segunda-feira, 30 de maio de 2011

Sem tento na língua

Numa entrevista ao "Expresso" Pedro Passos Coelho proferiu uma frase que é candidata a "Frase mais cretina da campanha" Referindo-se à troika e ao programa imposto a Portugal esclareceu :“De certa maneira, o PSD ganhou um aliado para a mudança que é preciso fazer, que foi o programa de ajustamento.”


Entretanto, a aia de Cavaco decidiu botar faladura na campanha do PSD. Depois de ter manifestado as suas reservas quanto à sua satisfação por ver PPC em S.Bento, disse que nem com Sócrates na oposição ficaria descansada. Estaria MFL a sugerir que Sócrates devia ser julgado em tribunal popular e proibido de exercer quaisquer cargos públicos no futuro? É que não vejo outra forma de MFL se ver livre do fantasma da derrota humilhante infligida por Sócrates em 2009.



E como não há duas sem três, o tarólogo - comentador com banca instalada na TVI contorceu-se para defender a vitória de PPC, prognosticou que o PS tinha agora 35% de hipóteses de ganhar as eleições, mas teria muitas mais se não fosse Sócrates e afivelou um discurso catastrofista comparando o nosso futuro com o presente da Grécia. E a Islândia, prof Martelo? Já pensou na possibilidade de os portugueses se inspirarem no exemplo islandês?





Chamem os bois pelos nomes, sff.

Quando alguém se dirige a um banco para pedir um empréstimo assina um contrato no qual o banco se compromete a entregar-lhe o dinheiro de que necessita. Quem pede o empréstimo compromete-se, por sua vez, a restituir ao banco a quantia emprestada, ao longo de um período acertado entre as duas partes,acrescida do pagamento de juros determinados pelo banco, os quais constituirão lucro para a instituição que concedeu o crédito.

O valor dos juros é negociável, podendo variar entre o razoável e a agiotagem pura, competindo aos consumidores negociar com a instituição financeira que lhe ofereça melhores condições.

Alguma pessoa que contraiu um empréstimo diz “ fui pedir ajuda ao banco para comprar a minha casa”? Obviamente que não.

É por isso que não percebo a insistência da comunicação social em falar da ajuda do FMI e do BCE a Portugal. O governo pediu um empréstimo e irá pagar juros elevadíssimos cobrados pelas duas instituições. Ao contrário do que acontece com os consumidores, os países não têm escolha quanto à entidade que lhes concede o empréstimo, porque não funciona a Lei da Concorrência. Daí que sejam obrigados a aceitar os juros agiotas impostos por quem pode conceder o empréstimo, sob pena de entrarem em bancarrota.

Qualquer jornalista estagiário sabe isso, pelo que não percebo a insistência da nossa comunicação social em falar de “pedido de ajuda”. Portugal pediu um empréstimo e os nossos credores comportaram-se como agiotas. Ponto final.

Os filmes da minha vida (21)




Há um blog com o título deste filme que visito com muita frequência. Apesar de ser um filme dos anos 40, o tema conserva uma grande actualidade. Uma das pérolas do cinema italiano, não vos parece?

Figura da semana

W.H.Hudson

(1841-1922)

Guillermo Enrique Hudson



WH Hudson, também baptizado Guillermo Enrique Hudson, nasceu em 1841 em Quilmes, província de Buenos Aires. Filho de emigrantes americanos que no século XIX demandaram a Argentina é um escritor pouco conhecido entre nós, mas lembrei-me dele a propósito do caso DSK, como adiante explico.

Travei conhecimento com a sua obra quandio visitava sua terra natal. Perante uma estátua que pontificava num jardim de Quilmes, com o seu nome bi-lingue, quis saber de quem se tratava. No Turismo local colhi algumas escassas informações. De regresso a Buenos Aires, mergulhei numa Biblioteca em busca de informação complementar, pois a funcionária que me atendera dera-me uma dica preciosa: Hudson escrevera um dos melhores livros de todos os tempos sobre as Pampas. Porventura entusiasmada pela atenção que eu prestava ao que me ia relatando, a senhora acrescentara que só o livro de Bruce Chatwin, sobre a Patagónia, se podia equiparar-se-lhe.

Nas minhas incursões pelas livrarias da Corrientes pude constatar que WH Hudson escrevera não um, mas sim vários livros sobre as Pampas, tendo acabado por comprar a versão espanhola de “Tales of Pampas”, a conselho de um livreiro local. Mais tarde vim a descobrir um livro dele sobre a Patagónia, que fui obrigado a comprar quando li na contracapa a seguinte frase: "A Patagónia é a cura para os males da Humanidade".

Tinha acabado de "me perder" na Patagónia durante três meses e não podia estar mais de acordo com aquela frase. Foi assim que comprei “Idle Days in Patagonia”, que li de um sopro, a que se seguiu “Far Away and Long Ago”

WH Hudson é naturalista e a sua escrita torna-se por vezes enfadonha, mas um apaixonado pela Argentina ultrapassa tudo para tentar perceber como era a Patagónia no século XIX e as descrições feitas por Hudson são uma viagem só equiparável à que nos proporcionou anos mais tarde Bruce Chatwin, o autor que me acompanhou na primeira aventura pela Patagónia.

Hudson deve ter sido um tipo peculiar. Abandonou a Argentina com 32 anos, depois da morte do pai, e foi viver para Inglaterra. Ali casou, aos 35 anos, com uma mulher de 50 e ali morreria, suspirando pela sua amada pátria argentina onde, feitas as contas, vivera menos um terço da sua vida. Desde que partiu para Inglaterra nunca mais regressou à Argentina, mas viveu o resto dos seus dias ansiando i regresso ao país que lhe marcou a vida e a obra literária.

Para além de ter vivido sempre na miséria, à custa da mulher que ia abrindo pensões à mesma velocidade com que as levava à falência, tinha umas ideias muito sui generis sobre a sexualidade. E foi por causa disso que me lembrei dele quando aconteceu o episódio de DSK em Nova Iorque.

Dizia Hudson que não haveria Paz na Terra enquanto a fúria sexual não fosse extinta. Ora esta teoria levava-o a uma outra ainda mais arrevezada , num outro livro (A Christal Age) onde discorre vastamente sobre a sexualidade e os seus "perigos". Entre várias bizarrias (incompreensíveis até para a Argentina do século XIX predominantemente composta por machos) defende que a sociedade devia adoptar o modelo da colmeia, onde uma mulher desempenharia o papel de abelha-mestra, procriando para toda a comunidade.

Se pudesse fazer uma pergunta a DSK seria, obviamente, sobre esta teoria de Hudson.

Jornalismo ensandecido

Na "NS", suplemento do DN e JN ao sábado, foi publicado um conjunto de reportagens com os líderes partidários. A reportagem com Jerónimo de Sousa tinha este sugestivo título:
"O comunista de rosto humano".

Basta ler alguns blogs para pereceber que na redacção do DN ainda há jornalistas que acreditam que os comunistas comem criancinhas ao pequeno almoço e matam os velhos com injecções atrás da orelha. Daí que não seja motivo de espanto que considerem Jerónimo de Sousa um ET dentro do PCP.
De quaquer modo apeteceu-me pedir o dinheiro de volta, porque comprei um jornal e venderam-me um pasquim.

Grandes realizadores (21)

Alain Resnais

Desde " O Último Ano em Marienbad" ( mais um filme da minha vida) até Na Boca não, passando por Providence ( outro grande filme)... tudo razões para o incluir nesta galeria. O mês está a terminar e ainda me falta uma extensa lista de grandes realizadores que me proporcionaram excelentes momentos na minha vida.