quarta-feira, 17 de agosto de 2011

O emplastro




Merkel e Sarkozy estiveram reunidos para discutir a Europa e encontrar soluções para a crise. Não sei se o conseguiram, mas desta reunião resultou bem claro que Merkel abandonou o caniche e Durão Barroso assumiu definitivamente a figura de emplastro.

Figura da semana



Ao admitir a possibilidade de portajar o IC 19 e o IC2, António Costa está a pôr a cabeça no cepo, ou a dizer que não quer ser reeleito presidente da câmara de Lisboa?

Portajar as entradas de automóveis em Lisboa é um acto de bom senso e de grande coragem, que indica uma escolha clara pela sustentabilidade urbana, mas não ganha votos.

(Bem diferente foi a opção do governo que aumentou os tranportes de forma astronómica, aumentou o IVA do gás, da electricidade e prepara-se para aumentar o IVA de bens essenciais como o pão ou o leite, mas não teve coragem para mexer no IVA das pontes Vasco da Gama e 25 de Abril).

A redução drástica no acesso de automóveis a Lisboa - e provavelmente a outras grandes cidades- é uma questão de tempo ( Ler a explicação aqui e aqui )e, no momento grave que vivemos, seria uma medida acertada melhor compreendida - penso eu- do que a subida do IVA em produtos e serviços essenciais. Daí a minha escolha de António Costa para figura da semana

O(s) mensageiro(s) do(s) deuses




Há dias falava com uma senhora que foi à Jordânia dissertar sobre defesa do consumidor. Com ela foi um grupo de peritos de outros países europeus, pagos pelos cofres da União Europeia. Perguntei -lhe qual a impressão que tivera da visita, no concernente à defesa do consumidor por aquelas paragens, mas a resposta titubeante e evasiva levou-me para outras lucubrações.


Lembrei-me, por exemplo, que nas ilhas do Pacífico reinou, em tempos não muito recuados, um conjunto de cultos relacionados com o consumo: o taro (loucura) cult em Vanuattu, o vailala na Papuásia, ou o tuka cult nas ilhas Fiji são apenas alguns exemplos.


A origem destes cultos está relacionada com a chegada de John Frum* àquelas paragens, no início da década de 30 do século passado. Não se sabe exactamente quem era John Frum, mas sabe-se que apareceu na ilha de Tanna, levando objectos exóticos e desconhecidos naquelas paragens. Estupefactos perante tantos objectos estranhos, os indígenas pensaram tratar-se de uma divindade que os bafejara com uma dádiva e passaram a adorá-lo como tal. A data do aparecimento deste homem foi 15 de Fevereiro, data assinalada em toda a Melanésia com festividades em honra de S. Frum.


Não creio que a embaixada de peritos europeus que rumou à Jordânia para anunciar a boa nova da defesa do consumidor tenha provocado nos jordanos a mesma reacção, mas o mesmo já não me arrisco a dizer em relação a algumas tribos sul-americanas eventualmenet visitadas por uma outra embaixada, presidida pelo ex-secretário de estado do consumidor, Fernando Serrasqueiro.


Pelo investimento feito na viagem, não me espantarei se um dia, ao chegar à Quebrada de Humahuaca, me deparar com uma festividade em nome de S. Rasqueiro. Ficarei então a saber que objectos e produtos exóticos terá transportado a sua comitiva.


( Em tempo: graças ao leitor Gonçalo, a quem agradeço, já consegui fazer link para a notícia publicada pelo jornal i no dia 13 de Agosto)



As praias da vida dos outros (17)



O Rogério leva-nos até uma bela praia do Oeste, numa narrativa onde as palavras se conjugam com o mar encapelado daquelas paragens. Uma história repleta de memórias de uma praia que conheço, mas de que não tenho memória. Vão lá ver... mas cuidado, porque a água é muito fria naquelas paragens,

O Cerco

Não, não vou falar do Bairro do Cerco, onde vive gente muito respeitável. Vou falar do governo, onde o cerco montado por Pedro a Paulo promete agitar o Outono, com golpes baixos e contra-golpes à medida.


Sempre abominei pessoas com "punhos de renda" que se querem fazer passar por aquilo que não são, invocando a ética (que não têm) como valor primordial da sua conduta. PPC é um exemplo perfeito do "ronha faz de conta". Faz passar a imagem de ser pessoa cordata, mas vai sacaneando o seu parceiro de coligação todos os dias.


A nomeação de Braga de Macedo ( ininigo de estimação de Paulo Portas) para dirigir a diplomacia económica, reduz o líder do CDS a um mestre de cerimónias de um ministério sem pasta, ou a escolha de Santana Lopes para a Santa Casa, sem informar o ministro (Mota Soares) a quem devia competir a nomeação, são dois casos que devem ter deixado Portas a ferver, porque demonstram que afinal PPC tinha razão quando disse, em plena campanha eleitoral, não querer "paus de cabeleira".


Na verdade, neste momento, Portas já nem esse papel desempenha. Sem poderes no ministério e a ver os seus ministros ultrapassados por decisões pessoais do PM, o parceiro de coligação é um marido enganado, que é o último a saber das traições do cônjuge mas aceita desempenhar o papel de figura decorativa num casamento faz de conta.


Portas deverá estar a preparar a vingança. Primeiro na Madeira, depois na discussão do OE, mas está refém de um compromisso que não pode quebrar, sob pena de perder direito à renda mensal, pelo que em nada comprometerá a estratégia de PPC. Lá mais para diante, porém, a relação poderá terminar num divórcio litigioso. No momento que Portas veja mais adequado, vai cobrar um preço elevado pela "traição".

Que belo exemplo!

Ribeira de Pena foi, em tempos, a única localidade portuguesa liderada por uma figura do PPM. Havia por aí, na bloga, quem defendesse que o exemplo deveria ser seguido em todo o país. Não sei bem qual o exemplo a que se referiam. Seria este?

Sucessos de Verão (25)




Não terá sido um grande sucesso de Verão, mas lembrei-me desta canção durante estes dias no Porto, quando encontrei uma grande amiga da adolescência que não via há exactamente 30 anos. Esta é mesmo para ti, Cristina... ( espero que os leitores gostem pelo menos do videoclip)