sexta-feira, 16 de setembro de 2011

O tapa-buracos



Já se sabia há muito que todo aquele folclore na Madeira, pago pelos contribuintes do continente, escondia debaixo das vistosas roupagens, lingerie esburacada.Isso não impediu Cavaco e Ferreira Leite de enaltecerem repetidas vezes a gestão do líder madeirense.

Jaime Gama, num dos mais patéticos discursos que alguma vez ouvi a um dirigente do PS, também não se coibiu de tecer rasgados elogios a AJJ.

Agora, que o Banco de Portugal e o INE vieram confirmar aquilo que o Tribunal de Contas há muito deixara perceber, fica finalmente claro que AJJ é um trapaceiro.
Eu já tinha aventado aqui a forte probabilidade de o saque feito ao 13º mês iria servir para apagar as estroinices do Rei do Carnaval.

Espero que Cavaco Silva, tão calado nos últimos tempos, tenha o decoro de fazer uma declaração ao país, penitenciando-se por ter alimentado durante décadas ( enquanto primeiro-ministro e PR) o regabofe madeirense.

Quanto ao PM, apanhado pela notícia durante mais uma “tournée” europeia, só tem uma saída: tirar a confiança política a AJJ, recusar-se a pôr os pés na Madeira durante a campanha eleitoral e adoptar um plano de emergência para a RAM.

Receio, porém, que nada disto venha a acontecer e Coelho não só se disponha a servir de acólito em mais uma entronização do “tapa buracos” madeirense, mas também faça recair sobre os contribuintes portugueses os custos dos desvarios de Alberto João Jardim, fazendo-nos pagar a crise em dose dupla. ( Lembro que as contas da Madeira são responsáveis pelo agravamento, no mínimo, de o,6% do PIB)

Uma coisa é certa: Coelho está entalado e a forma como lidar com este caso poderá condicionar o seu futuro político e a saúde da coligação. Paulo Portas não perderá esta oportunidade para somar alguns trunfos na luta surda que mantém com o PM, depois da nomeação de Braga de Macedo e do esvaziamento dos seus poderes como MNE.

O silêncio das sentinelas lambideiras do Relvas é elucidativo. O chefe está no Brasil e devido à diferença dos fusos horários ainda não deu instruções sobre o que deviam escrever.

Quando os bons ventos sopram do Norte




Nas eleições regionais e locais realizadas no último domingo, na Noruega, o Partido Trabalhista ( no poder) reforçou a votação, enquanto a extrema-direita perdeu quase um terço dos seus eleitores , contrariando o crescimento dos últimos anos.


Ontem, na Dinamarca, os eleitores puseram fim a uma década de governo de direita (apoiado a nível parlamentar pelos extremistas xenófobos) , dando a vitória à social-democrata Helle Thorning – Schmidt (na foto).


Ao contrário do que acontece por aqui, os social-democratas vão formar governo com os partidos à sua esquerda. Socialistas e Verde-Vermelhos ( uma aliança entre comunistas, ala esquerda dos socialistas e verdes) serão os parceiros de uma coligação impensável em Portugal.


Por cá o PS só conhece aliados à direita, os comunistas preferem o PSD aos socialistas e o Bloco de Esquerda não passa da fase de puberdade em que se julga o detentor da bandeira da esquerda.


Esta diferença de comportamentos entre as esquerdas nórdicas e as da Europa do sul, também ajudam a explicar a situação difícil em que estes países se encontram.

A revolução do "coffee-break" em directo na TV

Atenas... Roma... Paris... Madrid... As pessoas saem à rua em protesto contra o aumento de impostos e do custo de vida. Insurgem-se contra a perda de direitos e a deterioração da qualidade de vida.

Na longínqua Reykjavik, o povo leva um primeiro-ministro a tribunal, responsabilizando-o pela ruína do país.

Em Lisboa algumas pessoas lamuriam-se diante das câmaras de televisão, usam o telemóvel para avisar os amigos e familiares que" deram uma entrevista" e vão a correr para casa, ver o telejornal na companhia da família. Outras vão até à praia, ou correm para os saldos e no emprego, durante a pausa para o café, conversam sobre a crise, reclamam contra os funcionários públicos e suspiram por Salazar.
Alguns animam-se quando alguém alvitra:
- O Coelho e "o das Finanças" têm pinta. Vão meter isto na ordem, vocês vão ver...
Quando um atrevidote fala na necessidade de ir para a rua protestar, uma flausina com as unhas pintadas de cor de laranja alvitra:
- Bem, vamos mas é trabalhar, que já chega de conversa...

A debandada é geral, à voz da ordenança de serviço. Na pausa do café ficam apenas, esgrimindo argumentos, o profeta que alvitrara a chegada do Messias e o agitador que ousara apelar à mobilização popular. Acabam por concordar: nas circunstâncias actuais "o das Finanças" não tem possibilidade de chegar a Salazar e a mobilização de rua não resolve os problemas do país.

À hora do almoço, cada um apresentará ao seu círculo de convivas as conclusões do plenário: match nulo. A revolução pode esperar!

O televisor do restaurante emite o noticiário. Vellhos e jovens, homens e mulheres, lamentam-se da crise. Uma tia de Cascais, de ouro reluzente enfeitada, compõe o ramalhte. "Todos temos de fazer sacrifícios".

Amen!


Com jeito vai, companheiros!

Eles tinham avisado que seriam criativos nas medidas para enfrentar a crise. Aqui está um exemplo dessa criatividade. Ficamos à espera dos contratos diários...


Outra ideia criativa foi acabar com o programa e-escolinhas e a entrega dos computadores Magalhães. Provavelmente, Nuno Crato considera os computadores um luxo e irá propôr, em breve, a distribuição de tabuadas e ardósias em sua substituição. Uma forma engenhosa, sem dúvida, de reduzir o consumo de electricidade nas escolas.


Com jeitinho, este governo conduz Portugal aos bons tempos do Estado Novo. O retrocesso, pelo menos, está garantido.

Cuidado! Eles andam por aí...

Eu já vos tinha avisado, em Julho, que os bufos andam por aí e temos de estar atentos.
Escrevi aquele post motivado por uma situação de que fui vítima, mas que optei por não revelar. Muitos leitores tê-lo-ão encarado, por isso, um mero exercício de ficção. Não foi... mas para corroborar o que então escrevi, recomendo-vos a leitura deste episódio contado pelo Porfírio Silva. E não pensem que só acontece aos outros...

Sucessos de Verão (52)


Quando "The Shadows" se tornaram famosos com este estrondoso êxito, já Cliff Richard actuava a solo, rubricando outro tipo de sucessos.