terça-feira, 9 de agosto de 2011

"Este governo é mesmo diferente"- garante um especialista





Pessoa amiga fez-me chegar um link para um post de um blog parcialmente afecto ao passismo, onde se demonstra que este é um governo diferente. A história conta-se em breves palavras:




Ia um cidadão numa tarde de domingo a passear por Lisboa quando, num semáforo, alguém montado numa Vespa lhe acena e atira:




"Estás bom Pedro?"




O homem que vai na Vespa é o ministro Pedro Mota Soares. Feliz, o cidadão Pedro corre para casa e escreve um post em que, baseado naquele episódio, sentencia: "este é um governo diferente daquele a que estamos habituados".




Fico sem saber se o cidadão Pedro está embasbacado por ver um ministro a andar de Vespa, numa tarde de domingo, ou por ter sido cumprimentado por um ministro. Presumo que seja pela primeira hipótese, pois o cidadão Pedro, embora se tenha esquecido de o dizer, é um especialista recrutado para um gabinete ministerial, pelo que não é de admirar que um ministro lhe acene. Mas isso agora não interessa nada... O importante é que ficamos a saber para que serve um especialista. Para nos explicar que basta pôr um ministro a andar de Vespa, para termos um governo diferente. Imaginem os encómios do especialista se tivesse visto a ministra Assunção Cristas na pose reproduzida na foto...












Publicidade enganosa

Há dias vi uma reportagem espantosa num telejornal. Uma senhora licitou uma casa com terreno adjacente e “vistas magníficas”, num leilão das Finanças, na Internet.

Depois de confirmar que a sua oferta fora a mais elevada, a senhora tratou de ir ver a casa. Surpresa! A área anunciada no site das Finanças era quase metade da anunciada e, quanto às “vistas magníficas”, nem vê-las. De imediato anunciou que desistia da compra, tendo sido informada pelas Finanças que não o poderia fazer e, se não estava satisfeita, a culpa era dela por ter confiado no que estava no site.

A senhora insistiu que não pagaria mas, imperturbáveis, as Finanças ameaçaram-na com uma penhora dos bens.O caso irá para Tribunal, obviamente e, se houver justiça, a senhora será desobrigada da compra. De qualquer modo, vale a pena perguntar: Se não podemos confiar num Estado que é o primeiro a violar a Lei da Publicidade, praticando publicidade enganosa, em quem vamos confiar?

"Cuidado com os sonsos"

Tenho lido muitas apreciações positivas ao ministro das finanças, algumas vindas de pessoas que até admiro e são inquestionavelmente de esquerda.


Confesso que sinto arrepios quando leio elogios ao discurso quadrado e por vezes irritante de Vítor Gaspar. O seu discurso exaspera-me, a sua relação com os jornalistas e os deputados, deixa-me apreensivo. Lembro-me logo de um outro ministro das finanças que no final dos anos 20 do século passado foi recebido pelos portugueses com grande optimismo. Angariou um grande capital de simpatia e nele depositaram os portugueses a esperança em dias melhores.Poucos anos depois, esse ministro tornava-se presidente do conselho e dava início a uma longa noite de trevas.


Dir-se-á que os tempos são outros e não se vislumbra qualquer hipótese de surgir em Portugal um novo Salazar. Embora uma ditadura salazarenta seja pouco provável, não sou tão optimista. “A ocasião faz o ladrão”, como diz o povo e é visível a esperança que muitos portugueses depositam neste governo, aceitando de bom grado os sacrifícios que lhes estão a ser pedidos.

A sociedade portuguesa parece adormecida e amorfa, o que dá oportunidade ao aparecimento de “salvadores bem intencionados” que vão apalpando o terreno e medindo o pulso à capacidade reactiva dos portugueses. Se ninguém lhe puser um travão, não sei até onde irá Vítor Gaspar. Por isso, alinho com o alerta de Braga de Macedo .“ Cuidado com os sonsos!”, alertou o ex-ministro das finanças de Cavaco, referindo-se a Vítor Gaspar.

As praias da vida dos outros (12)



A Catarina, apesar de viver bem lá a Norte, no país do ministro Álvaro, escolheu uma praia que fica bem a sul. Foi um ilustre inglês que a projectou além fronteiras mas, recentemente, tem sido muito badalada pelas piores razões. Pessoalmente, frequentei-a mais à noite do que durante o dia...Querem saber qual é? Então vão lá ver...

From London with love and anger



Como vos contei no domingo, assisti em directo ao eclodir da onda de violência em Tottenham. Deitei-me já ao alvorecer, esmagado pela surpresa, mas acreditando quese tratara de actos isolados e circunscritos àquela zona norte de Londres. Nunca me passou pela cabeça que a violência alastrasse de forma aparentemente incontrolável a outras zonas da cidade.

