domingo, 18 de setembro de 2011

From Texas with love...


Naquela tarde de Abril de 1995,Duane Buck deixou o emprego na modesta oficina de uma pequena cidade do Texas cantarolando “ Are you Gonna go my way”.

A vida correra-lhe de feição nos últimos meses, o que lhe deu alento para pedir à namorada Debra que compartilhasse com ele o resto da sua vida. Ir-lhe-ia propor, durante um jantar de camarão panado e batatas fritas no "TGiF" ( Thanks God it's Friday), que selassem o compromisso numa cerimónia discreta, testemunhada apenas pelos amigos mais íntimos. Como era sexta-feira e ambos estariam de folga no dia seguinte, levá-la-ia a dançar na discoteca local depois do jantar.

No outro lado da cidade, Debra ajudara o último cliente do supermercado a acomodar as suas compras, fechara a caixa registadora e despedira-se das colegas de uma forma mais frívola do que era habitual, quando folgava ao fim de semana.

Dirigiu-se para a paragem do autocarro que a levaria ao encontro aprazado com Duane. Ia tensa e insegura.Ensaiara dezenas de vezes o discurso que selaria o final do seu relacionamento com Duane.

Ao fim de muitas tentativas, pensou ter encontrado as palavras certas e, no caminho, ia repetindo o discurso ensaiado durante os últimos dias.Quando o autocarro parou, a escassos metros do KFC, o coração começou a bater-lhe mais forte. Quando desceu, avistou Duane. Percebeu que estava bem disposto, até eufórico, pois via-o dar constantemente palmadas nas costas de Larry, entremeadas por gargalhadas gostosas.

Debra vacilou. Por momentos pensou recuar. Ir para casa, ensaiar uma vez mais o discurso, e telefonar a Duane dando-lhe a notícia. Tarde demais. Duane vira-a e acenava-lhe. Gesticulava incitando-a a andar mais depressa, enquanto envolvia o corpo com os seus próprios braços num amplexo amoroso e divertido.Debra estugou o passo e parou a um metro de distância de Duane. Ele notou-lhe a ausência do sorriso habitual, descortinou-lhe a face hirsuta e estranhou que ela não corresse para os seus braços, unindo os lábios aos seus num beijo apaixonado. Por um instante lembrou-se que nos últimos encontros a sentira mais fria e distante do que habitualmente, mas atribuiu isso às preocupações que a atormentavam.

Sussurrava-se que o supermercado onde Debra trabalhava iria encerrar e já ambos tinham comentado isso, mas sem dar demasiada importância aos rumores. Duane tentara tranquilizá-la, dizendo que se isso acontecesse, ele não lhe faltaria com nada. Os lábios dos dois tocaram-se levemente. Ele pegou-lhe na mão, depois cingiu-a pela cintura e entraram no restaurante.

Com um camarão bailando-lhe entre os dedos negros e o olhar cintilante, Duane balbuciou:

- Tenho uma coisa importante para te dizer…

Debra suspirou interiormente de alívio. O discurso ensaiado dias a fio nunca seria proferido. Duane também queria comunicar-lhe o rompimento. Percebera que o seu relacionamento esfriara e ia tomar a iniciativa. Talvez até já tivesse outra namorada, o que tornaria tudo mais fácil.

- Queria pedir-te para casares comigo!

Debra sentiu uma vertigem. O discurso esvaiu-se-lhe da memória num passe de mágica e as palavras saíram-lhe em sopetão:

- Não posso! Estou apaixonada pelo Kenneth e hoje vinha dizer-te que estava tudo acabado entre nós.

Duane Buck deixou cair o camarão. Bebeu a cerveja de um trago, lançou um olhar de desprezo a Debra e saiu.


Dois anos depois…


Em 1997, numa tarde quente de Junho, Duane está sentado no banco dos réus, pronto a ouvir a sentença por um duplo crime. Os autos acusam-no da morte de Debra e Kenneth, no dia seguinte ao jantar em que se sentira ferido pela rejeição.

Ensandecido, Duane dirigiu-se no sábado a casa da namorada. Forçou a porta e entrou. Lá dentro estavam a irmã, Kenneth, Debra e a filha. Duane atinge a irmã com um tiro na face. Mata Kenneth e arrasta Debra para a rua. A filha pede clemência. Duane Bruck mata Debra com vários tiros. É preso sem resistência. Apenas diz ao polícia que o algema:
“A puta teve o que merecia”
Confessa os crimes durante o julgamento. É condenado à pena de morte.
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Setembro de 2011


Duane está no corredor da morte desde 2004. Os advogados de defesa pedem a anulação da pena a sucessivas instâncias, alegando que a decisão do júri fora influenciada por esta afirmação de um psicólogo, prestada sob juramento:

“Os homens negros são mais propensos do que outras raças a reincidir no comportamento criminoso após serem libertados” .

Rick Perry , governador do Texas e candidato a concorrer pelos republicanos do Tea Party à presidência dos EUA, foi o último a recusar o pedido, apesar de uma das procuradoras que pediu a condenação, ter apoiado a pretensão e os argumentos dos advogados de defesa de Duane Burk.
A execução é marcada para o dia 15 de Setembro.

Duane Burk acaba de comer a última refeição: galinha frita com batatas fritas, salada de tomate e molho picante.

Faltam 90 minutos para a execução. Rick Perry ajeita o nó da gravata e prepara-se para assistir à 235ª execução do seu mandato, iniciado há 11 anos. Um verdadeiro manjar, para este defensor acérrimo da pena de morte.

Toca o telefone de emergência. O Supremo Tribunal dos Estados Unidos anuncia a suspensão da pena. Considera que “a sentença foi aplicada com base em depoimentos racistas durante o julgamento”.

Duane Buck, 48 anos, está de novo na sua cela do corredor da morte. Passaram 16 anos desde o dia do crime. Afaga as cãs que lhe começam a branquear as patilhas. Sabe que não pode respirar de alívio, mas sente algum conforto com a decisão de última hora. O julgamento será repetido e a sentença, proferida sem base em depoimentos racistas, poderá ser a mesma. Talvez apenas tenha ganho tempo e uma réstia de esperança.

Adormece. Debra surge-lhe num sonho. Diz-lhe que o perdoa. Acorda com um sorriso, como se o sonho se tivesse tornado realidade, e pede para telefonar à filha. Conta-lhe o sonho, pede-lhe para o visitar.A filha responde “ mas eu não te perdoo” e desliga o telefone.

Duane regressa à cela, cambaleando entre a vida e a morte
No seu gabinete, Rick Perry comenta para um assessor enquanto toma café com leite e bolinhos:

“ Tanto para fazer e fui eu ontem perder tempo com aquele preto filho da p…!”
( História construída a partir desta notícia)






Os embaixadores da Paz

Depois de deixar barcos de emigrantes afundarem-se sem nada fazer para os salvar, a NATO matou ontem mais 354 cidadãos líbios, num ataque a um hotel na cidade de Sirte.
Promover a paz fazendo a guerra e praticando crimes hediondos, é um belo cartão de visita para promover as regras da democracia ocidental.

Esqueletos no armário

Durante a campanha eleitoral, Passos Coelho avisou que temia encontrar esqueletos no armário. Tinha razão! Talvez não esperasse era vir a encontrá-los dentro da sua própria casa!

Bate, bate, coração (25)

Gloria Gaynor


Há mais de 30 anos que nos anda a garantir que haveremos de sobreviver, mas um dia engana-se...