terça-feira, 21 de junho de 2011

Avant de m'en aller

Parto de férias daqui a poucas horas. Vou em boa altura. Há momentos em que o melhor mesmo, é não saber o que se passa por cá.
Sem jeito para despedidas ( embora fiquem aqui muitos posts agendados durante a minha ausência, não deverei poder visitar-vos) pedi ajuda e esta minha amiga

A esquerda unida jamais será vencida?

Este post pode ferir a sensibilidade de alguns leitores, mas não será por isso que deixo de escrever o que penso.

Sempre fui de esquerda, sempre elegi a direita como principal adversário e não o Partido Socialista. Por isso critiquei, diversas vezes, a aliança da esquerda com os partidos da direita, para derrubar o governo de Sócrates.

A verdade é que a escolha dos Partidos Socialistas como principais inimigos da esquerda, não acontece apenas em Portugal. Na vizinha Espanha, a IU aliou-se ao PP para derrubar o PSOE na província da Extremadura.

Entretanto, Francisco Louçã acaba de protagonizar uma cena pouco edificante, tendo como alvo Rui Tavares, o deputado europeu independente eleito nas listas do BE.

Se é com esta esquerda que temos de contar no futuro, então o melhor é desistir de a apoiar.

Aconteceu na Portela...

O televisor está ligado, mas sem som. As imagens mostram uma pessoa sorridente a chegar à Portela. Um jornalista precipita-se na sua direcção e começa a fazer-lhe perguntas. O interpelado responde sorridente. Ligo o som do aparelho. Percebo que vem do Canadá, onde deixou mulher e duas filhas. Pela idade e volume corporal, não pode ser jogador de futebol a caminho do Benfica ( os reforços de Sporting e FC do Porto não despertam curiosidade das televisões). Um senhor forte e espadaúdo agarra o chegante por um braço e afasta o jornalista. O entrevistado esboça mais algumas palavras e um largo sorriso, enquanto é metido num carro quase à força. Quem será a vedeta ? O substituto de Villas Boas?
Não... é Álvaro Santos Pereira, professor universitário a viver no Canadá, que Passos Coelho resgatou para ocupar o lugar de ministro da economia. Espero que, daqui a um ano, continue assim sorridente e com vontade de falar aos jornalistas.

Feelings

Pelas conversas que tenho ouvido por aí e pelas análises de alguns comentadores encartados, fico com a sensação de que muitos portugueses ainda não perceberam que hoje não é apenas um novo governo que toma posse. É o início de um novo regime. Foi nessa mudança que metade dos portugueses (conscientemente, ou não) votou no dia 5 de Junho. Um povo que rejeitou Abril, é uma espécie de Villas Boas da História portuguesa. Cuspiu na mão que o retirou da apagada e vil tristeza em que vivia.

Humilhação inédita





Só não se pode falar de morte política de Fernando Nobre, porque ele nunca foi um político. Foi apenas um oportunista que caiu de pára quedas no jogo político por quem o convenceu a candidatar-se à Presidência da República. O presidente da AMI preferiu ser humilhado duas vezes e tornar-se no primeiro candidato à presidência da AR que não conseguiu ser eleito, a renunciar à candidatura.

Com esta atitude mostrou o seu carácter. Por vaidade pessoal, não hesitou em colocar Pedro Passos Coelho na situação difícil de uma derrota ainda antes de iniciar funções governativas.

Os grandes homens definem-se nestes momentos. Nobre não soube honrar o convite que lhe foi feito e foi ingrato para Pedro Passos Coelho. Ficou provado, uma vez mais, que não tem estatura para ser uma figura de relevo na vida política. Depois de se candidatar a Presidente da República com roupagem de esquerda, albergou-se ao colo da direita coelhista.A sua eleição teria sido mais uma machadada na democracia moribunda em que vivemos.
Esperemos, ao menos, que Passos Coelho tenha aprendido a lição.( A propósito...Sócrates era teimoso. E Coelho? Será perseverante?)

Quanto a Nobre, que regresse rapidamente à AMI (de onde nuca devia ter saído) como prometeu antes das eleições e perceba, definitivamente, que a democracia tem regras.