domingo, 11 de setembro de 2011

Recordando outro 11 de Setembro (2)



Faz hoje 38 anos que os Estados Unidos assassinaram Salvador Allende, o presidente chileno eleito democraticamente, para colocar no poder um execrável, cobarde e sanguinário ditador: Augusto Pinochet.
Se no longínquo ano de 1973 os EUA respeitassem os governos eleitos democraticamente, nunca teriam ajudado Pinochet a matar Allende. Para azar dos sul-americanos, os EUA só se preocupam com o governo democrático da Geórgia ( no que são seguidos por babados analistas políticos de fraca memória) ou em garantir o exercício do poder democrático em países onde o petróleo jorra a rodos e os ditadores que lá instalaram, deixaram de lhes obedecer.
Tive a felicidade de trabalhar com um ex-ministro e um ex- secretário de Estado de Allende, que escaparam à implacável polícia política de Pinochet. Pude , por isso, perceber como o 11 de Setembro de 1973 atrasou o crescimento da América Latina em várias décadas. Hoje compreendo, também, que aquele crime hediondo justifica o aparecimento de Chavez, Morales e outros líderes sul-americanos que querem impôr uma nova ordem no sub-continente americano.
Gostava que todos aqueles que atacam os novos líderes sul-americanos com acusações grosseiras e despidas de qualquer contextualização histórica, percebessem que os países sul-americanos foram até há bem pouco tempo colonizados pelos EUA, que não se coibiram de intervir naquela zona do Globo, para impôr ditaduras sanguinárias, sempre que a escolha dos povos tendia para a democracia.
Acabou-se ( quero acreditar...) o tempo em que a América do Sul era coutada americana. Felizmente, o mundo mudou. Para mim, ficará para sempre viva a memória de Salvador Allende. Um mártir assassinado às mãos de uns bárbaros que pretendem dominar o mundo a seu bel-prazer.
Lamento o 11 de Setembro de 2001, pelas mortes de civis, mas vejo-o como punição à arrogância da administração americana, implacável na defesa dos seus mesquinhos interesses económicos.

Neste 11/09/11 o governo chileno de Sebastian Piñera está a enfrentar forte contestação nas ruas. A comunicação social portuguesa, embasbacada com a primavera árabe, e por ora concentrada na revolta líbia, aborda a contestação nas ruas de Santiago do Chile e nas principais cidades chilenas, em nota de rodapé, como se de um "fait divers" se tratasse.

Este post foi pré-agendado, mas estou tentado a apostar que a comunicação social portuguesa se desdobrará em notícias e evocações sobre os 10 anos do ataque às Torres Gémeas e, salvo uma ou outra evntual excepção, que reservará uma nota de rodapé para lembrar o assassinato de Allende, a maioria ficará num rigoroso silêncio. Resta saber se por comprometimento, ou por ignorância.

Dez anos depois em Nova Iorque



Faz hoje dez anos que um ataque terrorista destruiu as Torres Gémeas em Nova Iorque e lançou o pânico no mundo.

Não se pode dizer que o mundo esteja mais seguro desde aquela data, ou que a vida em Nova Iorque tenha regressado à normalidade. Há feridas que demoram gerações a sarar e o “Ground Zero” continua a ser uma espinha cravada na garganta dos nova iorquinos.

Dez anos depois Bin Laden saiu de cena, em circunstâncias que ninguém ousa explicar claramente. Com regularidade são presos presumíveis autores de atentados que não chegam a concretizar-se, graças à actuação das autoridades policiais. Nova Iorque vive em alerta permanente, embora ninguém que a visite se aperceba disso.

A invasão do Iraque – que pretensamente se destinava a restabelecer a paz no Médio Oriente- pegou rastilho a outros conflitos internacionais. A popularidade de Bush nos EUA e fora deles desceu ao nivel do “Ground Zero” e o esperançoso Obama, não passou de uma promessa. Bush abandonou o cargo e ficará para a História apenas a sua imagem de “Salvador do Mundo”ensandecido.

Ao evocar o 11 de Setembro, sou forçado a lembrar-me que dentro de poucos meses, os americanos, porque não aprenderam a lição de Bush ( ou porque gostaram dela) talvez elejam futuro(a) presidente um(a) republicano(a) do Tea Party. Será um retrocesso para os Estados Unidos e para o mundo, se o futuro presidente dos EUA for a histérica Michelle Bachmann, ou o ex-democrata (!!!), apoiante de Al Gore, Rick Perry. O computador cerebral de ambos está programado para o século XIX, não para o século XXI.
Se isso acontecer e para azar de todos nós houver um outro 11 de Setembro nos EUA, as decisões da Casa Branca poderão ser ainda mais nefastas para a paz mundial, do que as provocadas pelo aventureiro louco que precedeu Obama na Casa Branca
Uma coisa é certa: o 11 de Setembro de 2001 irá sendo, lentamente, arquivado nos livros das nossas memórias.
Há, porém, um outro 11 de Setembro, muito mais distante, que não se apagará facilmente da memória dos que acreditam e lutam pelos valores da democracia. Sobre esse vou escrever o próximo post. Mais logo...



Bate, bate, coração (24)

Donna Summer

Pois , eu sei, as Supremes e tal e coisa, mas gosto muito desta mulher e tive muita dificuldade em escolher a minha canção favorita. Fica uma das mais velhinhas, espero que gostem.