quarta-feira, 14 de setembro de 2011

O Mundo às avessas



Não sei se é dos belos ares que se respiram por estas paragens, se é pelo distanciamento em relação a Lisboa, mas nestes últimos dias tenho a sensação que o mundo está virado do avesso. Estamos em meados de Setembro e por terras transmontanas e durienses as manhãs são frescas, mas as noites estranhamente amenas e, durante o dia, faz um calor de ananases.

Não tenho visto televisão. Apenas abri duas excepções, para dar uma espreitadela aos 20 minutos finais do Porto – Setúbal e hoje (ontem) para ver o Porto – Shaktar.

Tenho-me mantido informado apenas por alguns noticiários na rádio que ouço, de quando em vez, enquanto viajo . Reajo com alguma indiferença às notícias que vou ouvindo, mas um destes dias ouvi o Ludgero Marques dizer que se o povo português não se indignasse e não saísse à rua para protestar contra as medidas que o estão a asfixiar, seria ridículo e lá fora seríamos apelidados de molengões. “ Ninguém entenderia um povo assim” – asseverava.

Deixei escapar uma sonora gargalhada, com este apelo à luta do ex-chefe dos patrões. Logo suspensa, quando ouvi o sindicalista Mário Nogueira a falar com Passos Coelho não sei onde. Parecia um cordeirinho. Onde está o Lobo Mau que enfrentou as duas ministras da educação? Estes ares perturbam-me o entendimento. Imaginem que até percebi, logo de seguida, que Mário Nogueira tinha dito aos professores para esquecerem a avaliação, porque há problemas mais importantes a tratar!

Até estou de acordo, mas como me lembro das manifestações promovidas pela FENPROF por causa da avaliação e de toda a indignação de Mário Nogueira na luta contra as duas ministras, só posso ter percebido mal. Ou, então, foi a jornalista que distorceu a notícia. Por que raio haveria Mário Nogueira de mudar de opinião? E como entender que o ex-chefe dos patrões incite o povo a sair à rua e um sindicalista peça calma aos professores?

Não quero nem saber. Só pode ser alucinação. Até porque ouço, mais adiante, o líder da CGTP apelar à mobilização popular. O mundo regressa à normalidade, graças a Deus. Ou talvez não… sindicalistas e patrões estão de acordo nas críticas a uma medida do governo que visa, de forma encapotada, transferir para as seguradoras os encargos da segurança social.

Estou no Caramulo a gozar a última noite destas mini-férias. Na varanda do hotel, em mangas de camisa, tendo apenas o silêncio por companhia, observo uma leve neblina a descer sobre o vale. Amanhã (hoje), pela manhã, terei espectáculo garantido. Espero tirar boas fotos e recuperar o discernimento.

Regressado a Lisboa, as notícias voltarão a fazer parte do meu quotidiano. Perderei o direito a esta tranquilidade.

Ouço a sirene dos bombeiros. Estará a despertar-me para a realidade, ou a lembrar-me que naquelas aldeias que ainda há minutos enxergava no horizonte, não há tempo para pensar na crise? Na verdade, já vivem com ela há décadas e já estão habituados...

Pronúncia do Norte (33)

Quando expliquei à Baixinha o que eram coturnos, ela não desarmou e disse:
- Bem então compra também uns carapins para mim
- Comprar carapins? Nem penses! A minha mãe faz uns que são muito elogiados. Pede-lhe, que te faça uns…
Sabem de que estávamos a falar? Se não sabem, podem ver o significado nesta entrada do Dicionário do CR

Sucessos de Verão (50)


Eu disse que esta rubrica tinha como principal objectivo recordar nomes esquecidos, mas não poderia deixar de trazer aqui o Rei! Ouçam, sozinhos (as) ou acompanhados (as) e permitam-me que faça uma dedicatória especial à Dulce que frequentemente põe esta canção lá no seu blog.