domingo, 5 de junho de 2011

Com o alto patrocínio do BE...

... a direita concretizou o seu sonho:uma maioria parlamentar, um presidente. Ainda antes de saber os resultados finais pode, desde já, dizer-se que os portugueses puniram o aventureirismo e confirmaram aquilo que já se sabia há muito e eu aqui já previra- a derrocada do BE. Perdeu mais de metade dos deputados que elegera em 2009, regressando ao nível de 2005. A derrota do BE acaba, assim, por ser ainda mais estrondosa do que a do PS- já esperada e que apenas as sondagens ( vá lá saber-se porquê...) ainda colocavam em dúvida há uma semana
Confirmou-se que, no panorama actual, o único voto coerente à esquerda é na CDU.
Voltarei ao assunto

Jornalismo abaixo de cão

Uma jornalista da RR perguntou a Sócrates:
"Não teme que a sua derrota abra oportunidade a novos processos contra si na justiça?" (cito de cor, mas a ideia foi esta).
Esta pergunta explica da melhor forma o jornalismo que hoje se pratica em Portugal. Augusto Santos Silva já tinha chamado a isto jornalismo de sarjeta. A mim, parece-me que é jornalismo abaixo de cão ( ou, neste caso de cadela...)

E o povo decidiu...

... pagar o estágio de Pedro Passos Coelho no FMI. Somos uns tipos ricos e generosos, é o que é.

No dia em que Brites esteve quase a apanhar um pifo

O Carlos tinha-me convidado para ir com ele ( Quem não leu, talvez seja melhor ler o que ele escreveu, para perceberem a razão desta minha crónica de hoje) mas estava um dia tão bonito e um sol tão agradável, que preferi ficar pelo Rochedo, na esperança de poder ler umas revistas cor de rosa trazidas por alguns banhistas.

Por volta do meio dia o calor apertava, banhistas com gente do jet set nem vê-los ( só fotografias do sr Coelho) e por isso comecei a bater a asa para ver se mordiscava alguma coisa no hotel onde estava o Carlos.

Nem vos digo nada, meus amigos! Quando lá cheguei ele estava de partida, mas aconselhou-me a entrar, porque aquilo estava uma coisa mesmo ao meu gosto.Quando vi aquele parque automóvel, de fazer perder a respiração a qualquer mortal, percebi que estava num happenning daqueles que valem mesmo a pena. Aquilo devia ser gente a sério, não eram nenhuns dos pindéricos que vão àquelas festas com tudo emprestado, excepto as mamas de silicone.Por falar nisso, uma amiga do Carlos pediu um empréstimo para pagar as mamas e não pagou. Gostava de saber se o banco vai nomear as mamas da senhora à penhora. Bem, mas adinate...

Entrei de mansinho, coloquei-me no varandim sobre a piscina e com vista para o terraço onde se pavoneavam umas beldades de fazer inveja a qualquer homem que se preze. (Imagino o que deverá ter custado ao Carlos ir-se embora, mas ele não deu parte de fraco).
Estranhei não conhecer ninguém, mas como ainda estava pouca gente cá fora, fiquei a aguardar, enquanto depenicava umas migalhas que tinham sido deixadas por anteriores visitantes, penso eu. Ao fim de algum tempo o terraço estava cheio e eu continuava sem conhecer ninguém, mas houve uma senhora que ao ver-me ali me trouxe umas migalhas de quiche que eu debiquei logo. Fiz bem, porque ela chamou outra beldade para me vir ver comer ( ainda não percebi porque é que os humanos gostam tanto de ver a passarada debicar as migalhas que eles nos deixam, mas ainda não perdi a esperança), atrás delas vieram dois executivos e ao fim de uns minutinhos já estavam ali mais de 10 pessoas à minha volta. Comi que me fartei e ouvi umas conversas giras. Uma fininha de saia acima do joelho dizia a outra:
-Eu conheço a sua cara…

-A sua também não me é estranha... não esteve a semana passada no briefing do Hotel X?

-Não, não pude, tive imensa pena, mas nesse dia estava em Paris a apresentar uma colecção. Estive foi na semana anterior no Hotel Y… para assistir à apresentação da empresa Z...

- Ah então é dai! Eu também lá estive.Ó Micá tu também estiveste lá, não estiveste? – perguntou a fininha a outra que falava com um engravatado que tratava deferentemente por senhor engenheiro.

