sexta-feira, 3 de junho de 2011

Oferta do CR para o dia de reflexão, com declaração de voto

Amanhã é dia de reflexão. Pensem nisto
Quais são os candidato a quem esta música assenta mesmo bem?

Entretanto, já decidi o meu voto. Mais uma vez não votarei em Sócrates. Mas, ao contrário de 2005 e 2009, votarei PS. Como moro em Lisboa, votarei Ferro Rodrigues.

Sou um tarólogo falhado!




Eu tinha preparado um post onde vos fazia a antevisão do despertar de Portugal na manhã de 6 de Junho. Estava agendado para depois das 22, porque não gosto de exibir aqui filmes de terror antes daquela hora. Acontece, porém, que alguém se antecipou e publicou um muito semelhante. A única diferença é que em vez do Ruas eu exibia a fotografia do Dias Loureiro como futuro ministro das Finanças ou da Justiça ( terá ficado acordado na reunião entre Miguel Relvas e Dias Loureiro, em Miami, que seria ele a escolher o lugar que lhe desse mais jeito).


Assim sendo, vou substituir o post por música e quem estiver interessado pode ver aqui, desde já, a antevisão do nosso futuro. Não precisam de pagar a consulta. Esta previsão é à borla, expressando assim o meu agradecimento ao Bloco de Esquerda pela boa merda que fez.

Estou à vossa espera, camaradas!

Concordo com muito do que Joana Amaral Dias diz nesta entrevista ao "i". Tenho porém a sensação, de que se está a posicionar para outros voos e a entrevista é uma mensagem para dentro PS: "Quando mudarem de líder, não se esqueçam de mim!"

Uma manhã com vista para o mar




Princípio da tarde, estou a almoçar, toca o telemóvel. Não atendo. Dez minutos depois volta a tocar , vejo o número e hesito. Pode ser um pedido de trabalho, nos tempos que correm o melhor é atender.


- Podes ir amanhã a… fazer a cobertura desta apresentação? É um trabalho de duas horitas e ficas despachado.


O local agrada-me. O hotel onde decorrerá o evento fica perto do Rochedo, tem uma localização privilegiada junto ao mar e está um tempo excelente. O tema nem tanto. Aceito por amor à EDP, à GALP e a todos aqueles a quem tenho de pagar, no final de cada mês, os serviços que me prestam.


No dia seguinte, pontualmente, lá estou. Sou dos primeiros a chegar. Um acidente na A5 serve de justificação para quem está atrasado. Sento-me na esplanada a tomar um café. Na piscina há estrangeiras de biquíni a gozar o sol. Eu estou engravatado ( recomendação expressa do director ) e sinto-me como um esquimó no Equador.


As pessoas começam a chegar em catadupa. Entram corpos curvilíneos de jet set generosamente despidos e executivos barrigudos de fatinho e gravata. Olho para eles como se estivesse a mirar-me ao espelho e, descontada a barriga, imagino a minha figura ridícula.


Decorrem conversas animadas na esplanada, as pessoas bebericam cafés e bolinhos, não têm pressa de ir trabalhar. Olho para o relógio. O evento estava marcado para as 10, já passa das 11 e às duas da tarde tenho de estar em Lisboa a fazer uma entrevista que me custou muito concretizar.


São onze e vinte. Preguiçosamente, os corpos dirigem-se para uma sala sem janelas, onde decorrerá a apresentação. Às onze e meia começa a apresentação. Ao fim de 15 minutos já percebi o engodo. Fui atraído a uma "reunião de tupperwares". A diferença é que, no caso vertente, a anfitriã é uma empresa que pretende vender a outras empresas um equipamento tecnológico que, alegadamente, lhes irá permitir aumentar a rentabilidade e poupar em custos de pessoal ( apresentador dixit) .


Abandono a sala e ligo ao director da publicação


-“ Eh pá, isto é uma reunião de tupperwares! Metes-me em cada uma...


Ouço risos do outro lado do fio.


“ Olha, tira umas fotos escreve meia dúzia de linhas sobre o produto, faz duas perguntas ao Dr X e vem-te embora. Mas olha, esqueci-me de te dizer… no final tem almoço e olha que aí come-se bem”.


"Tenho de estar em Lisboa às duas, não tenho tempo para almoçar”.


“Faz como quiseres. Mas amanhã quero cá o trabalho, ok?”


“ Combinado”


Telefono a uma amiga a pedir ajuda.


“ Tens aqui uma coisa à tua medida. Vem ter comigo e traz a máquina fotográfica”.


A minha amiga chega, explico-lhe o que quero e saio por volta do meio dia e meia. Alguns dos executivos já se alambazavam com aperitivos, enquanto lançavam olhares lascivos às meninas generosamente despidas.


À porta do hotel, um parque de estacionamento de automóveis topo de gama. Alguns motoristas conversavam em surdina sobre a situação política. Ou seria futebol? Não faço a mínima ideia.


No caminho para Lisboa vim a pensar na produtiva manhã ( que se iria prolongar tarde dentro) de todos aqueles executivos.


Que se terá passado a seguir? Eu já sei, mas pedi à Brites que seja ela a contar-vos, porque assistiu a tudo. À minha custa, já tem crónica para escrever aqui no domingo.

Mudam-se os tempos...

Como é visível pelo bulício noticioso em torno das eleições, já lá vai o tempo em que “ o sonho comandava a vida” e esperávamos a chegada de D.Sebastião numa manhã de nevoeiro para nos salvar.

Hoje a Pedra Filosofal passou a ser a banca e o D. Sebastião que comanda os nossos sonhos e traça os nossos destinos é um triunvirato internacional sem rosto definido.

Coelho, o verdadeiro artista

Contava-me a minha mãe que nos anos 50 havia no Porto um médico muito afamado que se ufanava de acertar sempre no sexo da criança ao terceiro mês de gestação ( Lembro os leitores mais jovens que naquele tempo não havia ecografias).
Quando uma grávida lhe perguntava qual era o sexo da criança ele dizia (por exemplo):
- Vai ser rapaz. Aponte aí numa agenda que eu vou apontar na minha.


Veio a descobrir-se mais tarde que ele apontava sempre, na sua agenda, o sexo contrário àquele que comunicava à grávida. Assim, quando errava e a mãe o confrontava ele respondia:


- Não, minha senhora. Eu acertei. Ora veja o que tenho aqui escrito na minha agenda!


Lembrei-me deste episódio a propósito das constantes contradições de Pedro Passos Coelho que, suponho, sejam inspiradas por aquele médico. Dizendo todos os dias uma coisa e o seu contrário, poderá sempre provar, quando confrontado com uma medida contrária ao que prometera em campanha eleitoral, que nunca mentiu aos portugueses. Um verdadeiro artista este Coelho.