Muitos leitores sabem o que Londres significa para mim. Foi a primeira cidade estrangeira onde vivi, ponto de partida para a minha vida de andarilho. Nessa época era a capital do mundo, referência para qualquer jovem da minha idade, especialmente para os portugueses agrilhoados por uma ditadura abstrusa e que viam em Londres o paradigma da Liberdade.Compreenderão, por isso, que tenha passado as últimas noites grudado à Sky News e à BBC a assistir ao espectáculo que transformou Londres num cenário de guerra.

Enquanto vejo as imagens, faço uma viagem através do tempo e inevitavelmente paro na Londres da senhora Thatcher, quando o encanto se começou a esvanecer e deu lugar à decepção. O criminoso Blair da Terceira Via tem também boa quota parte de responsabilidades no desencanto que fui acumulando mas, ao ver as imagens de Londres saqueada e em chamas, não pude impedir que o olhar se toldasse perante o cenário dantesco e as memórias adormecidas de Londres ganhassem vida no meu cérebro.

Tenho, ao longo dos últimos dias, rebobinado as cenas felizes e tristes que vivi em Londres nos anos 70 e não resisto a fazer comparações .A verdade, é que há muito se percebia que Londres era um barril de pólvora que de um momento poderia explodir. Como aconteceu em Paris, embora com muito menos gravidade.

Não é difícil encontrar culpados. Têm nome e foram sucessivamente eleitos democraticamente: Thatcher, Blair e Cameron. O actual primeiro-ministro inglês, lídimo representante em terras de Sua Majestade, da direita liberal que aniquilou as esperanças de uma Europa mais solidária e mais justa, é apenas o responsável directo pelo eclodir da violência. Insensível, irresponsável, incompetente e aldrabão como o nosso Passo Coelho, criou com as suas medidas de contenção, que apenas afectam os mais desfavorecidos, as condições ideais para a revolta.Foi ele a fonte de ignição, ao acender o rastilho há muito ateado pelo aumento do desemprego, o desinvestimento na educação pública e na saúde.

Custa é acreditar que o líder de uma das maiores potências mundiais tenha continuado a gozar tranquilamente as suas férias em Itália e pedisse ao seu Paulo Portas que apaziguasse a situação.Ao terceiro dia, com a situação incontrolável, lá se dispôs a regressar a casa e ao trabalho. Certamente contrariado e sequioso de vingança sobre os putos, vândalos energúmenos que lhe perturbaram as merecidas férias.

Este post foi escrito com alguma mágoa e revolta. Bem diferente, do estado de espírito com que escrevi sobre uma das minhas últimas idas a Londres, em “Cidades da Minha Vida”.

O Chile contra Piñera



Quando Sebastian Piñera foi eleito presidente do Chile comparei-o a Berlusconni e previ um futuro negro para os chilenos. Empossado em Março de 2010, Piñera teve, como todos os cafagestes, a oportunidade de angariar a simpatia do povo chilenos, graças ao infortúnio dos 33 mineiros chilenos que, em Agosto, foram o centro das atenções do mundo inteiro.

Como todos os cafagestes, Piñera aproveitou esse capital de simpatia para omplementar a sua política ultra-liberal.

Um ano depois, o caos está instalado em Santiago e nas principais cidades chilenas. Estudantes e professores protestam nas ruas contra a política de educação, que concede elevados privilégios ao ensino privado, enquanto agoniza o ensino público. Multiplicaram-se as universidades privadas, cuja qualidade de ensino é classificada como duvidosa, mas é paga a peso de ouro, enquanto as públicas definham por falta de apoio estatal.

Piñera é o presidente mais impopular do Chile desde a queda de Pinochet, recolhendo 53% de reprovação dos chilenos. Enquanto alguns países sul-americanos esfriaram as relações com o Chile, desde que Piñera chegou ao poder, o ex- presidente Eduardo Frei, muito criticado pelos chilenos, pela decisão de privatizar a água, acusa-o de gerir o governo como se fosse uma empresa e diz que o Chile está a ficar ingovernável.

Os professores convocaram uma greve para hoje e uma manifestação - que se prevê gigantesca- irá percorrer as principais ruas de Santiago, terminando na Plaza Italia, o centro nevrálgico da capital chilena. Piñera mandou a polícia edificar muros à volta da praça, para que os manifestantes lá não entrem, pelo que o recrudescimento da violência que nos últimos dias assentou arraiais na capital está a ser encarado com bastante preocupação.

Analistas chilenos admitem que se não sair airosamente desta situação, Piñera poderá ver-se forçado a convocar eleiçoes antecipadas, pois a constante mudança a que tem procedido no governo parece tornar inviável mais uma remodelação para acalmar um país em efervescência.

Sucessos de Verão (18)



Esta tarde recordei os 40 anos do Festival de Vilar de Mouros. Por isso, lembrei-me de trazer aqui uma das vozes que lá esteve. Podia ter escolhido os Manfred Mann ou o Quarteto 1111, mas optei por Elton John e por esta cançãoque foi outro grande sucesso de Verão nos idos de 70.