quinta-feira, 16 de junho de 2011

Noites de cinema





Vi este filme pela primeira vez em Inglaterra, porque a Censura proibiu a sua exibição em Portugal. Devo confessar que não percebi metade dos diálogos, pois fora viver para Londres apenas um mês antes e o meu inglês restringia-se ao que aprendera no liceu. Lembro-me, porém, que fiquei impressionado com tanta violência. A esta distância, considerando a violência de alguns filmes que hoje se exibem nas salas de cinema e na televisão, de alguns jogos da "Playstation", ou mesmo a violência socila, este filme poderia ser classificado "Para Todos". O que não deixa de ser demonstrativo da forma como o tratamento da violência foi crescendo de forma desmesurada, sendo assumida com naturalidade pela geração actual. Isto dava tema para um post, mas fico-me por aqui. Talvez as medidas contra o Estado Social que o futuro governo venha a tomar sejam bem mais violentas do que este filme, estreado em 1971 e homenageado no último festival de Cannes.

Uma lufada de ar fresco?

Ouço por aí muita gente, entre dirigentes do PSD, comentadores e jornalistas, afirmar que Pedro Passos Coelho é "uma lufada de ar fresco" Recordo-vos, a propósito, que já em 2008 José Luís Arnault dizia, em entrevista ao DN que “Sarah Palin é uma lufada de ar fresco”

Vale a pena fixar estas palavras. Pelo menos para relembrar o que o destacado membro do PSD considerava “lufada de ar fresco”:

uma mulher anti-aborto, que despreza os gay, é contra o divórcio e a favor da pena de morte, não esconde uma pitada de xenofobia e racismo, é ultra conservadora, apoia fervorosamente a guerra do Iraque, faz lembrar uma Barbie com óculos e é acérrima defensora do ensino do criacionismo.

Tivessem-lhe dado tempo e ela ainda afirmaria que a ida do Homem à Lua não passou de um filme de ficção científica, igual ao que “justificou” a invasão do Iaraque.
Sarah Palin representa o que de mais conservador e retrógrado ainda existe na América( sim , América e não EUA) e a sua eleição significaria, para o mundo, um cataclismo tão pernicioso como foi a eleição de Bush.

Ao seu ideário ultra-conservador, Sarah Palin alia uma falta de experiência assustadora ( Lembre-se que em 2006 era apenas presidente da câmara de uma cidadezinha minúscula, perdida nos confins do Alaska ).
Tal como Sarah Palin, PPC não tem qualquer experiência governativa e é, como a amalucada americana, a garantia de que as desigualdades económicas e sociais vão agravar-se. A previsível extinção do Ministério do Ambiente indicia que PPC também pertence ao grupo de ambientalistas cépticos que acredita que os problemas ambientais e as alterações climáticas são histórias inventadas por pessoas que, em criança, passaram a vida a ouvir a ameaça do “homem do saco”, mas ao recordar as palavras de Arnaut, fiquei a perceber o que entendem os seus correligionários e jornalistas, por "uma lufada de ar fresco". É não deixar pedra sobre pedra das conquistas de Abril.

Nivelar por baixo

Foi com argumentos deste jaez que a Justiça se foi descredibilizando. Mas, sejamos justos, não é apenas na Justiça que se assiste a uma sistemática desresponsabilização das pessoas. É um problema transversal à sociedade portuguesa. Tudo começa no topo da pirâmide e vem por ali abaixo, em cascata. A imagem de tolerância é bonita, mas os resultados são catastróficos, porque a qualidade e a honestidade são penalizadas, enquanto a trafulhice é premiada.

Pronúncia do Norte (31)

Ainda na feira de Almoçageme quando passei por uma banca onde as vi a olharem para mim com ar de quem pede "leva-nos contigo", disse à Baixinha:
-Olha vou levar umas Caranguejeiras. Achas que estão maduras?
- Caran... quê?
Desta vez ri-me. Ai estas lisboetas que não sabem falar português. Comprei meio quilo.
- Isso é que são Caranguejolas?
- Não são Caranguejolas, são Caranguejeiras, Baixinha!
Ela arregalou o olho azul e perguntou-me:
- Vocês lá no Norte falam em dialecto?
Caras leitoras e leitores. Acham que Caranguejeiras é mesmo dialecto?

