quinta-feira, 14 de julho de 2011

Praias da minha vida (4)

Pinamar (Argentina)




Quando atingimos a idade adulta deixamos de falar de praias da nossa vida. Daí, que apenas conceda essa distinção às três praias anteriores. Só as praias que frequentamos durante a infância nos marcam de forma definitiva com sulcos na memória impossíveis de apagar, daí merecerem essa classificação. Das que frequentamos em adultos gostamos mais ou menos mas, normalmente, não influenciam o nosso percurso de vida. Há, porém, excepções…



A minha chama-se Pinamar. É a mais bela praia da Argentina e, talvez, uma das mais belas do hemisfério sul. Não é uma das praias da minha vida mas, como vos expliquei num desabafo aqui escrito numa noite de Natal, fui lá muito feliz e foi lá que deixei parte de mim.



Mais do que uma praia, Pinamar é uma página arrancada ao livro da minha vida.






A metamorfose da geração de 60

Quando eram crianças, povoaram-lhes o imaginário de histórias em que formosas princesas beijavam sapos que se transformaram em belos e viris príncipes.


Na idade da inocência – mais ou menos o período pós Mafalda e Astérix- príncipes e princesas beijaram-se a céu aberto, empunhando bandeiras de vitória.


Na idade adulta, meteram o tio Marx na gaveta, começaram a olhar para o avô Mao com complacência e saudosismo, trocaram a leitura de “O Capital” pelo Financial Times e perceberam que tinham que se preocupar com as carreiras, as promoções, os carros e o sucesso a qualquer preço. Muitos escolheram a carreira política para o conseguir.A grande maioria concluiu, sem amargura, que afinal as princesas beijaram muitos príncipes, que depois se transformaram novamente em sapos, concluindo assim o inexorável ciclo da vida.