quarta-feira, 28 de setembro de 2011

100 dias,100 ideias

É o balanço dos primeiros 100 dias de governo. Não há uma ideia, não há um rumo, não há um sinal mínimo de coerência. O único ideal deste governo é governar com ódio e desprezo por quem trabalha.

CR sub-30: Filhos de Dionísio





Os seniores da carruagem de Metro são filhos do conflito da II Guerra Mundial, precursores da geração dos baby boomers e frequentaram a Universidade, numa época em que a figura de Dionísio animava as discussões sobre as democracias emergentes, nascidas num quadro de expansão de valores hedonísticos, geradores de modos de vida que entraram em ruptura com a sociedade autoritária e tecnocrática.

Assistiram à explosão da sociedade de consumo de massas, onde os actos de consumo se esgotavam na satisfação das necessidades. A mítica geração contestatária, intérprete do Maio de 68, do slogan Make Love Not War, protagonista de Woodstock, iria romper com os autoritarismos, lutaria contra a guerra e os proibicionismos sexuais , exaltando a libertação do corpo e reclamando o direito ao prazer.

O importante na juventude daqueles seniores foi, certamente, poder vibrar com as sensações do corpo, explodir contra as instituições burguesas desfrutar o prazer nos seus limites. Manifestou esse desejo em grupo. Transgredindo, expressando-se em manifestações de rua, em concertos rock com experiências psicadélicas, exaltando os prazeres da carne e do consumo de massas, glorificando o “Peace and Love”, a força do grupo.

A geração destes seniores viveu um período áureo em que o mundo evoluiu da penúria para a abundância, quando a sociedade de consumo apenas pretendia satisfazer as necessidades dos consumidores e não lhes colocava, em cada acto de consumo, um questionário de escolha múltipla.

Os jovens que viajam no mesmo Metro nasceram numa sociedade diferente, onde o espírito de transgressão continua a existir, mas passou de moda, a sociedade de consumo de massas evoluiu para a sociedade da hiperescolha, movida pelos megabytes das novas tecnologias em que o cidadão consumidor é confrontado com múltiplas ofertas e aliciado, pelo marketing e pela publicidade, a usar e deitar fora, a cultivar o desperdício, porque as novidades surgem em cada dia e o crédito se anuncia, libidinoso, como mulher de vida fácil oferecendo os seus préstimos em cada esquina.


Dionísio já não mora aqui?

Os seniores cresceram numa época em que as alegrias eram colectivas e os prazeres se partilhavam em grupo, mas estes jovens deixaram de viver em grandes grupos e passaram a viver em nichos cada vez mais restritos, onde os gostos se personalizaram.Continuam a existir as manifestações de massas, como bem evidenciam os festivais de Verão, mas a oferta é agora muito mais diversificada e ir a um festival de Verão é mais um ritual do que uma manifestação de vontades. É uma forma de vida.Estes jovens substituitram a reivindicação pela satisfação quotidiana do prazer, mas tiveram o azar de percorrer o caminho inverso dos seniores. Nasceram, estudaram e cresceram numa sociedade de abundância mas, ao chegar à idade adulta, encontraram uma sociedade de penúria, onde o dinheiro deixou de ser barato e a forma de o alcançar através do trabalho, cada vez mais difícil.

Os jovens que viajavam no Metro naquela manhã vivem agora num mundo que parece ter saído do seu eixo e mudado a sua órbita. Quando a prosperidade parecia não ter limites e o triunfo da sociedade de lazer parecia iminente, tudo mudou. A globalização favoreceu o aparecimento de países emergentes como o Brasil, Índia ou China, que à custa de salários baixos conseguiram entrar nos tradicionais mercados de forma agressiva, alterando as suas regras. Empresas tradicionais deslocalizaram-se aproveitando a oportunidade de pagar salários mais baixos e se tornarem mais competitivas, mas perderam a sua identidade nacional.

O mercado de trabalho torna-se mais competitivo e os vínculos laborais mais precários. O consumo tornou-se o objectivo supremo das sociedades democráticas- que não são dionísicas- , mas Dionísio domina o estilo de vida de cada cidadão consumidor que satisfaz a sua voragem consumista em grandes superfícies profusamente iluminadas, com cantos de passarinhos robotizados e odores pré-fabricados, numa verdadeira orgia de ofertas .

O dinheiro é o novo rei dos mercados, regulador de conflitos, compra todos os prazeres e satisfaz todos os desejos, o bem estar o novo deus, a cultura do lazer um modo de vida. O hiperconsumo e a hiperescolha são as novas drogas que saciam a voracidade consumista, oferecendo-se aos consumidores com menos recursos, em saldos, liquidações, promoções e vendas a crédito.

Foi desta forma subtil que a sociedade de consumo foi criando as condições para o nascimento do consumidor individualista, dionisíaco e competitivo, que fermentou na sociedade da solidão, onde a Televisão e sobretudo a Internet , se erigiram a novas substâncias dopantes, acessíveis a (quase) todas as bolsas.

(Continua )

Sugestão de leitura complementar: Do cometa Halley à Primeira Guerra Mundial

A nova ideóloga do PSD


Teresa Leal Coelho, vice-presidente do grupo parlamentar laranja tem uma peculiar visão sobre as soluções para a governança coelhista.

" Se dizem que a proposta viola a Constituição, mude-se a Constituição" disse durante a discussão da proposta de lei sobre o enriquecimento ilícito.


A próxima proposta da Tareca laranja será, porém, muito mais radical.


" Se o despedimento sem justa causa é inconstitucional, acabe-se com os trabalhadores!" -dirá a vice laranja durante uma próxima intervenção na AR.


Legítima defesa

Alberto João Jardim escondeu a dívida em legítima defesa...
O governo vai abotoar-se com as verbas do Euromilhões, em legítima defesa...
E eu?


Vou pedir um empréstimo avultado a um banco e depois emigro, porque Portugal está cada vez mais perigoso e sempre poderei invocar a fuga, como legítima defesa...

Sucessos de Verão (62)


Estes estavam mesmo perdidos no fundo do baú. Resgatei-os já quase no fim da época... Muitos parabéns a quem ainda se lembrava deles.