domingo, 31 de julho de 2011

30 dias decepcionantes

Cumprido o primeiro mês de actividade do novo governo, o balanço é deprimente. A única centelha de originalidade é a possibilidade conferida às empresas de reduzirem os vencimentos dos trabalhadores, para compensarem o fundo que terão de criar para pagar os despedimentos. Realmente, pôr os trabalhadores a pagarem os seus próprios despedimentos, é uma originalidade que não passava nem pela cabeça de um tinhoso.
Quanto ao resto:
-A promessa de cortes na despesa continua vaga. Não foi anunciada uma única medida que preveja cortes nos custos de funcionamento;

- Em contrapartida, anuncia-se o encerramento de serviços públicos ( nada contra, se isso não implicar despedimentos, mas o problema é que o governo dá mostras de não saber onde cortar, nem como cortar), agravamento dos impostos e corte do subsídio de Natal;
-Corre a bom ritmo a nomeação de boys para empresas públicas e aumentam os números de lugares nas administrações, ao invés do corte prometido;
- A diminuição de ministérios foi compensada com o aumento do número de secretários de estado;
- As medidas de sustentabilidade são contraditórias. Enquanto uma ministra liberta os funcionários das gravatas, outro aumenta o preço dos títulos de transporte, desincentivando o recurso aos transportes públicos;
- A avaliação dos professores, chumbada em Março, foi recuperada quatro meses depois;
- Foi anunciado um orçamento rectificativo para apoiar a banca;
- Foi aprovada uma lei para facilitar os despedimentos e nada de incentivos ao emprego dos jovens;
- As agências de rating mandaram Portugal para o lixo;
- O governo pagou os serviços de alguns jornalistas disfarçados de bloggers e nomeou-os para gabinetes governamentais;
- Continuam os assaltos a gasolineiras e os incêndios;
Etc...etc... etc....
Apenas duas coisas mudaram com este governo:
- Cavaco abandonou aquele ar de quem está zangado com o mundo e anda sorridente e feliz. Até descobriu que a crise afinal resulta de uma conjugação adversa de factores externos, que as agências de rating são um gupo de malandros e (imaginem!) que talvez seja necessário exigir mais à Europa;
-Alguns jornalistas que apoiaram Passos Coelho, disfarçados de bloggers, deixaram de criticar algumas medidas do governo Sócrates, para passar a a apoiar as mesmas medidas, agora tomadas por este governo.

Muito pouco, não vos parece?

Serviço público

A blogosfera também é serviço público. Por isso recomendo-vos uma visita a este Mentirómetro do blog Jumento, que contabiliza diariamente as mentiras de Passos Coelho.

Quem sou eu para o contrariar?

"Em política, o que parece é, pelo que não julgo haver forma de consertar o desastroso processo de nomeação da nova equipa de gestão da Caixa Geral de Depósitos." (...)
"Tudo isto pode ter uma explicação razoável, pode até haver razões para o "orgulho" manifestado publicamente pelo ministro das Finanças, mas o mal está feito: este processo pareceu mostrar que continua a haver jobs para os boys e que a contenção defendida noutras instâncias não se aplica à Caixa. É o mais desastroso passo em falso do Governo desde que tomou posse."
(...)

(José Manuel Fernandes in Público 29 de Julho 2011)

Bate, bate, coração (18)

Linda Ronstadt

Injustamente esquecida esta miúda, não vos parece?