- Estive. Fui com o Bitó. Anda cá Bitó. Ainda não te apresentei a Licas que é directora de produto da Sempre em Pé.
Alguns salamaleques depois trocaram cartões. Fiquei a perceber que aquela gente passava imenso tempo a trabalhar em vernissages, apresentando-se a eles e aos seus produtos uns aos outros, com boa comida e boa bebida por companhia. Disse-me o Carlos que isso se chama fazer negócio...

Pensei para as minhas penas: Brites Maria. Andas tu aí sempre entusiasmada atrás do jet set e ainda não tinhas descoberto este nicho de mercado. Isto sim, é gente com carcanhol. Não se metem nas revistas e gozam muito mais. Tens de arranjar um negócio desses para ti, porque isto é mesmo fixe.
Estava eu a engendrar o negócio em que me havia de meter ( talvez uma coisa parecida com o dr Tallon, porque as gajas do jet set andam sempre a falar de dietas e ansiosas para perder um centímetro no peito e três nas ancas ), quando um senhor que depois fiquei a saber ser doutor se chegou ao pé de mim e enfiou-me um copo no bico.

Eu não sou cotovia para beber álcool, mas também nunca ninguém me tinha posto à prova tão descaradamente. Por isso bebi. Ai o que eu fui fazer! Começaram todos a rir-se muito e cada um me ofereciao copo para eu provar a bebida. Uns, mais educaditos (???), deitavam a bebida na palma da mão e depois estendiam-ma para eu beber. A determinada altura comecei a sentir a cabeça a andar à roda e sem querer dei uma bicada num tipo que me oferecia a palma da mão cheia de sangria de champagne. Por pouco safei-me de levar uma bordoada que me teria atirado para a piscina, com risco de me afogar. Mas, vá lá, devo confessar-vos que aquelas senhoras eram todas muito simpáticas e bem educadas. Começaram a recriminar o arquitecto que, percebi, trabalha num jornal, por ter posto em risco a minha integridade física e depois vieram fazer-me festinhas.

Fiquei muito emocionada com o gesto, porque estou habituada àquelas estúpidas do jet set que não me ligam nenhuma e estas mostraram ter sentimentos. Já eram para aí umas quatro da tarde, estava o pessoal a ressacar refastelado nos sofás do terraço, quando topo dois tipos a falar em surdina. Discretamente voei até um guarda sol que os protegia e ouvi esta conversa:

- Mas como é que não prendem o gajo. Explicas-me?

- Olha, eu não sei. Só te digo que o gajo faz uma vidaça em Londres. Conhece tudo quanto é gente e dá umas festas lá em casa de que toda a cidade fala. Imagina que quando fui almoçar com ele apresentou-me o chefe de gabinete do Cameron. Dá-se com ele tu cá tu lá…

-Pois, por isso é que a polícia inglesa nunca o encontra…

Bem, nesta altura já estava verde de raiva e voei outra vez para o beiral, para junto da minha protectora Micá que ainda me tentou convencer a comer um resto de cheesse cake de maracujá mas eu já estava tão enfartada que recusei.

Por volta das cinco começaram a despedir-se, com o pretexto de que ainda tinham de passar pelas empresas. Topei-os claro… Mas surpreendida fiquei foi quando o Bitó perguntou à Micá se queria jantar com ele ou beber um copo um dia destes e a desavergonhada respondeu logo ".

O tipo ficou um bocado atrapalhado, pediu licença, fez uma chamada e regressou.

-Então está bem. Trouxe carro, claro…

-Sim, trouxe. Olhe se nos encontrássemos na Casa da Marmita às 9 para comer uma sopa? Eu marco mesa.

Bolas, Brites Maria. Tu empanturras-te com umas migalhas e esta malta que não parou de roer entre a uma e as cinco ainda tem vontade para ir jantar? Mas gostei daquele ar finaço a dizer "vamos à Casa da Marmita comer uma sopa”. Como se eu não soubesse que um jantar lá é para cima de um dinheirão, porque tenho uma catatua amiga que lá assentou arraiais e conta-me tudo.

Bem, mas isso agora não interessa nada. Gosto destes executivos. Trabalham a sério e só gostava de saber qual é o hotel onde se vão encontrar na próxima semana… É que tenho de escrever umas crónicas para ganhar a vida, senão ainda sou expulsa do Rochedo.

Bate bate coração (10)

Kate Melua


Quando esta senhora apareceu, o meu coração já batia de forma diferente. Mas como conseguir acalmá-lo ao som desta maravilha?

Lições do futebolês

Portugal -1 Noruega - 0. Não é só no futebol que os pobres podem derrotar os ricos. Basta que saibam organizar-se.