terça-feira, 16 de agosto de 2011

Mudam-se os tempos...

Quando éramos um país pobre, os mais ricos ofereciam os livros e material escolar de que os filhos já não precisavam, aos mais necessitados. Hoje, que já somos ( ou éramos...) um país rico, o material escolar que deixa de ser preciso, é posto à venda em leilões na Net.

"A Filha do Lavrador"

Era filha de um lavrador que, nos anos 60, tinha umas leiras de terra nas imediações da minha casa no Porto. Viúvo, vivia com a filha e um neto. O pirralho era fruto do casamento da filha mas dívidas de jogo, copos e tareias terão sido as causas para que a união se desfizesse num ápice...



Tive notícias dela por estes dias. A Filha do Lavrador - assim continua a ser conhecida apesar de o terreno ter sido deglutido há mais de 30 anos por um condomínio privado- frequenta diariamente a Igreja de Santo António das Antas, solidificando nesse convívio diário uma amizade de décadas com a senhora que me conta a história. Como poderão testemunhar adiante, sobejas razões havia para esta senhora me falar de uma mulher que eu conhecera vagamente em miúdo e de que nunca mais tivera notícia.




Há cerca de dois meses o ex-marido morreu. Meio vagabundo, sem eira nem beira, cozendo as bebedeiras num terreno próximo da Av dos Combatentes, onde pernoitava, fora enjeitado pelos filhos de um segundo casamento. Sem família que dele quisesse saber, o seu destino seria, pois, um enterro em vala comum, mas a Filha do Lavrador, dele separada há 51 anos, deu outro rumo à história. Sabendo da morte do pai do seu único filho, ela mesmo tomou todas as providências para que tivesse um funeral condigno e fosse enterrado em campa rasa.
“É o pai do meu filho, nunca iria permitir que fosse enterrado como um animal”- terá confidenciado às amigas, a quem convocou para lhe prestarem uma última homenagem.



(Escrevo este post no comboio, de regresso a Lisboa. Depois de terminar dou uma vista de olhos pelos jornais on line. Fico a saber, pelo Ferreira Fernandes, que abriu ontem em Londres a exposição Museu das Relações Quebradas. A Filha do Lavrador poderia, sem dúvida, dar um belo contributo...)

Como um castelo de cartas

Foto roubada , com pré-aviso,ao blog Coisas de Pi*



Estou sentado na cama a dar uma vista de olhos pela imprensa on line.Ouço o estrondo de um prédio a desmoronar-se. Já o esperava há muito, já lhe imaginava o ruído... é o esplendoroso edifício do liberalismo, emoldurado de néons publicitando a economia de mercado e as cotações das bolsas, construído em alicerces de mentira, de intolerância, de desrespeito pelo ser humano, da exploração do trabalho, da avidez pelo enriquecimento fácil e da especulação, a ruir como um castelo de cartas.
Momentos mais tarde, outro desmoronamento. Vou à janela e vislumbro, na noite escura onde a Lua já não brilha, a queda abrupta dos paradigmas da sociedade de consumo. Na rua, descalços, exércitos de endividados vítimas dos ilusionistas que lhes prometiam o dinheiro fácil de que necessitam para comprar o paraíso, falam ao telemóvel e olham, com ar compungido, para os automóveis de luxo cujas prestações já não têm dinheiro para pagar. Televisores de plasma saem das janelas, mostrando ao mundo o holocausto da sociedade do faz de conta.
Na sala de cinema em frente ao hotel onde estou hospedado, um enorme cartaz anuncia a estreia do mais recente filme dos Irmãos Lehmann, com produção da AIG:A Crise.
Em exibição numa sala perto de si. Em sessões contínuas, para mais tarde recordar.É que dentro de alguns anos a cena vai repetir-se, mas provavelmente já ninguém se vai lembrar.


(Post escrito em 16 de Setembro de 2008, a propósito das previsões de Paul Krugman sobre a Grande Depressão económica que se avizinhava. Lembrei-me dele durante os recentes acontecimentos em Londres).

As praias da vida dos outros (16)




A Teté conduz-nos numa viagem por algumas praias de Portugal. Começa bem a norte, com uma praia belíssima e acaba a sul, na praia da vida dela, que em alguns momentos também foi minha, ainda que por lá andasse a trabalhar em Janeiro... Sem terem de pagar portagens, acompanhem a Teté na sua viagem por algumas das belas praias portuguesas.


Desemprego diminui, com Relvas a controlar o INE

Alegando critérios de eficiência, o governo pensa encerrar alguns centros de emprego. Em compensação, já abriu uma agência de empregos no DN. Compreendem-se assim, melhor, os critérios de eficiência...mais vale domesticar alguns jornalistas, do que tentar baixar o número de desempregados. Esse baixará, naturalmente, por três vias já asseguradas por PPC:

1- Colocação do INE sob a alçada de Miguel Relvas, o ideólogo do governo enquanto Vítor Gaspar está a fazer contas;

2- Estando as IPSS desobrigadas de ter quadro de pessoal, será simples inflaccionar o número de trabalhadores nessas instituições, contabilizando os desempregados obrigados a nelas trabalhar voluntariamente, como empregados;

3- Recorrendo aos contactos privilegiados de alguns especialistas na comunicação social, para veicularem a boa nova resultante da manipulação estatística.

Porque será?


Fisicamente poderão não ser muito parecidos, mas sempre que ouço Vítor Gaspar, no seu discurso redondo, não deixo de me lembrar de Mr. Bean. Porque será?



Sucessos de Verão (24)



Estes rapazes ameaçaram ser um caso sério mas, apesar de terem animado o Verão com alguns sucessos, não passaram de uma promessa.

Acabou o fds prolongado, mas rendamos-lhes homenagem fazendo de conta que é domingo e está uma bela tarde de sol.

Entretanto, continua-se bem aqui pelo Porto. Amanhã regresso a casa e ao vosso convívio.