quinta-feira, 23 de junho de 2011

Noite de S.João

Hoje é noite de S.João. Uma noite especial que se comemora nas ruas do Porto há mais de 600 anos e que foi escolhida por referendo popular como feriado municipal da cidade do Porto,realizado pelo Jornal de Notícias em 1911.
Esteja onde estiver, nunca me esqueço da noite de S. João. Como um relógio suíço, a memória avisa-me da data e lá estou eu a recordar episódios vividos durante aquela noite.Nunca fui grande folião. Em miúdo ia até à Baixa portuense, mais arrastado pela vontade dos amigos do que por iniciativa própria.



Lembro-me que a primeira vez que fiz, de alho porro na mão, o outrora obrigatório percurso Santa Catarina, Santo António, Sá da Bandeira, Av dos Aliados e outra vez Santa Catarina, Praça da Batalha, Alexandre Herculano para terminar nas Fontainhas, passei uma semana a sentir o cheiro que me impregnava as entranhas.
Depois vieram os malfadados martelinhos e, para além do cheiro, passei a ter outra preocupação: livrar-me dos zumbidos que me atazanavam os tímpanos!
“Malgré tout”, a noite de S. João permanece na minha memória como um álbum de recordações inolvidáveis. São tantos os episódios vividos naquela noite, que dariam para escrever um livro de memórias.Poupo-vos à descrição. Não resisto, porém, a relembrar a imagem que todos os anos regressa neste dia.
O meu maior prazer, em noites de S. João, era ir com os meus irmãos e alguns amigos para o jardim de minha casa, logo que o sol se punha, lançar balões. Assim que o primeiro começava a subir, ficava a seguir-lhe o rasto até desaparecer. Depois, punha-me a imaginar o seu destino. Como se eu próprio viajasse dentro de cada um dos balões que lançávamos, imaginava mil viagens por cumprir.Muitas delas, cumpri-as mais tarde. Até destinos que nenhum balão de S. João poderia alcançar. Só a minha imaginação



Hoje, embora longe do Porto, estarei a celebrar a noite de S. João. Sem alhos porros, mas com balões. Espero que, por cá, a noite seja de folia.