Novas Safos na ilha de Lesbos

Ilha de Lesbos ( foto da Internet)


A história de Amina Arraf, a síria lésbica que garantia no seu blog ter sido presa e torturada e até foi “entrevistada” pelo “The Guardian”, mas afinal é um professor americano a viver na Escócia não levanta apenas a questão da intoxicação informativa que por aí pulula, apenas com o objectivo de manipular a opinião pública. Põe também em dúvida as notícias que nos chegaram de Tunes, do Cairo e até de Tripoli durante a “Primavera Árabe” e desacredita o jornalismo e os jornalistas, pela forma leviana como nos transmitem, encadernadas em verdades irrefutáveis, verdadeiros embustes.

Estes factos nem sequer são novos. À escala nacional assistimos, nos últimos anos, a uma manipulação despudorada visando um primeiro-ministro. Algo do que se escreveu será verdade, mas a maioria das notícias foi fabricada em tertúlias conspiratórias que se serviram das redacções para denegrir Sócrates. (Não me refiro apenas, como é óbvio, ao caso da homossexualidade do ex-primeiro ministro e da sua relação com Diogo Infante, inventona já desmontada e cujos autores são conhecido) .

O que é novo na relação identitária da Internet é o facto de estar a crescer o número de homens que se fazem passar por lésbicas, abrangendo áreas que vão para além da informação.É o caso, por exemplo, de Paula Brooks, editora desde 2008, do site norte-americano de notícias para lésbicas Lez Get real, que afinal se chama Bill Graber e conseguiu enganar jornais credíveis como o Washington Post. Neste caso, foi o próprio jornal a descobrir a identidade da falsa lésbica e a penitenciar-se junto dos leitores.

Não sei se haverá entre nós algum internauta que se faça passar por lésbica, mas já temos um professor universitário que, disfarçando-se de mulher, atraiu alguns homens a encontros amorosos. Bom, isso é outra história, sobre a qual talvez escreva num outro dia.

Até lá deixo-vos com a pergunta: qual será a razão que leva os homens a assumir-se como lésbicas na Internet? Estaremos na presença de uma nova escola de Safo?

Um pecado a sul do Equador



Começa dentro de pouco mais de uma hora a primeira mão da final da Taça Libertadores. Este ano não terei como incentivo suplementar a presença de uma equipa argentina ( coisa rara…) mas, em compensação, estarão frente a frente as duas equipas sul-americanas mais emblemáticas da minha meninice: Santos (Brasil) e Peñarol (Uruguai).
Nos anos 60 o Santos era equiparável ao Barcelona actual. Dominava o panorama futebolístico mundial e cilindrava quem lhe aparecesse pela frente. Lembro-me, como se fosse hoje, de estar na cama a ouvir, às escondidas, o relato de um célebre Santos –Benfica, que se defrontavam na final da Taça Intercontinental, em 1962. O Santos venceu na Luz por 5-2 e eu sofri com a derrota do Benfica, pois era a equipa que representava o meu país. ( Não se riam os leitores mais jovens, mas nos anos 60 era possível uma criança acreditar que todos os adeptos dos clubes portugueses se uniam, torcendo pela equipa portuguesa em competição…)
Mudaram-se os tempos. O Santos ( tal como o Benfica que perderia outra Taça Intercontinental para o Peñarol) passou por um período menos bom, sem jogadores magistrais como Pelé, Zito, Gilmar ou Dorval. Hoje, volta aos grandes palcos defrontando outra equipa com grandes tradições, como é o Peñarol.

Talvez não seja um grande jogo, mas será um bom momento para reviver velhas emoções, apesar de por lá não estar o meu Boca Juniors, nem o Independiente. Que ganhe o melhor, e o melhor seja o Santos. Na próxima semana há mais...