que no próximo ano é que isto vai doer.

Lá diz o povo , na sua eterna sabedoria, "quanto mais me bates, mais gosto de ti". Ora estes juízes ( tal como o popular deputado cantadeiro Mendes Bota) vêm do povo, pelo que é muito natural que as suas sentenças reflictam o sentimento popular.

Tão ladrão é o que rouba a horta, como o que fica à porta

Por muitas voltas que se dêem, por muitos discursos críticos do governo em relação à dívida da Madeira, a verdade é esta:
O PSD ( liderado pela troika Cavaco Silva, Relvas e Manuela Ferreira Leite) tem caucionado a roubalheira de Jardim e recusa anunciar medidas que possam prejudicar a sua reeleição com maioria absoluta. Isso seria um rude golpe para o PSD e Relvas percebeu-o muito bem, pelo que se apressou a sair em defesa do líder madeirense.
Pedro Passos Coelho até não morrerá de amores pelo líder madeirense e gostaria de o ver entalado, mas a falta de coragem política obrigou-o a meter a viola no saco, calar as críticas e adiar o anúncio das medidas a tomar. Ora isso torna-o cúmplice e encobridor de uma dívida que vai agora ser paga por todos os portugueses.

Bate, bate, coração (27)


Venham lá recordar a bela Marie Laforet, capaz de alternar o bom com o péssimo, mas que marcou uma época de resistência, quando a música francesa já perdia terreno para os sons anglo-saxónicos.

O acto falhado do speaker da CGTP

Não terá sido uma manifestação grandiosa, mas foi uma grande manifestação. Não terá reunido tantas pessoas como algumas das realizadas em protesto contra o governo anterior, o que se compreende, porque os portugueses parecem estar satisfeitos com as medidas deste governo que lhes cortou em apenas três meses mais direitos e roubou mais dinheiro, do que os governos de Sócrates em seis anos. Muitos portugueses são masoquistas, adoram tiques governativos que lhes façam lembrar os saudosos tempos do Estado Novo e contra isso nada a fazer.
De qualquer modo, quando cerca das 17 horas eu chegava aos Restauradores, a speaker dizia que ainda havia gente a descer a Fontes Pereira de Melo, o que permite perceber a dimensão da manif.
O que não era preciso era o acto falhado de um speaker na Av da Liberdade. Entusiasmado com a mole humana que desfilava à sua frente, gritou a plenos pulmões:
“ É preciso derrotar este governo PS/CDS que está a levar o país ao empobrecimento”
Eu e as pessoas que me acompanhavam, ainda esperámos que ele emendasse, mas nada… Na CGTP ainda haverá quem pense que é o PS que está no Governo e não o PSD, ou confirma-se que realmente o ódio ao PS se sobrepõe às críticas ao PSD?