quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Noites de Cinema

Devo dizer-vos que não achei piadinha nenhuma ao filme ( não sou apreciador do género..), mas como estamos a precisar de um destes profissionais para nos livrar dos males que nos últimos tempos têm assolado o país, hoje é este filme que vos ofereço em maus uma Noite de Cinema.

Ver para crer...


Cada vez que ouço Passos Coelho ou Vítor Gaspar anunciarem cortes na despesa, reajo com a mesma prudência com que escuto os pregões de um vendedor de banha da cobra na feira de Carcavelos.
Hoje, quando soube dos anunciados cortes nos cargos dirigentes e nos organismos públicos, tive duas reacções distintas:
-Por um lado, imaginei milhares de portugueses salivando, porque finalmente o governo ousou cortar na despesa, eliminando 137 organismos públicos e acabando com 1712 chefias de energúmenos que andam a viver à conta do contribuinte sem fazerem nada de útil.
- Por outro lado, lembrei-me da eliminação de serviços anunciados por Manuela Ferreira Leite em 2004, que resultaram (quase exclusivamente) na eliminação formal de organismos que na realidade já não existiam.
É óbvio que o Estado precisa de emagrecer, que há dirigentes, chefias intermédias e serviços que podem ser eliminados, sem que daí advenha nenhum mal ao mundo.
No entanto, receio que o desconhecimento da máquina do estado por parte da maioria dos ministros os leve a fazer cortes sem nexo.
Em Janeiro, depois de um estudo realizado pelo DN, escrevi um post em que, entre outras coisas, alertava para o seguinte:

Todas as reticências que levantei ao retrato feito pelo DN aplicam-se aos cortes agora anunciados pelo governo. Até porque alguns dos jornalistas que participaram nesse estudo, integram hoje gabinetes governamentais e não terão deixado de dar as suas opiniões assentes num diagnóstico que, alertei na altura, estava desfocado. Pode ser que me engane, mas tenho a sensação ( pelo que já li em relação ao ministério do Ambiente) que os cortes anunciados não trarão benefícios, nem significarão avultados cortes na despesa.
Como, oportunamente, adverte o Luís Novais Tito. o regime de emagrecimento por vezes tem efeitos contrários aos pretendidos. E nunca é demais lembrar que, depois de anunciar a extinção das Direcções Regionais de Educação, o governo nomeou novos directores -gerais para substituir os exonerados.
Por tudo isto, este anúncio cheira-me a esturro, mas o melhor é esperar para ver...

Momento Pursennide

Este serviço é bonito, presta uma bela homenagem aos protagonistas que se comprometeram a arruinar o país- e estão a cumprir- mas tem uma falha imperdoável. Se o casamento se realizou porque ambos queriam ir ao pote, devia incluir um penico!

A peça seria de grande utilidade para muitos portugueses, com ( ou mesmo sem...) distúrbios intestinais e poderia até ser vendido nas farmácias como genérico. Perante a possibilidade de se aliviarem sobre aquele fundo, muitos portugueses dispensariam o Pursennide. E fariam eles muito bem...

Regresso à normalidade...

Regresso a Lisboa reconfortado, mas com a certeza de que apesar de todos os cuidados que sempre tomo para evitar a recaída provocada pela vida na cidade, vou voltar aos dias de stress, deixar-me possuir pela irascibilidade das notícias, lamentar-me por não ter tido nunca a coragem de recusar a vida urbana. À minha maneira vou voltar (espero…) a pensar que sou feliz.
Logo pela manhã, as primeiras notícias que leio devolvem-me à normalidade.
Será normal, num país onde são diariamente pedidos sacrifícios aos portugueses e o governo apela constantemente à transparência, o ministro das finanças recusar-se a explicar ao Parlamento a razão de pagar uma empresa, sem concurso público, 20 milhões de euros, para o assessorar nas privatizações das empresas do sector da energia?
Será normal um país cujo governo esconde a dívida de uma região gerida com a perícia de um Metralha, assobiar para o lado quando o soba reclama por não lhe pagarem os vícios?
O regresso à normalidade é duro, mas vou resistir.