quinta-feira, 29 de setembro de 2011

CR sub-30- ex-machina, ou a geração em rede

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Os jovens que viajam no Metro levam computadores portáteis. Talvez em casa tenham atendedores de chamadas, um televisor no quarto se viverem com os pais, ou no quarto dos filhos, se forem casados. Quando à noite chegarem a casa, fora de horas porque tiveram de fazer horas extraordinárias, vão ao frigorífico, pegam numa refeição pré-cozinhada e preparam-na no micro-ondas porque vivem sozinhos ou a família já jantou há muito. Depois, talvez vejam um pouco de televisão, ou se liguem à Internet e conversem com amigos e desconhecidos nas redes sociais.

Neste curto espaço de tempo, utilizaram uma série de aparelhos que ajudaram a moldar a sociedade actual e os padrões de vida que facilitaram o crescimento do individualismo e modificaram a organização social. O aparecimento de produtos facilitadores da vida independente e solitária, a variedade da oferta e a rápida obsolescência dos produtos criaram um consumidor mais exigente, mas dominado pela obsessão de consumir de acordo com os seus gostos e exigências pessoais.

Assim nasceu um consumidor tiranizado pelo prazer e pela personalização dos produtos que ( quer pelas suas características, quer pelos serviços pós-venda, quer ainda pelos upgrades que proporcionam) o distinguem do consumidor sénior, massificado pelo consumo padrão. A regra deste jogo é marcar a diferença em relação aos outros e comprar o que se quer, quando se quer, porque o dinheiro é uma mercadoria fácil e barata que permite satisfazer os desejos.
Os jovens não imaginam o mundo sem televisão, telemóvel, Internet e uma vasta parafernália de aparelhos,produtos e gadgets que ajudaram as pessoas a serem menos dependentes umas das outras; os seniores só tardiamente vieram a conhecer esses produtos, mas também os tornaram indispensáveis ao seu modo de vida.

Os seniores viveram numa sociedade estruturada em volta da família, onde eram o centro nuclear ; os jovens talvez vivam com os pais, sejam divorciados ou vivam sozinhos, mas sabem que a negociação no âmbito familiar passa pela repartição do tempo e das tarefas.
Os jovens, apesar de ainda não terem chegado aos 30 anos, já trabalharam em quatro ou cinco empresas diferentes, sempre com contratos precários, obrigados a fazer horas extraordinárias. Aprenderam, rapidamente, que o sucesso está associado às suas capacidades, mas também à promoção que façam de si próprios no seio da(s) rede(s) em que se movem.

Os seniores apenas conheceram uma empresa ao longo da vida, ( vá lá duas...) um patrão, fizeram a sua carreira profissional dentro da mesma especialidade e aguardam a reforma que o Estado Providência, com mais ou menos incumprimentos, lhes assegurou.

São modos de vida diferentes ( ou talvez nem tanto assim, como adiante veremos) mas com um denominador comum: Dionísio- o deus do prazer - comanda a vida de ambos.A grande diferença é que os seniores viveram numa sociedade igualmente dionisíaca, enquanto os jovens se depararam com uma sociedade onde a economia e a competitividade fecharam a porta a Dionísio, para deixar entrar Narciso.

( Continua)

Sugestão de leitura complementar: os loucos anos 20





O génio da lâmpada

Já sabíamos que tinhamos um primeiro-ministro mentiroso, mas simpatico ( o que explica o facto de os portugueses estarem constantemente a cair no conto do vigário, mas não apresentarem queixa à polícia, por terem vergonha de passar por estúpidos); um Goebbels Verde ( a relva para já ainda mantém a cor) que contratou como especialista o Pedro Correia, agora nada preocupado com a falta de liberdade de expressão. Até já sabíamos que tínhamos um ministro que é um génio ( da lâmpada?)...mas pessoalmente não sabia que era caloteiro!


Preparava-me , após a descoberta, para escrever sobre este genial ministro da Deseducação. Iria certamente escrever que é um genial embusteiro, quiçá um genial imbecil e, comprovadamente, um genial pedante. Mas como entretanto ouvi isto, já não escrevo nada, porque está tudo lá. Ora oiçam...

Pedro e a Grafonola Ideal

Há duas semanas, na AR, Pedro Passos Coelho prometeu apresentar até dia 30 de Setembro o diagnóstico da Madeira e as medidas a adoptar para corrigir a dívida. Ontem deu o dito por não dito, reconheceu que tinha falado demais e não tem condições para apresentar as medidas que irão penalizar os madeirenses e, por arrasto, todos os portugueses.

Ficamos a saber que o nosso PM está condicionado na sua acção governativa pelo ministro Relvas - A Grafonola Ideal que o condiciona politicamente.Ora esta constatação, merece algumas reflexões.

Mais do que a dívida da Madeira, preocupa-me a desvalorização que Jardim lhe confere. Eu sei que apenas confirma o que já todos sabiam, mas disfarçavam assobiando para o ar: a Madeira é governada, há mais de 30 anos, por uma pessoa que poderia ser facilmente substituída, no exercício das suas funções, por um qualquer residente naquele edifício da Av. Brasil cujo nome oportunamente se me varreu da memória.

Entretanto, AJJ volta a falar de independência. Seria uma boa oportunidade para aceitar a proposta, apesar de no dia seguinte ele ter afirmado que afinal seria uma má ideia. É o desnorte de uma criança apanhada, em flagrante, a assaltar o pote da geleia.

Depois da intervenção punitiva de Relvas, ficamos porém todos a saber que PPC, além de medroso, não é homem de palavra. Ficará à espera dos resultados eleitorais para anunciar as medidas, ganhando espaço de manobra. Se AJJ vencer com maioria, os portugueses pagarão uma boa factura dos desvarios do aldrabão da Madeira. Se não o conseguir, os madeirenses pagarão uma factura mais pesada, aliviando os sacrifícios dos portugueses.

Ter um primeiro ministro com reserva mental não indicia nada de bom para o nosso futuro, mas ter uma Grafonola Ideal a condicionar a sua acção governativa, é preocupante.

A Vespa (que) não lê blogs

A "Vespa", rubrica da secção política do DN, perguntava no último sábado quem seria o membro do gabinete de Relvas, cuja tarefa é inspirá-lo com citações literárias: Correia? Figueira? Gonçalves?



A "Vespa" não deve ler a blogosfera, caso contrário saberia a resposta. Pois é esse mesmo, aquele blogger que transforma as badanas dos livros em posts literários e deixou de escrever posts a desancar no José Eduardo dos Santos, desde que a "Visão" publicou um trabalho sobre Relvas. O respeitinho é muito lindo, quando a conta bancária fala mais alto!

Notícias da Primavera árabe

As mulheres continuam a adquirir novos direitos.

Sucessos de Verão (63)


A bota das sete léguas também foi um grande sucesso de Verão, mas aqui houve dedo do papá...