segunda-feira, 26 de setembro de 2011

CR sub 30- Apresentação



Uma rubrica sobre o conflito de gerações? Nada disso.
Uma rubrica nostálgica de exaltação do passado? Também não.
Lembrei-me de a criar porque tive a felicidade de, durante alguns meses, animar uma tertúlia sobre o século XX com jovens entre os 18 e os 25 anos.
A pessoa que me lançou esse desafio sugeriu-me que utilizasse como guião o meu Rochedo das Memórias, trabalho publicado em 1999 e que aqui fui reeditando São 135 posts onde faço o meu retrato do século XX e que podem ler clicando na imagem da coluna da direita. Não correspondendo à versão integral, dão uma imagem da forma como me propus analisar o século XX, em 1999, num trabalho efectuado para diversas revistas portuguesas e sul-americanas.
Ao longo das sessões tertulianas, fui percebendo que a maioria dos 20 participantes tinha uma fixação nos anos 20 e nos anos 60/70. Um dia, perguntei:
- Estariam vocês dispostos a viver nos anos 20, 60 ou 70, sem usufruir dos padrões de consumo que o século XX vos proporciona? Encarariam esses períodos com o mesmo entusiasmo?
Não divulgo as respostas que obtive, enquanto não terminar esta série...
Até lá, apenas vos digo que o CR sub-30 tentará analisar as diferenças entre a sociedade de consumo de massas, que começou a emergir no final dos anos 20 do século passado e atingiu o seu apogeu no pós guerra, e a sociedade da hiperescolha em que vivemos nos últimos 15 anos.Foi essa diferença que moldou diferentes gerações.
Neste interim, o que mudou não foi o conceito de felicidade, foi o modo de a fruir. É sobre essa diferença que se falará aqui a partir de Outubro.
Antes de iniciar a rubrica irei entrar diariamente convosco numa carruagem de Metro, onde viajam quatro passageiros. Iremos ouvir as suas conversas, ver as suas reacções e comportamentos. E tentar perceber melhor o que separa um jovem de 30 anos, de um sénior com 60. Muito mais do que uma geração, é a distância entre Narciso e Dionisio.

Então até amanhã, sensivelmente a esta hora, numa estação de Metro perto de si.

Alice através do espelho




Portugal está a viver a maior crise de descrença nas instituições, de que tenho memória.


É sintomático que, perante a abertura de um inquérito às contas da Madeira, anunciado pelo PGR, as pessoas reajam com indiferença, antecipando-lhe o fim. É que mesmo no caso de AJJ vir a ser condenado, as pessoas sabem que ele nunca cumprirá qualquer pena.


Olham para o exemplo de autarcas como Isaltino de Morais ( apesar de condenado continua a exercer as funções de presidente da câmara de Oeiras) , Ferreira Torres, ou Fátima Felgueiras ( só para falar de casos mais recentes e mediáticos) e escondem um sorriso.


Lembram-se do juiz que absolveu Domingos Névoa pela tentativa de corrupção ao vereador da câmara de Lisboa, Sá Fernandes, invocando que o vereador não tinha poderes para satisfazer o pedido do empresário, e soltam uma gargalhada.


No caso Freeport, o concubinato entre jornalistas e sistemas judiciais deu para vender papel e os portugueses correram para as bancas a comprar papel de embrulho, ou postaram-se diante dos televisores a ver o telejornal, com o mesmo empolgamento com que acompanham as telenovelas brasileiras. O vilão daquele seriado, Sócrates, tinha todas as condições para ser odiado. Mesmo que o desenrolar da trama viesse a demonstrar que o enredo tinha sido fabricado para aumentar audiências, pouco se importavam, porque o “suspense” estava garantido.


É mais ou menos o que se está a passar com AJJ e a Madeira. O argumento deste seriado veio mesmo a calhar para desviar a atenção dos problemas que o país vive e remeter para segundo planos os sacrifícios que nos estão a ser pedidos. Serviu também para transmitir a imagem de que Passos Coelho é uma pessoa íntegra e dura, que não se deixa influenciar por interesses partidários.


O cenário foi bem montado, o protagonista é bem parecido, e o argumento bem construído. Não falta aquela pitada de suspense dos seriados de série B, nem o toque de telenovela das 9, mas o final não trará qualquer surpresa: os madeirenses voltarão a eleger AJJ com maioria e descobrir-se-á que o vilão não era o homem da casa da Vigia, que será coimado e admoestado, mas passará incólume ao desenrolar da trama.


O vilão desta novela de terceira classe é Pedro Passo Coelho, que utilizou as diatribes de uma personagem de segundo plano, para o erigir a figura central, enquanto se escondia nos bastidores para fazer passar as suas políticas que visam a destruição dos direitos conquistados com o 25 de Abril. Os espectadores estavam muito distraídos e nem se aperceberam de nada…


Não me venham falar em crise das instituições. Não é que ela não exista, mas será mais apropriado falar em crise de cidadania. Se os portugueses fossem comprometidos com a vida cívica; se não se tivessem deixado obnubilar pelas promessas da Cinderella da sociedade de consumo; se não se tivessem deixado seduzir pelos enredos da telenovela em que se transformou a vida política portuguesa; se não tivessem deixado que a ficção lhes coarctasse o discernimento, nunca teríamos chegado a esta situação.


É sobre isso que todos devemos reflectir, antes que seja demasiado tarde.

Cavaco deixou boa imagem nos Açores e já tem grupo de fãs

Carlos César lamentou que Cavaco não tivesse aproveitado a ida aos Açores para contactar com as populações. Não sei se o presidente do governo regional dos Açores estava a ser sincero, ou simplesmente a fingir que não percebeu as razões da ida do PR ao arquipélago. Mas isso agora também não interessa nada... ou melhor, interessa tanto quanto o interesse de Cavaco em conhecer os problemas dos Açores.

As vacas açorianas ficaram radiantes com os elogios de Cavaco aos seus sorrisos e , na hora da despedida, não se esqueceram de retribuir a simpatia.


Esta, muito conhecida em Ponta Delgada, até pretendeu oscular o PR, mas um dos 12 seguranças que integraram a comitiva de Cavaco, impediu a concretização da demonstração afectuosa.

Esta, mais atrevidota, resolveu exibir o seu sex appeal, o que provocou uma cena de ciúmes de Maria Cavaco Silva. Mas foi ao chegar ao aeroporto que Cavaco teve a maior surpresa:



Um grupo de vacas enfeitadas a preceito manifestou-se e apresentou as suas reivindicações. Segundo fonte normalmente bem informada, Mário Nogueira terá pedido aos animais para não se manifestarem, porque neste momento há questões muito mais importantes para as vacas do que antenas parabólicas e telemóveis.



Créditos: a foto da manif foi surripiada ao blog Ideias e Ideais. Quanto às restantes, foram sacadas na blogosfera anglo-saxónica.

Sucessos de Verão (60)


Quem se lembra desta senhora? Confesso que não recordo nenhum sucesso criado por ela, por isso trago aqui uma canção de um grande filme da época, com a belíssima Anouk Aimée