sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Lucrécia, a Cinderela da estrada 123



Lucrécia empunhava a bandeira da JSD na berma da estrada. Sabia que “ele” por ali ia passar, a caminho de uma reunião com os jotinhas laranjas e aguentou a pé firme, à torreira do sol alentejano. Já retirara da mochila a bucha que a Mãe lhe preparara com desvelo e aprestava-se para lhe dar a primeira dentada, quando avistou um carro preto, em excesso de velocidade, a descrever a curva ao fundo da recta onde estrategicamente se colocara.

Lucrécia ajeitou o vestido, fazendo realçar as formas. Agitou freneticamente a bandeira e pôs-se aos pulos na estrada, dedos esticados em V e gritou a plenos pulmões:

“PSD!PSD! PSD!”

O carro estancou uns metros mais à frente, provocando o relinchar dos pneus. O coração de Lucrécia estremeceu. Será que o carro tinha parado por sua causa? As dúvidas desvaneceram-se à velocidade do seu pensamento. O carro inverteu a marcha e voltou a aproximar-se do local onde ela se encontrava. Quando estancou à sua frente percebeu, por detrás dos vidros fumados, a figura do desengravatado Relvas. O seu coração palpitou a um ritmo mais acelerado, quando o vidro começou a descer e o rosto de Relvas assomou, perguntando:

“Então, companheira, o que está aqui a fazer à torreira do Sol, empunhando a nossa bandeira?”

Balbuciante, Lucrécia respondeu:

“ Vim saudá-lo, senhor!”

“Como sabia que eu ia passar por aqui?”

“ Sou uma pessoa informada, senhor. E queria fazer-lhe um pedido…”

“ Diga lá…”

“A empresa onde os meus pais trabalhavam fechou na segunda-feira. Não lhes pagavam o ordenado há seis meses e não sei o que irá ser de nós. Só queria trabalhar para os ajudar, mas aqui também não arranjo emprego, meu senhor!”

“E o que é que você sabe fazer?”

“ Não sei bem, senhor! Tirei um curso de Relações Internacionais por correspondência, já enviei currículos para tudo quanto é sítio, mas nem me respondem. Não sei o que hei-de fazer à minha vida!”

( Lucrécia rebentou em lágrimas)

“ E você é militante do PSD, não é verdade?”

“ Sim, senhor. Eu, os meus pais e até o meu irmão Tonico, que só tem 14 anos, já se inscreveu na Jota”

“ Isso é que é uma família às direitas… quer dizer… uma família responsável”.

“ Pois somos, senhor…”

“Então, vai fazer como eu lhe vou dizer. Mande-me o seu currículo lá para o ministério, que eu prometo arranjar-lhe um emprego. Ou crio um grupo de trabalho, para estudar qualquer coisa, ou contrato-a como especialista para o meu gabinete. Vá lá, pare de chorar, que tudo se resolve!”

“ O senhor está a falar a sério?”

“Claro! Nós estamos aqui para ajudar os portugueses em situação difícil…”

“ Ó senhor doutor, muito obrigado. Não sei como lhe agradecer! Olhe, leve esta sandes para o caminho. É de presunto de porco preto, criado nas nossas terras.”

Relvas hesitou, mas com medo de que a sua recuse fosse mal interpretada, acabou por estender a mão e dizer “muito obrigado”.

“ Então não se esqueça. Guarde lá o meu cartão e escreva, está bem?”

Lucrécia ia responder, mas já nem teve oportunidade de ver o carro afastar-se na curva desenhada no horizonte. Acordou com o mugir da vaca. Estava na hora da ordenha.

( Continua. Ou talvez não...)

Chegou a minha hora: sou candidato!

Nunca me candidatei a primeiro-ministro, porque pensava não ter aptidões suficientes, mas este governo devolveu-me a esperança.

Afinal, basta uma tesoura e uma esferográfica ( de preferência vermelha ) para fazer cortes. O resto é distribuir uns tachos pelos amigos ( como não gosto de falar ao telefone, envio e-mails) escolher umas secretárias com carinhas larocas e outras que sejam como um túmulo , contratar uns motoristas, arranjar um carro preto e esperar pelo ordenado ao fim do mês.
Como gosto de viajar lá hei-de arranjar também quem me faça uns convites para umas reuniões de trabalho ou umas conferências ( de preferência na América do Sul) .

Perfeito… vou começar a pensar na melhor estratégia para correr com estes gajos e provocar eleições antecipadas. Quem alinha?

AVISO IMPORTANTE: Por volta do meio dia vai chegar aqui uma Cinderella

Sucessos de Verão (46)

Talvez o nome Patty Bravo não vos diga nada, mas quando ouvirem a canção, muitos vão dizer. Ai era ela quem cantava isto? ( Avio-vos desde já que esta canção me irritava solenemente, mas foi um grande sucesso... por isso aqui está)